Acampamento De Férias De Verão
26 Gotinhas coloridas
Notas iniciais
Seguimos o caminho num ritmo um pouco menor, por causa de Percy. Eu estava ao seu lado, segurando a lateral de seu tronco, enquanto seu braço passava por cima do meu pescoço. Ele não fazia peso em mim, mas às vezes precisava se apoiar por causa de alguma tontura. Leo liderou o grupo por entre a mata até parar e olhar pro rosto de cada um de nós com uma cara estranha.
– O que foi, Leo? – perguntei.
– Bem, tenho duas notícias. Uma boa e uma ruim, começo por qual? – ele respondeu com um sorriso amarelo.
– A má primeiro – Thalia disse.
– Acho que estou perdido. – ele disse, e se encolheu com medo de alguma reação, mas apenas encaramos o moreno – A mata está mais escura, não acho um ponto de referência, muito menos água por perto.
– Eu sinto a água por perto. – Percy disse, olhando ao redor – Até posso ouví-la.
Fizemos um silêncio de dez segundos, mas ninguém identificou nenhum som.
– Qual é a notícia boa, Valdez? – perguntei.
– Er... A notícia boa é que Percy sabe onde tem água e ele vai liderar a partir de agora – Leo deu uma risada rápida e se pôs atrás de Percy – Né cara?
Juro que ouvi um “Me ajuda, cara”, mas Percy apenas deu um meio sorriso, e começou a caminhar comigo para a direita.
Caminhamos um pouco mais rápido desta vez, pois o céu estava escurecendo cada vez mais rápido. Percy traçou um caminho entre muitas árvores grandes, até chegarmos em um lugar cheio de pedras. Repentinamente, ouvimos o barulho da água se chocando contra as rochas. Percy subiu sozinho em uma pedra pontuda e apontou para frente sorrindo.
– Ali. A queda d’água.
Subi na pedra e avistei uma pequena queda d’água que soltava muitas gotinhas para os lados, provavelmente pelo posicionamento das pedras em baixo da água, quase na superfície, que ricocheteavam a água e espalhavam em um raio de quase dois metros ao redor. Dali, um pequeno arco-íris se formava, muito mais nítido do que eu esperava, pois havia apenas um resquício de luz para refletir na água e criar as 7 cores.
– E agora, o que procuramos? – Thalia interrompeu minhas observações mentais.
– É uma boa pergunta. – respondi – Algo aos arredores. Um papel, uma marca no chão, uma caixa, uma árvore com algo pendurado... Pode ser qualquer coisa.
– Ótimo, vamos começar – Leo saiu correndo e olhando freneticamente para todos os cantos.
Percy se apoiou em mim para descer da pedra, e logo em seguida eu desci sozinha.
– É melhor que fique aqui. – eu disse, me afastando um pouco dele, pois estávamos próximos demais – Nós três damos conta, você já fez o trabalho de encontrar o arco-íris.
Percy assentiu cansado e recostou-se na pedra. Dei uma checada em sua cabeça, e enquanto o fazia, ele ficou me fitando.
– O que foi? – perguntei, tentando disfarçar o rubor no rosto.
– Estou apenas te olhando. – ele deu de ombros – Não pode?
Não respondi. Ajeitei o último pedaço da tira em sua cabeça e dei meia volta. Percy segurou meu braço levemente, mas o suficiente para eu voltar.
– Annabeth, eu ainda não te agradeci de verdade. – ele disse sério – Obrigado por tudo. Eu estava cego de raiva por causa de Luke e acabei fazendo besteira. Desculpe se te coloquei em risco também.
Engoli seco, pois não esperava aquelas palavras. Eu havia esquecido que Percy não era orgulhoso igual a Luke, ou a igual a mim. Sua sinceridade me arrebatava e me desarmava sempre.
– Tudo bem, fico feliz por estar bem. – eu disse.
– E, sabe de uma coisa? Andei pensando enquanto caminhávamos... – ele pausou e me olhou inseguro.
Quis desviar o olhar daqueles olhos verdes magnéticos, mas não tive coragem. Retribuí o olhar com toda a minha força.
– Sim? – encorajei-o, afinal eu precisava logo ajudar Thalia e Leo.
– Annie, eu quero esclarecer que você está completamente errada sobre mim e Rachel.
– De novo esse assunto? – foi a primeira coisa que veio em minha mente, como ponto de fuga – Olha, Percy, eu não quero ficar irritada com você, então é melhor eu ir atrás dessa maldita pista e acabar logo com esse dia.
– Annabeth Chase, eu te...
– ANNABETH! AH, MEU DEUS! – Leo gritou de alguma lugar à minha esquerda – Rápido!
Meu coração acelerou e eu saí correndo pelas pedras, seguindo a voz apavorada de Leo. Quando cheguei ao local, ele estava segurando com força uma árvore colada à margem do rio, perto do arco-íris.
– Não são aranhas, são? – perguntei ofegante.
– Thalia sumiu! – ele disse com os olhos arregalados.
Percy chegou até nós ofegante.
– Como assim sumiu? Ela caiu na água? – perguntei desesperada.
– N-Não, ela foi ali, e o negócio fez SHUÁ, e ela entrou, e o negócio parou e agora eu to com medo...
– Fala direito, Valdez! – gritei.
– Thalia queria tocar o arco-íris, e colocou os pés na água, ali naquela pedra – ele apontou para uma pedra que aparecia ligeiramente para fora d’água – Quando ela esticou a mão e tocou nas gotinhas coloridas, ela foi puxada para dentro do arco-íris e sumiu!
– Leo, você não comeu nenhum cogumelo que estava dando mole na floresta, comeu? – Percy perguntou com um vinco na testa.
– Não!
– Isso é impossível, Valdez. – eu disse, caminhando em direção a pedra – Olhe.
Subi na pedra molhada com cuidado e dobrei os joelhos para ter mais firmeza. Então, estiquei o braço esquerdo até tocar nas gotinhas coloridas.
E tudo girou na minha frente. Meu estômago esfriou, como se eu tivesse em queda livre na montanha-russa e meus sentidos ficaram completamente atordoados por alguns segundos. Quando abri os olhos, eu estava sentada em uma grama verde, e à minha frente havia um homem metade humano metade cavalo. Tentei gritar, mas meu cérebro apagou antes. Tudo ficou escuro e antes de desmaiar eu ouvi:
– A mesma reação sempre – a voz masculina disse, rindo– Bem-vinda ao Acampamento Meio-Sangue.
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