Notas iniciais
Meu Deus, que demora foi essa pra e postar um novo cap? Pois é, enem passou, mas ainda tenho 2 vestibulares pra fazer! x.x Enfim, o cap já tava pronto há 4 dias, mas não tava dando pra entrar na conta do Nyah, então to postando agorinha! (2:50am) Espero que gostem :)

Acordei lentamente. Primeiro identifiquei a iluminação lá fora, o dia estava clareando. Meus olhos custaram a focar em algo, mas quando finalmente enxerguei, meu coração disparou. Minha boca estava a milímetros da boca de Percy. Eu podia sentir o calor emanando de seus lábios. Percebi que seus braços estavam envolvendo a minha cintura e os meus estavam aconchegados em seu peito. A minha mão direita estava pousada sobre seu coração, e eu podia sentir claramente cada batida em seu peito. O ritmo de seu coração estava calmo e harmonioso, ao contrário do meu. Ergui meu braço esquerdo para olhar o relógio, mas meu movimento foi brusco demais, e Percy abriu os olhos.

Seu coração martelou forte sob a minha mão. Os olhos de Percy focaram primeiro nos meus, depois desceram pelo meu nariz até chegar em minha boca. Ele a fitou por alguns segundos, mas foi tempo o suficiente para suas bochechas corarem. Observei seus lábios também. Eram levemente corados e perfeitamente alinhados, nem finos nem grossos. Quando Percy percebeu onde suas mãos estavam, seu coração bateu mais forte ainda, igualando o ritmo de nossas batidas cardíacas.

– Oi. – ele disse rouco – Tudo bem?

– Tudo. – eu respondi um pouco rouca também, e imaginei como a minha cara devia estar amassada e o meu cabelo desgrenhado.

Rapidamente passei a mão pelo meu cabelo e tentei ajeitá-lo. Esfreguei as mãos no rosto e depois me escondi entre elas.

– O que foi? – ele disse, tirando suas mãos de mim.

– Devo estar horrível – tentei imprimir um tom indiferente em minha voz.

Percy riu de um modo exagerado, o que me deixou mais envergonhada.

– Não precisa rir de mim – eu falei, me levantando.

– Não estou rindo de você – ele disse, confuso.

Não respondi mais. Fui até a minha mochila e tirei minha escova de dente. Saí da barraca e caminhei até a pequena lagoa que estava a esquerda de nossa barraca. Agachei e escovei meus dentes. Percy fez o mesmo.

Voltei para a barraca, mas no caminho ouvi uma voz feminina de longe. Parei de andar e fiquei atenta. A voz logo silenciou, e outra voz (desta vez, masculina) começou a falar.

Andei seguindo as vozes até chegar perto de onde tínhamos encontrado a última pista, nas árvores com bromélias.

Escondi-me atrás de um arbusto e olhei por entre as folhas.

– Anda, me dá logo isso – Calipso disse de pé, olhando para cima.

Acompanhei seu olhar e vi Luke montado em um galho, futucando uma bromélia.

– Essas são as últimas – ele jogou um bolo de papeizinhos para Calipso, que começou a rasgar um por um.

A desgraçada estava rasgando o resto das dicas para ninguém mais encontrar.

– Larga isso, Calipso – eu saí de onde estava e fui até ela.

– Annie? – Luke perguntou assustado de cima da árvore.

Ignorei o loiro e tentei tomar os papéis da mão de Calipso, mas ela se esquivou.

– Ora, ora, a sabichona já encontrou a dica, não é mesmo? E por que se importa se vou rasgar isto? – ela rasgou mais três papéis de uma vez – Quer bancar a santa da justiça, é?

– Não venha falar de justiça se você nem sabe o que é isso.

– Não sou justa? – ela ergueu uma sobrancelha – Ajudar a minha amiga a salvar o moreno de olhos claros da sua sem gracisse é muito justo, não acha?

Encarei Calipso, enquanto meu sangue subia rapidamente até a cabeça.

– O que você disse? – eu me aproximei da patricinha, que agora fazia cara de cínica.

– Eu fui a ponte de relação entre os dois – sua voz aguda irritava meus ouvidos – E deu super certo, soube que eles estavam se pegando na piscina outro dia.

Calipso sorriu para mim, vitoriosa. Pensei rápido e aproveitei sua distração para tomar os papéis que ainda estavam inteiros em sua mão. Ela tentou pegar de volta, mas eu era naturalmente mais rápida.

– Me devolve! – ela gritou e tentou me empurrar, mas desviei.

– Esquece. – eu virei as costas e comecei a andar de volta para a barraca.

De repente, senti algo puxando o meu cabelo e tive que me curvar para trás por causa da dor. Respirei fundo e fechei com mais força a minha mão que guardava as dicas sobreviventes. Aquilo já havia virado uma questão de honra.

– Você não quer brigar feito mulherzinha, quer? – eu segurei seu pulso e virei-o para baixo, enquanto ela gritava e soltava o meu cabelo.

Calipso pulou em cima de mim e caímos no chão. Dei-lhe um tapa na cara, e depois fechei os braços em X na minha frente, para não receber nenhum golpe histérico dela.

– Devolve! – ela gritou descontrolada – Eu vou ganhar essa prova! Eu!

– Sonha mais, querida. – eu respondi rindo.

Calipso me arranhou nos braços, que começaram a arder instantaneamente. Empurrei-a com força e ela caiu no chão.

– Annabeth? – ouvi uma voz masculina se aproximando rapidamente.

Era Percy. Me ergui para vê-lo, mas Calipso me puxou novamente.

– Parem! – senti Percy me puxando pela cintura, enquanto eu tentava meter a mão na cara dela de novo – Luke, por que não separou elas?

Só nesse momento que percebi que Luke assistia a briga de cima da árvore com um pequeno sorriso se satisfação.

– Não deu, cara – ele deu de ombros e finalmente desceu do tronco.

Percy me colocou há uns cinco metros de distância de Calipso, que por algum motivo não veio atrás de mim. Na verdade, a garota começou a chorar, o que fez meu sangue esquentar mais ainda. Ela ia se fazer de vítim...

– Ela me atacou! – Calipso apontou para mim, olhando para Percy – Ela... Me atacou!

A dissimulada conseguia até imitar os soluços de um choro de verdade.

– Por que vocês estavam brigando? – Percy me olhou com uma cara estranha.

– Porque ela estava rasgando as pistas para ninguém mais conseguir ler! – eu apontei para o chão, onde os papéis estavam rasgados – Consegui salvar isto.

Abri a mão com os cinco papéis amassados sobreviventes.

– Isso foi um acidente – Calipso fungou e chorou mais – Ela me bateu... Por causa de Luke.

– É mentira! – eu repliquei na hora.

– Bem, acho que é verdade – Luke respondeu triunfante.

Como eu tinha namorado um cara tão burro e convencido daquele jeito? Acho que eu estava fora de mim.

– Não! É mentira! – eu disse em desvantagem, já que eram dois contra um.

– Tudo bem, eu já entendi. – Percy disse – Luke e Calipso, é melhor seguirem o rumo de vocês.

Calipso assentiu, ainda soluçando. Ela pegou a mão de Luke e o puxou com força até desaparecer na mata. Percy largou a mochila no chão, pegou os papéis da minha mão e subiu em cinco árvores para colocá-los nas bromélias. Depois que desceu da última, pegou a mochila e começou a caminhar para o leste, direção oposta à que Luke e Calipso tinham ido. Corri para alcançá-lo, pois ele havia praticamente ignorado minha presença ali. Andamos por um bom tempo, enquanto ele liderava. Não sabia para onde estávamos indo, mas não quis perguntar, eu queria que ele quebrasse o silêncio e me apoiasse falando que foi legal eu ter salvo algumas dicas, ou algo assim. Mas ele não deu um piu. Comecei a me irritar, e então disse:

– E você, não vai dizer nada?

Percy finalmente me olhou e disse:

– Você teve sorte de não arrumar mais encrenca.

– Eu arrumei encrenca?

– Foi o que eu presenciei. – ele estava seco.

– Ela que estava trapaceando e eu que fiz errado?

– Annabeth, não precisa fingir que a briga foi pelos papeis.

Olhei para Percy chocada. Ele acreditava que eu tinha caído no tapa por causa de Luke? Depois de alguns segundos meu choque se transformou em decepção. Ele realmente não me conhecia.

– Eu não briguei por causa de Luke.

Ele assentiu e continuou andando.

– É sério, eu não briguei por causa dele. – eu repeti mais alto, querendo que ele parasse logo com aquilo e acreditasse em mim.

– Certo – ele disse sem prestar atenção.

Certo? Não. Estava tudo errado. Mas eu não precisava convecê-lo de nada, afinal, Percy não se importava tanto assim comigo.

Notas finais
Reviews pra uma pobre e cansada vestibulanda?