Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
20 Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.
O carro estava silencioso. Não entendi muito bem o que estava acontecendo e por que Serena não me olhava ou falava comigo, nem mesmo o necessário. Eu tinha feito algo? Falado talvez? As imagens da noite passada eram como um borrão, mas sei que ela esteve lá comigo. Ao olhar para minhas mãos tenho certeza disso, já que elas estão com pequenos curativos onde algo perfurou; Só poderia ter sido ela á desempenhar tal trabalho. Olhando para elas consigo sentir o calor de suas mãos segurando as minhas enquanto eu pegava no sono, como se ela o fizesse nesse exato momento. Só que tudo não passa de flashes. Estou começando a me cansar de ter apenas flashes do que me acontece, bom ou não.
No carro Serena luta silenciosamente para não ficar ao meu lado, no entanto acaba perdendo. Cada momento que passa fico mais e mais perdido, tentando entender e relembrar o porquê de ela estar tão longe assim. Seu corpo está praticamente colado á porta e durante todo o caminho Serena olha pela janela, perdida em pensamentos. Quero falar com ela, perguntar se fiz algo que a ofendeu, magoou, mas os outros guardiões estão de ouvidos atentos e não quero expor nossa relação, ou o que quer que seja que temos. Se é que temos.
— Siga para a estação de trem – digo de repente- Não quero ir de avião, não estou com pressa.
Confusos, eles – menos Serena- me olham pelo espelho retrovisor e esperam por alguma outra frase do tipo "estou brincando, vamos para o aeroporto" ou "peguei vocês!", mas eu nem mesmo retribuo tal olhar. Em um movimento brusco, Isaac meneia o carro para a direita, entrando em uma bifurcação e saindo da estrada principal.
— E o avião senhor? O que faremos com ele? – Baruel pergunta.
— Deixe-o no aeroporto... pague o estacionamento, não sei, depois eu resolvo isso.- dou de ombros ascendendo um cigarro. Novamente um olhar de confusão me é dado e o silêncio se instala.
— O senhor sabe que a viagem até Praga em um trem não vai ser das melhores não é mesmo?!- Isaac se pronuncia claramente descontente.
— Não estamos indo para a República Tcheca Isaac, não hoje!
Mais uma vez eles me fitam surpresos, e eu solto um longo suspiro, exalando a fumaça pelo nariz. Serena enfim me olha e fixo meu olhar no dela tentando enviar sinais silenciosos e significativos, porém ela desvia mais rápido do que eu gostaria. Droga, que diabos está acontecendo aqui?
— Perdão senhor...?
— Isso mesmo Baruel, não vamos á Praga hoje, vamos permanecer na Alemanha e nos divertir um pouco mais.
Entre si eles se olham e parecem dizer um milhão de coisas. Termino meu cigarro e vinte minutos depois estamos na Estação Hauptbahanhof pegando nossos bilhetes rumo á Munique. Isaac reclama o tempo todo em como isso será desconfortável e que três horas e meia dentro de um trem é uma perca de vida, mas eu já me desliguei dele. Serena sente medo de voar e o quanto eu puder evitar isso para que ela se sinta confortável eu farei. Além do mais a vista é igualmente bonita, até mais eu diria, e não temos pressa.
Entro na cabine muito bem mobiliada e deixo minha mala de mão sobre um dos bancos. Aquela parte do vagão ainda está vazia e com sorte permaneceria assim, contudo minutos depois um homem alto e sério entra e toma seu assento. Serena senta na outra extremidade do reservado, e apesar de estar de frente para mim, evita todo e qualquer contato. Isaac está olhando ao redor, provavelmente checando se há algum perigo eminente. Sinto uma mão em meu ombro e me viro vendo um Baruel complacente se posicionar.
— Está tudo bem?
Fico o olhando por alguns segundos e me lembrando de toda conversa que tivemos noite passada no hotel. Ele pareceu relevar tudo o que foi dito e decido fazer o mesmo.
— Está sim, obrigado. —suspiro fundo e olho para Serena, outrossim, Baruel o faz— Tudo bem com ela?
— Ela não comentou nada de diferente senhor. Acordou animada e só depois de entrarmos no carro calou-se. — ele dá de ombros— Deve ser um dia desses de mulher, talvez ela esteja de tpm!
— É, talvez. – não concordo completamente. Se fosse isso porque ela parece ter problemas apenas comigo? Por que não está ignorando os outros também?
— Posso lhe fazer uma pergunta Adrian?
Á menção de meu nome volto a olhar para ele que me fita curioso.
— O que te levou a escolher Munique?
— Nada em especial. — dou de ombros— Estou exilado, não tenho pressa, então isso não significa que eu tenha um paradeiro certo.
— Você foi exilado? — a expressão surpresa de Baruel me faz revirar os olhos e respirar fundo algumas vezes. — Desculpe a pergunta senhor, é que não nos disseram muito ao sairmos da corte.
— Não, tudo bem. Fui exilado, mas não aconteceu nada demais para isso. Foi apenas um descanso, algo para aliviar tudo o que aconteceu segundo Lisa.
— Ah! – ele não diz mais nada e se retira indo sentar-se ao lado de Serena. Bufo mais uma vez naquela manhã e me sento olhando pela janela. Minutos depois meu celular vibra no bolso e o visor denuncia a ligação de Jill Mastrano. Atendo no terceiro toque com um sorriso:
Adrian
Princesa, quanta saudade! Como está?
Jill
Oi Adrian, eu é quem digo quantas saudades! Não me ligou mais, estava ficando preocupada!
Adrian
Desculpa princesa, andei ocupado. Como andam as coisas por ai?
O trem faz as últimas chamadas para embarque e um casal entra em nossa cabine. Eles estão normais, nem felizes muito menos tristes ou raivosos, apenas normais, e me pergunto se algum dia conseguirei ser tão normal como eles parecem ser.
Jill
Na verdade não muito boas. Briguei com Lisa!— sinto o pesar em sua voz e pelo que conheço de Jill, ela provavelmente está sentada perto de um dos jardins da corte, cabisbaixa e brincando com um ramo qualquer.
Adrian
Brigaram? Por quê?
Jill
Ah, você sabe como o Espírito ás vezes pode ser confuso. Pelo menos foi o que ela me disse. — ah se sei minha querida, ah se sei!
Estávamos bem, progredindo na verdade, mas então de repente ela me expulsou de sua sala quase aos gritos. Não entendi muito bem, achei que tinha dito algo de errado, mas eu não fiz nada! Foi então que percebi que o problema não era eu.
Franzi a testa. Certo, Lisa ainda tinha problemas com o Espírito, eu não era o único. Tenho certeza de que não eram nas mesmas proporções que os meus, no entanto agora que ela não tinha mais Rose para ajudá-la a equilibrar os efeitos as coisas devem estar sendo mais difíceis.
Adrian
Jill você sabe como isso pode ser complicado ás vezes, tente entende-la.
Jill
Eu tento, eu juro que tento Adrian, mas não estou chateada por isso. – ela funga e me preocupo que a coisa seja pior do que eu imagino.
Adrian
Conte-me tudo!
Jill
Rose... — ela começa e eu gelo.
Não pensei que á menção de seu nome me causaria ainda certo desconforto, mas fico feliz em perceber que parte da dor já sumiu.
Adrian
O que ela fez?
Jill
Ela me culpou. Eu juro que não fiz nada, eu estava quieta, era uma conversa normal!
Adrian
Como ela te culpou?
Jill
Ela disse que a Lisa está instável por minha culpa, que eu ando enchendo demais a cabeça dela com coisas banais e não a deixo governar como deveria.
Adrian
Isso é maldade! – Por que Rose faria algo assim? Ciúmes talvez? Jill e Lisa tem se aproximado cada vez mais, talvez ela esteja com ciúmes!
Jill
Eu sei. Me sinto tão culpada! Sei que tenho tirado bastante do tempo dela e ela tem passado poucas e boas com o conselho.
Adrian
Não se preocupe princesa, tudo vai ficar bem, eu tenho certeza! — sorrio e posso dizer que ela faz o mesmo, mesmo que ainda seja o mais singelo dos sorrisos.
Jill
Obrigada Adrian, sinto sua falta!
Adrian
Eu também, pequena. Mas nos veremos novamente, não se preocupe.
Jill
Em breve?
Suspiro fundo e olho para onde Serena está. Ela retribui o olhar e não sei o que pensar sobre o que os olhos dela dizem, pois estão tão confusos quanto os meus.
Adrian
Eu não sei. Na verdade não sei de mais nada!
Jill
Ah... Bom, não deixe de me ligar. Preciso de um amigo!
Adrian
Não vou demorar, prometo! Mas e quanto ao senhor Castille? Pensei que Eddie fosse seu amigo também!
Um longo suspiro vem do outro lado da linha e sei que há mais do que ela diz.
Jill
Ele é... bom, é complicado!
Adrian
O que nessa vida não é complicado? – Rio sem humor e mais uma vez olho para Serena. Ela está fixa olhando para fora enquanto o trem começa a andar devagar, deixando Frankfurt para trás.
Jill
Preciso ir, tenho de estudar. Se cuide Adrian e mais uma vez não se esqueça de mim!
Adrian
Jamais! — prometo— Nos falamos princesa.
Jill
Você é o único que me chama de princesa e não faz com que isso seja incômodo. — ela ri diante da verdade. Falo no modo carinhoso da palavra, sem me importar com o fato de ela ser realmente a nova princesa.
Tchau Adrian!
Adrian
Tchau Jill!
Ela desliga e o silencio domina tudo novamente.
Já pegamos certa velocidade e tudo lá fora parece como um borrão. Alguns avisos, dos quais não presto atenção, são ditos em alto e bom som pelo alto falante. É o único som que ouvimos. O casal á minha esquerda não conversa, mas não parece desconfortável com tal ato. O homem esguio mexe concentrado em seu laptop enquanto eu estou preso em meu assento de couro preto sem nada para fazer ou com quem falar. Assim que a atendente passa peço meu copo de uísque. Parece que a viagem vai ser longa afinal, e não estou a fim de ser incomodado.
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