Academia de Verão dos Guardiões
3 O Destino de Todas
Não havia nada divertido de se fazer naquele momento, estava tudo piorando quando Lux já imaginava que não poderia piorar, era constrangedor tentar chamar atenção ou arrumar uma amizade, mas também era entediante olhar as nuvens passando. A jovem apenas soltou um suspiro quando viu pequenas mãos colocando diversos lápis coloridos em sua mesa, e aquilo de fato lhe chamou a atenção.
— Você parece nova aqui, percebi pela forma como seu brilho é intenso! – Comentou a menor. Lux a olhou, assustada, afinal, não esperava que alguém viesse conversar, ainda mais comentar sobre seu brilho. A menor tinha um longo e adorável cabelo verde, vestida em um uniforme escolar caprichado e bem cheiroso, mas o que mais lhe chamou a atenção eram as orelhas pontudas e peludas que a garotinha tinha.
— Yordle? – Não havia outra coisa que Lux pudesse dizer, estava tão distraída que a primeira coisa que havia pensado já escapou por sua boca. A pequena yordle riu como uma criança faz ao ouvir algo engraçado, Lux sentiu seu rosto queimar conforme corava.
— Sim, sou uma yordle! – Exclamou a menor. — Lulu, e você? – Lux olhou para o dócil rosto delicado da pequena, estava perdida quando percebeu o que a garota queria saber.
— Ah, me chamo Luxanna, mas pode me chamar de Lux. – Respondeu Lux, ainda meio sem jeito.
Lulu sorriu para a jovem antes de correr ao outro lado da sala, provavelmente para pegar alguma coisa que estivesse por lá. Já haviam se passado alguns minutos e nada da yordle voltar, então Lux soltou um suspiro e voltou a olhar para a janela, quando em algum momento, acabou por cair em sono.
"A escuridão estava em cada canto de sua visão, invadiu cada centímetro dos locais ao qual ela poderia ver ou não. Lux sabia que estava com os olhos bem abertos, foi quando o lentamente se pôde ver o horizonte tomando sua forma. As nuvens deslizavam pelo crepúsculo carmesim, a jovem se sentia flutuando em meio à elas, mas na verdade, estava caindo e sabia disso. O som que passou a ouvir era o mesmo que de um cometa em alta velocidade, somente então Lux percebeu que não estava sozinha, haviam outros 4 cometas caindo, junto à ela. Cada cometa possuía uma cor própria, irradiando uma luz pura, acima de tudo ali, um vasto cobertor estrelado, mas uma estrela em si se destacava das demais: Era grande, bem brilhante e claramente parecia cantar, com uma voz que ela sabia claramente ser impossível de se reproduzir, uma voz única e pertencente daquela estrela."
Lux acabou sendo acordada por alguém antes de se aprofundar mais naquele sonho, seus longos cabelos de um belo tom roxo estavam amarrados em um alto e volumoso rabo de cavalo. A noite já se espalhou pela sala, mas de alguma forma não parecia afeta-la, como se ela emanasse luz própria, aquela mulher a olhou com um sorriso e disse que já estava tarde para ela ficar ali.
— Me desculpe, eu acabei dormindo e não pude- – Antes de falar mais, a mulher a cortou gentilmente e prosseguiu.
— Não precisa se desculpar, Luxxy, essa academia de verão é uma detenção disfarçada. – Contou a mulher, a guiando para fora da sala. Lux a olhou com olhos arregalados, seus lábios tremiam enquanto as palavras saíam sem um ritmo.
— Você me conhece? Me chamavam assim apenas quando eu era criança, não tem como você saber disso, quem é você?! – A mulher sorriu e continuou a chamando, em um tom natural.
— Estávamos esperando por você, todas nós.
Sem deixar que Lux fizesse mais perguntas, a mulher adentrou na escuridão dos corredores, e sem mais nem menos, desapareceu na escuridão. Lux ficou pálida, sem palavras para aquilo e apenas decidiu subir para seu quarto, mas mesmo que estivesse ainda sonolenta, sabia que dormir seria difícil.
— Ótimo... será uma longa noite. – Resmungou a garota, já desanimada com o início do mês naquela detenção.
Lux já subia as escadas que davam para o corredor dos quartos quando percebeu uma estranha figura se formar em meio a vegetação da floresta ali perto, ouviu o baixo rugido de rochedos despencando e algo que ela já ouviu há muito tempo. Ela gelou enquanto olhava para a estranha forma se erguendo, memórias surgiram em sua mente, o passado voltou lhe socando.
Ela ainda não acreditava que aquilo pudesse ser real, desceu as escadas correndo e quase tropeçou, direcionava-se para a porta de saída daquele local quando notou que esta se encontrava trancada. Um medo começou a apertar-lhe o peito, ouvia o rugido de criaturas das quais não deveriam estar ali, ainda mais em um local afastado como aquele.
— Não, isso não pode acontecer de novo.... está mesmo acontecendo? – Sussurrava Lux em um lamento baixo.
Antes que pudesse cair em choro, novamente aquela mão terna tocou-lhe os ombros, Lux virou imediatamente e se viu olhando para aquela mulher, mas desta vez, ela não carregava aquele lindo sorriso. Seu semblante era outro, uma feição mais séria quando com um comando, uma forte rajada abriu as portas.
— Vá, Lux! Obedeça ao seu chamado! – Bradou a mulher.
Lux a olhou e assentiu com sua cabeça, se levantando e imediatamente correndo em direção ao rugido feroz em meio à floresta, não demorando até a garota desaparecer na vasta vegetação. A mulher ficou ali, parada, olhando para a noite e seu encanto quando uma yordle de cabelos azuis, amarrados em dois rabos de cavalos se aproximou.
— É ela quem estávamos esperando, Janna? – Perguntou a yordle, com um tom firme e sério. A mulher não a olhou, mas assentiu com a cabeça suavemente.
— Sim, mas antes de tudo, ela precisa entender o próprio chamado, Poppy. – Respondeu.
Poppy apenas continuou olhando para a mesma direção da qual Janna olhava, mas nada via além de arbustos e árvores, porém, diferente da mulher, ela ouvia claramente o som de feras escondidas na noite.
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