Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
9 Hauptawache
Notas iniciais
—Cuidado onde pisa!- Lana diz enquanto se esgueira por entre as ferragens da escada de incêndios do prédio.
Quando pedi pra que nos tirasse da boate sem que ninguém visse, pensei que ela acharia estranho e me deixaria falando sozinho, mas ao contrário: ela estava nos tirando dali!
Segui por onde ela mandava tentando manter o máximo de segurança possível. O degrau rangia á medida em que pisávamos nele, o vento forte e gelado de dezembro fazia tudo parecer mais perigoso. Estávamos á apenas cinco metros de altura, o suficiente pra um bom estrago caso houvesse uma queda, todavia não era problema. Eu podia nos curar.
Uma das vantagens de se ter o espírito como elemento, era que eu possuía o poder de cura. Claro, Lana não podia saber que eu era “diferente”, porém daria um jeito nisso, caso necessário. Terminei de descer o ultimo degrau e a ajudei se equilibrar no chão, já que seu salto preto a faziam ficar instável. Na pressa não conseguimos pegar nossos casacos e o frio começava a castigar a pele exposta. Principalmente a dela naquele vestido curto.
—Por aqui!—ela começou a andar enquanto se abraçava— Estamos perto da Zeil e acho que conseguiremos algumas peças de roupa mais quentes.
Zeil é uma das principais ruas de lojas em Frankfurt, com os mais conceituados magazines. Não havia prestado atenção em que parte da cidade estava quando eu e meus guardiões chegamos, no entanto agradecia por ter escolhido um lugar tão acessível.
Segui-a com pena de seu estado já que o frio não me atingia tanto quanto á ela. A rua em nossa volta ainda estava pouco movimentada pelo fato de ser seis da manhã, entretanto as lojas já começavam a abrir o que foi uma sorte. Entramos na primeira loja que vimos e compramos o necessário para o frio: um casaco de pele para ela, sapatilhas, um sobretudo preto para mim, e uma echarpe.
—Eu pago!- insisti, apesar dela continuar relutante.
—Adrian não. São mais de mil dólares!
—Eu não me importo!- disse sorrindo e já sacando o dinheiro de minha carteira. Ela me observou por alguns segundos, perplexa, entretanto não pestanejou mais.
—Ao menos me deixe pagar um café. Sei que não vai dar nem cinco dólares, mas é o mínimo que posso fazer! — ela sorriu constrangida e eu ri de seu jeito fofo enquanto saíamos dali e seguíamos rua a fora. O sol já estava começando a ficar alto, o que seria um problema mais pra frente, contudo não me importei. A arquitetura exuberante e inquietante compensava o desconforto.
Os prédios altos e espelhados refletiam o sol e causavam sombras e luz de diferentes formas no calçadão. Era realmente uma parte da cidade muito bonita de se ver.
Um prédio em particular me chamou a atenção. Ele era em sua magnitude enorme como os outros, mas a espécie de um “buraco negro” em sua fachada me instigava. Era inteiramente espelhado e as partes mais alusivas dos espelhos davam a ele uma forma interessante de se apreciar.
—Legal não é! — Lana estava parada ao meu lado me olhando com o sorriso enorme.
—Magnífico! — concordei. Era como se aquele buraco me puxasse para si, trazendo milhões de sentimentos diferentes á tona.
Às vezes me sentia exatamente como aquela formação. Eu espelhava tudo em um redemoinho de sentimentos e convicções, que no final não me levavam a lugar algum.
—Esta não é a única obra de arte aqui de Hauptawache. É só olhar em volta e você vai perceber o quão bela é a arquitetura daqui!
Lana estava certa.
A praça em que estávamos era realmente incrível, misturando o antigo ao novo. Hauptawache, um prédio á nossa esquerda, era no estilo barroco localizado no centro da cidade, um resquício do passado em meio á tanta modernidade. Andei devagar por entre aquelas ruas apreciando tudo á minha volta. Tudo me chamava muito à atenção, pois a maioria ligada à arte me interessava.
—Esse prédio começou a ser construído em 1671 e teve seu término em meados de 1720 — Lana começou a falar enquanto me passava um copo com café forte. — Era onde ficava a sede do posto de guarda da cidade, mas com o tempo foi perdendo sua importância. Em 1905, Hauptawache foi transformada em restaurante/café, é um dos pontos turísticos mais visitados daqui. Se quiser comer o melhor molho verde com ovos e batatas, aqui é o lugar!- enfatizou.
Eu podia sentir certa euforia em sua voz e não precisei nem olhar para ela pra saber que seus olhos estavam brilhando.
—Aqui é um lugar ótimo e de localização privilegiada por que as linhas de metrô, a U-Bahn e a estação de trem, S-Bahn, passam e te levam pra qualquer parte da cidade, desde os subúrbios aos grandes centros.
Continuamos andando enquanto ela expunha todos aqueles dados impressionantes do lugar como uma perfeita guia turística. Além de bonita, ela era inteligente e carismática. Isso estava ficando cada vez melhor!
Passamos em frente á uma grande construção de estilo barroco clássico que me fez ficar boquiaberto. Esse era realmente um pedaço da história quase palpável.
—Katharinenkirche!
—O que?- perguntei me virando pra ela.
—Essa é Katharinenkirche ou Igreja de Santa Catarina. É a maior igreja luterana daqui e foi dedicada á mártir cristã, Catarina de Alexandria.
Eu já tinha ouvido falar nela na verdade. Quando menor, durante as aulas com o padre Reussen, ele havia nos contado a historia dela. Ela havia tentado conversar com o imperador romano Maximiano- um moroi da realeza que odiava quaisquer raças que não fossem a dele- em favor dos cristãos. Pelo menos acho que era isso. Nunca fui daqueles alunos exímios que prestavam atenção ou ficavam acordados durante as aulas ou sermões.
Mas de uma coisa eu tenho certeza: a parte sobre o imperador Maximiano ser um vampiro era desconhecida pela humanidade! Pelo menos ignorada se alguém tinha alguma ideia disso. Os alquimistas faziam um bom trabalho á séculos deixando claro que vampiros não existiam, éramos apenas lendas.
Aham!
Ri sozinho de meu pensamento sarcástico o que fez com que Lana me olhasse divertida.
—O que foi?
—Nada, apenas me lembrei de que me contaram quando mais novo de que Maximiano era um sugador!- ironizei, fazendo novamente minha piada interna. Lana concordou, mas não pelos motivos que eu havia pensado. — á proposito, como sabe de tudo isso? Você parece uma guia turística falando essas coisas!
Ela riu e percebi que também mantinha sua piada interna.
—É quase isso!
Seguimos por mais algumas ruas apreciando sua arquitetura e história, que ela contava entusiasmada e assim rapidamente a manhã passou, divertida e aconchegante.
—Então, vai me dizer de quem estava fugindo lá na boate ou não?- ela perguntou sorrindo enquanto lambia seu sorvete grego e me olhava de esguelha.
Lembrei-me de meus guardiões que deviam estar irados á uma hora dessas, me procurando por toda a extensão da praça. Instintivamente olhei ao redor procurando por algum sinal deles.
—Calma, não tem ninguém nos perseguindo- Lana disse com um sorriso sincero enquanto tocava meu braço.
—É claro que não. Se tivesse eu não estaria aqui conversando com você livremente. — sorri de volta.
—Você não vai me contar não é mesmo!?- soou mais como uma afirmação do que pergunta, mas eu não tinha como contar. Como iria chegar pra ela e simplesmente dizer “Lana, então, eu sou um Moroi. Um vampiro bonzinho que faz parte da realeza de sua raça e que no momento está fugindo de seus guardiões, que são meio vampiros meio humanos, pra ter essa pequena aventura com você!”? Ainda não era a hora. E talvez nem existisse tal.
—É complicado!- me limitei a dizer.
Ela consentiu e voltou a andar.
—Okay. Só espero não estar me envolvendo com um mafioso ou com um cara casado. Não vou fazer mais perguntas!- ela se virou pra mim e continuou andando de costas. — Vem! Eu tenho um lugar pra te mostrar.
Sorri e mais uma vez a segui. Ela parecia conhecer ali como a palma da mão e não me importei de estar indo para algum beco escuro ou no caso, o alto de um prédio. Ela parecia ser inofensiva demais pra me atacar. Não que eu achasse isso ruim!
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Era realmente lindo aqui em cima. A vista de toda a cidade resplandecia sob nossas vistas. Os altos prédios se erguiam na vasta imagem, o novo se misturando ao velho em uma imagem digna para a memória.
—Onde estamos?- perguntei enquanto me apoiava no vidro que dava vista pra fora.
—Aqui é a Zeilgalerie!
Então aqui era o olho do “buraco negro”. Lindo!
Tínhamos subido cerca de cinco andares de escada apreciando, claro, a arquitetura exuberante do lado de dentro do prédio. Era inacreditável como aqui poderia ser mais bonito que lá fora.
Tudo em sua imensidão branca e transparente davam ao lugar uma visão futurista e limpa. Os corredores de design diferenciado e louco deixavam o lugar com seu brilho próprio.
—Percebi como gosta de arquitetura e achei que esse fosse um bom lugar pra você conhecer!- ela deu de ombros enquanto se sentava em uma pedra polida cor grafite que era usada claramente como banco.
A olhei por alguns momentos apreciando a vista de quão terna e singela era sua beleza. As sardas em seu rosto em contraste com os olhos verde esmeralda me transportavam para alguma dimensão diferente daqui, mais acolhedora e instigante. A forma como suas bochechas subiam quando ela sorria e faziam de seus olhos pequenas bolinhas brilhantes era também extremamente fofo.
—O que foi? — perguntou ela tímida.
Virei-me totalmente de frente pra ela apoiando os cotovelos no corrimão de acrílico.
—Alguém já te falou que você é linda?
Vê-la corar foi uma das coisas mais lindas e sexys que já vi. E olha que muitas mulheres já demonstraram a mesma reação quando disse aquilo, mas nenhuma foi tão fofa quanto Lana.
—Adrian pare!- ela falou virando o rosto e rindo. —Eu sei o que você está tentando fazer!
—E o que seria isso?
—Não se faça de bobo! — ela semicerra os olhos e vira a cabeça de lado ao passo que eu a imito. Nós ficamos assim trocando olhares por mais algum tempo até meus braços começarem a doer. Me afasto do corrimão e sento de frente pra ela, em uma daquelas outras pedras/banco.
—Á proposito, gostei da sua echarpe!- ela diz pegando o tecido verde entre seus dedos. Sigo o movimento hipnotizado e então volto á olha-la. Nossos rostos estão mais próximos agora e posso sentir o aroma de seu perfume de algodão. Lana também nota nossa proximidade, porém não se afasta. Pelo contrario, me encara com a mesma intensidade, eletricidade passando por entre nossos corpos.
Um vulto atrás dela me tira do transe e eu congelo.
—O que aconteceu?- ela fala começando a se virar quando percebe minha reação, contudo seguro seu rosto evitando.
—Quando eu mandar correr, você corre!- falo mais sério do que pretendia a deixando com um olhar apavorado.
Espio mais uma vez por entre seus cabelos e vejo Isaac olhando em volta- me- procurando. Sua distância é grande de onde nós estamos e eu calculo rapidamente o tempo que levaríamos pra sair dali.
—Adrian você esta me assustando, o que está acontecendo?
—Teremos que sair daqui sem sermos vistos assim como na boate. Não se preocupe, não são assassinos ou coisa do tipo!- sorrio divertido e sentindo a adrenalina aumentar. Bem , tecnicamente isso era verdade. Eles não eram assassinos, não de humanos. Á menos que necessário, claro.
—Confie em mim!
—Mas...
—Confie em mim!- falo mais imperativo dessa vez e uso um pouco de compulsão. Ela apenas confirma e dou uma ultima olhada por entre seus cabelos vendo Baruel se aproximar de Isaac.
Eles conversam por mais algum tempo quando Baruel se vira de lado, vendo onde estamos. Ele aponta e começa a correr em nossa direção, com Isaac em seu encalço.
Me levanto rápido e pego na mão de Lana.
—Corre!
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