Academia da Aliança
8 Capítulo 8 - Alice
Notas iniciais
Duas semanas tinha se passado desde sua entrada e como em todas as escolas sempre tem alguém que não vai com a sua cara e começa a te perseguir, com Laurel não seria diferente, uma primanista da casa Cipriano começou a persegui-la sem motivo aparente, uma vez a trancou no banheiro feminino até depois do jantar e acabou perdendo pontos para sua casa por estar nos corredores depois do toque de recolher, mesmo explicando que tinha ficado presa no banheiro. Na semana seguinte em quanto seguia para o jardim com Narcisse em uma aula vaga de Herbologia, já que sua professora precisou sair às pressas da escola, encontrou com ela novamente, apoiada na sua arvore favorita.
— Olha quem esta aqui, se não é a ceguinha – provocou Fitzgerald.
Seus cabelos eram curtos como um de um garoto, tinha uma pinta em baixo de seu olho esquerdo, seu nariz era pequeno o oposto de suas orelhas, sua pele era um pouco bronzeada como de alguém que pegou muito sol, suas vestes mostravam que pertencia à casa dos Cipriano.
Ganhou o apelido graças a sua primeira aula, o odiou mas não deixava que a Fitzgerald percebe-se que a afetava.
— Se não é o dumbo – alfinetou Laurel, a Fitzgerald era mestiça, um dos seus pais era trouxa o que fazia saber exatamente de onde seu apelido vinha. E toda vez que falava suas orelhas ficavam vermelhas, era quase automático.
— Laurel e Candice sei como vocês gostam de mostrar como se amam mas eu preciso fazer o meu dever de casa e aproveitar esse sol maravilhoso que esta fazendo, por tanto poderiam deixar isso para outra hora? – pediu Narcisse fazendo um gesto com as mãos e pedindo, por favor, com os olhos.
— É Fitzgerald para você, Hale! – gritou emburrada
— Fala que eu amo essa garota estupida novamente e eu vou garantir que você nunca mais consiga falar qualquer outra palavra – ameaçou Herondale mudando o curso e indo para o pátio da escola.
Narcisse engoliu em seco e seguiu a amiga, era sempre assim quando ela ficava irritada, estava acostumado com as ameaças, mas era assustador, e o que fazia com os olhos dava medo.
Ficaram no pátio até da à hora para a próxima aula, tiveram que ir correndo para não se atrasarem. Como Laurel era a única aluna de sua casa tinha aula com junto dos Hansen, mesmo sendo individual. Chegaram junto com o professor Alistair, um homem de origem escocesa, alto de olhos castanhos com um cavanhaque, sua marca registrada era seu kilt.
— Espero que tenham feito seu dever de casa – Laurel e Narcisse trocaram um olhar cumplice – Irei passar em suas mesas para recolher.
Não demorou até que todos os pergaminhos fossem recolhidos e depositados na mesa do professor de transfiguração. O mesmo se dirigiu até a frente da turma e começou a explicar a matéria que seria dada naquela aula.
— Hoje iram aprender a transformar liquido em solido – Alistair fez um pequeno movimento com sua mão e várias taças apareceram na mesa de seus alunos – Só precisam dar um pequeno toque com suas varinhas sobre o liquido e repetir a palavra “materarte!”.
Todos começaram a repetir o feitiço que o professor disse e no fim da aula receberam uma pequena tarefa.
— Para próxima aula quero dois pergaminhos sobre o feitiço Materarte e Adliquidis, o segundo será o próximo feitiço que iremos trabalhar, estão dispensados!
No almoço Laurel comia com as gêmeas, Morrel e Narcisse em sua mesa, conversavam tranquilamente sobre o novo paquera do ruivo.
— Aqueles olhos são encantadores – suspirou apaixonado – E aqueles cabelos negros, brilhantes...
— Chega! – interrompeu Sejuani – Você só fala desse garoto de como ele é lindo, sensual, com uma pele perfeita, já deu! – se estressou.
— Nossa! Parece que alguém esta de TPM – disse Morrel, atiçando a fera.
— Vou te amostrar quem esta de TPM – disse pegando uma maçã e tacando no ruivo que desviou habilmente, que acabou acertando o professor que passava logo atrás.
— Brincando com comida srtª Levierre – sua voz saiu arrastada, que fez Laurel se lembrar de seu pai.
— Professor! – o rosto de Sejuani ficou branco quando escutou a voz do professor Reynold.
— Menos cinco pontos para sua casa – disse o professor antes de se retirar.
— Não é atoa que todo mundo o odeia – reclamou Morrel
— Em Hogwarts tínhamos um professor assim – deixou escapar, Laurel.
— Ele ensinava o que? – perguntou Ashe interessada.
— Porções – respondeu Laurel com um olhar distante – Ele é o diretor da casa da Sonserina, a casa que eu pertencia. Os grifinórios tinham um apelido para ele – comentou – O morcego das masmorras, por causa da sua capa que arrastava pelo chão e suas roupas escuras.
— Sinistro – riram.
***
Depois de um longo dia finalmente poderia descansar, estava de frente para o quadro da mulher perdida, disse a nova senha, que mudava toda a semana.
— Serpente – o quadro se abriu e a Benetti-Keller entrou, jogou sua mochila na mesa e se sentou na poltrona. Fechou os olhos e apreciou o silêncio.
— Ei! – escutou uma voz infantil lhe chamar, abriu os olhos no mesmo instante, mas não havia ninguém no salão comunal. Escutou novamente, o que a fez levantar e olhar para todos os lados, com sua varinha em punho.
— Quem esta aí? – perguntou apontando sua varinha para todas as direções.
— Quem mais seria sua tonta? – respondeu com outra pergunta, irritando a Benetti-Keller.
— Responda! – ordenou, uma silhueta começou a se formar em cima da mesa, uma garota com no mínimo cinco anos de idade apareceu, usava uma túnica amarela e seus cabelos loiros estavam trançados.
— Você que me convocou garota estupida! – respondeu a garotinha, sua forma era difícil de ver, mas dava para perceber pelo seu tom de voz que ela estava brava – Provavelmente roubou o feitiço do livro e esqueceu de ler a parte mais importante!
Uma luz brilhou no fundo da sua mente, o feitiço que tinha lançado semanas antes resultou no aparecimento da menina e ela falava da condição que ela não se lembrava.
— Por que só apareceu agora? – perguntou abaixando a varinha.
— Não tive muita força para fazer você me notar, preciso de uma ancora sua idiota! – respondeu de forma rude.
— A educação mandou lembranças – comentou Laurel – Não tinha o livro em mãos e não conseguia me lembrar da condição que o feitiço pedia – disse envergonhada.
— Então porque usou? – perguntou de forma retórica – Não importa só me dê uma ancora antes que eu desapareça – mandou.
Laurel olhou para a garotinha meio envergonhada.
— Pelas barbas de Merlin! Que mestre burro que eu tenho – exclamou irritada – Use sua magia natural.
— Como? – perguntou
Podia jurar que ela tinha revirado os olhos, mas pela transparência não conseguia ter certeza.
— Qual elemento você tem afinidade? – perguntou sem esperar a resposta – Me reivindique em nome dele.
— Ah sim! Como você se chama? – perguntou Laurel finalmente sabendo o que fazer.
— Nem isso você sabe – disse não acreditando no que ouvia – Sou o espirito Alice Crane, da casa Hansen. – respondeu.
— Em nome da Terra e em meu nome Andrômeda Snape reivindico o espirito de Alice Crane da casa Hansen! – uma estranha sensação passou por seu corpo, sentiu um elo se formar consigo e Alice.
Alice que era quase invisível tomou forma, ficando completamente visível e solida, nem parecia ser um fantasma, o que deixou a Herondale surpresa e assustada.
— Como isso é possível? – perguntou encarando a pequena Alice.
— Você me reivindicou como um tipo de familiar, um espirito atormentado e fadado a nunca ter paz, sou sua serva até a hora de sua morte ou quando decidir me passar pra frente – explicou com uma expressão vazia – Posso ser sua companheira em suas horas mais solitárias, sua parceira em combate.
— Como poderia lutar ao meu lado? – perguntou sem entender.
— Não tenho forma solida é claro, ainda sou um espirito, fantasma ou espectro como desejar, mas eu tenho uma ancora com você, um privilégio, com o tempo você poderá aprender usar isso a seu favor. – explicou – Mas por isso tenho uma desvantagem, só você e aqueles que você permitiu, e além dos mensageiros da morte podem me ver. É muito solitário – disse triste.
— Mensageiros da morte? – disse se lembrando de um acontecimento, quando precisou ir à enfermaria por causa do garoto que fez ficar cega temporariamente, um fantasma tinha falado com ela e comentou de uma amiga, seria possível? – Você já encontrou algum mensageiro desde que eu a invoquei? – perguntou.
— Sim – respondeu se lembrando – Ela usava um vestido vermelho, mas ela não se apresentou – a descrição de Alice a fez imaginar exatamente de quem falava.
— A banshee!
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