Academia do fumo
3 O passado os condena.
Notas iniciais
Faltavam 36 dias para eles irem embora da Academia. Duas semanas se passaram desde o segundo dia de aula. Nada havia mudado, além do fato que o esconderijo que Slash havia encontrado era melhor que qualquer festa nos sotãos. O esconderijo era um segredo dos cinco.
Todos os dias após os estresses das aulas eles iam se encontrar no esconderijo para fumar, beber, e raramente desabafar. E hoje não seria uma exceção, após um dia cheio de aulas sobre religião os cinco se reuniram. Mas uma coisa que ambos não costumavam fazer aconteceu, falar de suas famílias.
–Eu sinto falta da minha família... – Começou Beth enquanto tomava um pouco da cerveja quente que eles tinham.
Beth aparentava, em termos físicos, ter mais do que sua idade, 14 anos. Ela possuía cabelos loiros e curtos, olhos castanhos, e não passava de 1,60 de altura. A garota já havia sofrido demais para alguém com essa idade, mas em alguns momentos era ingênua como alguém de 14 anos.
–Se for para falar de família precisamos de uma bebida que nos faça esquecer isso no outro dia. – Disse Mika rindo. Todos pareceram ficar pensativos ao se lembrar de suas famílias. – Por que você tentou se matar? – perguntou ele sem nem um pingo de sensibilidade. Tentativa de suicídio e furto, esses eram os motivos pelos quais a loira estava ali.
–Eu nunca fui criada por meus pais, eu fui criada desde que nasci por minha avó. – Enquanto fumavam eles prestavam atenção nas palavras da amiga. – Minha mãe engravidou com 17 anos, era ambiciosa demais e não ia ter tempo para cuidar de uma criança caso quisesse fazer faculdade. Aborto não era uma opção para ela. Quando eu nasci ela cuidou de mim, mas no ano seguinte foi aceita em uma faculdade na Flórida, e para lá ela foi sozinha, deixando-me com meus avós. – Beth estava tentando não chorar. – Ela me visitava duas vezes ao ano, mas com o passar do tempo pareceu que ela se esqueceu de mim. Ela parecia mais uma parente distante do que minha mãe...
Beth começou a chorar, enquanto tomava toda a garrafa da bebida de uma vez.
–Ela ficou um ano sem me visitar... Então, eu achei que se eu a procurasse conseguiríamos manter uma relação estável de mãe e filha. Eu viajei, sem minha avó saber, até o estado em que ela mora e encontrei sua casa... E quando eu cheguei lá... – Ela deu uma pausa, limpou seus olhos, e respirou fundo. – Ela estava com uma criança em seus braços. Ela havia construído uma nova família, e eu nunca fui informada disso...
Todos pareciam chocados com a história. Beth nunca havia falado tanto sobre sua família.
–Ela não me queria em sua vida. Eu sou apenas um caso de uma noite que ela sempre se arrependera... – Ela respirou fundo. — Minha avó quase teve um infarto quando percebeu que eu havia sumido. Mas esse não é o pior, quando ela me encontrou eu estava em uma cama de hospital me recuperando após tentar me matar com remédios... – Ela riu um pouco para tentar abafar as lágrimas — Fim! – Ela estava chorando, e não conseguia evitar.
Alguns minutos se passaram, ninguém sabia o que dizer então Beth começou a rir baixinho.
– Por favor, não fiquem constrangidos... A culpa não é de vocês se minha vida é uma merda.
–E o roubo? – perguntou Slash sem rodeios. O ruivo estava sentado ao seu lado no sofá velho que havia naquele lugar, enquanto os outros estavam sentados no chão.
–Foi uma brincadeira de adolescente. Eu roubei um batom em uma farmácia. – ela riu. – Eu só queria sentir aquela adrenalina, foi apenas um devaneio. – Ela tentava sorrir, mostrar aos outros que não deveriam ficar tristes pela sua história, mas até ela estava triste e sabia que era uma mentira dizer que ela estava bem em contar aquilo para eles.
Todos sabiam os motivos pelos quais eles estavam ali, mas não as histórias por trás daquilo. Jess era uma exceção, a qual apenas Adam sabia o porquê dela estar ali.
Beth terminou a sua bebida e deitou sua cabeça no ombro de Slash, que fumava um cigarro de maconha e pensava na fome que estava sentindo. Todos estavam com pena dela e ao mesmo tempo pensativos, pois de algum modo suas famílias também não eram perfeitas como sempre sonharam. Slash estava relaxado graças ao efeito da droga, sentia como se tudo fosse maravilhoso, e que nada fosse estragar a sua vida. Graças a essas sensações, tão artificiais, que ele conseguiu tomar coragem de contar sobre sua família aos amigos.
–Não fique assim loira... Minha família também é uma merda... – Ele beijou a testa dela, consolando-a. – Como vocês sabem, eu venho de uma cidadezinha no interior de Maryland, e lá é a típica cidade do interior, quando acontece alguma coisa todo mundo já sabe e vira fofoca... – Suspirou – Meus pais se separaram inicio desse ano e meu pai, por ser um dos poucos médicos que havia na cidade, conhecia todo mundo. E assim que as pessoas descobriram sobre o divorcio virou a fofoca da cidade... – Slash parecia incomodado em prosseguir a história, mas então deu mais uma tragada no cigarro e prosseguiu. – As pessoas começaram a inventar que ele era gay, e que essa foi à causa do divorcio. E isso não foi um boato passageiro, durante meses as pessoas ficaram falando disso. Até que quando começaram a falar disso na escola, e eu pensei que a agressão fosse a melhor solução... – Ele cerrou seu punho, relembrando os comentários que seus colegas faziam. – E vamos ser sinceros, é a melhor solução. — Eles riram. — Eu bati em alguns colegas, e a policia acabou entrando no meio da história... Resumindo, eu quebrei o nariz de um dos caras e no mesmo dia minha mãe encontrou um pouco de maconha em meu quarto.
Slash não parecia que ia chorar, mas estava chateado.
–Meus pais acharam que a esse lugar ia me ajudar em alguma merda... — Ele olhou para o seu redor e começou a rir. – Eles são tão ingênuos.
–Meus pais só me mandaram para cá, pois não conseguiam conviver com um filho imperfeito. – Reclamou Mika bebendo a cerveja quente. – Eu bebo desde os 12, e eles sabem disso... Só não queriam acreditar.
Mika era de todos era o mais quieto. Ele era melancólico e se culpava todos os dias por estar ali. Sobre os seus cabelos pretos na altura dos ombros, havia um rosto triste, mas belo de certa forma. Se ele não se culpasse tanto, se não rezasse todo o dia para que um caminhão o atropelasse, ele seria notado pelas pessoas, e elas perceberiam o quão belo ele é.
–Eu não vou para Harvard como as minhas irmãs, eu possivelmente vá para a cadeia quando sair daqui... – Ele pegou uma garrafa vazia ao seu lado e a atirou longe. Um barulho ecoou sobre o lugar assim que a garrafa atingiu uma parede. Os pedaços de vidro se espalharam pelo chão.
–Isso! – gritou Adam. – Desabafe a sua raiva. – ele estava incentivando o amigo.
–E se alguém escutar? – perguntou Beth levantando-se do sofá.
–Já estamos fudidos mesmo. – disse Jess sorrindo.
Eles pegaram as garrafas vazias e começaram a quebra-las nas paredes. Eles depositaram toda a sua raiva naquelas meras garrafas. Toda a raiva e estresse que estavam sentindo nos últimos dias foi embora, uma sensação libertadora invadia seus corpos. Todos gritavam e riam. Quando não tinham mais garrafas vazias, começaram a beber o resto que havia nas outras e a quebra-las. Chegou a uma altura que eles nem sabiam mais o que estavam fazendo. Estavam bêbados e descontrolados.
Assim que já estavam cansados sentaram-se no chão e começaram a rir da situação.
–Já vai ser onze da noite... – disse Mika rindo. – Eu preciso ir. – Ele se levantou e saiu do local, sem nem ter cuidado para ver se alguém estava seguindo-o.
–Vamos? – perguntou Jess a Adam. Ele assentiu e ajudou a garota a se levantar. – Vejo vocês amanhã. – disse ela indo embora junto do garoto.
Mika já não estava mais a vista deles, talvez tivesse se perdido, pois estava completamente desnorteado. Porém Jess e Adam não estavam em uma situação favorável para procura-lo, então apenas seguiram seu caminho até seus quartos.
Entraram em silencio na Academia, tudo estava escuro e silencioso. Parecia um lugar mal-assombrado. Jess segurou a mão de Adam e guiou ele até seu quarto. Quando chegaram à porta do quarto os dois ficaram parados.
–Consegue chegar à segurança ao seu quarto? – ela perguntou.
–Acho que sim... – ele queria falar algo a ela, mas não sabia como. – Fico feliz que hoje você tenha desabafo sua raiva naquelas garrafas. – Jess ia falar algo, porém ele a interrompeu – Seu segredo está a salvo, já disse! – era a milésima vez que ele dizia isso a garota.
Ela soltou sua mão e esperou ele sumir pelo corredor, porém no meio do caminho ele virou-se para Jessica, sorriu e gritou:
–Você não é a vadia que pensa que é. – Aquilo seria um elogio? Ficou pensando Jess. Ela riu e o viu saindo correndo.
A garota entrou em seu quarto e deitou-se em sua cama.
Enquanto Jess estava deitada e Adam estava indo para seu quarto, Beth e Slash continuaram no esconderijo.
Beth estava deitada no sofá e Slash estava brincando com alguns cacos de vidro. Ele só parou quando um dos cacos entrou no seu dedo, fazendo-o gritar desesperadamente.
–Caralho! – gritava enquanto balançava sua mão sem parar, esperando que o caco saísse de seu dedo sozinho.
Beth olhou para ele rindo, o ruivo estava parecendo uma criança. Ela levantou-se do sofá e sentou ao seu lado. A garota pegou o dedo o qual o caco havia entrado, e começou a apertar até que uma ponta do vidro saísse. Ele continuava a gritar.
–Pera... – disse ela correndo até sua bolsa.
Beth jogou todas as carteiras de cigarro para fora, até que fundo da bolsa achou uma pinça. Ela voltou a se sentar ao lado do amigo, pegou seu dedo novamente e tirou o caco com a ajuda da pinça.
–Obrigada. – agradeceu, enquanto limpava o sangue do dedo em sua camiseta.
Ela sorriu e ficou encarando o chão durante um tempo.
–Loira... – chamou-a, mas antes que Beth pudesse falar algo ele aproximou seu rosto do dela e a beijou.
No inicio o beijo foi meio desajeitado, pois Beth não esperava por aquilo. Mas aos poucos foi melhorando e tomando mais intensidade. A mão do garoto estava sobre a nuca dela e a mão dela sobre os cabelos do ruivo.
Os beijos de Slash foram até o seu pescoço, fazendo-a soltar gemidos baixos, involuntariamente.
Ambos se levantaram quando perceberam que as coisas iam ir mais além. Ele deitou-se por cima dela no sofá.
–Eu não quero nada sério... Se é que me entende... – Disse ela referindo-se a sexo.
–O que eu vou fazer não é nada sério... – Sussurrou no ouvido da garota.
Seu corpo ficou encolhido por cima da garota, quando desceu até a barra de suas calças. Ele abaixou a calça, junto da calcinha, dela. Cravou suas mãos em suas coxas e começou a beijar e lamber a intimidade de Beth. Sua língua passava por toda a sua genitália, arrancando gemidos altos da passiva, que nunca havia sentido sensação tão extasiante.
Beth sentia seu corpo relaxado, enquanto ele chupava seu clitóris. Suas mãos apertavam o tecido do sofá. Seu corpo parecia tão leve, como se fosse desmoronar a qualquer momento. Cada toque fazia-a gemer.
Slash gostava do gosto do sexo oral, gostava de ser o ativo e gostava de sentir-se dominando alguém. A sensação de poder de fazer alguém sentir-se em êxtase, para ele era algo fascinante.
No meio do sexo oral que estava acontecendo no esconderijo, havia Jess que estava em seu dormitório sem um pingo de sono. A culpa disso era Adam. Seus pensamentos estavam direcionados a ele há alguns dias, e ela sabia que se não tentasse iria se arrepender depois, pois o tempo que eles tinham era curto.
Jessica levantou-se de sua cama cuidadosamente, e saiu do seu quarto. Pelos corredores escuros da Academia ela andava, com medo de que alguém a encontrasse. A garota não sabia ao certo qual era o quarto de Adam, mas quando achou o dormitório que ela havia quase certeza de que era, abriu a porta cuidadosamente. Para sua felicidade a cama dele ficava ao lado da porta. Ela entrou rapidamente no quarto, e observou-o dormir durante alguns segundos.
Jess cutucou-o e em seguida colocou a mão em sua boca, pois caso ele acordasse não falasse algo que acordasse os seus colegas. Quando ele abriu os olhos parecia confuso, como se aquilo fosse um sonho.
–Venha para o corredor conversar comigo. – sussurrou ela em seu ouvido.
Ela saiu do quarto primeiro, e esperou que ele saísse também.
–O que você está fazendo? – perguntou sonolento.
–Qual a sua história com sua família? – perguntou Jessica sem rodeios. Talvez por estar bêbada que tivesse feito essa pergunta, ou ela quisesse mesmo saber.
–Jessica, podemos falar disso amanhã? – ela negou. Ele ficou quieto, até que decidiu responder a pergunta. – Meus pais são aqueles típicos pais que namoram desde a adolescência, e planejavam a vida perfeita. Até que o irmão de meu pai é preso por ser flagrado com drogas, e o conto de fadas de meus pais acaba. Ano passado quando meu tio foi solto, e jurou a todos que ele havia encontrado deus. Um dia meus pais me deixaram sozinhos com meu tio. No fim da noite eu estava chapado e quase tendo um coma alcoólico. Fim.
Adam explicou de forma rápida. Ele não parecia ter rancor algum do tio.
–Satisfeita? – perguntou.
Ela puxou-o pela camisa, e o beijou.
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