Academia de Heróis Apaixonados
4 A mesma sensação em pessoas diferentes
Notas iniciais
Ao chegarem na residência dos Bakugou...
"B-Bakugou... Eu não sei o que fazer...", enquanto observava Mitsuki guardar as compras, Uraraka sussurrou para o menino.
"Problema seu", ele resmungou.
"Ei, não fiquem parados feito postes aí na entrada", disse a mãe do garoto ao reparar que ambos não saíam do lugar. "Mostre a casa pra ela, Katsuki."
"Não quero!"
"Então ao menos a leve pra sala, seu moleque inútil!"
O garoto apenas seguiu para a sala sem dizer nada. Uraraka foi logo atrás.
"Não sei se ele quer que eu o siga, mas a situação parece dizer que sim...", ela pensou.
Apesar de morar ali, a presença da menina estava deixando Bakugou cada vez mais desconcertado. Assim como ela, o loiro não sabia o que fazer. A única ideia que tinha em mente era a de sentar no sofá e esperar o clima melhorar.
"Se não sentar logo vai acabar ficando cansada, sua lerda", disse ele enquanto a encarava.
Ela, que estava apoiada em uma das paredes do cômodo, teve que concordar que seria cansativo ficar de pé até a hora do jantar. Sua vontade era de sentar no sofá vazio, mas como não queria parecer chata, escolheu o que Bakugou estava sentado.
"Espero que ele não fique bravo por eu não ter ido pro outro sofá... A cara dele passa a ideia de que está irritado. Será que foi por eu ter sentado aqui?"
"Por que ela não foi pro outro sofá? Parece até que sabe como essa situação é complicado e quer piorar as coisas. Eu... nunca me senti assim antes. É muito estranho."
Após alguns segundos de silêncio (que mais pareceram uma eternidade para os dois jovens)...
"Qual é a desse silêncio todo? Ei, e por que estão tão longe um do outro?", ao chegar na sala e ver que cada um estava sentado numa ponta do sofá, Mitsuki perguntou.
"Ah, é que... Na verdade eu não sei...", sem jeito, Uraraka falou.
Katsuki apenas ignorou as perguntas da mãe.
"Quanta timidez. Vou ajudar vocês."
Assim que disse aquilo, a mulher os juntou como num passe de mágica.
"Hã?! Por que fez isso, sua velha maluca?!", o garoto indagou com irritação no momento em que percebeu.
"Cala a boca! Ainda vai me agradecer!", ela respondeu já retornando para a cozinha.
O susto que Uraraka levou ao perceber que estava bem perto de Bakugou a deixou sem fala. A saída que ela encontrou foi abaixar a cabeça para tentar esconder a vermelhidão do rosto. Por algum motivo seu coração começou a bater mais rápido, fazendo com que seu nervosismo só aumentasse.
"Qual é o seu problema? Nunca se sentou ao lado de um garoto antes?", ao vê-la daquele jeito, ele perguntou.
"E-esta situação é diferente... Eu estou na sua casa e sozinha com você aqui na sala...", disse virando o rosto para o lado oposto do garoto.
"Falando assim parece até que estamos sozinhos no meu quarto. Não seja tão exagerada, sua idiota...", resmungou também virando o rosto.
Aquelas palavras só deixaram Uraraka ainda mais envergonhada.
"N-não diga isso! E-está me deixando mais sem graça!", voltando a olhar para ele, a garota exclamou.
Por mais que estivesse extremamente constrangida e não quisesse encará-lo, ela decidiu lidar com aquilo. Para a sorte dela, o menino estava virado para o outro lado, com o cotovelo apoiado na coxa, a mão no queixo e os olhos voltados para o chão. Isso facilitou a conversa.
"Escuta, eu posso me afastar se você quiser", com o tom de voz mais sério, ela disse.
"Não...", disse ele coçando a cabeça.
"Hã? Quer que eu fique?", perguntou surpresa.
"Não é isso...", respondeu voltando os olhos para ela. "Só não me importo. Foi o que eu quis dizer."
"Ah, entendi."
Bakugou estava mentindo. Algo que ele não havia notado antes o fez querer que Uraraka continuasse ali ao seu lado.
"O cheiro dela é muito bom... De alguma forma, esse perfume está diminuindo o meu desconforto. Espera, no que eu tô pensando?"
O clima já estava mais leve, e para melhorar, Mitsuki apareceu com duas ótimas notícias.
"A janta está quase pronta. Ah, e eu já liguei pra sua mãe. Ela disse que está tudo bem, contanto que você não volte muito tarde pra casa."
"Obrigada", com o tom de voz aliviado, a menina agradeceu.
Minutos depois, Masaru chegou e todos foram jantar. Mais conversas embaraçosas acabaram rolando durante a refeição, mas tanto Bakugou quanto Uraraka estavam esperando por isso. No final de tudo, chegou a hora de se despedirem. Mitsuki obrigou o filho a acompanhar a "namorada" até a porta junto com ela.
"A-até mais, Bakugou..."
"Só vai embora de uma vez."
"Nossa, que moleque insensível!", disse a mãe dando um cascudo no garoto.
"Você não tem moral pra me chamar disso, sua velha briguenta!"
"Como é que é, seu mimado de merda?!"
"P-por favor, parem de brigar", vendo que aquela discussão poderia durar bastante, a garota pediu.
"Ah, desculpe", disse Mitsuki se recompondo. "Vou te levar pra casa agora."
"Antes de irmos, posso falar com o Bakugou?", ela perguntou fazendo uma cara de quem pedia licença.
Sem nenhuma dificuldade, a loira entendeu o recado e, com um sorriso suspeito, disse: "Vou te esperar no carro".
Assim que ela entrou no carro...
"E-eu só quero dizer que gostei muito da sua família. Sua mãe é bem agitada e divertida, seu pai é mais calmo e compreensivo... E você... Bem..."
"Fala logo. Tenho mais o que fazer."
Embora não quisesse admitir, ele estava curioso.
"V-você não é um garoto tão ruim como eu pensei... Depois de um tempo, consegui ficar mais à vontade perto de você. As coisas que me disse mais cedo também devem ter contribuído para isso acontecer. Bem, era só isso que eu queria te dizer. T-tchau."
Logo após dizer aquilo, Uraraka rapidamente se virou e foi em direção ao carro, deixando Bakugou com uma expressão um tanto surpresa.
"O que aquela cara de panqueca acabou de dizer com certeza foi algo normal que qualquer pessoa diria... Então, por que essa sensação estranha voltou depois que ela disse isso?", ele perguntou para si mesmo em pensamento.
Momentos depois, Uraraka já estava em casa. Após conseguir fugir das perguntas de seus pais sobre ter um namorado, a garota foi direto para o quarto. Com a intenção de esquecer tudo o que havia acontecido na casa dos Bakugou, ela se jogou na cama e afundou a cara no travesseiro, mas seus pensamentos pareciam ter vontade própria.
"Por um instante, eu tive uma sensação familiar quando estava com ele..."
Para ele, a sensação era estranha, mas para ela, era familiar. Ambos sentiram a mesma coisa, só não sabiam disso. Na verdade, nenhum dos dois chegou a perceber que o outro sentiu algo.
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