Academia do fumo
1 Prológo.
Notas iniciais
–Já disse que gostaria de ter uma overdose agora mesmo? – Reclamou Jess, enquanto esfregava o chão.
–Todos nós queremos. – Reclamou Beth.
Há 10 horas, os cinco nunca imaginariam que iriam virar amigos enquanto esfregavam o chão.
Tudo começou na primeira aula da Academia Religiosa para Jovens Infratores. A academia era um sinônimo de reformatório religioso, para jovens delinquentes entre 11 e 18 anos. Alguns são mandados para lá por serem pegos cometendo pequenos furtos, outros por terem comportamento agressivo, mas a maioria por ter sido pego fumando e ingerindo bebidas alcoólicas.
A primeira aula que eles tiveram foi com o professor Rennie. “Um doce de pessoa até ele abrir a boca”, foi assim que Jess o descreveu. Ele pediu para que os alunos se apresentassem, e quando chegou à vez de Jess, a garota recusou-se a falar o motivo pelo qual ela estava na academia. Isso fez com que o professor ficasse bravo, pois ninguém nunca o desafiava. Os outros alunos começaram a bater palmas para a garota, e como ele tinha que culpar alguém, culpou além de Jess, os outros que já haviam se apresentado, em nome de toda a turma.
Agora Beth, Jess, Adam, Mika, e Slash estavam limpando a cantina da academia, após a aula, como punição.
–Nunca esfreguei tanto um chão. – disse Beth. A garota ofegava, enquanto tentava prender os seus cabelos loiros.
–Eu já. – disse Adam. – Uma vez eu derrubei cocaína no chão da minha casa. Fiquei a tarde toda esfregando a merda do chão para meus pais não perceberem.
–Do que adiantou? Eles descobriram, e você veio parar aqui. – Retrucou Jess com amargura.
–Ô senhorita mal-humorada, lembre-se que estamos aqui por sua culpa. – Replicou Adam. Todos ficaram quietos, até que Slash decidiu quebrar o silêncio.
–De onde vocês são? – perguntou. – Eu sou do Kansas. – Ele respondeu a sua própria pergunta.
–Oklahoma. – Respondeu Beth.
–Maryland. – Disse Slash.
–Colorado. – Respondeu Adam. Todos voltaram a ficar em silêncio, até que Adam perguntou o porquê de Jess não ter respondido.
–No momento eu não sei. Antes de vir para cá eu era de Washington, mas agora minha mãe está se mudando por causa da morte de meu pai. – respondeu ela parecendo não se importar muito com o que havia falado.
–Eu sinto muito por seu pai. – disse Beth. Jess deu de ombros.
–Não sinta. Ele está melhor morto do que vivo – disse ela naturalmente.
–Ele era tão merda assim, para mesmo morto você o odiar? – Beth parecia curiosa demais.
–A morte não vai amenizar a pessoa que ele era. – Ela respondeu. – Já falei demais para vocês. – concluiu. O silêncio voltou, a única coisa que se ouvia era os panos de chão afundando nos baldes de água.
Alguns minutos depois Rennie apareceu, seu sorriso estava tão grande que parecia que nada iria tira-lo, até que Jess falou algo.
–Já podemos ir embora? Pois para a sua informação não somos seus empregados, só se você quiser pagar pelos nossos serviços. – Rennie se esforçou para não começar a gritar com ela, mas Jess não demonstrava nenhuma preocupação em ele ficar bravo com ela.
–Já podem ir embora, mas não esqueçam que amanhã tem mais. – ele apenas disse isso.
Todos largaram os panos dentro dos baldes, enquanto comemoravam, mentalmente, o fato de poderem ir para seus quartos. Jess foi à última a sair da cantina, pois quando estava indo embora Rennie a segurou pelo pulso.
–Não pense que uma vadia como você vai me desafiar desse modo. – ele disse a ela com rancor. Jess apenas correu até a saída do local, e assim que saiu viu que Adam estava a esperando. Enquanto ela andava, percebeu que ele estava a seguindo.
–O que você quer? – ela perguntou, enquanto diminua a sua velocidade para que ele pudesse acompanha-la.
–O Mika me contou que alguns caras trouxeram bebidas escondidas e vão fazer uma festa escondida no porão de um dos quartos, eu pensei que talvez você quisesse ir comigo?
–Por que você está me convidando? – perguntou ela sem responder a pergunta do rapaz.
–Por que a Beth recusou o convite, então só me sobrou você. – respondeu rindo, enquanto passava a mão em seus cabelos castanhos curtos. Ela assentiu, dizendo que ia a festa.
Assim que eles bateram na porta do quarto 51, um garoto abriu a porta e perguntou o que eles queriam. Assim que Adam disse que queria apenas se divertir na festa, o anfitrião os deixou entrar. Ele apontou para eles o buraco que havia no chão. Aparentemente a festa era no subsolo. Eles pularam no buraco, e quando entraram viram que aquele lugar era igual a um sótão, mas subterrâneo. Eles andaram pelo local, tentando encontrar algum rosto conhecido.
Assim que viram Mika na festa, eles perguntaram onde estavam as bebidas. O rapaz apenas apontou para uma mesinha empoeirada cheia de garrafas disfarçadas de garrafas d’agua.
–Qual o seu veneno Jessica? – perguntou Adam a chamando pelo nome, em vez do apelido.
–Tequila. – respondeu ela.
–Quantas doses você aguenta?- fez outra pergunta.
–Quatro. Depois disso eu fico maluca. – disse ela rindo. – E você machão?
–Umas dez, mas prefiro whisky. – Adam a serviu de sua bebida favorita. Eles começaram a conversar sobre bebidas enquanto observavam as poucas pessoas que estavam no local.
Não tinha música, nem muito barulho. Aquilo não parecia uma festa, mas era o máximo que eles conseguiriam sem que fossem pegos.
Pelas regras da academia todos os alunos deveriam estar em seus quartos às dez da noite. Assim que chegou perto do horário de recolher a festa foi esvaziando. Jessica e Adam saíram cinco minutos antes do toque de recolher. Eles corriam pelos corredores para chegar a tempo em seus quartos. Quando chegaram ao corredor em que cada um ia para um lado diferente, Adam apenas acenou e saiu correndo pelos corredores escuros. Jess já estava cansada de correr e também sentia como se tudo estivesse girando, então decidiu ir andando, pois tinha certeza que ninguém ficaria bravo caso ela se atrasasse 2 minutos. Mas não foi qualquer membro da equipe que a encontrou sozinha pela academia, quando já devia estar em seu quarto. Rennie a encontrou.
–O que você está fazendo nos corredores? – perguntou ele a segurando pelo pulso. Isso já esta virando habito, pensou Jessica.
–Estou indo para meu quarto. – Ela respondeu, enquanto tentava manter seu tom de voz firme.
–Já passou da hora. – retrucou o professor. – Você está cheirando a bebida. – disse ele cheirando-a. Jess hesitava para trás.
–E você a sexo, por acaso já chupou alguma aluna? – Jessica era audaciosa, mas naquele momento estava com medo, pois dessa vez sabia que havia passado demais dos limites.
–Cale a boca sua vaca! – sussurrou ele. – Pare de pensar que você pode me desafiar, pois você não é nada! Se importasse não estaria aqui.
Jess decidiu ficar quieta após isso. Ela tentava soltar a mão dele de seu pulso, mas tudo que ele fazia era apertar mais ainda.
–A solte Rennie! – gritou uma voz vinda do fundo do corredor. Era Adam. Rennie a largou, pois ficou com medo que fosse o diretor. Ela correu até o amigo.
–Vão para seus quartos agora!- foi à única coisa que o professor disse, antes de voltar para seu aposento.
Adam a acompanhou até seu quarto. Quando eles chegaram à porta do local, ela perguntou a ele como foi parar ali. O rapaz entregou a ela a sua chave do quarto, que na festa ela havia pedido para ele guardar no bolso de sua calça.
–Tome cuidado Jessica. – disse ele sumindo pelos corredores, enquanto ela abria a porta do quarto, e dessa vez ele não voltaria. A única coisa que restava a Jess era esperar o próximo dia para vê-lo.
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