Acampamento Russo
4 3. Seja Bem Vinda
Notas iniciais
Assim que a Lisa saiu do carro, ela teve uma surpresa um tanto quanto esquisita, o acampamento não era nada de como ela havia imaginado, era um conjunto de várias coisas maravilhosas, haviam muitas árvores, naquele pequeno estacionamento onde mais uns dez carros estavam estacionados. Era em cima do que parecia ser um morro onde do horizonte podia ver um lago gigantesco, deixando a vista muito maravilhosa se possível. Graças aos deuses ela tinha se lembrando de colocar sua máquina de fotográfica na mala. Fotografar era uma dos seus favoritos hobbies desde que tinha apenas oito anos quando ganhou sua primeira máquina dos seus pais de natal.
Tirando o olhar da paisagem incrível, viu seus novos colegas, eles eram uma mistura de várias partes do mundo, era uma mistura muito cultural, pensou, poderia aprender muito com todos aquelas culturas, conhecer o mundo, perguntar sobre várias coisas que tinha lindo, mas não tinha entendido muito bem sobre determinadas culturas. Estava se sentindo no verdadeiro campo de conhecimento. E só por eles estarem ali, existia algo em cada um deles que ela poderia compartilhar seu conhecimento e aprender com os dos outras, estava excitada com as coisas que irá aprender com todos.
– Queridos, por favor, se aproximem! — gritou uma morena, bonita perto de um jipe. — Bem-vindos ao Acampamento Russo, sou a Blue a chefe dos setor dos novatos. Esse é meu primeiro ano, então posso falar algumas bobagens. — deu um risada com seu comentário, o que mais surpreendeu a nossa Lisa, foi que a Blue tinha uma aparência de criança. Parecia ser jovem demais para ficar com uma responsabilidade tão grande, mas as aparências enganam, Lis. – Suas malas serão levadas para suas cabanas, enquanto, vamos para a palestra de boas vindas, ministrada pelo Sr. Russo. Onde esclarecerá todas as suas dúvidas sobre esse tão misterioso acampamento. Vamos, subam no jipe.
***
A Blue deixou os novatos em uma clareira, onde havia um palanque improvisado, com uma placa escrita a mão, dando Boas-vindas ao Acampamento, que deveria ser usada a muito tempo graças ao número 4 que estava com um fundo diferente ao restante da faixa. Na clareira havia um prédio gigantesco e ao lado, mais ao fundo, tinha umas pequenas cabanas tanto no lado direito quanto no esquerdo.
Devem ser os dormitórios, pensou.
– Boa tarde! — uma voz baixa chamou sua atenção ao centro da clareira, onde no palanque, a pouco desculpado, se encontrava um homem. Aparentava ter seus 40 anos, alto, cabelos marrons. — Mais um ano, que recebemos um número assim tão alto de integrantes. Sou Cameron Russo, diretor do acampamento, com deve ter percebido. — fez uma pausa analisando todos os novos integrantes, vários rostos conhecidos e ao mesmo tempo desconhecidos, únicos. Cada um havia uma característica única, algumas fáceis de lidar e outras nem tanto. Mas todos represavam uma só expressão, curiosidade.
– A curiosidade é uma coisa absolutamente fascinante. — pensou alto. — Tão fascinante que é uma pena acabá-la desse jeito. Todos vocês foram selecionados, entre milhares que disputaram essas únicas vagas. Vocês têm vários talentos únicos, que serão bem usados, aprimorados e saíram daqui com outros. Ainda devem estar se perguntando que talentos são esses? E para que seriam usados e aprimorados. Simples, quando esse acampamento foi criado há dez anos, seu objetivo era criar profissionais habilidosos, corajosos, inteligentes. Usando suas próprias características em coisas raras, invencíveis. Sejam Bem-vindos, ao único Acampamento para Ladrões.
Os rostos de todos eram uma variedade de todos os tipos de expressões de surpresa, que deixam o homem de cabelos terra mais alegre do que tudo.
– Sei que isso é uma surpresar para todos, mas tenho que falar algumas regras básicas para a sobrevivência de todos. Primeira regra é a mais importante de todas: Nunca se deve falar sobre o Acampamento. Segunda: Não se deve falar sobre o Acampamento em qualquer hipótese, nem sobre tortura ou para algum familiar. Terceira: Não deve ter contato, brigas ou algum tipo de relacionamento afetivo, com qualquer outro membro. Essas são as regras principais do acampamento, existem outras que vocês como novatos não precisam saber, ainda.
– E o que acontece se não quisermos ficar aqui? — perguntou alguém no meio daquela pequena multidão, o Cameron ficou procurando que tinha a coragem de fazer aquela pergunta.
– Poderia repetir a pergunta?
– O que acontece se não quisermos ficar? — dessa vez ele achou que aquela voz doce pertencia, uma das poucas herdeiras que existiam naquele meio.
– Elas simplesmente assumiram uma responsabilidade que deixaria sua família em uma situação perigosa, Senhorita Lake.
***
– Uma jogada nada inteligente.
– Não era para ser inteligente. — respondeu.
– Era para ser o que?
– Uma pergunta inocente!
– Inocência não cai bem em você. — afirmou à inglesa. — Prazer, Monique Wheatcroft.
A menina de cabelos dourados, parou de encarar a porta onde a pouco o Russo sumiu e encarou a garota ao seu lado. Ela era linda, daquelas que paravam o transito usando apenas um moletom velho e rasgado. Seus cabelos eram grandes e brilhantes, negros como a noite, olhos grandes, que a fazia lembrar-se de duas grandes amêndoas.
Suas características não eram nem um pouco familiares, porém o seu sobrenome soava familiar.
– Lisa, Lisa Lake.
Alguma coisa chamou atenção da menina de olhos grandes, perto da entrada da pequena trilha. Ele não perdia tempo mesmo, pensou. Dando um pequeno sorriso de canto de boca.
– Muito bem, Barbie. Para sua possível desgraça, vou ser sua companheira de cabana. E responsável por mostrá-la o acampamento. — falou com se tivesse decorado aquela pequena frase. E havia mesmo, já estava entediada demais com sua companheira, ela era completamente uma chata. Mas para a Monique todos eram chatos e insuportáveis. E graças a Princesa Branca, que achava que ela precisava de amizades “femininas”. – Vamos Barbie, não temos o dia inteiro.
A loira ficou um bom tempo parado olhando a inglesa indo em direção aos dormitórios ao lado esquerdo, que ela supôs ser o das moças. Algo dizia que aqueles três meses não seriam nada legais para ela.
***
Ela ficou surpresa com simplicidade da sua cabana, por fora tinha aspecto de ser acolhedora, que fazia a lembrar que estava no campo, mas já por dentro haviam duas camas de solteiro, duas cômodas de madeira reciclável, um banheiro pequeno. Contudo, o que a deixou sem chão foi ver que sua cabana era a única que tinha ar condicionado. Ela havia questionado a morena, que tinha dito que quando fazia frio naquela região, era com estar perto de uma geleira.
As horas seguintes foram completamente em prol a Monique que tinha insistindo que ela tinha que arrumar todas as suas coisas e trocar as camas e a luz que estava comendo a queimar. Ao invés dela conhecer o lugar onde ela passaria os próximos três meses.
Ao invés disso, ela havia se tornado a empregada particular da inglesa.
Em quanto a Lisa trocava a lâmpada, a morena observava todos os movimentos que ela havia ordenado a pobre garota fazer. Era com um teste de boas-vindas, onde ela buscava saber como seriam os próximos meses. E com apenas alguns minutos ela soube que sua companheira de quarto, era uma verdadeira caixa de pandora. Pois, ela tinha ficado com raiva das coisas que a morena havia pedido, mas mesmos assim ela estava fazendo. Não era com a companheira da Rafaela, ano passando, que era uma pessoa nada temperamental. Que tinha matado a Rafa quando estava dormindo.
A loira em sua frente era com um rio calmo, sem perigo à vista. Os mais perigosos era na verdade os mais calmos, pois nunca saberia onde estava se metendo.
– Vamos lá fora, tem muitos lugares que você precisa conhecer. – falou, colocando seu tênis.
– Mas tenho que terminar de arrumar isso aqui. – respondeu a loira ainda em cima da escada.
– Suas coisas e essa luz não vão sair andando. Quando voltar elas estão no mesmo lugar.
Lisa ficou um bom tempo encarando a inglesa, se perguntando qual deveria ser o problema dela.
Durante todo o caminho a pequena Lis, se encantava mais com a beleza daquele lugar. Tinha tantos lugares que ela poderia explorar e encontra um lugar apenas seu, com as cavernas que ficavam perto da pequena cachoeira e entre outras coisas.
– Parecia bem maior lá de cima.
– É por que você não conheceu tudo. — respondeu tirando um cigarro do seu jeans.
– E por que não conheci tudo?
– Você adora fazer perguntas, não?- falou dando um trago no seu cigarro.
– Só quando estou sendo tradada com uma sonsa. – a morena deu um sorriso de canto de boca, que fez a Lisa perder a paciência. — Tá legal, você não vai me responder mesmo, do por que...
– Pare de gritar, ninguém é surdo aqui. — disse cortando a loira. — E se eu não te mostrei os outros lugares é porque você não pode conhecê-los ainda. Agora vamos, temos que trocar de roupa antes da fogueira.
– O que é essa fogueira?
A Monique respirou antes de responder.
– Você vai ver quando chegar a hora.
***
A noite estava maravilhosa, a lua estava brilhante e as estrelas estavam tentando roubar a beleza dela, naquele céu negro.
Todos os campistas estavam rodeando a fogueira, onde a Monique havia dito que era para se enturmar. O que era uma tarefa muito difícil para a menina de cabelos dourados. Que via todos em sua volta conversando animadamente, parecendo que se conheciam há anos, dançando em uma pista improvisada com não tivesse ninguém olhando.
Ela estava incomodada estar rodeada de pessoas, que não estavam perdidas em suas próprias ilusões. Saiu devagar caminhando pelo caminho que há poucos minutos havia passando com a Monique, seguiu tentando achar a trilha de volta para seu dormitório. Para tentar absorver todas as informações que esse dia havia trazido.
No caminho, ela encontrou uma trilha que dava para a pequena represa que rodeava todas as possíveis saídas do acampamento. Seguir até o píer, onde tirou os sapatos colocando os pés na água, que mesmo no calor infernal que fazia estava gelada. Deitou no píer olhando as estrelas, buscando sua constelação, que seu pai havia encontrado alguns anos. A Draco, era muito difícil de encontrar, pelo menos para uma pessoa sem experiência em ligar as estrelas.
– Vamos!
A voz tirou a Lisa de seus pensamentos mais alegres, para sua realidade cruel. Alguém estava vindo. Tirou o mais rápido seus pés da água.
– Calma! Meus sapatos estão escorregando nesse chão. Não tinha outro lugar, menos escorregadio que poderia me trazer? – respondeu uma voz irritante, era fina de mais para os ouvidos da loira. Que estava procurando um local para se esconder.
– E acabar com toda a diversão? — informou uma voz com um sotaque forte.
Com aproximação das vozes ela saiu correndo pelo píer, sem saber porquê estava fazendo isso. Já que não tinha nada para esconder.
Do outro lado a poucos metros do píer, duas figuras apareceram, com suas roupas um pouco de folhas verdes e com os sapatos cheios de lama. O primeiro a aparecer foi um garoto de cabelos escuros, seguindo por uma garota de cabelos castanhos. Aproximação dos dois deixou a Lisa enciumada, pois previa o que aqueles dois estavam tentando fazer ali. E por ter roubado o seu esconderijo.
– Por que me trouxe aqui? — perguntou a garota de voz fina.
O garoto estava perdido no céu negro, olhando a lua. E se perguntando por que diabos havia trazido ela aqui.
– Vamos nadar! — respondeu tirando sua camiseta. A garota de cabelos castanhos deu um sorriso assim que viu o corpo cheio pintas, que a deixava louca para ligar todas elas, com um jogo. Seguiu ele, tirando seu vestido verde, ficando apenas de sutiã e calcinha, deu um ultimo olhar a ele antes de cair na água.
Se sentido com uma velha fofoqueira, Lisa estava envergonhada de si mesma olhando a vida daqueles dois. Quando viu o garoto tirando a camiseta, diferente da menina de voz fina, pensou ter visto a uma tatuagem em seu braço esquerdo e soube naquele instante que tinha que sair o mais rápido possível daquele local. Mas seus pés não estavam respondendo seus comandos. Haviam criados raízes.
Um barulho tirou atenção do rapaz da menina que estava nadando no rio, para uma parte da floreta. Pensou ter visto alguém ali, deve ser algum bicho, disse para si mesmo.
– Essa água está muito fria, só para você saber.
– Posso esquenta-la, se você quiser, é claro.
***
Correu o mais rápido possível, pela mata procurando pela a trilha que a levava para sua camba. Só que ela não fazia ideia de onde estava indo, seus pés estavam a guiando para mais dentro da mata.
– Só o que me faltava.
Estava perdida.
Olhando de um lado para outro algo chamou sua atenção, mesmo com um pouco de luz. Era possível ver um desenho em uma das arvores mais ao longe perto da beirada da represa. Era um desenho de um mais um casal, que achava que escrever em árvores era possível preservar o amor tolo e feliz. Para Sempre.
Mas o que a mais chamou sua atenção, era o desenho que apenas uma pessoa sabia desenhar assim. Uma fênix grande ocupava quase toda a frente daquele lado, acima estava descrito alguma coisa em latim, que ela não fazia ideia do que estava escrito. Mas o que mais a deixou a pasma era o que estava escrito em baixo.
“Amanda e Johan”
Seus pais.
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