Academia do fumo
10 O final nem tão feliz.
Notas iniciais
Esse era o penúltimo dia na Academia. 48 horas para tudo acabar ou permanecer mesmo após o seu período na Academia acabar.
Era cerca de oito da manhã de uma quinta-feira. Hoje seria o dia em que eles fariam o trote com o Rennie. Tudo já estava planejado. Quando o relógio apontou para 08h10min da manhã Jess apertou o botão do elevador. Porém havia um problema, o elevador só podia ser usado pelos professores. Jessica ignorou as regras e assim que as portas se abriram ela entrou. A garota apertou no botão que indicava o quarto andar, a próxima aula dela seria ali. Por uma tremenda “coincidência” o elevador parou no segundo andar e quem entrou ali foi Rennie. Antes de entrar ele colocou a mão no meio e começou a rir.
–Saia! – Ordenou. – Isso é só para os professores! – Ele olhou para os corredores que estavam vazios.
–Eu estou atrasada. – Disse ela sem muita paciência para esperar o professor. Rennie entrou no elevador e assim que as porta fecharam em vez do professor apertar no andar em que desejava ir ele apertou no botão que fazia o elevador parar.
–O que você está fazendo? – Perguntou ela a ele.
Jess hesitava para trás, a garota só parou quando suas costas bateram no espelho do elevador. Rennie começou a se aproximar dela cada vez mais, até que quando seus rostos estavam pertos o suficiente para que Jess ficasse em alerta caso ele tentasse algo. Mas não foi beijando-a que ele começou. Rennie empurrou-a para mais perto de si, deixando-a imobilizada enquanto uma de suas mãos tocava a coxa da garota. Jess se contorcia desesperadamente.
–Socorro! – Gritava. Rennie ignorava seus gritos, pois achava que ninguém podia escuta-la.
Ele começou a beijar o pescoço dela, com a intenção de subir seus beijos até a sua boca. Quando a garota sentiu o corpo dele ficando um pouco menos tenso, ela chutou a região da sua virilha com o joelho e correu até o painel do elevador, fazendo-o se mexer novamente.
–Não chegue perto de mim! – Gritava ela assustada. Rennie estava no mesmo lugar de antes, enquanto a fuzilava com o olhar.
Alguns segundos depois as portas do elevador se abriram no quarto andar e Jess saiu correndo dali. Ela em vez de ir para a sala de aula foi até a sala da psicóloga da Academia, Jacqueline a qual havia dado a palestra a respeito da overdose de Adam. Jessica bateu na porta da sala da moça desesperadamente. Assim que a psicóloga abriu a porta para ela, Jessica começou a chorar.
–O que houve meu bem? – perguntava a moça preocupada.
–Rennie... –Jessica não conseguia falar.
–Vem comigo, vou te levar para a sala do Alan. – Jacqueline saiu de sua sala abraçada em Jessica. Elas desceram até o térreo pelo elevador, Jess tremia só de pensar no que havia acontecido há alguns minutos atrás naquele lugar.
Assim que elas chegaram à sala de Alan, o diretor pareceu preocupado. Jess tremia e chorava.
–Traz um chá para ela... – Pediu o diretor a psicóloga.
Jacqueline saiu da sala para pegar o chá para a aluna, no corredor ela esbarrou em Adam.
–Está tudo bem? – Perguntou ele.
–Não... Tivemos uns problemas com a Jessica. – Adam logo ficou preocupado.
–Onde ela está?
–Na sala do Alan... – Jacqueline sabia que eles eram amigos, por isso não se importou de falar para ele onde a menina estava.
Adam correu até a sala de Alan.
–O que aconteceu? – Gritou. Alan estava surpreso por ele estar ali.
Jess correu até ele e o abraçou. Ela chorava em seu ombro e só o largou quando Jacqueline voltou à sala com o seu chá. Jessica voltou a se sentar no sofá que havia na sala.
–Jess, nos conte o que aconteceu? – Todos olhavam para ela esperando uma explicação.
–Rennie... Ele... – Ela hesitava em contar. – Eu estava atrasada para a aula e decidi usar o elevador dos professores. – Ela sabia que havia feito algo errado. – Dai Rennie apareceu e ele parou o elevador... – Ela começou a chorar novamente. –Ele ficou passando a mão pelo meu corpo... E... Depois começou a me beijar... – A garota chorava no meio da explicação. Alan estava chocado. – Eu o chutei e... Ele saiu de perto... Se eu não tivesse conseguido me defender, eu não sei o que teria acontecido...
Todos estavam chocados. Adam a abraçava, Alan não sabia o que fazer, e Jacqueline estava eufórica.
–Eu vou chamar o Rennie para falarmos sobre isso. – Alan saiu de sua sala.
–Eu não acredito que já dei para ele... – Falou a psicóloga para si mesma, andando de um lado para o outro da sala. Adam riu. – Eu acho que precioso de um chá também.
Jacqueline saiu da sala, deixando o casal sozinho.
–Como foi? – Perguntou ele a garota.
–Adam isso não é encenação! Foi horrível! – Jessica voltou a chorar. Tudo aquilo fazia parte do trote que eles estavam fazendo com Rennie, mas Jessica nunca pensou que aquilo pudesse ser tão assustador.
–Ele te machucou? Você conseguiu sair de lá a tempo mesmo? – Adam começou a se preocupar mais ainda. Ele sabia que ia ser ruim, mas ele achou que Rennie não ia chegar a tocar em Jess.
–Eu estou bem... – fungava a moça. Ela o abraçou. – Eu te amo. – Sussurrou.
–Eu também te amo... Vai ficar tudo bem.
Alguns minutos depois Alan apareceu junto de Rennie que parecia que ia matar todos que estavam naquela sala. Adam estava prestes a bater em Rennie, mas Jess repetia para ele em seu ouvido “Não faça isso, não vale a pena”. O diretor e o professor ficaram de pé na sala, enquanto o casal estava sentado no sofá.
–É verdade o que a senhorita Jessica disse? – Perguntou Alan. Rennie se fez de idiota e fingiu que não sabia o que ela tinha falado. – Que você tentou abusar dela no elevador.
–Não! – Negou o professor com a maior cara de pau. – Ela está louca, Alan!
–Pare de mentir! – Gritou Jessica desesperada.
Alan foi até o seu computador e virou o monitor para Rennie e Jess. Um vídeo começou a ser reproduzido, era a gravação do que havia acontecido entre Jessica e Rennie. O professor não se lembrava de que havia câmeras no elevador. Adam estava fervendo de raiva. O vídeo mostrou tudo o que havia acontecido no elevador. Jessica sentiu nojo ao ver aquilo novamente. Alan parou o vídeo assim que mostrou Jess saindo correndo do elevador.
–Adam leve Jess até o quarto dela, pois eu e Rennie teremos uma conversa séria. – Ordenou o diretor.
Adam e Jess saíram da sala. Ele levou a garota até o seu quarto e ficou junto dela no dormitório.
–Você acha que o plano vai dar certo? – Perguntou Jess.
–Boa parte dele já deu. Pense positivo. – Ele beijou a testa dela.
O que Adam disse era verdade. Ao fazerem o plano os jovens não tinham certeza se Rennie ia ou não atacar Jess. Caso ela entrasse no elevador um minuto depois o plano não funcionaria. Tudo era uma questão de sorte. Adam ficou tentando distrai-la durante alguns minutos até saberem se o plano deu certo mesmo.
O casal ouviu aplausos e gritos vindos dos corredores, eles saíram do quarto e a primeira coisa que viram foi Rennie indo embora da Academia cheio de malas. Ele havia sido demitido.
–Conseguimos! –Exclamou Jess abraçando e beijando o seu amado.
Eles sabiam que o caso não iria envolver a policia, por isso foram tão longe a ponto de fazê-lo ser demitido. Rennie já havia humilhado muitas pessoas ali, e agora quem estava sendo humilhado era ele. Os alunos comemoravam a saída do professor.
Jess foi liberada das outras aulas que haveria na manhã. A garota só encontrou seus amigos à noite. Essa seria a última noite deles no esconderijo.
–Hoje foi incrível! – Disse Slash. Eles estavam falando sobre o trote com o ex-professor.
–Um tanto assustador. – Retrucou Jessica, aliviada por tudo aquilo já ter passado.
Eles continuaram a conversar sobre o acontecimento com Rennie, até que o assunto sobre a despedida surgiu.
–O que vai acontecer depois? – Perguntou Beth. – Vamos esquecer tudo isso?
–Eu acho difícil que isso aconteça... – Respondeu Jess. – Vai ser estranho na escola ou na faculdade. Vocês não vão estar lá...
–Podíamos nos reunir final do ano... – Sugeriu Mika.
–Claro! Vamos comemorar o natal juntos e com as nossas famílias problemáticas. — Slash tinha razão, eles teriam outros compromissos assim que saíssem dali. Claro, eles se encontrariam um dia, mas as coisas seriam complicadas do lado de fora dos muros.
–Essa estadia na Academia é algo meio surreal... O que era para serem as piores férias que eu já tive... – Jess interrompeu Adam.
–Se tornaram as melhores...
–Eu não vou esquecer vocês... – Disse Mika.
Um silêncio tomou conta do local até que Slash pareceu se lembrar de algo. Ele andou até uma cortina empoeirada que havia no local, ele a puxou para o lado revelando em letras maiúsculas a frase “Academia do fumo turma de 2003”.
–Olhem o que eu achei hoje. – O ruivo apontou para a frase. – É tão legal pensar que esse lugar já serviu para outras pessoas fumaram, beberem e essas coisas. – Todos se aproximaram da parede.
–Acho que “Academia do fumo” eram como chamavam a Academia. – Concluiu Beth.
–Sério Sherlock? – Zombou Jess.
–Alguém tem canetinha?- perguntou Adam. Beth andou até a sua bolsa que estava no sofá e tirou de dentro dela um delineador. Ela atirou o objeto para Adam. – Isso não é canetinha.
–Mas é como se fosse. – Retrucou Beth.
Adam começou a escrever com o delineador, abaixo da frase escrita em 2003. Assim que ele finalizou ele mostrou aos seus amigos o que havia escrito.
“Academia do fumo turma de 2014 uma pirralha, um viciado, um gay, uma vadia, e um boqueteiro”.
Todos riram do que o garoto escreveu. As características se encaixavam perfeitamente neles.
–O que você falou para eles Beth? – Perguntou Slash rindo por ter sido denominado como o “boqueteiro”.
Durante alguns minutos os cinco ficaram olhando para aquela parede, que agora havia a frase escrita por Adam.
–É estranho dizer isso, mas eu sentirei falta disso aqui... – Suspirou Jessica.
Ao entrarem na Academia nenhum deles esperava que fossem virar melhores amigos. Durante os 50 dias em que passaram na Academia eles vivenciaram coisas que ficariam guardadas em seus corações.
–Amanhã vai ser um dia difícil... – Comentou a loira.
Todos estavam de pé em frente à parede um do lado do outro.
–Eu espero que outras pessoas aproveitem a Academia como aproveitamos... – O ruivo colocou seu braço atrás dos ombros de Adam, e fez o mesmo em Slash.
Eles continuaram a olhar aquela parede e pensar nesse último um mês e meio. Muitas coisas haviam ocorrido. Ambos sabiam que seria diferente assim que atravessassem aqueles muros. As pessoas erradas, suas famílias, e os problemas estariam ali. Já as pessoas os quais eles realmente se importavam estariam em diferentes estados. Menos de meia hora depois Adam, Jessica, e Mika foram embora do esconderijo, pois tinham que terminar de arrumar as suas malas.
Slash e Beth estavam sozinhos, ambos estavam sentados no sofá. Beth encostou sua cabeça no ombro do ruivo. Ele pegou do seu bolso um aparelho eletrônico, era um celular.
–Como você conseguiu esse celular? -Era um celular simples, mas durante esses dias na Academia eles não tiveram contato com nenhum tipo de aparelho que entrasse na internet, ou que desse aos alunos noticias sobre o mundo fora daqueles muros.
–É da Jess... Ela me emprestou. – Respondeu o garoto. Ele logo colocou uma música para eles ouvirem.
–É tão bom ouvir música novamente... – Eles haviam ouvido música na festa, porém estava tão alta que mal conseguia se entender qual era a música.
Beth saiu do sofá e começou a dançar no meio do esconderijo. Slash a admirava, até que a loira o puxou para dançar. Ela estava de costas para ele, mas seus corpos estavam juntos.
–Vamos fugir... Não precisamos voltar para as nossas casas. – Sussurrou o garoto no ouvido de sua amada.
Beth adoraria que fosse fácil assim, que eles pudessem fugir juntos e esquecer todo o resto. Ela não queria dizer adeus a Slash. Para piorar a sua situação a letra da música era exatamente o que eles estavam vivendo naquele momento. A loira virou-se para o ruivo e colocou as mãos dele em seus quadris.
–Eu te amo... – Murmurou. – Por que não é tudo mais fácil?
–Por que o mundo é assim, quando estamos felizes logo acontece alguma merda que nos deixa triste.
Ela o beijou de forma delicada e aos poucos o beijo foi tomando mais intensidade. A loira foi o empurrando de volta para o sofá assim que os beijos revelaram uma intensidade maior. Slash deitou-se no sofá e Beth fez o mesmo, porém dessa vez ela era quem estava por cima. Ela começou a beijar o pescoço do garoto. Suas mãos desceram até a calça dele, enquanto ela o beijava tentava tirar a calça do ruivo. Assim que ela abriu o cinto de Slash, deslizou seu corpo pelo o do garoto. Junto da calça ela tirou sua cueca, revelando em seguida seu membro ereto. A garota colocou o membro em sua boca, chupando-o lentamente e colocando-o o máximo que conseguia. A loira chupava o membro lentamente, e só aumento a velocidade após ouvir os gemidos de Slash pedindo por mais. Ele puxava o cabelo dela com uma de suas mãos. Beth estava amando ser a dominadora dessa vez.
Ela subiu sua boca até a glade, a qual ela começou a lamber delicadamente. Sua mão segurava o pênis. O garoto estava chegando quase ao seu ápice quando a garota começou a masturba-lo. Ela variava na velocidade. Quando Slash teve um orgasmo, Beth sentiu-se vitoriosa.
Logo a madrugada chegou, e os ponteiros apontaram para a meia-noite. Era hoje o dia em que eles voltariam para o mundo real, e acordariam desse sonho que havia sido os 50 dias no internato.
Assim que deu dez da manhã os ônibus que buscariam os alunos estacionaram a frente da Academia. A maioria dos alunos ainda estava em seus quartos terminando de arrumas as suas malas. Um pouco antes do meio-dia as pessoas começaram a ir para o pátio se despedir dos seus amigos.
Jess foi à primeira dos seus amigos a chegar ao pátio. Eles iriam se despedir na frente do esconderijo. Depois de 20 minutos todos estavam ali. Ninguém sabia o que falar, como começar a se despedir. Assim que Mika fixou o olhar em um dos ônibus que havia chegado há poucos minutos, seus amigos perceberam que ele tinha que ir. O garoto abraçou Jess primeiro.
–Obrigada por tudo... – Murmurou ele para Jessica.
–Até pelo soco? – Jessica zombou em meio de risadas.
–Até por isso, acho que se você não tivesse me odiado no inicio eu nunca teria te considero tão importante agora. – Jess corou. A amizade dela e de Mika havia sido uma das coisas mais verdadeiras que ela conquistou na Academia. A garota estava prestes a chorar, quando Mika limpou os olhos da garota com os seus dedos. – Existem redes sócias, baby. – Ele a abraçou pela última vez.
–Já estou com saudade seu viado de merda. – Reclamou Jessica.
Mika foi até os outros e abraçou um por um.
–Tchau Mika! – Disse Beth beijando o rosto do garoto.
–Tchau, se cuida. – Disse Adam a ele, que riu.
–Nunca mais aceite cocaína de um gay.- Eles riram. Por último Mika se despediu de Slash. – Você sabia tudo desde aquele dia no banheiro né? – Perguntou Mika ao ruivo. Slash assentiu e Mika sorriu, parecendo estar envergonhado.
–Se cuida cara. – Disse Slash dando um tapinha nas costas do outro.
Mika colocou a sua mochila nas costas e pegou sua mala que estava no chão. Ele olhou para o ônibus e viu que já tinha várias pessoas entrando no veiculo. Ele suspirou e foi andando até o ônibus, no meio do caminho virou para trás e avistou seus amigos acenando. Assim que eles viram Mika entrar no ônibus a ficha caiu. Eles perceberam que hoje seria um adeus. Slash começou a se despedir de Beth. Eles se afastaram um pouco do outro casal, que também estava se despedindo.
–Loira... – Slash não sabia por onde começar. – Isso é uma merda. – Disse ele dando uma risada um tanto melancólica.
–Seria mais fácil pensar que isso não é uma despedida... – Falou a garota. – Não suma da minha vida... Eu quero encontrar você o mais rápido possível. – Ela estava se segurando para não chorar.
–Eu sentirei tanto a sua falta. – Ela começou a passar as mãos pelos cabelos ruivos do garoto.
Eles ficaram quietos durante algum tempo até que eles ouviram um homem em com um megafone gritando “Ônibus com destina a Oklahoma partira em 15 minutos”. Aquele era o ônibus da loira.
–Slash... Eu preciso ir. – A garota estava chorando. Eles se abraçaram rapidamente e depois ficaram alguns segundos se encarando. – Se cuida, ok? — Beth não sabia mais o que falar. – Use camisinha, não engravide ninguém, e não fume tanto. – Aconselhou à loira. Ela estava nervosa, nunca havia se despedido dessa forma de alguém.
–Beth... – Ele estava tentando falar algo, mas ela estava fazendo de tudo para interrompê-lo. Beth queria que aquilo acabasse logo, que a dor passasse.
–Eu preciso ir. –Ela beijou a testa dele rapidamente e pegou sua mala. Ela pegou-a de qualquer jeito e começou a correr até os ônibus. Quando estava na metade do caminho à garota não conseguiu evitar, olhou para trás. Beth estava chorando e ao ver Slash seu coração quebrou de diversas maneiras. Ele estava parado encarando-a. O garoto estava desolado.
–Eu te amo. – Gritou ele, atraindo alguns olhares na sua direção. Beth largou sua mala no chão e correu até ele.
–Eu te amo. – Em meio das suas lágrimas, a loira o beijou. Um beijo ardente, como se ela precisasse cada vez mais dele. – Eu sentirei sua falta. – Murmurou ela.
–Eu também meu amor. – Ela riu.
–Não me chame assim agora. – Eles riram e se beijaram pela última vez.
Beth andou até a sua mala, pegou-a de novo e foi até o seu ônibus. Antes de ela entrar Jess correu até a garota.
–Eu não ia te deixar ir sem se despedir. – Disse Jessica. A garota sabia que a loira odiava despedidas. Ela abraçou Beth, que continuava a chorar. – Não é o fim do mundo.
–Como foi com o Adam?
–Não nos despedimos ainda...
–Boa sorte. – Beth deu outro abraço em Jess. – Você foi uma boa amiga, não suma.
–O mundo é muito pequeno, ainda vamos nos esbarrar por ai. Cuida-se pirralha.
–Você também sua piranha.
Enquanto Jessica ajudava Beth a colocar suas coisas em seu ônibus Slash se despedia de Adam.
–Isso é estranho, ela se foi. – Suspirou Slash, desolado.
–Não entende como conseguimos nos apegar tanto em 50 dias... – O ruivo concordou com Adam.
–Você acha que um dia vamos voltar a nos ver? Sabe... Os cinco novamente. – Adam negou a pergunta do ruivo.
–Talvez daqui um tempo, mas agora... Acho difícil. – Adam não queria mentir. – Se cuida. – Ele abraçou rapidamente Slash.
–Me prometa não ter uma overdose novamente. – Eles apertaram suas mãos. Slash pegou suas coisas e partiu em direção ao ônibus.
No caminho ele encontrou Jess, que estava com lágrimas nos olhos. Beth já estava dentro do ônibus.
–Você vai ficar bem. – Disse a garota beijando o rosto dele. – Ela não gosta de despedidas, só isso. – Slash assentiu.
– Boa sorte. – Disse ele. Ela deu um sorriso. – Tchau... Sentirei a sua falta.
–Boa viagem... Ainda temos a vida toda para nos encontrarmos novamente... Não crie expectativas, não pense que as coisas vão acontecer de forma rápida com Beth. – Desejou Jessica, indo em direção a Adam. – É difícil, mas uma hora melhora. Ela ama você.
Slash sorriu e foi em direção ao seu ônibus. Quando Jess estava do lado de Adam novamente ela o beijou.
–Eu sentirei sua falta cheiro de pudim. – Disse ele sorrindo. Ambos estavam calmos. Eles se lembraram do dia em que ele disse que ela tinha cheiro a pudim.
–Eu sei que vai. –Ela riu. – Eu também sentirei a sua. – Ela o beijou novamente.
–Lembre-se, você não é a vadia que pensa que é. – Adam disse.
–Eu te amo. – Sussurrou ela.
–Eu também te amo. –Ele pegou a sua mala e se preparou para ir.
–Me liga. – Ele se virou para trás e piscou.
Jess estava sozinha no meio do pátio. Ela viu o seu amado colocar a mala dentro do ônibus e depois o viu entrar. Após alguns minutos, após olhar a última vez para o esconderijo ela foi até o seu ônibus. Calmamente ela entrou e procurou um lugar para se sentar. Um dos poucos lugares que tinha vago era do lado de um garoto. Ela sentou-se ao lado dele.
–O que você está fazendo aqui? – Perguntou o seu amado. Ele era quem estava ao lado dela. Adam.
–Você achou mesmo que eu ia me despedir daquela forma tão fria de você, sem nenhuma lágrima. –Ele ainda estava tentando processar a ideia de que ela ia ao mesmo ônibus que ele.
–Jessica... – Ela o interrompeu.
–Lembra que eu falei que eu e minha mãe estávamos nos mudando, mas não sabíamos ainda para onde? – Ele assentiu com um sorriso enorme em seu rosto. – Eu tinha um celular escondido na Academia e sugeri a ela um estado parar morarmos... Surpresa eu vou para o Colorado com você! – Disse ela o abraçando.
–Eu não acredito... – Ele começou a rir.
–Você achou mesmo que eu ia te deixar ir assim? – Ela o puxou pela camisa para perto de si. –Agora você vai ter que me aguentar.
–Vai ser uma honra. – Disse ele beijando-a.
Às duas da tarde todos os ônibus partiram, deixando-o o pátio da Academia em questão de segundos vazio. Várias pessoas com histórias diferentes passaram por ali, aqueles cinco jovens não eram especiais. É fácil achar cinco pessoas como eles na sociedade. A única coisa que os diferencia é as suas escolhas.
Mika escolheu ser aceito antes pelos outros do que por si mesmo. Assim que ele chegasse a sua cidade natal ele teria que começar a se aceitar. O garoto melancólico, triste, e deprimido que conhecemos não mudou. Mika continua sendo tudo isso, porém agora ele tem noção de que a culpa não é sua. O garoto teria que aprender muito ainda, aprender a ser rejeitado e a pensar positivo mesmo quando está tudo ruim. Jess o ajudou muito, porém agora ele não teria mais ela para aconselha-lo. Mika teria que aprender a se aceitar rapidamente, pois fora dos muros da Academia um mundo cruel se encontrava.
Beth e Slash pretendiam se encontrar daqui um tempo, mas eles também sabiam que não podiam esperar por algo que talvez não acontecesse. O amor deles foi o mais puro e verdadeiro que já se viu na Academia. Beth era um tanto infantil, nunca havia sentido sentimentos tão intensos, até conhecer Slash. O ruivo abriu o coração de Beth, o garoto a fez sentir coisas as quais, para alguns, ela era muito jovem para sentir. Ele já teve muitas garotas, já iludiu muitas também, mas com a loira foi verdadeiro. No inicio seria difícil para ambos, mas com o tempo você se acostuma com a dor. Eles não podiam criar falsas esperanças, a única coisa que podiam fazer era relembrar esses 50 dias juntos.
Já Jessica e Adam, eles terão que se acostumar com o estilo de vida um do outro. Ambos já tiveram muitas noites de sexo sem compromisso, porém nunca tiveram um relacionamento sério. O casal não sabia se o relacionamento ia dar, mas aproveitariam o máximo possível. Adam ainda precisaria saber muito sobre a vida turbulenta de Jess, e para ela não seria fácil aprender a conviver com os sentimentos do amor. Ela não queria sofrer, algo que era inevitável. Mas eles aproveitariam o tempo juntos e mesmo sendo pessoas diferentes ambos precisavam um do outro.
O que são 50 dias comparados com o tempo de vida humano? Nada. Mas para esses cinco jovens foram nesses dias em que eles aprenderam que a vida não está nem na metade, e que eles ainda sofreram muito. Talvez daqui um ano Jess e Adam não estejam mais juntos, Beth e Slash tenham arranjado outros amores ou estejam juntos, e Mika pode ainda não ter se aceitado.
Uma pirralha, um viciado, um gay, uma vadia, e um boqueteiro. Foi assim que tudo começou e terminou.
Fim.
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