Academia de Coordenadores e Treinadores Pokémon
1 Capítulo 1
Notas iniciais
03:47, meados de julho de 2020, em algum centro de pesquisa ao norte de Hokkaido, Japão:
"Já analisou o material biossintético n° 47?" — Pergunta um cientista ao outro.
"Já, aqui está ele... Cara, não tem uma abreviatura para essas coisas, não? Se eu tiver que dizer 'material biossintético n°...' mais uma vez... — Diz o colega revirando os olhos — Aliás, quem será que "tá" financiando essa pesquisa? Tipo, eu sei que criar novas espécies é útil para uma série de coisas, desenvolver medicamentos e vacinas, mas, quem é que tem dinheiro para financiar TODO o projeto numa tacada só?" — Interroga ao primeiro cientista.
"Eu não faço a menor ideia... Nossos superiores não falam nada, e nem deviam, já que assinamos aquele termo de sigilo em troca de uma baita promoção. E, se você não gostou, dê outro nome, então." — Afirma o primeiro, em tom de indiferença.
"Se não demorassem tanto para analisar uma única amostra, talvez fôssemos mais abertos com vocês..." — Disse uma voz, atrás dos cientistas.
"Supervisor Akira?! De onde o senhor veio?" — Perguntam assustados ambos os cientistas.
"Estava em reunião com nosso patrocinador, e resolvi checar o progresso de vocês." — Responde o supervisor, com expressão de cansaço.
"Me perdoe Senhor Akira, mas, se o senhor quebrasse o termo de sigilo e contasse essa informação para nós, eu mudaria meu nome "pra" Jennifer!" — Diz em tom cético o segundo cientista.
Eis que o supervisor retruca: "Então já pode ir ao cartório mais próximo, Jennifer, pois nós estamos tentando desenvolver novas espécies sob o patrocínio da Rocket Corp.! Hahaha!"
"O quê?!" — Exclama "Jennifer", abalado, enquanto seus colegas riem.
Akira complementa: "Não é uma quebra de sigilo se isso não sair desse laboratório. Eles já estão aplicando tecnologias em todas as áreas, e agora querem investir em engenharia genética para a Medicina. A reunião de hoje serviu para me apressarem quanto aos resultados, então, obtiveram algum progresso?"
O primeiro cientista, Takeshi, responde: "Como o material biossintético n° 45 foi o primeiro a demonstrar alguma estabilidade até agora, decidimos analisar os derivados dele, sendo que o material biossintético n° 47 reagiu bem ao bombardeamento iônico gradual e ainda se mostra bem estável."
"Achamos que devíamos tentar o bombardeamento completo, o que acha? E eu estava pensando em chamá-los de 'MB' seguido do número correspondente..." — Complementa Jennifer.
Akira concorda com um aceno de cabeça, porém sugere fazer uma pausa antes: "Preciso de um café, a reunião foi muito exaustiva."
Ao saírem, quando Takeshi passa pela máquina de bombardeamento iônico, algo cai de seu bolso para dentro da máquina: um cartão de um jogo...
—--------------------Quebra de tempo----------------------
Já no refeitório do centro de pesquisa, os três cientistas sentam-se em uma mesa qualquer, considerando que o local está vazio, exceto pelos funcionários.
"Ahhh! Café é tão bom..." — Suspira Jennifer.
"É... Se vocês não se importam, eu vou jogar um pouco." — Diz Takeshi, tirando um Nintendo 3DS do bolso — "Meu filho me emprestou para espairecer nos momentos de descanso."
Jennifer e Akira concordam e se voltam aos seus lanches.
Ao enfiar a mão no bolso e se deparar com o vazio, o cientista exclama: "Ué, cadê?!"
"O quê?" — Pergunta Jennifer.
"O cartão do jogo... sumiu!" — Exclama Takeshi.
Vendo a preocupação do colega, o supervisor sugere: "Deve ter caído no laboratório. Quer ajuda para procurar?"
Takeshi prontamente responde: "Seria ótimo, obrigado!"
Dito isso, os três retornam ao laboratório.
—--------------------Quebra de tempo----------------------
"Droga, não está aqui! Reviramos o laboratório! O jogo favorito do meu filho..." — Suspira inconformado.
"Calma, a gente procura depois. Agora, vamos continuar com os preparos para o teste, tudo bem? Tenta relaxar enquanto isso." — Sugere Jennifer.
Ainda incomodado, Takeshi concorda.
—--------------------Quebra de tempo----------------------
"Já inseri os dados sobre o material no computador. Estamos prontos?" — Avisa Jennifer.
"Sim, já pode inserir o MB47 na máquina." — Diz o supervisor, com a tabela correspondente em mãos.
"Ahh, parece que o apelido pegou, não é Senhor Akira?" — Brinca Jennifer, que é ignorado por Akira.
Takeshi dá início ao procedimento: "Inserindo... pronto."
"Jennifer, monitore os níveis de estabilidade, se chegar a amarelo, avise!" — Ordena o supervisor, em tom de provocação.
"JENNIFER, O ESCAMBAU!" — Retruca JENNIFER, sem tirar os olhos do monitor do aparelho.
"Hahaha! Que pena que você apostou e perdeu, porque se isso aqui der certo o MUNDO INTEIRO vai te chamar de Jennifer!" — Takeshi entra na brincadeira, fazendo todos rirem, enquanto se afasta da máquina.
"Ok, chega de brincadeira. Agora vamos nos concentrar." — Diz Akira, voltando ao tom sério.
Os subordinados concordam e Jennifer ativa a máquina de bombardeamento iônico: "Iniciando bombardeamento completo... 5, 4, 3, 2, 1 e...OK!
No início, a máquina solta um som agudo e contínuo. É necessário um breve aquecimento antes do processo. O nível de estabilidade ao se ligar está no Verde (há três níveis: Verde-Seguro; Amarelo-Risco; e Vermelho-Crítico), sendo que a máquina jamais deve ultrapassar o Amarelo. Com todo o preparo, os cientistas estão esperançosos, porém, quando a energia bombardeada interage com o cartucho que estava na máquina, o nível passa de Verde para Vermelho num salto.
Assustado, Jennifer solta: "Mas o quê foi iss..."
Uma explosão ocorre. O suficiente para destruir a maior parte do painel de monitoramento e ferir fatalmente o cientista mais próximo.
"SEIJI, NÃO!!!" — Grita Takeshi.
Ele corre para ajudar o colega e afastá-lo da fumaça.
"Akira, pega o kit de primeiros-socorros! Rápido!" — Takeshi pede a Akira, que ainda está bem atordoado.
"T-Tá!" — Ele responde com dificuldade, tentando se orientar através da fumaça.
"Não... precisa, Akira." — Seiji tenta dizer, com pouco sucesso.
"COMO ASSIM, SEIJI?!" — Pergunta Takeshi.
"Para de gritar... Takeshi." — Diz Seiji, respirando com muita dificuldade, o ar quase não entrando nos pulmões, agora falhando.
"T-tá... mas, se não tratarmos seus ferimentos, você pode mor..." — Takeshi se recusa a pensar na morte de Seiji, porém é interrompido.
"Eu sei, meu braço já era... não o sinto mais. Não quero sobreviver para... perder meu emprego e ver minha família... triste. Eles ganharão uma remuneração e... vão sair dessa. Só me prometa...uma coisa..." — Tossindo sangue a cada pausa, a voz cada vez mais rouca.
"Claro Seiji, o que é?" — Disse quase chorando.
"Não deixe... eles escreverem "Jennifer" no meu túmulo." — Seiji diz esboçando um sorriso fraco.
"Idiota, não me faça rir agora!" — Diz Takeshi, angustiado.
"É sério..." — Com os olhos já fechados, fosse pela perda das forças ou pelo ardor da fumaça, Seiji partiu.
"Tá, eu prometo..." — Takeshi sussurra para si, repousando o corpo no chão com cuidado.
"Ele se foi..." — Takeshi diz, se levantando e enxugando as lágrimas.
Começando a avaliar o estrago, quando seu olhar passa pela máquina, vê algo se mexendo e diz: "Meu Deus..."
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