Academia da Aliança
12 Capítulo 12 - Alice abra a porta
Notas iniciais
— Pode ir parando ai mocinha! – mandou Alice irritada. Apareceu no pé da cama de Andrômeda – Você desaparece de repente com aquele livro e quando volta sai correndo e nem fala para onde vai!
— Eu não tenho que te dar explicações, Alice – disse Andrômeda tirando os sapatos e os largando jogados.
— Eu sou um espírito protetor, preciso ficar do seu lado e lhe dar suporte, mas não posso fazer isso se ficar me afastando! – se estivesse viva suas bochechas estariam vermelhas.
— Existem coisas que preciso fazer sozinha – seu olhar estava longe, não parecia estar no quarto.
— Essas coisas podem te matar – disse se desmaterializando em seguida, se desfazendo em fumaça.
Cansada pela noite a feiticeira se jogou na cama e dormiu até o dia seguinte.
*
Agia em modo automático, tinha dormido tão profundamente que acordar parecia impossível, mas tendo um fantasma como companheira de quarto tudo parecia mais possível, como acordar no horário depois de passar a noite na corte das fadas.
— Soube que vai ter teste de feitiços hoje, o Danny disse que esta difícil, mas tenho confiança que sairemos bem em qualquer teste! – a confiança de Narcisse era admirável, não duvidava nenhum pouco de suas palavras.
— Sinto que estou deixando alguma coisa passar – reparou Laurel estancando no lugar. Observou o corredor que se encontrava com o Hansen. Não era largo como os corredores de Hogwarts, mas não atrapalhava no trafico de alunos, havia mais teias de aranhas perto dos archotes que o normal. Em cima de sua cabeça, empoleirado como passarinho estava uma abobora com asas de morcego, esculpidas com sorrisos largos.
— Hoje é o dia das bruxas, se esqueceu? – o garoto olhou confuso para a Herondale – Como alguém esquece o dia das bruxas? – a pergunta tinha sido retórica, os jovens feiticeiros voltaram a acompanhar o fluxo de alunos.
— Tenho muita coisa em mente no momento – comentou Laurel passando pela porta da sala e se dirigindo para uma das mesas da frente.
— Como a briga com a Ashe? – perguntou logo após de se sentar ao lado de Laurel.
— É – respondeu pegando sua pena e brincando de levitar.
— Teste surpresa! – informou a professora entrando na sala, a porta se fechou com sua passagem – Se prestaram atenção em minhas aulas o teste se mostrará muito fácil – a professora de feitiços observou seus alunos – Comecem! – os pergaminhos apareceram em cima das mesas de cada aluno.
Como a professora disse o teste não estava difícil para quem tinha prestado atenção em suas aulas, havia outra questão que só quem tinha lido alguns capítulos do livro saberia responder e para a jovem Herondale não foi um desafio, tinha lido e praticado vários feitiços, nas primeiras semanas de aula teve dificuldade para dormir e seus livros lhe foram uma boa distração.
A aula passou rápida e logo Laurel já estava na estufa fazendo anotações e identificando plantas.
— Essa é uma valeriana, muito usada para soníferos e calmantes – informou a professora Ambrose.
Por não ser uma das suas aulas favoritas o tempo pareceu se arrastar, como uma tartaruga. O tédio era enorme para a Benetti-Keller.
— Que tédio – comentou Laurel em voz baixa.
— Aguenta firme, a aula já esta acabando e depois teremos aula de defesa contra as artes das trevas! – disse Narcisse empolgado.
— Não era transfiguração para vocês? – perguntou Laurel confusa.
— O professor Alistar teve que resolver uns problemas pessoais, então vou assistir sua aula de DCAT – respondeu Narcisse.
— Você esta empolgado mesmo – observou Laurel.
— É DCAT! Como não ficar animado? – perguntou retoricamente.
Laurel riu como não ficar empolgada.
*
Por a turma lotar pela falta do professor Alistar, o professor Rowan realocou a turma no pátio da escola. O professor Reed Rowan era famoso entre seus alunos, não só por se vestir com estilo ou por sua simpatia, mas por suas aulas animadas.
— Nas ultimas aulas eu os ensinei dois feitiços, um de defesa e outro de ataque, protego e flipendo. Dividam-se em dois grupos, um irá atacar e o outro se proteger – instruiu o professor.
— Eu disse, como não ficar empolgado – comentou Narcisse para Laurel, que estava ao seu lado.
— Eu fico no ataque – avisou Laurel.
Os alunos se dividiram como o professor pediu, ficaram em uma distância razoável.
— Tentem não quebrar muitos ossos, a senhora Medici fica muito mal humorada, com tanto trabalho – pediu o Rowan, em uma distância segura. – Comecem!
A aula teve inicio e os feitiços foram ditos, alguns alunos não conseguiram se defender e acabaram sendo atingidos pelo feitiço. Narcisse não era bom com feitiços de defesa e acabou sendo atingido várias vezes pelo feitiço da Laurel.
— Retiro o que eu disse – falou Narcisse depois de ter sido atingido novamente.
— É DCAT! – debochou Laurel – Agora eu fico na defesa.
Andrômeda aguentava bem as investidas de Narcisse, o garoto tinha uma magia forte, mas a disputa estava equilibrada, até Andrômeda se desconcentrar com uma queimação nas costas da sua mão esquerda, o que a fez ser jogada a alguns metros de distancia, recebendo o impacto da magia de Narcisse.
— Quem é o fracote agora? – perguntou retoricamente.
— Cala a boca! – irritou-se Andrômeda, sentou-se no chão e observou sua mão, cada segundo que se passava mais sua mão queimava, seus gemidos de dor chamou a atenção de seu professor.
— Esta bem Srtª Herondale? – perguntou o professor se aproximando de Andrômeda.
— Minha mão esta estranha – respondeu Andrômeda.
Rowan se ajoelhou e analisou a mão de sua aluna, o que viu lhe surpreendeu, o desenho da seta vermelha não era estranho e nem bizarro, o que lhe deixou surpreso era o fato de estar em uma aluna, o chamado do diretor era somente para os cinco líderes da Alaiyans, a marca só deveria estar na Herondale se ela fosse uma das cinco.
— Merlin.. – braguejou Rowan em alto – Em breve isso vai passar, mas não deixe que ninguém veja a marca em quanto isso – informou – A diretora esta lhe chamando, e é melhor responder, os outros líderes estão lhe aguardando.
Ele sabia, Andrômeda percebeu que seu professor tinha descoberto seu segredo, a marca o fez descobrir.
— Não conte a ninguém, por favor – implorou Andrômeda.
— Esta tudo bem Laurel? – perguntou Narcisse, ao longe.
— Estou bem – respondeu Andrômeda
— Para a diretória Srtª Herondale – mandou Rowan ajudando Andrômeda a se levantar.
Andrômeda deu as costas e correu de volta ao castelo, tapando a estranha seta em sua mão, garantindo que ninguém mais a visse.
Chegar à sala da diretória não era difícil, mas para quem nunca preciso ir poderia ser um pouco complicado, mas depois de ficar andar feito uma barata tonta uma alma caridosa indicou o caminho.
— Não é difícil chegar lá, volte pelo corredor, passe pela sala da professora Clowell, e verá uma pequena porta de vidro, não tem erro! – informou Cooper, um aluno do quinto ano, era o melhor guia de toda escola, conhecia cada canto do castelo.
— Obrigada Cooper, você me salvou – disse agradecida.
— Não foi nada – disse sem graça – A gente se esbarra por ai, Herondale – despediu-se.
Seguindo as instruções de Cooper conseguiu chegar sem problemas até a porta, mas agora havia outro problema.
— Como é que eu vou passar por ai? – perguntou franzindo a testa.
A porta realmente era pequena, só um rato poderia passar, talvez até o animal tivesse dificuldades em passar.
— Quando Cooper disse uma pequena porta pensei que fosse só uma forma de falar – suspirou.
— Matando aula, Herondale? – disse Fitzgerald com uma voz provocativa.
— Não tem mais o que fazer não? – disse Laurel, mal-humorada.
— Ver você se matando para entrar na sala da diretora parece muito mais divertido!
Revirou os olhos e se voltou para a porta, deveria haver uma forma de entrar, a diretora tinha entrado, ou não faria sentido em ter uma porta. Deu alguns passou para trás e observou, a porta era dupla, feita de um vidro opaco, ficava em uma parede com desenhos em alto relevo, observou bem até que no meio dos desenhos apareceu uma frase.
— Para aqui entrar, ser pequena não deve – leu – Eu pareço Alice por acaso? – exclamou indignada
— Serio que perguntou isso para uma parede? – debochou
— Cala boca antes que eu te transforme em um coelh.. – antes de terminar a frase teve uma epifania – Mas é claro! Eu só preciso ficar pequena, mas como eu vou fazer isso? – logo depois de ser perguntar a frase que antes tinha lhe aparecido se desfez e no lugar dela uma pequena câmara se abriu e dentro havia um pote com doces.
— Hora de virar Alice – disse a Fitzgerald, sua expressão debochada de antes tinha sumido.
Respirou fundo e pegou um doce e mordeu. Ter seus ossos miniaturizados foi uma experiência um tanto desagradável. Assim que ficou pequena o bastante passou pela porta.
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