Academia de Coordenadores e Treinadores Pokémon
4 Capítulo 4
Notas iniciais
14:00h, sábado, 12 de abril de 2064, Quadra de Treino do Centro Pokémon #CP22 de Pretty View City.
"Charmander, eu escolho você!" — Disse Max.
"Croagunk, vai!" – Eu disse.
Max arremessa sua pokébola, enquanto eu apenas seguro a minha pela base branca, não restringindo sua abertura.
"Max, 'cê' tá maluco?!"
"O quê?!" — Ele se assusta e fica confuso. — "O que eu fiz de errado?"
"Jogar sua pokébola desse jeito é burrice. Vai diminuir a vida útil dela, sem falar que você vai acabar transformando seu Charmander num Voltorb!" — As pokébolas são equipamentos muito resistentes. Ninguém, exceto os criadores claro, sabe do que elas realmente são feitas, mas isso não torna qualquer uma delas indestrutível. Só é recomendado o arremesso na hora da captura, como medida de segurança, considerando que o pokémon-alvo ainda é selvagem. Já havia visto relatos de defeitos por uso indevido resultando nos pokémons ficando presos nelas, e até se fundindo ao objeto, resultando na criatura mais instável possível, o Voltorb.
Ele se arrepende e pede desculpas ao seu parceiro. — "Sério?! Caramba... foi mal, Charmander."
O lagarto olha para o dono como se o entendesse vagamente, emitindo um som levemente compreensivo.
"Então, vamos lá, ataque com Brasas!" — Max ordena ao pokémon, que responde com um sopro de pequenas chamas na direção de Croagunk.
"Croagunk, desvie e lance seus Espinhos Venenosos!"
Croagunk evade as brasas do Charmander e infla suas bochechas tóxicas alaranjadas, concentrando seu veneno na boca. Ele cospe a substância em forma de espinhos e acerta em cheio. Charmander sente o veneno entrar no sangue e pára por um tempo.
"Vamos parar por hoje, seu Charmander precisa tratar isso..." — Eu alerto.
"Mas... É, acho que tem razão. Acho que você fez mesmo uma excelente escolha, tendo um Venenoso tão cedo assim. Nem precisa gastar seus créditos com antídotos!" — Max fala, se referindo aos Créditos de Treinador (¢t), uma moeda "exclusiva" para treinadores licenciados, a "única" forma de pagar pelos serviços e produtos relacionados aos pokémons.
"Verdade, haha. É como eu falei naquele dia, à dois meses: 'Um pokémon, não importa qual, é forte ou fraco de acordo com o seu mestre'. Eu treino diariamente com o Croagunk, sempre cuido dele e prezo por ele, assim, ele retribui todo o carinho com obediência e carinho também."
"Eu faço isso também! Eu treino toda semana e cuido muito bem do Charmander."
"Ótimo, mas evite tentar compará-lo aos outros pokémons. Por exemplo, o ponto forte do Croagunk é seu contra-ataque, já o do Charmander é o poder de fogo, literalmente."
"Eu vou focar mais nisso, então. Vamos lá Charmander, vamos tratar isso..." — Max retorna seu pokémon para a pokébola e seguimos para o Centro Pokémon (CP) do outro lado da rua.
Entrando no CP, nos aproximamos do balcão e pedimos à enfermeira Karen que tratasse ele.
"Fala Karen, voltamos! Meu Charmander foi envenenado... de novo!" — Diz Max, meio envergonhado.
"Nossa Max, tem que ter mais cuidado com seu parceiro!" — Diz Karen, como se desse uma bronca nele ou algo do tipo. Ela insere a pokébola recebida na máquina de recuperação enquanto complementa. — "Faça que nem o Rick, eu mal vejo ele me pedir para curar o Croagunk, ou qualquer outro pokémon."
"Isso é fácil, com dois pokémons que não podem ser envenenados... O outro quase não apanha, já que é Fantasma!" — Max reclama, com inveja do meu Gastly.
"Não tenho culpa se o Sombra é um trunfo contra novatos, não mete ele nessa." — Eu debocho dele, ao mesmo tempo que a máquina apita, alertando o término da recuperação. — "Valeu Karen! Obrigado pelo serviço!"
"É, muito obrigado!" — Agradece Max. — "Não prometo que vá me ver com menos frequência, haha!" — Ele brinca.
Max recebe a pokébola de volta e guarda na mochila. Ele pega sua licença de treinador do bolso e passa no computador do balcão, pagando 10¢t pelo serviço. Já conhecíamos Karen antes de ser contratada para trabalhar no CP. Ela era a enfermeira mais jovem da ACTP (Academia de Coordenadores e Treinadores Pokémon), com 23 anos, porém prestou um concurso para gerência e ganhou seu próprio CP. Nos despedimos dela e saímos, parando para pensar nos próximos passos.
"E agora? Para onde podemos ir, Rick?"
"Eu acho que podemos ir comprar o buquê e a aliança que você quer dar para a Karen..." — Mais uma vez, tiro uma com a cara dele. Max é apaixonado com a Karen desde a época que a conheceu na enfermaria. Nós dois temos 17 anos, não o culpo por sonhar.
"Vai se foder..." — Ele diz, irritado.
"Mas agora é sério, ainda são 14:30h, nem ideia de onde podemos i-" —
"MERDA!! FICA QUIETA, PUTINHA!"
Enquanto discutíamos o que fazer, ouvimos a voz de um cara vindo de uma rua próxima. Sem hesitar, corri na direção da voz, seguido por Max. Quando chegamos no beco, vimos uma garota da nossa idade cercada por dois caras e seus pokémons, um com uma Arbok, que se enrolou na garota, e o outro com um Pawniard, que prendia a Mimikyu dela. O cara perto da garota ameaça levar a mão em direção aos seios dela, porém ela cospe nele. Ele então diz:
"Custava entregar seus créditos sem lutar?! Agora eu vou te ensinar a obedecer, gracinha!"
"M-Mimi... JOGO DURO!!!" — Mesmo com a cobra quase a enforcando, a garota grita este comando e seu pokémon avança para cima do Pawniard, atingindo-o rapidamente de todos os lados. O adversário cai no chão inconsciente e a aura de Mimikyu se torna ameaçadora, enquanto esta olha fixamente para os agressores.
"Droga..." — Diz o dono do pokémon derrotado, retornando-o à pokébola.
"HA!! Isso não importa, já que minha Víbora dá conta da sua fadinha! Se ela vier, EU TE MATO!" — Essa ameaça surte efeito na Mimikyu, que perde a aura intimidante volta a temer pela dona.
"Não se eu puder impedir... GAROTA, FECHE OS OLHOS!!" — Eu grito, ao mesmo tempo que libero Sombra de sua pokébola. — "Sombra, hipnotize aquela Arbok!"
Mesmo sabendo que os bandidos podem seguir meu chamado e fechar os olhos, dificilmente a Arbok fará o mesmo, sem que o dono peça. Eu tenho o fator surpresa ao meu favor e o tempo de reação deles não é um ponto forte. Sombra rapidamente inicia a Hipnose contra Arbok, com a garota já desviando o olhar. O olhar penetrante do meu Gastly invade a consciência da serpente, que cai em sono profundo, relaxando os músculos e soltando sua vítima. Ela não perde tempo e acena para seu pokémon segui-la e, juntas, se afastam dos bandidos.
"Valeu por isso." — Ela agradece rapidamente, já se preparando para continuar a luta.
"Não podia ignorar." — Eu respondo.
Nesse meio tempo, Max abre sua mochila e pega suas três pokébolas, libertando todos seus pokémons: seu inicial, um Wooper e um Yanma.
"Boa ideia, Max." — Eu digo, trazendo Croagunk para fora também. — "Tem mais algum pokémon com você aí, 'Garota'?"
"Sarah. E não, só a Mimi." — Sarah se apresenta e pontua.
"Epa, epa... Calma lá, não é ilegal batalhar com mais de um pokémon contra apenas um adversário?" — O cara bruto de antes pergunta, agora se fazendo de vítima.
Já irritado com a situação, Max responde: "É mais ilegal ainda batalhar fora de um lugar licenciado, ainda mais para extorquir créditos de alguém, então cala a sua boca!!"
Percebendo a clara desvantagem, sem um pokémon consciente sequer, os babacas batem em retirada, recolhendo a Arbok sonolenta no caminho.
"Essa foi por pouco..." — Eu suspiro aliviado, e me viro para Sarah. — "Você não é desse bairro, é?"
"Como sabe que eu não sou daqui?"
"Por estar andando por aí sozinha NESTE bairro, você só pode ser de fora ou recém chegada. Só loucos, desavisados ou treinadores muito fortes para andar sozinhos por aqui. Louca eu até suspeito, mas você tá mais para desavis-"
TOF!
"AI!! Você... tacou em mim? TÁ DOIDA, É?!" — Após me atingir, a pokébola cai no chão.
"Hahaha! Ela tacou uma pokébola na sua cabeça!" — Max ri muito alto.
"Eu vi um CP no caminho para cá. Vamos logo, antes que eu decida jogar outra!" — Após esse arremesso de Sarah, nós três fomos ao CP da Karen.
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