Acampamento De Férias De Verão
23 Íris
Notas iniciais
Estávamos incrivelmente sujos, e o que eu mais queria era um banho, porque logo o ovo começaria a cheirar mal, e não nos aguentaríamos nem há uns cem metros de distância.
– Será que eles não colocaram chuveirões pelo circuito da prova? — perguntei, passando a mão pelo cabelo, tentando tirar o máximo da gema.
– Chuveirões eu não sei, mas sei de um lugar onde podemos tomar banho. — ele respondeu sorrindo e puxando meu braço — Vem!
Corremos por pouco tempo até chegarmos na margem de uma lagoa, a qual era alimentada pelo rio que cortava o acampamento. A lagoa era mais transparente e as pedras estavam mais ao fundo, do que a lagoa da cachoeira.
– Perfeito! — eu disse, e me virei para ele — Mas como sabia que estávamos perto?
– Eu... Não sei. — ele sorriu e passou a mão pelos cabelos sujos — Foi mais ou menos como achar cavalo.
– Incrível. — eu murmurei.
– Incrível foi você descobrindo aquela pista. — ele disse — Eu nunca teria pensado.
– A pista! Quase esqueci dela. — eu disse, tirando a medalha do bolso — Está escrito... Íris?
– O quê?
– Olhe — eu dei a medalha para ele — Está escrito apenas isso. Íris.
– E eu pensando que não tinha como eles piorarem essas porcarias. — Percy suspirou cansado, mas logo olhou para a água, abriu um sorriso e saiu correndo — Quem chegar primeiro é o Chefe Supremo de Todos os Imperadores e... Ah, você entendeu!
Fiquei parada, encabulada com a medalha. Eu realmente não fazia idéia do que aquilo queria dizer, então sentei onde estava e comecei a prensar. Logo, ouvi o barulho de Percy se jogando na água e nadando igual a um louco para lá e para cá.
– Ahhhhh, como isso é bom. — ele disse com prazer.
Continuei voltada à medalha, procurando algo em minha mente que fosse relacionada com a palavra Íris, mas tudo o que me vinha era arco-íris.
– Você não vem, Sra. Gema de Ovo? — o moreno gritou da água — Ou será que terei de buscá-la a força?
– Você não ousaria — eu respondi.
– O Chefe Supremo Desta Lagoa tem direito sobre todos os seus súditos.
– Então vem me pegar — eu disse, sem levar a sério a brincadeira.
Poucos instantes depois alguém me pegou pelas pernas e pelas costas e me colocou em cima dos ombros. Percy deu risada e saiu correndo, em direção à lagoa.
–Argh, me solta! — eu disse batendo em suas costas nuas, pois ele tinha tirado a camiseta — Eu sei andar sozi...
Splash!!! Caímos na água fria e rapidamente voltamos à superfície. Desvencilhei-me de Percy e esfreguei os olhos, tirando os cabelos que estavam grudados neles.
– Eu disse que o Senhor Supremo Das Águas Tempestuosas tem o poder... — Percy começou a dizer, quando eu empurrei com força sua cabeça para dentro da d'água.
Dei uma longa risada, satisfeita, e esperei Percy voltar para cima, para eu poder tirar onda com a cara dele, mas ele ficou imóvel lá em baixo. Esperei mais um pouco, até perceber que ele não soltava mais bolhas pelo nariz ou pela boca. Uma onda de pânico percorreu o meu corpo e eu mergulhei quase dois metros e o puxei pelos braços. Quando cheguei superfície, segurei seu tronco com uma mão e sua cabeça com outra.
Ele abriu os olhos com uma cara de interrogação.
– O que foi? — ele disse, respirando normalmente.
– Você estava se afogando! — eu disse, assustada.
– Eu aproveitei sua tentativa de afogamento para eu contar quanto está o meu fôlego. — ele disse — Meu recorde são 5:32, mas faz um tempo que não treino, então deve estar por volta de 3...
– Você me assustou, seu idiota. — eu disse, percebendo que ainda o segurava, embora ele não precisasse de mim para flutuar.
Soltei-o rapidamente e mergulhei, tentando ver se a água fria impedisse que meu rosto ficasse vermelho. Arrumei meu cabelo para trás e subi, para a superfície.
Percy se aproximou de mim, e eu tentei me afastar, mas logo ele pegou-me pela cintura.
– Desculpa, não foi a minha intenção te deixar nervosa.
– Ta, tanto faz. — eu disse, sem encará-lo, tentando esconder o pavor que eu havia sentido em pensar na possibilidade de ficar sem ele.
– Por que você tem essa mania?
– Que mania? — levantei meus olhos até os dele.
– De não falar e até mesmo reprimir o que você sente.
Meu sangue esquentou. Ele tinha razão, esse é o meu maior defeito, e eu nem sabia o porque dele. Só sabia que me proteger de decepções sempre foi confortável, e talvez esse fosse o motivo de não me arriscar. Com Luke? Eu nunca precisara entrar a fundo nessa questão, pois a nossa relação era tão anti-natural, que nem mesmo os nossos sentimentos nós não compartilhávamos.
E agora... Percy me deixava maluca. Ele havia se declarado para mim, e eu para ele. Depois ele ficou com Rachel. Depois ele ficou bravo por eu não tê-lo escutado, mas o que havia para escutar? Depois ele ficou bravo por achar que eu havia brigado com Calipso por Luke e agora ele me segurava pela cintura, há centimetros de mim, em uma lagoa linda, e um clima super... Romantico.
– Eu já falei sobre os meus sentimentos uma vez.
– E eu também. — ele disse, aproximando-me de mim.
O que eu faria? Eu... Não posso negar, eu deixaria que ele me beijasse, porque era isso que eu queria, mesmo sem admitir.
Enlacei minhas mãos em seu pescoço e deixei que ele chegasse até a minha boca, mas isso não aconteceu. Algum barulho vindo da grama nos separou.
– Obrigada pela pista! — Luke gritou, pegando a medalha que eu tinha deixado no chão, e saiu correndo.
– Ah não, ele não vai levar a nossa pista — Percy disse, saindo da água e correndo mata adentro.
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