Notas iniciais
Eu sei que demorei uma vida para postar o capítulo e peço desculpas, mas acontece que eu simplesmente perdi metade do capítulo e aí fiquei chateada e não conseguia mais escrever, mas agora estou de volta e vou tentar postar com mais frequência. Boa leitura!

Eu estava numa espécie de inferno particular, agora toda a Côrte sabia sobre o que Dimitri havia se tornado e eu sabia que seria difícil conseguir curá-lo e mais difícil ainda ter que matá-lo se a situação chegasse a grandes extremos.

Pela manhã acordei com o mesmo desânimo de sempre dos últimos meses, arrumei as crianças para a escola que ficava dentro da Côrte e depois fui me encontrar com alguns Guardiões para uma reunião sobre os resultados com o soro que Sidney desenvolveu sendo um anjo ao deixar de fora que a chave do soro era nada menos que o meu sangue.

— Desculpem o atraso, problemas pessoais. E isso é tudo que precisam saber, então nada de perguntas. -Falei com a expressão séria entrando na sala, todos os Guardiões presentes me encararam por alguns segundos e logo desviaram o olhar quando comecei a encará-los de volta. — O que eu perdi? Eddie, pode me atualizar rapidinho, por favor?

— Estamos analisando os resultados dos exames dos Strigois que foram capturados na última semana e... É realmente uma coisa incrível, quase que inacreditável! Aparentemente o soro funciona mesmo como era o esperado, mas o corpo do Strigoi não pode ter sido alimentado a pelo menos 12 horas mais ou menos. — Disse Eddie me entregando algumas pastas com os relatórios completos, sorri levemente com a notícia e mais ainda quando ele me estendeu um copo de café com leite e chocolate que para mim era simplesmente a melhor bebida do mundo pela manhã. — Todos que atacaram nossos colegas e se alimentaram e foram atingidos com o soro infelizmente estão mortos, mas ouve uma recuperação total do estado original de 10 ex-strigois porque aparentemente eles não se alimentaram durante o confronto. Os que eram Moroi voltaram mais rápido e os Dhampir voltaram ao estado normal 12 horas depois, mas voltaram. Eu não sei como isso aconteceu, mas você e a Alquimista Sage conseguiram de verdade Guardiã Hathaway. Descobriram como reverter o estado de Strigoi.

— Foram as melhores notícias do meu dia, isso é muito bom e será ainda melhor se conseguirmos as autorizações para o uso do soro. Falando nisso, por acaso a Rainha já foi informada sobre os resultados e o pedido de liberação de uso do soro? -Perguntei passando os olhos pelos relatórios rapidamente mesmo que ainda fosse ler cada um deles com mais calma mais tarde.

— Sim, a Guardiã Alberta Zeklos foi falar com ela assim que os resultados chegaram na mesa dela. E ela disse que vai marcar uma reunião com os membros do Conselho Real ainda essa semana para que a lei que autoriza legalmente o uso desse antídoto seja liberado por todo o mundo. -Disse uma outra Guardiã que eu havia visto poucas vezes.

— Certo, tudo bem pessoal isso provavelmente é tudo por enquanto. -Falei começando a guardar minhas coisas. -Provavelmente teremos outra reunião semana que vêm para sabermos as decisões das nossas Majestades​, mas fiquem a vontade para me manter informada sobre qualquer coisa a respeito do desenvolvimento do soro. Obrigada, tenham um bom dia.

Após a reunião fui para o ginásio treinar um pouco para esfriar a cabeça, mas toda vez que acertava um boneco de treinamento e errava algum movimento que numa luta real provavelmente resultaria na minha morte Dimitri vinha em minha mente, eu tinha que tentar salva-lo ou então teria que matá-lo; qualquer destino era melhor do que ser Strigoi e eu sabia disso, mas como eu faria isso?

Uma coisa era certa, eu tinha que agir. E tinha que fazer isso imediatamente!

Pulei do tatame rapidamente e corri até minha bolsa de treino a procura do aparelho pequeno branco, corri pela lista de contatos até encontrar exatamente o que precisava numa situação como aquela.

Dimitri queria jogar? Eu iria mostrar pra ele como funcionava as regras desse jogo.

— Rebekah, espero não ter ligado numa hora muito ruim, mas acontece que eu preciso que largue tudo que estiver fazendo, peguei um avião ou qualquer coisa parecida e vá para o meu apartamento. Agora. -Pedi com o celular na mão, sentada no meio do ginásio com as pernas cruzadas passando a mão pelo cabelo repetidas vezes num sinal de ansiedade e nervosismo. — Está falando sério? Não, é claro que eu não tive acesso a essa informação! Não sabia que tinha vindo pra cá de novo, eu estou no ginásio principal, lado oposto a sala principal de reuniões da Rainha. Tudo bem, estou esperando por você.

Esperei mais alguns minutos e para dar uma acalmada nos meus nervos lá estava ela; a segunda Belikov mais velha, inacreditavelmente tão diferente de seu irmão mais velho e ainda assim tão assustadoramente igual.

— Eu soube que você o encontrou a 38 quilômetros da rodovia que liga a Corte a cidade mais próxima daqui algum tempo atrás. -Disse Rebekah entrando no ginásio com a expressão séria e olheiras enormes, ela vestia um jeans azul claro desbotado na região das coxas, uma blusa roxa de manga comprida e uma jaqueta jeans azul por cima, além de tênis que era nosso maior aliado na maioria das ocasiões; principalmente quando tínhamos que lidar com ataques de Strigois. — Honestamente eu não entendi porque você amarelou, ele não é mais a pessoa que conhecemos Rozy, sinto muito. Sou irmã dele, então não se atreva a dizer que eu não entendo seus motivos porque isso não é verdade, mas em algum momento vai precisar abrir os olhos de verdade.

— Eu não estava preparada para vê-lo daquele jeito Rebekah, mas agora vai ser diferente. Nada de equipe, sem distrações ou sentimentos. -Garanti após alguns minutos tentando encontrar as palavras e obriga-las a sair garganta afora.

— Então é isso que tem em mente, simplesmente vamos atrás do meu irmão? Sem equipe? Sem algum tipo de cobertura? Nada? -Perguntou ela parando de frente para mim com os braços cruzados no peito. -Legal, qual é o seu plano exatamente? Porque eu não sei se notou ainda, mas ir sem uma equipe de reforço é suicídio. É o Dimitri e acredite em mim quando eu digo que sei como isso é difícil, mas acontece que ele é um Strigoi agora e mesmo que seja difícil aceitar sabemos que ele vai tentar nos machucar ou nos matar. Ou uma coisa seguida da outra. Precisamos de um plano de verdade. Agora.

— Primeiro, eu vou atrás dele... Sozinha, é algo que provavelmente ele não está esperando que eu faça, por causa da Lissa e minhas filhas. E segundo, eu não tenho um plano de verdade ou qualquer coisa parecida que garanta algum tipo de segurança e sucesso nessa história, mas acontece que eu conheço o Dimitri tão bem quanto você. Os ataques aleatórios pela cidade e nos arredores dela? Adivinha só? Não são ataques aleatórios coisa nenhuma, ele está tentando chamar a minha atenção e está conseguindo porquê eu acho que sei exatamente para onde ele está indo. -Falei me colocando de pé para poder abraça-la antes de começar a andar de um lado para outro impaciente com as peças que não se encaixavam naquilo tudo. — Eu posso estar errada e admito isso bem alto se quiser, mas acho que ele está indo para o Canadá. Está tentando me atrair para bem longe de laços que possam me proteger de alguma forma.

— É um Strigoi sem sentimentos ou alma, mas ele ainda é meu irmão. -Disse Rebekah revirando os olhos, segurando meu ombro afim de me manter num lugar fixo provavelmente incomodada com a minha agitação. — Sabe que é uma armadilha, ambas sabemos que ele não foi longe assim para somente afastar você de alguma segurança daqui. Na verdade acho que é exatamente o contrário. Ele está dispersando os Guardiões para poder pegar você sozinha. Aqui.

— Faz sentido, mas porque se arriscar tanto só para me pegar? -Questionei a encarando sem entender, afinal não fazia o menor sentido. — Angela continua tendo pesadelos e eu não sei o porquê e nem sei o que fazer para ajudar. As meninas ficam chamando pelo pai e eu não consigo dizer a elas que provavelmente ele não vai voltar. Eu preciso trazer ele de volta Rebekah.

— Ou então terá que matá-lo. -Disse ela dando de ombros encarando o chão antes de me encarar com lágrimas nos olhos. — Olha só, eu conheço você melhor do que imagina. Seja lá o que tiver que fazer, vá e faça. Eu e Adam podemos levar as meninas para a Rússia até às coisas se resolverem por aqui, a minha mãe me liga quase todos os dias pedindo para ver as meninas e Victoria também não para de falar em vocês.

— Elas​ sabem que vou tentar salva-lo dessa bagunça? -Perguntei a encarando com cuidado.

— Não, eu achei melhor não dizer nada para não criar esperanças. -Respondeu ela suspirando com força agora com lágrimas nos olhos. — Ela e a Victória acham que meu irmão se foi pra sempre e honestamente falando? Eu também acho, então é melhor que elas fiquem no escuro por enquanto.

Pretendia estender um pouco mais a discussão, mas meu celular começou a tocar e ao atender senti todos os músculos do meu corpo derretendo lentamente dentro de mim.

— Rose, você está com uma cara péssima. O que foi? -Perguntei Rebekah segurando meu ombro com cuidado. — Sua cara está horrível, me diz o que aconteceu! Por Vlad, diga logo o que tem de errado!

— Angela desmaiou na sala e parece que bateu a cabeça numa carteira, eu preciso ir busca-la no hospital do Centro. -Falei correndo para a porta tentando controlar o desespero que se formava em meu peito rapidamente. -Pega as meninas no colégio e liga para o meu pai e veja se ele pode ficar com elas até eu chegar, por favor.

Saí em disparada para o estacionamento principal, entrei no carro ignorando todas as perguntas dos Guardiões que passaram por mim, enquanto dirigia comecei a chorar pensando em​ como eu estava sendo um fracasso em tudo na minha vida, primeiro havia perdido Dimitri e não fazia ideia se poderia salva-lo, depois nosso bebê e agora havia algo de errado com a Angela. Eu era a pior mãe do mundo com certeza.

Já dentro do hospital fui imediatamente levada para onde minha filha estava, ela sorriu ao me ver e corri até ela que imediatamente sentou e abraçou minha cintura.

— Mamãe! -Gritou ela com um sorriso ao me abraçar com força.

— Oi meu amor, a mamãe está aqui. -Falei a pegando no colo e virando para a porta quando um médico entrou. — O que aconteceu filha? Você está bem meu amor? Se machucou?

— Eu estava pensando no papai e ai minhas mãos ficaram geladas, tudo começou a ficar escuro e eu desmaiei. -Disse Angela me abraçando com desespero. — Podemos ir pra casa mamãe?

— Vai ficar tudo bem agora meu amor, vou conversar com algumas pessoas e depois vamos pra casa, a Tia Bekah e o Tio Adam estão em casa e acho que vão levar você para passear na casa dá vovó Belikova — Expliquei pegando ela no colo com cuidado enquanto a apertava de leve em meus braços.

Um barulho na porta chamou minha atenção, por ela entrou um médico de mais ou menos uns 40 anos, tinha a minha altura, cabelos pretos bem curtos, um sorriso calmo e sorriu ao me ver com Angela.

— Olá, sou o Doutor Torres, Pediatra que atendeu sua filha e você deve ser Rosemarie Hathaway, a mãe dela, você falou comigo pelo telefone. Podemos conversar um minuto em particular, por gentileza? -Disse o médico apontando o corredor.

— Tudo bem, me dê um minuto. Meu amor a mamãe já volta, estarei do outro lado da porta conversando e logo vamos embora, eu prometo que se for uma boa menina no caminho para casa compro o que você quiser. Fique na cama brincando com o meu celular enquanto eu converso com o médico, por favor. -Falei entregando o aparelho para ela e saindo junto​com o médico. -Ela vai ficar bem? Bateu a cabeça com muita força?

— Vai sim, aliás a sua filha não tem nada de errado Senhorita Hathaway. A causa do desmaio ainda não foi explicada, mas ela mencionou pesadelos com o pai dela e alguns sintomas estranhos como se sentir gelada e ouvir a voz do pai. -Disse o médico com um pequeno sorriso gentil e isso me deixou um pouco o mais tranquila. — Bem, ela também contou que você é a segunda mãe dela e que a verdadeira morreu a alguns tempo na Rússia e como ela era Moroi acho que a carga emocional pela perda do pai e a saudade​ da mãe biológica está fazendo os dons dela aparecerem cedo demais.

— E o que eu devo fazer? -Perguntei olhando para a porta com a mão sobre os lábios. — Ela tem passado por coisas difíceis e eu entendo isso, mas como os dons dela podem estar vindo tão cedo?

— Carga emocial pode desencadear várias coisas e a menina é Moroi então não da pra ter certeza exata de quando vai acontecer com ela. — Explicou ele com o mesmo tom calmo. — Vou deixar uma medicação para dor de cabeça e um calmante assinados na recepção, é só passar lá e pegar.

— Calmantes pra uma criança? Desculpe, mas isso é mesmo necessário? -Questionei com a mão na massa está pronta para voltar ao quarto. — Angela só tem 8 anos.

— O remédio pra dormir de cabeça é pra ela, mas o calmante é para a senhorita. — Disse ele pegando um aparelho que não parava de fazer um bip irritante na cintura dele. — Eu preciso ir agora, qualquer coisa deixei meu cartão com a sua filha, é só ligar que eu posso atender casa também.

— Obrigada. -Agradeci entrando no quarto. — Pronto meu amor, vamos pra casa agora.

Já era início da noite, eu já estava totalmente pronta, entrei no quarto das gêmeas sabendo que provavelmente seria a última vez que as férias dependendo de como as coisas ficassem, então sai encontrando Rebekah com meu pai me esperando na cozinha junto com Adam e Christian.

— Christian o que está fazendo aqui? -Perguntei com a testa franzida. — Eu pensei que a Lissa viria, não você.

— Ela está com as crianças e pediu que eu viesse, eu já contei pra ela que pediu uma licença e ela me pediu para dizer que não concorda com a sua decisão, mas sabe que ninguém vai conseguir te segurar então desejou boa sorte. -Respondeu Christian franzindo os lábios.

— Eu concordo com a Rainha. -Disse Abe com a expressão séria. — Filha, isso é loucura e você sabe disso.

— Eu sei, mas ele é o amor da minha vida e eu não posso desistir sem lutar. -Falei com a voz levemente trêmula. — Dimitri odiaria saber que desisti dele sem lutar, eu preciso trazer o pai das meninas pra casa... Preciso tentar.

— Tudo bem, eu vou com as crianças para a Rússia junto com a Rebekah e Adam se eles concordarem. -Disse meu pai com a expressão séria.

— Com certeza, será um prazer te-lo junto com a gente, faz um tempo que eu não tirava férias. -Disse Adam com um pequeno sorriso. — Olha, o Dimitri protegeu o meu pai por anos e me tirou de mais problemas do que eu consigo contar então se tiver algo que eu possa fazer é só me dizer.

— Só tomem conta das meninas e não digam nada sobre o que fui fazer, digam que viajei a trabalho... Não importa, inventem o que for necessário, mas não digam o que estou fazendo porque eu não sei se vou conseguir voltar. -Pedi sentindo meu rosto úmido pelas lágrimas.

— Vai, nós vamos tomar conta delas. -Prometeu Christian com a expressão séria então acenei para todos e simplesmente sai antes que pudesse começar a chorar.

As minhas decisões desde o momento que vi Dimitri pela primeira vez no Oregon foram as mesmas que me fizeram ter a certeza de que eu poderia me entregar a ele de corpo e alma como aconteceu na primeira vez que fizemos amor na cabana nos arredores da St. Vladimir, e depois todos os momentos que tivemos juntos, cada uma das vezes que arriscamos tudo quando fomos descobertos e nosso relacionamento foi exposto para todos e depois quando fui presa injustamente pelo assassinato da Rainha, seguido da minha liberdade e a gravidez onde descobrimos juntos o que acontece quando o amor cresce e não cabe mais dentro do peito e agora vinha a parte em que tudo que construímos em quase seis anos de coisas que vivemos juntos estava dependendo do que eu fizesse para salva-lo e era exatamente isso que eu faria mesmo que isso significasse tira-lo de mim para sempre.

Estava na hora de salvar Dimitri Belikov ou então mata-lo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, eu só postarei o próximo quando eu tiver pelo menos duas recomendações e pelo menos 5 comentários, antes disso eu não vou postar então sejam bonzinhos que eu serei boazinha com vocês. Bjos e até o próximo!