Academia de Alquimistas
6 Capítulo 6 - Idade
Notas iniciais
— O QUE? – gritou Michael quando viu o movimento
A faca estava apontada para os meus olhos, não dava tempo de desviar, então nem tentei, nem fechei os olhos, e então a faca parou.
Ou melhor, foi parada.
— Não tão rápido, Aron. – Disse meu querido salvador, meu querido amigo de infância, meu querido “senhor escroto”.
— Argh, eu devia saber que você estaria com ela, Charles... – exclamou o Ancião, que pelo visto se chamava Aron.
— Tenha mais respeito na frente dela, seu verme insolente. – replicou Charles
— Afinal de contas, o que você está fazendo aqui? – Aron olhou com desgosto para nós
— Eu protegendo minha senhora, e você servindo de torre de babel – disse rapidamente Charles.
— Humm... Charles né? – Falei com cuidado, o fazendo olhar para mim – Como é que...
— Que eles me veem? Ou que eu peguei a faca? – “Ou que eu estava certo?” Disse em minha cabeça – Fácil, feitiço de materialização.
— Okay, já ficamos quietos tempo de mais – disse Kevin rapidamente, enquanto Michael, com uma velocidade incrível, puxou minha poltrona para longe deles – Desembucha vocês dois!
— Ora, você é rápido para um anjinho – debochou Charles – Não se preocupe comigo. – disse quando desapareceu e reapareceu sentado no braço da minha poltrona – Afinal eu sou o guardião dela.
— Galera... – Falei chamando a atenção deles – Eu não como nada desde o acidente, podemos conversar enquanto bebemos o chocolate?
Eles se entre olharam e então se sentaram, Kevin entregou chocolates para todos, até o Charles, e se sentou em um sofá junto do Michael, Charles ficou ao meu lado e Aron se sentou em uma poltrona do outro lado.
— Bom, agora que tal começarmos do zero, quero dizer, o MEU zero, já que eu sou a novata aqui – disse enquanto tomava mais um gole do chocolate, que estava delicioso – Antes de tudo... isso aqui foi feito com Nescau? Por que tá muito bom!
— Sim foi feito com Nescau – Respondeu Aron secamente – Agora o que faz aqui?
— Nós a trouxemos em busca de respostas – Disse Kevin – Já falamos isso...
— Que respostas? – falou com desgosto
— Primeiro de tudo, a pergunta mais óbvia – replicou Michael com impaciência – Que droga ela é?!?
— Hey!
— Desculpe...
— Ela... É o pior ser que já existiu nesse mundo... e o único que eu não consigo matar... – disse o velho com repulsa
— E caso vocês queiram saber ela é uma Incarnare — Respondeu simplesmente Charles.
— Inca que? – perguntei
— Você é uma reencarnação – “Tapada, por sinal” Disse Charles, me fazendo olhar pra ele.
— E ela vai sempre continuar voltando, posso matá-la agora? – perguntou Aron.
— Velho você vai ficar com a bunda grudada aí – falou Michael ríspido
— Agora, por que a alma dela saiu do corpo e depois voltou, sendo que isso nunca aconteceu antes? – Perguntou Kevin curioso
— Por que ela já passou por isso antes.
— Eu já?
— Foi praticamente sua alma humana saindo do corpo e abrindo espaço para sua parte não humana acordar e te salvar – explicou Charles – Mas quase que os demoniozinhos conseguem né – Ele riu da minha cara
— E por que eles foram atrás dela? – Questionou Michael
— O sangue dela é algo muito valioso para diversas espécies... – começou Charles
— A única coisa que diferencia vocês, Comissários, deles... – completou Aron entediado — é que eles podem ser mortos, apesar de voltarem depois de um determinado tempo, enquanto vocês só morrem ou envelhecem quando escolherem.
— Sério? Que maneiro! – Falei interessada – Quantos anos vocês tem?
— 238 – Disse Kevin – E ele vai fazer 300!
— Enfim – Cortou Michael saindo do assunto – O sangue dela faria o que por eles? Daria a Imortalidade?
— Você não gosta de falar da sua idade? – provoquei
— Seria algo perto, até os tornaria mais forte que vocês – Respondeu Aron
— Parece que alguém não gosta de ser da velha guarda – Adicionou Charles rindo.
— Michael se não gosta da sua idade é só dizer – Falou Kevin
— Não é que eu não goste
— Ih, tem trauma sobre a idade – olhei pra ele enquanto ria – As pessoas te zoam muito sobre isso?
— Olha aqui... – Começou Michael me encarando
— Aé – Atrapalhou Kevin – Quando caímos do segundo andar, ela não e machucou de verdade.
— É por isso que é difícil matá-la, tem que fazer um feitiço, usar uma arma específica e apenas uma pessoa consegue usar – Aron tentou explicar, obviamente sem paciência.
— E essa pessoa soy Muá – Completou Charles – Por isso Aron nunca consegue matar você, mesmo que te machuque.
— Ué, mas eu já não morri outras vezes?
— Só quando você quis, ou quando não acordou seu lado não mortal. – acrescentou Charles soltando risinhos – Em uma vida sua você foi uma pirata, o mais engraçado é que na anterior você tinha sido Rainha!
— O QUE? E POR QUE EU MORRI?
— Não dá pra ser rainha pela eternidade, as pessoas percebem.
Um barulho na porta atrapalhou a discursão que estava se iniciando, um som grave e diferente calou até mesmo Charles, que colocou a mão em meu ombro.
Aron foi até a porta suspirando alto e claro, e quando a abriu, resmungou alguma praga em outra língua, que foi repetida por Michael e Kevin ao mesmo tempo
— Vamos sair daqui – Sussurrou Michael me puxando pelo braço junto do Kevin – Rápido!
Enquanto subíamos para o segundo andar, Charles me olhou rapidamente, “Daqui a pouco eu te encontro”, e voltou sua atenção para a porta e Aron, que tentava evitar que alguém entrasse.
Nós nos escondemos no quarto maior, provavelmente do Aron, e ficamos escutando na Porta
—MICHAAAAAAEEEEEELLLL – Gritou uma voz feminina – KEVIIIIIINNNNN
—Sabemos que estão aqui! – Disse uma voz masculina muito parecida com a primeira
— Vocês não podem... – começou Aron mas foi interrompido por duas pessoas que entraram na casa correndo.
— Lá em cima – disse Charles
— Obrigada!
— Filho da Puta! – falei simplesmente – Pera, por que estamos nos escondendo?
— Você não vai querer saber – disse Michael abrindo a janela – Vamos!
Kevin me puxou pela mão e pulou pela janela, seguindo Michael que pulava entre as árvores de uma forma incrível.
— Você consegue – Ele perguntou quando parou e olhou para mim
— Eu pelo menos subia em árvores – falei enquanto pulava mais para perto.
O que aconteceu foi muuuito legal, a árvore simplesmente se moveu e ficou embaixo de mim, e sinceramente, eu me empolguei.
Comecei a correr em direção a eles, Michael ia mais a frente indicando o caminho e Kevin ao meu lado se certificando de que eu não ia cair.
— Não adianta se escondeeeeeeer! – A voz da garota voltou com força
— Para o rio, Rápido! – Kevin pegou minha mão e voou em direção ao rio, com Michael mais atrás.
Nós subimos em um barco, bom na verdade caímos, e a correnteza nos levou para o meio, a paisagem era realmente muito bonita.
Quando respiramos um pouco, os donos das vozes apareceram na margem.
— Droga! – reclamou uma menina loira e baixinha
— Nós ainda vamos encontrar vocês! – gritou o garoto loiro, e possivelmente gêmeo da garota.
— Eu espero que não... – Suspirou Michael aliviado.
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