Notas iniciais
Aí está o primeiro capítulo.
O agradecimento especial deste capítulo é para Louise, que me ajudou a escrevê-lo.
bjs
Até lá em baixo.

A tarde estava quente, o sol se punha no horizonte banhando a praia com uma luz dourada, as nuvens estavam pintadas de rosa, coladas ao céu azul-claro, que descia até se encontrar com as águas tranquilas do mar, que iam e vinham marcando a areia por onde passavam.

Eu caminhava pela praia, segurando minhas sandálias, deixando que as ondas molhassem meus joelhos, sentindo a areia entre os dedos dos pés e o vento jogando meus cabelos para trás.

Só ouvia o barulho das ondas arrastando as conchas para dentro do mar, para os domínios de meu pai. O Acampamento estava calmo e relativamente vazio, ou seja, poucos semideuses se juntaram a nós recentemente, mas eu tinha a sensação de que isso ia mudar.

Continuei caminhando, deixando o tempo passar, o sol descer no céu ameaçando tocar a água, antes de se esconder atrás das montanhas abrigadas pela distância.

Quando já estava começando a ficar escuro, eu voltei para o chalé e escutei barulhos diferentes, o Acampamento estava tomado pela agitação dos semideuses. Sem me dar conta, andei até o meio da confusão. Meus amigos já estavam lá. Reconheci todos os rostos, a não ser os de um menino e de uma menina, que estavam no meio dos semideuses, provavelmente o motivo da confusão.

A menina era alta, quase do tamanho do menino ao seu lado (ele também era alto), seus cabelos tinham cor de fogo, os olhos verdes examinavam nossos rostos e tudo ao redor, sua pele era clara e realçava a cor dos olhos e dos cabelos. Ela levava no rosto um sorriso largo, curioso, que iluminava suas faces. O menino era muito alto, os cabelos dourados caíam-lhe nos olhos azuis brilhantes, ele era musculoso e forte. Ele estava sério e nos olhava sem muito interesse, mantendo-se perto da menina, que depois descobri se chamar Callie. Viramos amigas muito rápido e descobri que ela era bem humorada, de riso fácil, fazia todos ao seu redor sorrirem , sempre conseguia melhorar o clima, expressiva, curiosa, com dificuldades para se concentrar e muito otimista. Ela e o menino eram muito amigos. Mais tarde, por causa de Callie, soube que seu nome era Arthur. Ele era aventureiro, decidido, teimoso, adorava desafios, tinha força de vontade, autoconfiante, inteligente.

No meio da multidão de curiosos, vi Bethany. Minha melhor amiga. Ela era mais alta que eu, os longos cabelos negros cascateavam até a cintura, os olhos eram azul-claro e carregavam um sorriso eterno. Era raro aquela luz dentro de seus olhos acabar. Ela é sensível, romântica, inteligente, divertida, calma, e sempre consegue me fazer rir.

Beth estava ao lado de Ben, o meu melhor amigo e Daniel, meu namorado. Nós quatro vivemos grudados um no outro. Somos um time, segundo Beth, se alguma coisa ruim acontece com um o outro sente. É sério! Já aconteceu. Há algum tempo, eu estava aqui há mais ou menos três anos e Beth há dois. Nós duas estávamos caminhando na praia (já deu para perceber que eu adoro fazer isso, né?). Então, levaram Bethany embora e logo depois Ben e Daniel apareceram, eles estavam brancos e desesperados, antes de saber o que tinha acontecido.

Ben era moreno, os cabelos castanho-claros iam até os ombros, seus olhos eram verdes, ele era alto e forte com os músculos definidos. Ele era divertido e bobo, falava uma coisa idiota depois da outra, sempre nos fazia rir, descontraído e despreocupado, bem parecido com Callie.

Daniel tinha músculos definidos, era alto, suas costas eram largas, os olhos cinza tinham um brilho incomum, os cabelos dourados caiam sobre a testa. Ele era tranquilo, forte, inteligente, corajoso.

Logo, Callie e Arthur entraram para o grupo também. Então, nós seis vivíamos juntos. Mas, vamos começar do começo.

Bethany

O sol estava se pondo e imaginei que Morgana estivesse na praia, só para variar um pouco. Mas, eu entendo. É uma das poucas conexões que ela tem com seu pai e, vamos combinar? A praia é linda e fica mais linda ainda com o pôr do sol. Eu gosto de assistí-lo da janela do chalé de minha mãe, Atena.

Eu estava sentada na janela, quando ouvi um barulho estranho, mas quando olhei para fora não vi nada. Mas, o barulho ia crescendo. Desci da janela e fui ver o que estava acontecendo.

Eu andei em direção à confusão, e vi alguns semideuses em torno de duas pessoas. Provavelmente, semideuses novos. Cheguei mais perto e quase perdi o fôlego quando vi o garoto no meio da multidão: ele era lindo demais! A menina ao seu lado também era muito bonita.

Tinha tanta gente lá, que os meninos ficaram presos no meio. Eu também fiquei presa no meio da multidão, doida para sair de lá, mas não tinha nenhum espaço para passar.

Então eu vi Morgana, minha melhor amiga. Ela estava segurando as sandálias, com os pés sujos de areia e as pernas molhadas até o meio das coxas. Os longos cabelos castanhos que quase chegavam à cor de cobre estavam presos em uma longa trança que descia até suas costas. Os olhos castanhos sempre atentos viajavam pela multidão, ela provavelmente estava tentando entender o que estava acontecendo. Morgana era alta, mas um pouco mais baixa que eu. Ela é muito inteligente, é muito forte, se considerarmos tudo que ela passou... É uma guerreira, destemida, muito teimosa, se irrita fácil, tem um sorriso lindo e é a líder do nosso grupo. Não que tenhamos hierarquia, somos todos irmãos, não de sangue, mas eu, ela, Ben e Daniel temos uma ligação especial. Mais tarde, descobrimos que temos uma ligação especial com Callie e Arthur também.

Vi Morgana se afastar, ela devia estar indo para seu chalé. Ela odeia multidões. Eu não ligo, mas já estava começando a ficar incomodada, e por fim consegui abrir caminho e ir com Morgana para o chalé de seu pai. Não tinha como voltar para o chalé da minha mãe, só consegui abrir caminho para o lado oposto. Eu ainda não tinha tomado meu banho que sempre tomo antes do jantar, mas talvez Morgana me deixe tomar banho lá no chalé dela e me empreste uma roupa.

–Oláa!- disse quando abri a porta.

–Oi, Beth.

Ela olhou para mim e advinhou o que eu queria. Eu e ela somos assim desde que nos conhecemos, sabemos o que a outra precisa só de olhar para ela:

–Ocuparam o caminho para o chalé e você quer tomar banho?- ela me perguntou.

Assenti.

–Você e seu TOC- ela me provocou.

–Não é TOC. É só que não sou suja que nem você!- eu respondi, rindo. Ela riu também. Nós somos assim, que nem irmãs.

–Olha, só por que você me chamou de suja eu vou primeiro-Morgana me disse com um sorriso largo no rosto. Olhei para ela e disse:

–Então vai, porquinha! – nós duas explodimos na gargalhada, eu nem sabia de onde aquilo tinha vindo.

Ela foi e quinze minutos depois foi a minha vez. Quando eu saí, vi que Morgana usava calças jeans uma blusa de renda branca aberta atrás, os cabelos estavam soltos e já faziam cachos largos que desciam até as costas.

Ela já estava com o armário aberto, para que eu pudesse escolher uma roupa. No fim, escolhi um vestido roxo com estampa florida, que era meu e estava esquecido aqui há um tempão. Eu o reconheci na hora, até por que ele não tem nada a ver com Morgana!

Fomos jantar. A regra de cada um senta-se à mesa de seus próprios pais já fora revogada e eu e Morgana nos sentamos juntas. Logo depois, Ben e Daniel se juntaram a nós.

–Cara, vocês já viram os meio-sangues que chegaram hoje?- Ben perguntou. Morgana se mostrou desinteressada no assunto, ela só deu de ombros.

–Não- Daniel respondeu

–Eu os vi!- eu respondi

–Cara, a menina é muito linda! – seus olhos brilharam e nós rimos de sua expressão.

–Você já sabe o nome dela?- Daniel perguntou, ainda rindo.

Ben pensou um pouco e sua expressão se tornou desanimada:

–Não...

–Então, agora é uma boa hora para você descobrir- Morgana disse, sorrindo, apontou para uma pessoa que chegava ao refeitório, eu estava de costas, então tive que me virar. Não estava numa posição boa para identificá-la, mas sabia quem era.

Ben se levantou e foi falar com a menina. Em poucos minutos, os dois estavam na frente da mesa.

–Galera, essa é a Callie. – ele se virou para nos olhar. Depois, se virou para ela- Callie, estes são: Bethany, Daniel e Morgana.

Nós sorrimos, e Morgana acrescentou:

–Por que não se senta conosco.

–Obrigada.

–Ben, eu não acredito que você tenha se esquecido de convidá-la para se sentar!- eu impliquei.

Ele pareceu preocupado e Callie riu e nos juntamos a ela, a expressão de Ben estava muito engraçada! Na verdade, apesar de ser muito bonito, Ben sempre fazia umas caretas divertidas!

Nós jantamos, e vimos como Callie era gente boa. Desde então ela começou a andar com a gente.

Callie

O Acampamento era muito bonito! E as pessoas muito simpáticas! Eu e Arthur chegamos ao Acampamento juntos. Assim que chegamos fomos para o chalé de Hermes. Ele era a única pessoa que eu conhecia, até a hora do jantar, quando ele não quis ir ao refeitório e eu fui, por que estava com fome.

Sentei-me com Ben, Bethany, Morgana e Daniel. Gostei deles e, senti que têm uma ligação muito forte entre si. Desde então, comecei a andar com eles. Bethany me explicou tudo sobre as regras do Acampamento, Morgana me explicou sobre os treinamentos, Daniel e Ben falaram sobre as missões que às vezes os campistas devem fazer. Desde missões perigosas até missões mais tranquilas, em busca de novos semideuses.

Morgana chegou ao Acampamento aos oito anos, nove anos atrás. Bethany um ano depois. Daniel e Ben chegaram juntos quando tinham treze anos. Eles estão aqui há cinco anos.

Depois do jantar, combinamos de nos encontrarmos na manhã seguinte no campo de treinamento e eles me mostrariam tudo no Acampamento. Nessa hora, eu pensei em Arthur. Ele devia estar sozinho no chalé vazio. Ben queria me acompanhar até o chalé, mas Bethany não deixou, ela disse que me deixaria lá.

–Por quê, Beth?

–Porque o chalé de Zeus é mais longe do de Hermes que o de Atena. Além do mais, quero conversar com a Callie. – o que ela iria querer conversar comigo?

–Mas...

Daniel e Morgana riram da disputa entre Ben e Bethany.

–Ben pode te levar outro dia, não é?- Morgana me perguntou, se esforçando para parar de rir. Eu sorri para ele e assenti:

–Sempre que você quiser.

–Então tá. Vejo vocês amanhã. – ele sorriu e foi embora.

Morgana e Daniel também se despediram e foram para seus chalés.

Olhei para Bethany, ansiosa, esperando que ela me dissesse o que queria.

–Calma- ela me disse, dando um sorriso e consegui ficar mais calma mesmo- Acho que Ben está gostando de você.

–Ah! –entendi sobre o que ela queria falar- Você quer que eu me afaste dele? Mas, eu nem me aproximei...

Bethany começou a rir. Não entendi nada.

–Não é sobre isso!- olhei para ela- Por que você pensou que fosse isso?

–Porque você mandou Ben ir embora...

–Calma, Callie. –ela me interrompeu e sorriu- Não é sobre isso. Não sou do tipo ciumenta, não quero dividir as pessoas de quem gosto, claro. Mas, confio nelas. E não ia tirar satisfação com ninguém. Além de tudo, Ben é como um irmão para mim. Assim como a Morgana e Daniel.

–Ok, desculpa.

–Tudo bem. Mas, eu realmente acho que ele tá afim de você.

–É só por que sou nova aqui, daqui a pouco entra outra e vão todos atrás.

Bethany pensou um pouco antes de responder:

–Faz sentido.

Sorri.

–Mas, acho que você não quer falar sobre isso. O que você que saber?

Ela sorriu de volta.

–Você é esperta! Você fala com mais alguém, além de nós?

A única pessoa com quem falava era Arthur, que chegou comigo. Isso era óbvio. Bethany e todos os outros sabiam disso.

–Você quer saber do Arthur, não é?

Ela mordeu o lábio inferior e assentiu.

–Olha, não somos muito próximos, mas eu sou uma das poucas pessoas com quem ele fala. Nós nos conhecemos no caminho para cá. Ele está diferente. Tinha um brilho nos olhos, que não parece ter mais. Fica sozinho e quase não fala. Ele mudou no caminho, só pode ter sido. Mas, não o conheço o suficiente para dizer o motivo. Eu gosto dele, talvez possamos fazê-lo se sentir melhor, o que você acha?

Seus olhos brilharam, e vi um sorriso se abrir nos lábios de Bethany:

–É claro!

Nós fomos conversando até chegarmos ao chalé, que ainda estava vazio, Arthur estava sozinho.

–Oi, Arthur- falei assim que entrei, ele levantou a cabeça- Essa é Bethany.

Ela entrou e sorriu para ele, que sorriu de volta.

–Oi.

–Oi.

–Não te vi no jantar hoje.

–É por que eu não fui.

–Hm...

Que tenso! Arthur é muito difícil. Indiquei que Bethany se sentasse. Olhei para ele implorando para que ele falasse alguma coisa. Qualquer coisa! E ele falou.

–Então, Bethany- ela olhou para ele cheia de expectativa, mas a situação era complicada- você é filha de quem?

–Atena- ela respondeu.

Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio.

Até que subitamente, Bethany perguntou:

–Você está bem?

Arthur franziu o cenho.

–Por que não estaria?

–Porque você não foi ao jantar, não fala com ninguém...

–Eu cheguei aqui hoje-ele a interrompeu.

–Callie também. –ela respondeu imediatamente.

–Por que você se preocupa?- ele perguntou.

Grosso.

Pela primeira vez, vi Bethany sem resposta. Ela baixou os olhos e falou baixinho:

–Não sei. Não deveria me preocupar? Você não me parece bem- ela olhou para ele, com os olhos brilhando.

–É só que eu não te conheço- ele respondeu suavemente.

–Aqui, você não conhece ninguém.

–Verdade. – ele sorriu. Milagre!

–Por que não vem treinar conosco amanhã?- ela perguntou. – Callie também vai.

Ele olhou para mim e sorri, depois assenti. Seria bom que ele falasse com pessoas novas. Quem sabe ele não se sentia melhor? Ele pensou mais um pouco e finalmente respondeu:

–Tudo bem.

–Vejo vocês amanhã, então. – Ela se levantou rapidamente e se dirigiu para a porta e, educadamente, esperou que eu a abrisse.

–Obrigada- ela disse baixinho, já na porta.

–Tudo bem, Bethany! Mas, ele é difícil.

–Pode me chamar de Beth. Mas, eu ainda vou conseguir fazer com que ele não seja tão fechado- ela piscou- se você me ajudar.

–Pode contar comigo.

–Que bom!- ela me abraçou- Te vejo amanhã.


Notas finais
E aí? O que vcs acharam?
O nome do capítulo ficou horrível, depois eu penso em outro!
Vejo vcs no próximo capítulo!
bjs