Notas iniciais
Oi oi gente, desculpa sumir. Meu computador estragou (sem previsão pra voltar ainda) e estou tendo que postar pelo celular. Então qualquer erro peço desculpas e depois reviso melhor. Espero que gostem ^^

—Não estou fugindo!
Ela desvia o olhar e pega a xícara em sua mão.
—Então o que aconteceu? Eu dou choque? Hionitizo se for olhado nos olhos?
Ela reprime um sorriso e beberica seu café fumegante. Pensando bem eu acho sim que dou choque.
—Nenhuma dessas? Então seria o que? Seria o fato de você ser uma sereia que ao falar seduz os homens?- sorrio de canto enquanto enquanto observo. Dessa parte eu não poderia discordar, apesar de não o falar em voz alta.
—Ok, eu ha entendi Adrian.
—Vai ne dizer então?- olho expectante enquanto me aprumo o que faz ela finalmente devolver o olhar. Seus olhos estão distantes e nada me dizem, porém não desisto, preciso tentar entender.
—Não estou fugindo de você, não tenho motivos para isso. Apenas estou sendo profissional e atebdendonsomente aquilo que é de sumo importância. Nada demais.
—Não falar comigo é de suma importância?-semicerro os olhos enquanto finjo ofensa. Ela não responde de imediato, no entanto sinto o clima entre nós pesar. Ao que parece não falar comigo é sim de suma importância!
—Estou falando agora não estou? E nem é relevante.-ela levanta uma sobrancelha em desafio.
—É relevante pra mim!- protesto.-É só isso mesmo? Tem certeza?- pergunto desacreditado. Ela suspira fundo convencendo a si mesma e responde nada firme:
—Sim, tenho certeza.
—Tudo bem entao. Mas me diga, eu fiz algo ontem a noite que a ofendeu? Eu realmente não me lembro e se o fiz de antemão lhe peço perdão.
Pego em uma de suas mãos e te observou ficar mais tensa, se possível. Na verdade vou retirar o que disse sobre dar choque por que sim, estamos certamente sendo eletrocutados neste momento. Minhas mãos formigam com o toque das suas, uma sensação indescritível e no mínimo curiosa. É estranho pois quero me afastar pela incerteza dos acontecimentos, mas ao mesmo tempo não. Preciso me sentir ávido assim.
—Não se lembra de nada?-ela quebra a magia puxando sua mão e de voz embargada. A xícara novamente ganha um lar entre suas mãos ao passo que eu sinto sua falta instantaneamente.
—Poucas coisas na verdade. Me lembro de estar tomando uma dose de uísque pra acalmar- prefiro não citar a conversa que tive com Baruel ja que não sei sua relação com ele e que tipo de sentimentos isso acarretaria nela- depois subitamente uma falta de ar me tomou e me apoiei no criado mudo.
Não tinha percebido que lembrar daquilo me faria mal, no entanto o sentimento de angústia voltou com força ao fazê-lo.
—Aconteceu algo mais?
—Não, nada que não pudesse ser revertido. Vice teve uma crise, um surto causado pelo espírito mais uma vez, mas por sorte eu passava por ali, ouvi os barulhos e pude te ajudar.
Ela sorri brevemente e exita em acalentar minha mão.
—Me salvando novamente não é?!
—É o meu trabalho!-Serena volta a ser fria depois de minha tentativa de brincadeira e toma mais um gole de sua bebida, olhando o que parece ser a centésima vez para longe de mim.
—Bem, obrigado. Nao sei o que fiz com minha mão, mas tinha certeza de que tinha sido você á fazer o curativo.- aperto onde está dolorido e olho para as mesmas. Estão enfaixadas de qualquer maneira já que o segundo curativo quem fez fui eu, contudo os pequenos pontos vermelhos que não estão cobertos pela gaze são vistos, já com o processo de cicatrização acelerado. Serena murmura um "não tem de quê" e eu suspiro fundo, arrumando minha postura.
—Então estamos bem?-procuro seus olhos e com pesar ela retribui.
—Claro senhor Ivashkov.
—Ah por favor, nem Baruel e Isaac me chamam assim, você muito menos o deve fazer. Me chame de Adrian ou se preferir docinho.
Ela finalmente ri e o som faz meu coração pular. As covinhas que sua bochecha faz são extremamente charmosas e a forma como seu nariz enrugado tornam suas sardas mais visíveis.
—Adrian, SÓ Adrian está bom pra mim.
Ela continua rindo baixo e o silêncio que se segue não é constrangedor, porém sinto falta da sua voz. Quero ouvir histórias contadas por sua boca, suas histórias.
—E então senhorita Gilmore, não lhe conheço muito bem. Qual sua história?-me viro para ela e ergo uma sobrancelha.- Posso lhe chamar de senhorita?
—Sim. É nada sobre mim é importante ou interessante o suficiente para ser contado.
—Ah vamos lá. Eu passei as últimas duas horas calado e sem fumar, não aguento mais!- choramingo e ela ri.
—Isso é mentira! Eu vi você conversando com o menino estranho ali na frente.- com o queixo ela aponta pra Nanehr que ri de algo contado por sua "amiga".
—Na verdade foi ele quem falou a conversa toda. Dá pra contar nos dedos quantas frases eu disse.
Ela me olha desconfiada e cruza os braços.
—E sobre o que conversaram?- repito sua ação enquanto a encaro.
—Se me contar sobre você eu conto.
—Isso não é uma negociação!
—Agora é.- sorrio de lado e vejo-a vacilar. Hum, então meu sorriso a deixa sem defesas?!
—Certo. Meu nome é Serena Marie Gilmore, tenho vinte e cinco anos, sou guardiã á cinco anos e essa é a minha primeira grande missão.
—Cinco anos?- franzo o cenho. Ela deveria ter a formado aos dezoito, por que então só faz cinco anos que atua? Ela fica tensa, mas disfarça mais que rapidamente.
—Tive alguns problemas para me formar, só isso. Nasci no Texas e gosto de comida picante. Pronto, agora me conta o que conversaram!- ela troca de assunto com um sorriso.
—Não, isso é pouco!
—Pouco? Eu acho que não.- ela ri nervosa, passando as mãos nos cabelos.- Na verdade achobate até que lhe forneciam informação demais. E é tudo que vai saber.
—Pois muito bem, o garoto lá na frente veio me pedir ajuda.
—Ajuda? Que tipo de ajuda?
—Amorosa.
—Amorosa? Porquê?- ela fica seria tentando entender.
—Bem minha cara, isso é tudo que vai saber!- sorrio vitorioso e me viro pra frente. Sinto um leve tapa em meu braço e gargalho alto, fazendo com que o senhor que estava concentrado em seu laptop ao nosso lado me olhasse desgostoso.
—Me desculpe Adrian, eu não deveria ter lhe batido. Sou uma péssima guardiã!
A preocupação e nervosismo dela me faz rir mais ainda. Ela ri também, mais controlada, mas ainda assim é o melhor som que ouço em tempos. Vê-la assim tão vulnerável e diferente da postura de guardiã que normalmente a dominar me faz focar o olhar nela. Até então meu não havia percebido que ela tinha uma pequena cicatriz no alto da testa, entre os ralos cabelos que nasciam. Sri que há uma história por trás daquilo e a necessidade de saber de tal me faz imaginar as possíveis causas. Um treino? Talvez uma luta? Seu teste pra guardiã?! Abro a boca para perguntar, mas antes que o faça ela fala comigo:
—Como esta se sentindo?
—Bem. Você não está mais a me ignorar.- sorrio e ela revira os olhos. Ela parecia calma, no entanto eu sentia a preocupação em sua voz.
—Não esrou me referindo a isso Adrian. Quero saber se está sentindo-se bem em relação á ontem.
—Ah... bom, não é como se eu naobesrjvesse acostumado a beber.- levanto os ombros e noto quando ela me observa de canto de olho, certa desalrovacao em seu semblante.- E quanto à voce? O que foi exatamente que aconteceu ontem?
—Eu estou bem... E eu não sei exatamente o que vi ontem a noite.- Serena coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha e morde o lábio enquanto roda a xícara em sua mão.
Muito grave sei que não foi, ja que o único ferido aqui sou eu. Como sempre.
—Eu troquei com Baruel para fazer a ronda então ouvi um barulho vindo do seu quarto. Segui para lá pensando ser strigoi e então te encontrei no chão com as mãos machucadas.
Aceno concordando e suspiro fundo. Eu me lembro de ver a garrafa sobre o criado mudo e então começar a beber para que as vozes desaparecessem... as vozes! Um calafrio percorre minha espinha e eu travo. Será que ela também ouviu? Talvez também tenha visto...
—Adrian?- sua mão quente está pressionando a minha e seu rosto está com um misto de preocupação e receio.- Está tudo bem? Está se sentindo mal?
—Eu estou bem.- minto e me recomponho, olhando nossas mãos juntas. Ela percebe a situação e se afasta rapidamente, voltando a olhar pela janela.
—Ontem você estava delirando, dizendo algo sobre vozes. Provavelmente bebeu demais.
Serena fala sem me olhar e eu novamente sinto calafrios. Mas foi real, tão real quanto... não sei, simplesmente foi real.
—Posso lhe pedir algo?- ela me olha e eu concordo. Com aqueles grandes olhos me fazendo um pedido eu concordaria até em voltar para casa, mesmo que nao seja algo que eu queira de imediato.
—Pode controlar a bebida?
—A bebida?- engulo em seco. Geralmente é ela que me acalma, tem sido minha fuga há algum tempo, além de amiga mais próxima. Abandonar algo assim? Não sei... minha expressão não deve ser das melhores por que ela se explica apressadamente, me olhando com cautela.
—Não estou pedindo para que pare de beber, mas sim controlar. Toda vez que passa dos limites fica instável, imprevisível, e não acredito que isso seja bom.
Minha guardiã procura meus olhos para ter certeza de que estou entendo. É claro que estou, mas ainda assim....
—Dificulta nosso trabalho você assim e tenho certeza de que pode encontrar outras maneiras, algo diferente para te distrair.
—Como o que por exemplo?
—Eu... eu não sei. Algum hobbie sei lá.-ela gagueja e olha para os lados procurando alguma solução.- O que gosta de fazer?
—Beber.
— O que mais?-ela revira os olhos.
—Fumar?!- olho de canto, sugerindo.
—Não Adrian, algo diferente. Gosta de dançar? Cantar talvez?!
—Não!- faço careta. Não me atrevo a entrar nesse mundo. Não wurbeu seja péssimo, consigo dançar e muitas das mulheres com quem saio me elogiam bastante, faz parte do charme, no entanto não, obrigado.
—Você não gosta de nadaz?- ela pergunta incrédula.
—Na verdade tem muitas coisas que eu gosto, mas não sei se você vai gostar se eu disser em voz alta.- lanço um olhar significativo e dessa vez suas bochechas queimam, o que faz com que ela baixe seu rosto para as mãos e não mais em meus olhos.
— Ok, me ajuda!- peço quebrando o clima.- Não faço ideia do que eu poderia fazer para substituir a presença da minha fiel companheira de anos.
Serena bufa virando-se de frente para mim, suas coxas tocando levemente nas minhas quando ela me olha. Ela larece pensar um pouco, ainda vermelha com a declaração anterior e os dedos agora se entrelaçando entre si em um gesto nervoso.
—O que costumava fazer na corte? Tirando beber, fumar e sair com mulheres...- ela faz uma careta na ultima parte e eu suspiro fundo pensando.
— Nada.
— Nada?
— Nada!
—Meu Deus Adrian assim ficamos difícil!
—Uma vez ru comecei a cursar artes... -tento. Faz tempo, muito tempo na verdade.
—Ah isso é bom!- Serena esfrega as mãos começando a se animar.- E o que aprendeu?
—Quase nada. Eu quase não ia e quando ia só marcava encontros.- ergo os ombros e ela revira os olhos rindo.- Mas acho que aprendi a pintar... um pouco.
— Ótimo, isso é ótimo! Um começo pelo menos. Você gostava?
—Acho que sim.
—Então pronto, você pode tentar voltar a pintar. É uma tentativa inicial, se não der certo nós procuramos outra coisa. Pelo menos temos de onde sair.- minha linda guardiã sorrio animada e eu faço o mesmo. A forma como ela disse "nós" soou tai bem que meu estômago de repente pula, me dando sentir como uma adolescente tolo.
— Atrapalho?
A voz séria de Baruel nos faz virar abruptos em sua direção. Sinto Serena mudar completamente sua postura ao meu lado enquanto eu apenas o encaro. Mas que droga, porque ele tem sempre que aparecer?
— Na verdade sim. Precisa de algo?
—Eu... eu preciso ir ao banheiro. Com licença.-Serena diz e sei que é apenas uma desculpa. Levanto dando passagem e ela somente no corredor. Baruel fica me olhando sério, algum tipo de armadura imaginária se erguendo em seus ombros e novamente sinto minhas mãos formigarem. Uma luz parece ascender e esclarecer minhas suspeitas diante da forma "enciumada" que ele está agindo agora: ele gosta dela!
—Vamos fazer uma parada em Wultzburgo em alguns minutos, gostaria de saber se vai querer ficar no vagão ou se já tomou um rumo.
Baruel fala sem expressão alguma, no entrando sei que ele cutucou a ferida. Por um tempo ele fica me analisando profundamente: cada respiração, cada piscar de olhos, a forma como meu corpo reagia a cada mínimo movimento seu. Era uma forma de paz armada, uma batalha não declarada, apenas as vibrações de nossos corpos lutando. Sei que em uma luta corporal ele venceria com glórias e eu seria humilhado, mas graças aos deuses, ou seja lá qual for a força superior que rege o universo, isso não vai acontecer. Não hoje pelo menos.
—Não, por mim está tudo bem. Na verdade estava melhor antes...--ergo as sobrancelhas dejxando claro meu descontentamento com sua interrupção e ele acena, parecendo não ligar de o tê-lo feito. Pelo contrário.
—Ótimo. Já fizemos a ronda e está tudo seguro. Vamos continuar no vagão por hora e assim que os novos passageiros entrarem faremos a nova ronda. Vou fazer de tudo para ter certeza de que nao vai acontecer nada demais também.- ele enfatiza a última sentença e eu quase dou risada. Sutil.
—Perfeito!- dou um meio sorriso irônico e Isaac aparece, tomando todo o lugar com seu corpo enorme.
—Tudo seguro. Assim que os novos passageiros chegarem eu e Serena faremos a nova ronda, no mais estamos seguros.
— Na verdade Isaac...-Baruel interrompe, colocando a mão em seu ombro, mas sem deixar de me olhar.-Eu faço a próxima ronda. Fique aqui com o senhor Ivashkov.
Travo meu maxilar e sinto todo meu corpo retesar. Isso é uma afronta, só pode ser.
— Não, tudo bem eu faço...
—Vice fica!- Baruel agora olha pra Isaac e seu tom incisivo faz com que meu guardião que parece um monstro vindo direto do Monstros S.A. pareça apenas um cãozinho mandado. Ele claramente não gostou de tal decisão, mas não pestanejou. Baruel é o chefe da Guarda nesta missão, o que ele disser é ordem e isso me deixa cada vez mais nervoso. Serena está sob suas ordens também e se ele quiser afastá-la de mim tem apenas de ordenar. Fecho os dedos com força me controlando enquanto ele parece satisfeito com o efeito que causou.

Serena reaparece olhando cautelosa á nossa volta, porém sua postura ja não é a mesma. A frieza voltou ao seu olhar e quero matar Baruel por isso. O alto falante anuncia nossa chegada á estação e Isaac me conduz de volta ao meu assento. Jogo-me nele praguejando enquanto o monstrinho ao meu lado quase me abraça de tão protetor ao passo que novas pessoas adentram o vagão, o enchendo desta vez. Otimo!

Notas finais
Então é isso pessoal, Serena e Adrian voltaram a conversar. Mas por quanto tempo? E esse Baruel ai hein?! Kkkk Como recompensa pela demora vou deixar que escolham quem será o narrador do próximo capítulo. Então sejam rápidos pq vai depender de vcs pra q eu poste logo haha Beijocas e espero vê-los em breve ♡♡