Academia Shibusen Para Fracassados

1 Capítulo 0 - A primavera salva o dia


Notas iniciais
Bom, tudo o que eu pretendia falar ficou nas notas da história ^^1. Espero mesmo que gostem. Não escrevo tão bem assim, mas não sou horrível e amo SE, de forma que fiz a história com todo o cuidado :3 2. Death the Kid forever ♥ e sim, ele será um ótimo Shinigami-sama, mesmo com T.O.C. :33. Acho que eu posso ter alguma coisa com garotos relacionados à morte, porque eu sempre amarei eles (Kid e Nico di Angelo são bons exemplos) ^^Agora, leiam (dando uma de Shinigami-sama no começo de Soul Eater, hehe)P.S. Desculpe pelos emoticons excessivos, mas não pude me controlar e.e

Academia Shibusen para Artesãos e Armas.

Não me parece um lugar agradável, nem um pouco, principalmente pelo fato de que (1) não tenho uma arma, nem sou uma, (2) não tenho coordenação motora para manejar uma arma, (3) tenho medo de pessoas, quanto mais de servos do tal Kishin e (4) não tenho amigos ou parceiros. Então não parecia nada animador.

Quando entrei, me deparei com um homem com a pele roxa — sim, roxa, por mais que isso pareça estranho demais para ser verdade -, músculos definidos e cobertos por tatuagens negras que lembravam serpentes enroscadas umas nas outras. Sacudi a cabeça e ergui meus olhos verdes, brilhantes, para ele, engolindo um grito ao ver que se tratava de uma das criaturas que mais me aterrorizava: um zumbi. Comecei a suar frio quase que instantaneamente.

–Nome e classificação, por favor — ele disse, mas de um jeito menos automático do que eu esperava de um zumbi. Era mais vivo, mais real do que eu esperava.

–Owen Osoroshi... artesão, espero. Me transformar em arma no meio da aula com o crachá de artesão não deve ser muito divertido. Espero que esteja certo, não é? — procurei sorrir, para parecer divertido e despreocupado como a maioria dos alunos atrás de mim na fila.

O zumbi não riu nem demonstrou sentimentos. Senti um calafrio percorrer minha espinha, rangi os dentes e saí em disparada ao receber o crachá prateado de "artesão" e prendê-lo na roupa.

A escola não era das mais legais ou bonitas. Os corredores eram pálidos, como se estivessem com anemia. Quando passei correndo, querendo me enfiar no meu dormitório e abraçar meus joelhos com força, um corredor de pessoas se abriu ao meu redor, mas logo se fechou, barrando minha passagem. Tremi, suando frio ainda mais.

–Ei, mais um fracassado para a gente mostrar quem manda aqui na Shibusen! — gritou um garoto, animado.

Vi um grupo passando atrás; mais precisamente, um trio de pessoas. Eram duas garotas de tops vermelhos e calças jeans, com sorrisinhos nos rostos rosados. Atrás, vinha o garoto mais estranho que eu já vira na minha vida. Usava roupas pretas e, na camisa, haviam pequenos retângulos brancos, e ele tinha sapatos sociais escuros. A pele era pálida demais, e as unhas, roídas de preocupação. Usava anéis de caveira prateados nos dedos médios, e tinha olhos ferozes cor de âmbar, que me encaravam com tamanha voracidade que estremeci. O cabelo... caía sobre seus olhos, e haviam três listras brancas ocupando até a metade de sua cabeça. Piscando, achei estranho, mas logo voltei o olhar para as pessoas ao meu redor.

Ele me observou, e parou para ver, enfiando as mãos nos bolsos. Tinha um nariz pequeno, mas empinado. Bufei ao ver o garoto com uma expressão ausente, absorta e tristonha.

Me deram um tapa na cabeça, e derrubei minha mochila. O crachá de "artesão" caiu no chão branco. "Droga", pensei. ", pode parar para ver a briga, mas não para ajudar. Esse sim é um cara justo".

–Afastem-se! — gritei, procurando fazer com que tivessem medo de mim. — Eu.... eu posso ser bem perigoso quando incomodado!

Queria me sentir capaz, poderoso, forte, perigoso, mas não acreditava em mim mesmo. Quem iria acreditar, dessa forma?

Aparentemente, os garotos apenas queriam brigar com alguém para conseguirem popularidade — eu conhecia bem o tipo. Bufando, procurei me desvencilhar dos idiotas, procurando parecer forte e independente; tudo, menos um fracassado fracote que não tinha mais para onde ir a não ser uma escola de armas em Nevada, mas eles estavam por todos os lados. — Vamos lá. Me deixem passar de uma vez. Não quero ter de machucá-los.

–É só mais um calouro fracassado no meio de uma escola cheia de fracassados — resmungou um dos garotos, aparentemente o líder. — Vai fazer o que conosco? Atirar sua merenda e sair correndo?

Eu estava considerando a opção quando a vi.

Era uma garota pálida, ainda mais do que o garoto do nariz empinado, como se houvesse passado tempo demais debaixo da terra ou fosse apenas um espectro translúcido. E não parecia, definitivamente, amigável. Seu rosto não tinha nenhum sorriso. Os olhos, de um frio azul-acinzentado, analisavam o grupo, enquanto ela caminhava na nossa direção. Os cabelos eram longos, lisos, e também cinzas.

–Afastem-se desse garoto — ela ordenou, o rosto impassível, como se comandar grupos de bullys fosse o que mais fizesse em seu tempo livre. — A menos que queiram... virar picadinho.
–Ahh, que fofo. Sua namorada veio te salvar?

A garota o ignorou. Voltou os olhos azuis para mim. Em sua roupa, havia um crachá escrito "arma". Estremeci enquanto ela me analisava atentamente. — Ei, você. Sabe usar uma foice?

–N-não — gaguejei. Poderia até saber manejar algumas armas, mas definitivamente não queria lutar. No entanto, o rosto dela me transmitia uma mensagem: ou lutava... ou ela não me ajudaria, e EU viraria o picadinho da vez. — M-mas... posso até tentar.

Então a coisa mais incrível e emocionante da minha vida aconteceu. O corpo da garota brilhou com uma intensidade absurda e assustadora, de uma cor cinza-gelo, parecida com a de seus olhos. Ela os cerrou, e um vento frio sacudiu os cabelos cinzentos, arrancando o panfleto da Academia Shibusen de minhas mãos. Acredite, se a coisa mais emocionante da sua vida não foi ver uma arma surgir em sua real aparência, você ainda não viveu de verdade. — Hen... shin! — ela gritou, e saltou pelo ar, estendendo a mão para mim.

Quando toquei seus dedos finos, senti um choque elétrico cruzar meu corpo. Me vi segurando o cabo frio, porém que fumegava em minhas mãos, de uma foice com lâmina azul-petróleo, com entalhes negros delicados nas bordas.

–Não fique me olhando assim! — a voz metálica da garota gritou, e a lâmina refletiu uma imagem: ela não usava roupas, mas eu já esperava aquilo. Os cabelos caíam em uma cascata por sobre os ombros, e o olhar vacilante que me lançava me fez temer por sua vida. — O que foi? Lute!

–Está bem! — respondi de volta, firme e decidido. Pela primeira vez na vida, eu sabia o que fazer. Coloquei todo o meu ódio, minhas tristezas, minhas mágoas, tudo na ponta dos dedos, e fiz o cabo da foice passear por eles como um profissional. Girei-a acima de minha cabeça e fui para cima dos garotos, aparando os chutes e socos com a base da foice. Peguei um com a parte sem lâmina e girei a arma, enviando-o para o final do corredor. Eu ainda não sabia segurar a foice direito, mas sabia todas as manobras como um bebê sabe instantaneamente respirar. — A propósito... qual é o seu nome?

–Haru Samui! — ela disse.

Eu já tinha feito aulas de japonês para ir para a Shibusen. Sabia que aquele nome significava... primavera fria. Ela lembrava a delicadeza da primavera, mas era gelada. Sem emoções aparentes. Girei Haru em meus dedos novamente, e com isso atingi uma fileira de garotos.

Os outros recuaram, aterrorizados. Me alonguei e os observei com olhos ferozes. Então notei que ainda apertava a foice entre meus dedos de uma forma assassina. Eu definitivamente não era um assassino. Gaguejando, deixei a arma cair, e Haru firmou botas com fechos de ferro no chão.

Quando me voltei para o garoto de nariz empinado com roupas pretas, havia outra garota apoiada sobre ele, os olhos arregalados e a boca escancarada. — OOOOOOOOhhhh — ela disse, e estremeci. — Um artesão de foice, Kiddo! Arigato!

–Sem problemas, Maka-chan — eles pareciam se conhecer. Os olhos do garoto brilharam... meio dourados, meio cor de âmbar. Ele sorria com os cantos dos lábios, alegre, enquanto a garota, Maka, se sacudia de um lado para o outro, alegre e abismada. Ela abriu caminho por entre os moleques ao meu redor e eu me encolhi de medo. Maka exalava força e coragem. Poderia me esmagar com o pé se quisesse.

–Maka Albarn — sussurrou Haru, abismada. Reparei que estava do meu lado, a boca aberta como se quisesse dizer algo. — A lendária artesã de foice sobrenatural. Você é uma lenda de onde eu venho! Kamisama! Não acredito! Se eu disser que encontrei você para minha família.... eles não vão acreditar! — ela parecia ter encontrado seu astro predileto do rock.

A foice dela tinha desenhos de zigue-zague vermelhos e pretos, como dentes famintos, e um olho na lateral, vermelho, atento, insano, feroz. — A foice se chama Soul Eater Evans — a voz era a de um garoto. Na foice, surgiu o rosto pálido de um garoto de olhos vermelhos e cabelos quase brancos de tão claros.

–É um prazer conhecer — Haru Samui cumprimentou, sorrindo de leve. Então, algo que lembrava um choque cruzou seu olhar, e ela deu alguns passos para trás, assustada e vermelha. — Ahn.... Soul Evans.

–Parece que a ressonância das almas de vocês é algo que vale a pena ser testado — disse a garota loira, sacudindo os cabelos, vigorosa. — Vocês poderiam montar um par muito bom, sabia?

–N-não — foi a única coisa que consegui balbuciar. Haru me fitou, com os enormes olhos lembrando tempestades particulares, o que me fez estremecer, um frio subindo veloz pela minha espinha. -, eu não quero lutar. Vim para a Shibusen porque não tenho mais para onde ir. Só... eu só quero estudar. Não quero armas. Nem sei manejá-las.

–Desculpe, mas você provou exatamente o contrário agora há pouco — disse o garoto de roupas pretas, sorrindo com o canto dos lábios.

–Ah, aí está o garoto que viu a briga toda e ficou apenas olhando. — resmunguei. Estava irritado. Eu teria sido socado e chutado e espetado se Haru não tivesse aparecido. Por que o garoto não havia ajudado e agora agia como se nada houvesse acontecido?

–Peço mil desculpas por isso — ele disse, impassível, como se fosse muito normal aquele tipo de coisa acontecer na escola. -, mas eu, como Shinigami, não posso interferir em nada na escola. Tenho que deixar tudo correr normalmente. Eu deveria deixar você se defender sozinho. Se um deus interfere nas brigas, pode causar problemas ainda piores.

–Do que é que esse idiota está falando? — indaguei, mas Maka concordava, com um sorrisinho leve. A rala cor no rosto de Haru Samui desapareceu, e ela parecia um espectro medroso, as mãos tremendo.

–Kamisama — ela balbuciou, e se atirou no chão, fazendo reverências apressadas, enquanto choramingava: — Gomen-nasai! Eu não sabia! Você é o filho do Shinigami-sama, Death the Kid! Gomen-nasai!

Death the Kid a fitou com seus olhos ardentes e ferozes cor de âmbar. Depois, caiu na gargalhada. Haru ergueu os olhos, vacilante, tremendo.

–Não precisa fazer isso, Kamisama! — ele disse, ainda rindo, como se aquela fosse uma ótima piada. — Eu posso ser o filho do Shinigami, mas... — os pés do garoto se moveram de forma envergonhada. — não mereço respeito assim. Quero ser conhecido como Kiddo, o garoto comum que não se gaba por causa dos pais.

–Garoto comum — repetiu Haru, tremendo um pouco menos.

–Não faça mais isso. Odeio me sentir forçando as pessoas a me obedecerem. Se quiser — ele se voltou para mim. — Pode me dar um soco por antes. Não me preocupo com isso. Sou uma pessoa normal.

O cara estava se oferecendo para receber um soco meu?

–Não vou te dar um soco — respondi, vacilante. — Mas posso pensar no seu caso quando for a melhor oportunidade. Ah, e Haru — virei meu olhar para a foice sobrenatural. — Quer ser minha parceira?

–Haaai — ela disse, sorrindo, agora com a cor voltando às suas bochechas. — Quero, sim, sim!

Death the Kid sorria, fitando Haru de forma vidrada. Ele parecia querer.... não sei, devorá-la. Era o que os olhos davam a entender.

Maka agarrou minha mão, me arrastando para a minha sala — eu decorara todas as informações do panfleto, inclusive minha sala -, Class Crescent Moon. Era tudo muito bonito lá dentro; parecia um julgamento. Carteiras de madeira se estendiam por toda a sala, enquanto a parte do professor era ladrilhada como um jogo de xadrez, com uma enorme lousa e uma mesinha de madeira. Tudo me fazia me sentir tão normal quanto antes, então comecei a relaxar ao redor de Maka, Soul, Death the Kid (em quem ainda considerava dar um belo soco mais tarde), Liz e Patty, suas pistolas.

O professor era engraçado, e, por mais estranho que isso pareça, não me assustei com o enorme parafuso enfiado em sua cabeça. Eu sentia que já o tinha visto antes, e isso me asussustava mais do que o acessório de metal. Ri ao vê-lo cair umas dez vezes numa cadeira de rodinhas, vindo do corredor, e Maka me olhou como se fosse um alienígena. No entanto, Haru também riu, e sua risada era aconchegante demais para eu me sentir desconfortável. Era quente e carinhosa, enquanto seu nome significava "primavera fria". "Mas que contraditório", pensei.

–Pelo que posso observar — comentou o professor, sacudindo a poeira de cima de seu jaleco costurado, mas apenas a derrubando mais sobre os sapatos cobertos por costuras. -, temos alunos novos, não é mesmo? — seu olhar se voltou diretamente para mim, e estremeci ao ver um par de olhos amarelos de gato, nem um pouco tão controlados quanto os de Kiddo, mas ferozes e sanguinolentos, a insanidade controlando a alma que se escondia dentro daquele corpo. — Por favor, os alunos novos, Owen Osoroshi e Haru Samui, venham aqui na frente e se apresentem.

Haru olhou para mim com uma expressão aterrorizada, cheia de pânico, como se indagasse: "essa é alguma espécie de castigo por termos brigado no corredor com os alunos mais velhos?". "Acho que não", respondi com o olhar.

Nos levantamos e fomos, arrastando os pés, até lá embaixo.

Sabe, eu sou a pior criatura na face da Terra quando se trata de falar em público. Eu gaguejo por meia hora, isso se eu CONSIGO falar, o que eu tinha certeza de que não seria o caso daquela vez.

Haru notou meu terror absoluto e disse, a voz fraca: — Meu nome é Haru Samui. Sou uma foice sobrenatural. Tenho quatorze anos.

Engoli o medo. A presença de Haru era fraca, mas eu a sentia. Caleitudo o que sentia, e observei todos. Kiddo me encarava, sorrindo. É, talvez algum dia ele fosse meu amigo. Maka também nos observava, como se aquele fosse um ritual de passagem ou algo assim. Haru me dava coragem.

–Eu sou Owen Osoroshi — a classe inteira caiu na gargalhada. Osoroshi quer dizer "medroso", e acho que eu já disse isso. Mas os observei, a cara fechada, até todos calarem a boca. — Tenho quinze anos de idade, e sou um Shokunin.

Eu sou um Shokunin.

Tomara que consiga provar isso para mim mesmo.

Notas finais
Gostaram? Por favor, me digam. Odeio escrever para as paredes.... ^^ anyway, não estou cobrando comentários nem nada... mas quem gostou de verdade e vai continuar lendo, por favor dê sinal de vida!! Okay? Por enquanto é isso. No próximo capítulo: Cor e escuridão unidos! Somos estrelas da mesma constelação? (Porque imitar Soul Eater na fic de Soul Eater é tão... sei lá :3) ~Beea-chan