Academia Jovens Promissores -Fic Interativa
31 Prova de Sobrevivência Primeiro Dia - Parte 1
Notas iniciais
Norte da Ilha
O barulho do mar parecia acolhedor, o sol por alguns momentos tocou suave a pele branca do rapaz que nem ao menos imaginava o que estava por vir. Howard foi abrindo os olhos lentamente e sentindo o balanço das águas em seus dedos.
–Saia já daí. – Gritou uma voz que parecia muito distante. –Saia da água Howard. – A voz insistiu e isso fez com que Howard abrisse de uma vez os olhos para olhar em volta e perceber que estava em cima de um delicado recife, apenas um pouco mais alto que o mar, e ao seu redor, tubarões.
–Como vou sair daqui? – Ele gritou para a pessoa na praia e percebeu que se tratava de Charlie.
–Você vai ter que nadar, não posso levitar você. – Charlie gritou preocupada enquanto os tubarões começavam a ficar agitados, Charlie sabia que cada um ali devia passar por seu desafio sozinho, e o desafio de Howard seria sair daquela situação.
–Eles vão me alcançar desse jeito, estão muito próximos. – Howard tentava pensar rapidamente, mas em uma situação como aquela era quase impossível chegar em uma conclusão.
–Comece a se preparar, eu tenho uma idéia. – Charlie falou firme correndo de encontro ás arvores da Ilha, ela parecia procurar alguma coisa, enquanto isso Howard retirou a gravata e camisa e por fim os sapatos, ele sabia que a noite aquelas peças lhe fariam falta, mas naquele momento não podia levá-las, ou morreria. – Achei! – O grito de Charlie veio acompanhado de uma pedra pontiaguda.
–O que vai fazer? Vai sair no braço com os tubarões? – Howard falou brincando, mas na verdade ficou preocupado com Charlie, ela podia estar prestes a fazer uma grande idiotice.
–Não seu idiota, eu vou ser a isca. – Charlie começou a correr na direção das águas azuladas até chegar em uma parte bem mais profunda, mas ainda sim perto da margem.
–Saia já dessa água, você vai se matar, eu tenho o estremis no corpo, eu tenho uma chance de nadar mais rápido que esses tubarões, mas você não pode. – Howard encarou Charlie que apenas sorriu para ele como se não tivesse ouvido nenhuma palavra do que ele estava dizendo.
–Você está pronto Howie? – E ao dizer isso ela usou a pedra para cortar o pulso, o sangue começou a se misturar nas águas, era discreto, quase insignificante, mas para o olfato de tubarões era como se ela tivesse despejado litros e litros de sangue no mar. — Nada !!!!!! – Ela gritou enquanto todos os tubarões que rodeavam Howard começaram a ir em sua direção.
O rapaz sempre teve um ótimo condicionamento físico, e sempre gostou muito de usar a piscina da mansão em Malibu quando levava suas garotas para lá, nesse momento ele nunca ficou tão feliz por ser um amante do esporte. Howard nadou o mais rápido que pode assim como Charlie na outra direção, ela não conseguia mais ver a posição de Howard, ambos lutavam pela sobrevivência e ela ainda estava sangrando.
–Charlie continua. – Howard já estava chegando á margem, graças ao estremis ele não se cansava com facilidade, Charlie estava sentindo o tubarão cada vez mais próximo, por um segundo ela achou que não iria conseguir, o tubarão abriu a boca em sua direção, estava a poucos metros da praia, ela não iria conseguir, mas antes que o animal mordesse seu pé, Howard se jogou sobre ele segurando os dois lados da boca, mantendo o tubarão suspenso no ar com os dentes direcionados para ele. –Sai logo daqui. – Ele falou enquanto fazia força segurando a fera.
Charlie olhou para a cena totalmente chocada, ela nunca viu Howard dessa forma, ele sempre passou a imagem de um mauricinho, playboy, egocêntrico como o pai, mas ali, daquela forma corajosa, ela nunca podia imaginar que ele era capaz de algo assim. A jovem conseguiu sair da água e chegar até a praia, Howard atirou o tubarão com força de volta ao mar e foi ver como Charlie estava, por fim, ambos acabaram deitados na areia ainda meio arfantes.
–Você me salvou. – Charlie falou olhando para o céu já sem tanta influencia do sol assim.
–Você me salvou primeiro, eu só estava retribuindo isso. – Howard falou virando o rosto na direção da morena. – Você acha que Nate e Ângela vão ficar bem? – Howard estava muito preocupado com Ângela, ele sabia que ela era forte, mas também conhecia o lado sensível e assustado dela, sabia que ela iria precisar de ajuda e tinha medo sobre quem seria a pessoa a ajudá-la.
–Eu sei que Nate é forte e corajoso, sei que ele vai conseguir dar a volta nessa maldita Ilha e chegar o quanto antes no ponto de encontro, e quer saber minha opinião sobre Ângela? No começo eu não gostava dela, a via como uma garotinha mimada e medrosa, mas com o tempo eu passei a admirar o caráter dela e percebi que Ângela pode ser mais durona que muita gente aqui. – Charlie falou sorrindo discreta, ela se lembrou dos primeiros dias na academia e de como não gostava de quase ninguém, ela se lembrou de Kate e percebeu que sempre teve uma afinidade com a garota, isso a fez sorrir, talvez elas pudessem fazer coisas normais no final de tudo aquilo.
–Eu digo o mesmo de Nate, sei que ele é corajoso e um bom sujeito, acredito que ele vai ajudar qualquer um que esteja com ele nesse momento. – Howard se levantou batendo a areia de seu corpo e olhando na direção das arvores.
–O que vai fazer agora? – Charlie perguntou se levantando da mesma forma.
–Vamos procurar um abrigo, eu não entendo muito desses testes da SHIELD, mas eu sei que em qualquer situação de risco não se deve ficar em campo aberto, principalmente a noite, e a julgar pela posição do sol nós temos pouco tempo até escurecer. – Howard falou olhando para os pontos cardeais e ao redor como se procurasse por algo. – Pela posição do sol também posso dizer que estamos ao Norte, isso significa que estamos mais próximos do ponto de encontro do que os outros.
Charlie fez uma busca silenciosa sobre posição com seus poderes mentais, isso era permitido, e para sua surpresa viu que Howard estava certo, o que a fez rir.
–O que foi? Porque está rindo? – Howard perguntou meio confuso.
–Mesmo sendo um gato musculoso você ainda é um nerd Stark. – Charlie falou rindo, Howard pensou em brigar com ela, mas não tinha como discutir, ele sempre seria um Stark e isso não significava apenas dinheiro, mas sim inteligência de sobra.
–Se você já terminou de me zombar, eu sugiro que encontremos um lugar agora. – Howard fez um gesto para Charlie e ambos começaram a entrar na floresta seguindo a direção do Norte, assim, se conseguissem manter o curso, iriam conseguir chegar no ponto de encontro em menos de um dia.
–Você acha que Nick está bem? – Charlie perguntou séria encarando Howard o que fez o rapaz sorrir.
–Olha, quando eu conheci você nunca poderia imaginar que era do tipo que se preocupava com as pessoas, eu sinceramente nunca imaginei isso. – Howard falou rindo enquanto bagunçava os cabelos de forma charmosa.
–E eu não era, eu acabei me tornando uma pessoa melhor eu acho. – Charlie falou pensando em todas as coisas pelas quais já havia passado.
–Sinto muito por você e seu passado. – Howard falou baixo, ele não sabia como tocar no assunto, mas sentiu uma enorme necessidade de dizer aquilo.
–Tudo bem, obrigada, apenas, apenas não comente isso perto de Nate ok? Eu não quero que ele tenha pena de mim como á maioria. – Charlie falou respirando fundo e olhando ao redor, estava tentando evitar a conversa e Howard apenas sorriu diante disso.
–Veja, são bananas. – O rapaz falou mudando a conversa o que deixou Charlie mais confortável.
–Não sabia que você conhecia frutas, aliás, não sabia que você comia frutas. – A jovem falou enquanto puxava uma banana do cacho.
–Todo mundo pensa que só porque sou um Stark eu não como ou bebo nada que não seja alcoólico. – Howard falou também pegando uma fruta e sorrindo.
–Desculpe, eu não quis ofender. – Charlie falou meio sem graça, ela sabia que esse assunto de alcoolismo não era o favorito da família Stark.
–E não ofendeu, minha família tem muitos problemas, eu sempre fui visto como um reflexo perfeito do meu pai, tirando as drogas, isso já foi por minha conta, agora a bebida sempre foi uma constante na vida maravilhosa dos Starks. – Howard falou de forma debochada erguendo a banana como se fosse uma taça.
–Eu sei que tem problemas com sua família, mas devia mudar isso, o senhor Stark não é um homem tão ruim.
–Vindo de uma pessoa que nem ao menos ligou para os pais para se despedir, você não é a melhor pessoa aqui para falar sobre família. – Howard falou firme encarando Charlie que ficou séria.
–Tem razão, erro meu, acho melhor voltarmos ao caminho. – E dizendo isso a jovem apenas pegou mais algumas frutas para a viagem e seguiu em frente, deixando Howard com seus pensamentos para trás.
{…}
Sul da Ilha
Os olhos de Ângela foram abrindo lentamente, ela não sabia ao certo onde estava e sua cabeça doía muito, depois de uma breve reflexão forçada dos acontecimentos ela se lembrou da Ilha e do que estava prestes a acontecer.
–Cuidado!!!!! – Gritou uma voz masculina as costas dela e Ângela sentiu mãos a segurar pela cintura e a puxar para o lado no meio do mato.
Ângela ficou apavorada, uma mão tapou sua boca com força enquanto o que parecia ser passos passavam pesados no local onde ela estava minutos atrás e para sua surpresa uma calda finalizou a passagem da criatura que conseguia fazer o chão tremer, Ângela nunca havia visto nada assim em toda a sua vida.
–Você está bem? – Disse mais uma vez a voz masculina e para a grande surpresa de Ângela era Jackson.
–Você me salvou? – Ela falou baixo com medo que a criatura voltasse.
–Viu, eu não sou tão ruim assim. – Ele disse piscando para ela.
–Obrigada eu acho, mas ficaria mais grata se saísse de cima de mim. – Ângela falou percebendo o quanto Jack parecia colado em seu corpo.
–Foi mal, é a força do habito. – Ele falou se levantando e ajudando a loira a ficar de pé.
–E então do que se lembra? – Ela perguntou ao rapaz que limpava a jaqueta tirando as folhas presas nela.
–Me lembro do helicóptero e do Coulson fazendo um discurso chato, depois uma fumaça verde e quando acordei estava aqui preso em uma rede no alto de um coqueiro, acho que eles queriam me testar para ver se eu usaria meus poderes de teletransporte. – Jackson concluiu seus pensamentos de forma séria e Ângela percebeu que nunca havia visto o rapaz assim.
–E porque mandaram aquela criatura para mim?
–Sei lá, deve ser por sua força, acho que eles queriam testar sua força longe dos outros. – Jackson parecia preocupado enquanto olhava para o céu. -Vai escurecer logo, isso não é uma boa idéia, devemos procurar um abrigo, assim como água e comida, amanhã quando o sol nascer nós vamos atrás dos outros.
–Você parece saber bem o que está fazendo. – Ângela falou olhando admirada para o rapaz.
–Eu sei que você e seu namoradinho pensam que eu não sou uma boa pessoa, mas eu não ligo para isso, já me acostumei em ser o vilão. – Jack falou sorrindo enquanto indicava o caminho para Ângela, mas a jovem apenas respirou fundo e sem que ele esperasse lhe deu um forte abraço.
–Nós estávamos enganados Jack, você é um cara legal, obrigada por salvar minha vida, mas se olhasse nos olhos das garotas e não para seus seios seria bem melhor. – Angel falou tímida o que fez Jackson cair na gargalhada.
–Você é sempre assim tão envergonhada?
–Não sei do que está falando. – Ângela virou ás costas para o rapaz e saiu andando, mas ele podia jurar que o rosto dela ainda estava vermelho.
Os dois caminharam por um longo espaço cheio de arvores, coqueiros e folhagens, eles pareciam perdidos, o que deixou Jackson um pouco nervoso, mas ainda estava tentando manter o foco o máximo possível.
–Veja, parece uma gruta. – Jackson falou olhando para o lugar com empolgação.
–Você quer me dizer que vamos ficar ai? – Ângela falou meio assustada.
–Claro, eu não penso em ficar nesse descampado com uma criatura mutante lá fora que pode me devorar a qualquer momento.
–Podemos fazer uma fogueira? Está começando a ficar frio. – Ângela falou e Jackson respirou fundo.
–Eu sinto muito, mas não é seguro, sabe, quando se está na floresta e se acende fogueiras você consegue manter os lobos afastados, mas aqui, esse lugar pode atrair confusão para nós o tempo todo e a noite não temos muita vantagem o correto é não fazermos nenhum tipo de barulho, e sair para procurar madeira pode não ser uma boa idéia.
–Então, então o que vamos fazer? As noites em lugares como esses costumam ser frias, não há nada que possamos fazer? – Ângela perguntou enquanto Jackson subia pelas pedras até achar uma parte confortável na entrada da caverna, ele se sentou como se fosse tudo normal e depois de achar uma posição confortável fez um gesto para que Angel se aproximasse dele.
–Você ficou louco? – Ela gritou dando alguns passos para trás. –Eu não vou dormir abraçada com você, isso é absurdo, eu não vou fazer isso eu....
Mas antes que Ângela terminasse de falar Jackson se aproximou dela a puxando pelos braços e fazendo com que ela o encarasse.
–Pare de ser convencida, eu não vou abusar de você, não vou tocar em você e sinceramente não quero fazer isso, você não é tão bonita assim, nem tão gostosa e definitivamente não faz o meu tipo, mas eu não vou morrer por sua causa, e não vou deixar você morrer por causa da sua timidez maluca, agora cale essa boca e vá para aquela caverna agora, antes que eu lhe dê uns tapas. – Jackson falou firme enquanto Ângela mantinha uma expressão de vergonha e humilhação, mas no fundo ela sabia que ele estava tentando fazer o melhor para ficarem vivos.
Ele retirou a jaqueta e usou como um cobertor sobre os dois, isso iria dar uma ajuda, ao menos ele estava de calça jeans, botas e camisa de manga, ele estava preparado, mas Ângela estava usando um short curto, uma blusa de alça e a única coisa útil eram os tênis que ao menos protegiam os pés dos animais e dos espinhos.
Ela ficou em silencio enquanto ele a envolvia com seu braço, por alguns minutos ela ficou muito apreensiva, sentia-se acuada, era estranho aquela sensação de estar protegida e tão intima de um completo estranho, mas quando começou a sentir a respiração calma de Jack e seus batimentos cardíacos diminuírem, ela percebeu que ele confiava nela também e que só queria protege-la durante a noite para que nenhum mal caísse sobre os dois, com esse pensamento ela conseguiu fechar os olhos e adormecer tranqüila.
**** Próximo Dali ****
O vento frio do lugar começava a incomodar, as bananas que Charlie havia pego horas atrás já haviam acabado e agora ela e Howard estavam com cede. Os dois continuavam andando, mas Howard não tinha muita certeza se iriam encontrar um lugar seguro para ficar, eles estavam andando á horas e estavam muito cansados.
O assunto havia acabado e Charlie estava cansada o que a deixava irritada, ela não sabia dizer ao certo se isso era devido ao fato de estar sem cafeína no sangue, ou se era por estar ao lado de Howard sem camisa, francamente ela nunca gostou de mauricinhos, sempre preferiu homens mais fortes, mas vendo Stark ali daquele jeito fez surgir uma infinidades de fantasias em sua cabeça, o que não era nem de longe uma coisa boa.
–Espera. – Disse Howard.
–O que foi agora? – Charlie já estava ficando irritada, toda vez que Howard achava estar perdido ele parava e analisava todo o lugar.
–Acho que ouvi uma coisa, um barulho.
–Howard, esta é a décima, milésima vez que paramos, será que podemos seguir em frente? – Charlie falou irritada.
–Eu sei que você está cansada, mas precisamos nos concentrar em....
–Howard, não tem essa de concentração, precisamos dormir, eu preciso dormir, estou acabada ok?
–Pode haver armadilhas em todos os lugares aqui, precisamos estar atentos. – Howard falou firme encarando a morena nos olhos.
–Que se dane as armadilhas. – Charlie falou irritada.
–Charlie...
–Não Howard, eu estou de saco cheio disso e....
–Charlie....
–Já chega disso, eu vou dormir aqui e agora...
–Charlie!!!! – Howard falou mais alto.
–O que foi? – Ela respondeu na mesma altura.
–Tem uma tarântula no seu ombro eu vou......
–Mas antes de Howard fazer qualquer coisa, Charlie olhou para a aranha gigante em seu ombro e se arrepiou toda, aquilo a fez gritar desesperada e correr enquanto Howard tentava alcança-la para retirar o animal, por fim, ela conseguiu jogar a aranha longe, mas estava atordoada e acabou tropeçando em uma grande raiz, e para o azar de Howard, Charlie o puxou pelo braço na tentativa de se manter de pé, mas não deu muito certo e ambos despencaram ladeira a baixo rolando no meio do mato, raízes, animais e pedras.
Howard não soube dizer a proporção da queda, mas sentiu que passaram alguns bons minutos rolando até finalmente chegarem a uma clareira.
–Ótimo. – Disse Howard sentindo a pele arranhada.
–Howard me desculpe.
–Perfeito isso, perfeito, agora estamos perdidos e..........
Mas a fala de Howard ficou suspensa no ar no momento em que ele viu em uma caverna a silhueta de Ângela envolvida pelos braços de Jackson.
–Howard não faça nenhuma bobagem eles devem estar juntos pelo frio, olhe em volta, não tem nenhuma fogueira, eles podem estar fugindo de algum animal da Ilha, vamos lá Howie, pense. – Charlie tentou se aproximar, mas o rapaz estava furioso e precisava descontar em alguém.
Jackson não soube de onde veio o golpe, mas sentiu mãos o puxando para longe da garota o derrubando de cara no chão, por fim, socos no estômago e um direto bem no nariz.
–Howard pare já com isso, mas que droga. – Ângela falou firme encarando o rapaz que parecia furioso.
–Fique fora disso eu não quero saber, só quero ele longe. – Howard foi para cima de Jackson de novo, mas desta vez o rapaz revidou acertando um gancho no Stark, Charlie estava revoltada com a cena, mas estava ferida demais pela queda para se preocupar com brigas idiotas.
–Já chega vocês dois. – Gritou Ângela entrando no meio dando um soco em Howard que o jogou a três metros de distancia e acertando outro em Jackson, ela parou para respirar enquanto os dois olhavam assustados e confusos para ela, mas Charlie parecia se divertir agora. – Howard, eu fico muito feliz em ver você e a Charlie, eu estava preocupada e ainda estou com todos aqui, mas, por favor, as coisas já estão difíceis demais para ainda ter que me preocupar com suas crises de ciúmes.
–Você estava abraçada a esse idiota, vai me dizer o, por quê? – Howard falou limpando o sangue de seu rosto.
–Será que você não percebeu que não temos fogueira? E será que você não entendeu ainda? Será que não parou para pensar o, porque disso? – Disse Jackson firme encarando o rapaz que não estava entendendo aquilo.
Mas naquele momento todos se calaram, um urro alto e poderoso ecoou por toda a Ilha, algo que fez o coração de Charlie quase parar, e do meio das copas das arvores passos que estremeciam o chão voltaram a caminhar na direção deles.
–Tarde demais. – Ângela falou firme olhando furiosa para Howard.
–Vamos sair daqui. – Charlie falou encarando Howard, mas ninguém se moveu.
–Não, apenas se protejam, eu preciso resolver isso. – Ângela se encheu de coragem e ficou na linha de frente.
–Você não precisa fazer isso sozinha. – Jackson falou encarando Angel que apenas sorriu.
–Preciso sim, talvez você não me veja mais como um peso, me desculpe por ter sido tão idiota com você. – Ela falou firme sorrindo para o rapaz que se sentiu péssimo por todas as coisas que havia dito a ela.
–Talvez, talvez você seja o meu tipo. – Ele falou rindo, mas ficou sério ao ver a expressão irritada de Howard em sua direção.
Do meio da floresta surgiu uma criatura impossível, um ser que ninguém esperava, Ângela respirou fundo e se concentrou em sua força, agora ela estava diante de um inimigo real.
Um Tiranossauro Rex.
{…}
Leste da Ilha
Jeremy sentiu cócegas em suas pernas, como se algo deslizasse pelo seu corpo, em qualquer situação normal isso seria algo bom, ou pelo menos agradável, mas Jeremy se lembrou de tudo, do avião, do gás verde, e de onde estava, e isso foi suficiente para trazê-lo de volta a realidade.
–Não se mova. – Sussurrou uma voz abafada vindo de perto.
–Quem está ai? – Jeremy olhou ao redor e percebeu que era Lacey, mas ele quase não conseguiu reconhece-la, pois ela esta coberta de lama e parecia afundar cada vez mais, era areia movediça.
–Não se assuste, mas tem cobras em você. – Lacey falou calma, mas Jeremy sentiu uma enorme vontade de sair correndo.
–Cobras? Você diz cobras e quer que eu fique calmo? – Jeremy falou sentindo o coração bater fortemente contra o peito enquanto olhava realmente para o próprio corpo e percebia sua situação, havia corais, cascavéis, pítons, entre outras, várias cobras venenosas percorrendo tranqüilas os caminhos do corpo do rapaz, que permanecia encostado em uma árvore que, mais parecia o ninho de serpentes.
–Jeremy eu vou falar com elas ok? – Lacey falou tranqüila, mas Jeremy apenas piscou rapidamente os olhos, ele achou por um momento que era brincadeira dela, mas depois se lembrou do verdadeiro poder de Lacey, a comunicação com seres.
Um sussurro sibiloso mais parecido com um silvo começou a sair dos lábios de Lacey, algo que Jeremy não conseguia compreender de forma alguma, mas por alguma razão as serpentes pareciam responder com a mesma entoação.
–Isso é assustador, você parece o Voldemort. – Jeremy falou para Lacey que olhou feio para ele, precisava se concentrar no coração da cobra para atingir sua mente, as cobras são animais frios, cruéis e que pensam sempre em si mesmas em primeiro lugar, ela precisava chegar até suas consciências para entender e falar com elas de igual para igual e não é uma tarefa tão fácil.
–Fique quieto e não me atrapalhe. – Lacey continuou falando com as cobras até que finalmente todas elas se desenrolaram de Jeremy e voltaram para a floresta.
–Apesar de assustador, muito obrigado, muito obrigado mesmo. – O rapaz falou sério enquanto se levantava com cuidado para não pisar em nenhuma parte movediça, por fim ele pegou um cipó e atirou até a garota que segurou firme, ela já estava até a cintura de lama, mas por fim conseguiu sair.
–Você precisa tirar esse barro da pele ou pode ter alguma alergia. – Jeremy falou encarando a menina que parecia se concentrar no espaço a sua volta.
–Está ouvindo isso? – Ela perguntou séria.
–Isso o que?
–Parece uma cachoeira, vamos, acho que estamos pertos. – Lacey saiu cheia de confiança até onde acreditava ser o local da cachoeira, e para sua alegria realmente era, o lugar era muito bonito, e tinha um pequeno lago ao redor da cachoeira que era de água doce.
–Estamos salvos. – Jeremy se jogou na água e foi até a cachoeira ele deixou a água pesada cair sobre sua cabeça enquanto Lacey aproveitava para tirar o barro das roupas.
–Não se vire. – Disse Lacey enquanto tirava a blusa para tirar o barro e torcer, Jeremy não pensou duas vezes e ficou de costas para a jovem, não queria desrespeitar a garota que havia salvo sua vida minutos atrás.
–Você é um cara legal Jeremy. – Lacey falou rindo olhando para o jovem e o vendo de costas fingindo estar admirando a cachoeira.
–Não sei o que sou, mas sei o que não sou, e não sou esse tipo de cara, eu não iria deixar você mal, eu não faço essas coisas. – Ele falou meio tímido enquanto Lacey apenas sorria.
–Por isso Vicky gosta tanto de você, da para ver o quanto ela se importa, eu percebi isso lá na Torre, e percebi isso quando ela sugeriu que protegêssemos as pessoas sem poderes, ela estava preocupada com você, sempre esteve, mas não se preocupe, eu vou cuidar de você e leva-lo de volta para a Miss América. – Lacey falou rindo enquanto vestia novamente a blusa ainda molhada.
–Obrigado, e se houver cobras novamente vou chamá-la com toda a certeza. – O rapaz falou rindo enquanto Lacey já olhava ao redor.
–Vamos, esses lugares com cachoeiras e lagos costumam atrair muitos animais perigosos, precisamos procurar um lugar seguro.
–Se é que existe algum lugar seguro aqui. – Jeremy falou e naquele momento eles ouviram uma forte explosão.
–Vamos, parece que não foi muito longe. – Lacey falou puxando Jeremy pela mão.
–Não vamos conseguir chegar lá, mesmo não sendo muito longe está distante para nós, estamos a pé aqui. – Jeremy falou e Lacey fechou os olhos se concentrando, por fim, ela soltou um barulho altíssimo que mais parecia um rugido e para a surpresa de Jeremy dois tigres surgiram diante deles.
–Tem alergia a gatos? – Lacey falou subindo nas costas de um tigre.
–Você...você realmente...realmente quer que eu faça isso? – Jeremy falou com certo medo.
–São apenas animais e eles estão ligados a mim, vai ser bem mais fácil assim, agora segura a onda e não morre do coração, precisamos chegar nesse barulho agora, alguém pode estar precisando de ajuda.
–Ok, então senhorita Tarzan. – E dizendo isso Jeremy subiu nas costas do tigre que parecia se divertir com seu medo.
{…}
Oeste da Ilha
O céu parecia escuro, talvez o gás verde funcionasse de formas diferentes em cada um afinal, Edward não saberia dizer, mas estava sentindo-se péssimo.
Ele se levantou com cuidado e começou a caminhar em busca de aliados, ou de mantimentos, qualquer coisa que o fizesse sentir-se melhor, mas não parecia ter muita ajuda ali.
Alguns metros depois ele conseguiu encontrar uma pequena nascente de água doce, não pensou duas vezes e afundou a cabeça na água gelada, pensou nos outros, nos perigos que cada um devia estar enfrentando, tentou ficar mais calmo, passou a água no rosto tentando relaxar com o toque a água fria na pele, depois molhou os braços que pareciam pesados, devia ser o efeito do gás.
Durante todo o percurso ele pensou nas coisas que o levaram até aquele momento, Magneto era o seu maior inimigo e, no entanto era sua família, mas havia uma passagem importante em seu passado que foi o marco principal para odiar seu avô, o momento em que descobriu a verdade sobre seu pai e o que havia acontecido a ele.
Flash Back On
“Você precisa ser forte Edward, nunca vai conseguir ser alguém se continuar lutando dessa forma.” – Ecoou a voz de Magneto em sua mente, eles estavam em um local que mais lembrava uma velha estação de trem abandonada, não havia ninguém presente, mas o garotinho sabia que a mulher azul provavelmente estava por perto, ela sempre estava por perto quando se tratava de seu avô.
“Eu não quero matar.” – Respondeu a criança de sete anos encarando um homem ferido no chão, Magneto havia encontrado aquele homem nas proximidades, ele não era um homem comum, era mais um dos agentes da SHIELD enviado para tentar descobrir um pouco das experiências secretas e dos planos de Magneto contra a humanidade, mas como sempre acontecia, Erick estava um passo a frente.
“Eles não são como nós, são apenas humanos, não devia ter tanta compaixão.” – A voz de Magneto falou firme mais uma vez assustando o menino que não queria continuar.
“Eu não quero matar pessoas, é errado.” – Edward encarou com firmeza o homem por trás do capacete e fechou os punhos reunindo forças.
“Quem disse isso a você?” – Magneto sabia que aquele era o momento certo de dizer uma verdade que escondia á muito tempo.
“Meu pai, meu pai me disse isso.” – O menino falou com a pouca lembrança que ainda tinha do pai.
“Seu pai está morto garoto.” – Magneto falou firme enquanto fazia uma arma levitar diante dele, a arma flutuou calma até chegar bem perto da cabeça do homem diante de Edward.
“Eu mesmo o matei.” – E dizendo isso Magneto puxou o gatilho com seus poderes, o sangue espalhou por todos os lados, Edward ficou ali por horas, ele não soube dizer quanto tempo, mas o suficiente para escurecer, ele não viu quando Magneto saiu de cena, e não viu quando ele voltou, ele não viu mais nada, naquele momento alguma coisa havia morrido dentro dele, algo que nunca mais iria voltar.
Sua fé.
Flash Back Off
Edward nunca mais foi o mesmo depois daquele momento, e sinceramente sabia que nunca mais voltaria a ser, ele olhou para a mão esquerda e a viu tremendo, em seu ombro um pouco a cima escondido pela manga da camisa, uma grande cicatriz habitava, marca clara de que Magneto não se importava com ele, afinal, que tipo de avô lança um avião na direção do neto?
Um barulho no meio das folhagens acabou chamando a atenção de Ed o tirando das lembranças dolorosas, o local era repleto de natureza o que dificultava ainda mais reconhecer alguém, ele olhou assustado em volta e cada vez que fazia isso o ambiente ficava ainda mais assustador.
–Tem alguém ai? – Gritou o rapaz, mas depois se sentiu idiota por gritar, poderia haver animais perigosos por perto e isso não seria uma coisa boa.
No meio dos arbustos alguma coisa parecia se mexer, Edward prendeu a respiração tentando manter-se o mais firme possível, ele não queria lutar, não queria usar seus poderes, pois tinha medo de não conseguir controla-los e por a todos em risco.
–Quem está ai? Stefan? Charlie? Anne? Alguém? – Mas ninguém respondeu, apenas continuou o barulho se aproximando, até que para o susto de Edward um macaco se jogou sobre ele.
O animal parecia se divertir com a presença humana se balançando de um lado para o outro, Edward riu se sentindo um idiota por estar com medo.
–Vêem, me ajude a encontrar comida nesse lugar. – Edward viu que o animal parecia ter entendido seu desejo de comer alguma coisa e começou a correr em uma direção fixa passando pelo meio de várias árvores, galhos secos, arbustos com espinhos sem parar um segundo sequer, o rapaz acompanhou o macaco o mais rápido que pode até que chegou em um lugar que mais parecia um pomar, havia amoras em todos os lugares, várias amoras, ele sorriu, ao menos seu companheiro parecia ser inteligente.
–Você gosta dessas frutas não é? – Ed falou pegando algumas enquanto o macaco parecia ser bem mais rápido que ele.
Edward começou a comer, ele sabia que precisava ter cuidado, mas não sabia ao certo com o que? E isso só dificultava ainda mais a situação, ele tentou não pensar nos problemas por um minuto, tentou se focar apenas nas frutas e em como armazena-las para continuar comendo enquanto procurava a saída daquela Ilha maldita, mas naquele momento seus pés tropeçaram no que parecia ser um fio, ele não soube dizer ao certo o que veio depois, um silencio agudo tomou conta de seu coração, a respiração ficou fraca e ele sentiu como se mergulhasse em um abismo.
A explosão.
Tudo ficou confuso, não havia nada que poderia ser feito.
****Próximo Dali****
Ângela lutava com o T-Rex de igual para igual, estava fazendo o máximo de força possível, nunca pensou que lutar sozinha poderia ser tão cansativo, Jackson não podia ajudar, ela não queria isso, e os outros não podiam também, Howard sem armadura, Charlie sem poder usar seus poderes telepáticos, eles só podiam contar com ela.
A criatura rugiu alto, mas desta vez Ângela estava furiosa, ela rugiu de volta para o monstro e o derrubou jogando-se contra ele, as pessoas que assistiam a cena permaneciam chocadas, Ângela sempre passava uma imagem calma, mas ali diante daquela criatura ela tinha outra postura, totalmente diferente, o que acaba deixando-a mais interessante na opinião de Jackson, quando a criatura caiu ela escalou seu corpo até chegar próximo da cabeça, ela percebeu que dos olhos vinham uma luz diferente, não era animal, era cibernético.
–Ele é um robô. – Gritou para os outros e Howard sentiu-se feliz por poder ajudar, ele conhecia a maior parte dos sistemas eletrônicos do mundo, um robô gigante era apenas mais um robô.
–Se é um robô tem que ter um sistema que o desliga, procure alguma coisa que pareça com isso. – Howard falou para Ângela e a menina puxou o dinossauro com mais força para que ele caísse e permanecesse no chão.
Ela foi olhando até que encontrou no peito do animal encoberto pela pele grossa o que parecia ser uma caixa de comando, ela arrancou a “tampa” e se deparou com vários fios e luzes.
–O que eu faço agora? – Ângela falou mantendo a força do corpo contra o animal.
–Tem que encontrar o sistema da placa central que alimenta os outros fios com a energia da máquina, ele provavelmente deve estar perto de um reator de propulsão capaz de criar uma.....
–Arranca tudo!!!! – Gritou Jackson tentando ser mais objetivo, Ângela por sua vez não perdeu tempo e puxou todos os fios, a criatura urrou mais uma vez e seus olhos ficaram vermelhos e a luz tomou conta de tudo.
–O reator é capaz de criar uma explosão se não for desligado corretamente seu imbecil. – E naquele momento uma explosão tomou conta de tudo, a fumaça foi sufocante, o fogo atingiu Ângela em cheio, mas graças a sua força seu corpo ficou intacto, apenas suas roupas ficaram um pouco danificadas, Jackson se transportou para alguns metros antes de ser atingido levando Charlie consigo, Howard se jogou atrás de um grande rochedo próximo e conseguiu se proteger.
Ângela sentiu o impacto e acabou ficando em cima de uma arvore, ela abriu os olhos com cuidado e viu um pouco mais a frente o que parecia duas pessoas montadas em tigres de bengala.
–O que você vê ai? – Charlie falou sentindo a poeira e a fumaça começando a baixar.
–Acho que estou louca. – Angela fixou ás vistas na silhueta dos seres e realmente eram duas pessoas montadas em tigres.
–Angel me fala, tudo nessa ilha parece louco.
–Eu estou vendo pessoas montadas em tigres indo naquela direção. – Ângela apontou para um lugar especifico enquanto Charlie usou seu poder para rastrear os seres. –Estão se afastando rápido, já não estou conseguindo vê-los mais.
–Ela disse tigres? Você deu alguma coisa para ela comer? – Howard perguntou encarando Jackson que parecia tão confuso quanto ele.
–Calem a boca estou rastreando. – Charlie viu o rosto de Jeremy e Lacey, ficou feliz por saber que eles pareciam bem, mas sentiu o que Lacey estava sentindo. –Parece que alguém está com problemas.
–Além do T-Rex de Jurassic Park o que mais pode ser considerado um problema? – Jeckson falou vestindo sua jaqueta de novo.
–Vamos descobrir. – Disse Ângela se jogando do alto da arvore e aterrissando com um grande baque no chão.
–Você foi incrível. – Howard falou para Angel que apesar de tudo conseguiu sorrir para ele. – Me desculpe por ser um idiota.
–Tudo bem Howard, mas agora precisamos ser rápidos, como vamos chegar lá se não temos transporte? – Ângela falou pensativa, mas Jackson sorriu.
–Bom, eles me disseram que eu não poderia usar meu teletransporte para sair da Ilha, mas não disseram nada sobre ir até um membro da equipe, será que você pode perguntar a eles Charlie? – Jackson falou e Charlie usou seus poderes para entrar em contato com Emma, alguns minutos se passaram e um “SIM” surgiu em sua mente.
–Ela concordou. – Charlie falou animada.
–Legal, então cheguem mais. – Jackson puxou Charlie pela cintura fazendo a jovem encara-lo de forma séria, mas depois a morena acabou sorrindo, Jack não tinha jeito, ele puxou Howard para perto com a mão em seu ombro enquanto Ângela se aproximava também.
–Você precisa estar sempre segurando as pessoas? – Howard falou sério para Jack que apenas riu.
–O que dizer sobre mim? Adoro essa coisa de abraço em grupo, isso realmente me emociona, já experimentou fazer terapia? E dizendo isso eles sumiram.
Oeste da Ilha – Alguns minutos depois
Os tigres não queriam mais se aproximar, Lacey agradeceu pela ajuda e seguiu o resto do caminho a pé. Jeremy estava preocupado, não queria nem pensar em Vicky ferida, ele nunca se perdoaria se algo acontecesse a ela.
Por todo o caminho rastros do que parecia ser uma explosão poderosa ia se revelando, vários destroços de arvores.
–Ei Lacey, veja. – Jeremy apontou para um lugar perto de algumas pedras e restos de amoras.
–Ah droga. – Lacey olhou com um pouco mais de atenção e viu que se tratava de manchas de sangue.
–Vamos logo. – Jeremy sentia o coração batendo contra o peito desesperadamente, ele nunca sentiu algo assim, Lacey começou a pensar em várias coisas, nas pessoas, em seus novos amigos e eles correram no meio da poeira até chegar ao ponto central de tudo.
Edward estava dentro de uma grande esfera feita com seus poderes mentais, ele parecia em choque, naquele momento Jackson surgiu trazendo os outros e Jeremy sentiu um grande alivio por ver mais rostos conhecidos, mesmo não vendo quem mais queria.
–Vocês estão bem? – Howard perguntou indo até os dois e olhando seus ferimentos leves.
–Fora ter sido atacado por várias cobras venenosas eu estou ótimo. – Jeremy falou sentindo-se orgulhoso de sua coragem.
–Eu lutei contra um dinossauro e não era um qualquer, era um T-Rex. – Ângela falou cruzando os braços e encarando Howard de forma feia.
–Ok, acho que isso ganha das cobras. – Jeremy falou tentando assimilar aquela informação da melhor forma possível.
–O macaco. – Disse Edward enquanto Charlie olhava para ele tentando chamar sua atenção.
–Que macaco Ed? – Charlie perguntou tocando no grande circulo de energia em volta dele.
–O macaco não tinha culpa, eu não queria pisar no fio, foi tudo culpa minha. – Edward falou sério encarando Charlie, ela entendeu que não era só pela morte do macaco que o rapaz se encontrava assim, era tudo, o cansaço, as armadilhas e o sangue do animal por toda a parte.
–Ele surtou por causa de um macaco? – Jackson falou rindo, mas Edward se enfureceu, ele desfez a bolha e partiu para cima de Jackson.
–Calma Ed. – Gritou Charlie segurando o rapaz enquanto ele parecia exausto.
–Calma? Como ter calma? Esse lugar é um inferno, eu nem sei se vamos conseguir sair daqui, eu olho em volta e vejo esse sangue e me lembro.....me lembro da minha vida, do meu passado, e sinto dor Charlie, sinto muita dor, eu......não sei o que fazer. – Edward falou deixando seu corpo enfraquecer, mas Charlie o abraçou com força enquanto os outros ficavam em silencio.
–Pense na Anne. – Disse Lacey fazendo o rapaz reagir.
–Anne?
–Sim, você disse que ela é sua família, que você queria ter a oportunidade de conhecê-la melhor, então não desista agora, ela pode estar por ai precisando de você. – Lacey falou com calma e Edward respirou fundo aceitando a situação, era verdade, ainda havia muita gente para ajudar.
–E agora, o que vamos fazer? – Jeremy perguntou olhando para todos.
–Quem dá as ordens normalmente é a Vicky, mas já que ela não está aqui vamos ser práticos, pelos meus cálculos baseados no céu e na Ursa Maior eu posso dizer que estamos a Oeste da Ilha, precisamos voltar para o Norte e sair daqui. – Howard falou sério olhando para o céu.
Jeremy ficou em silencio por alguns minutos pensando em Vicky e nos perigos que ela provavelmente devia estar enfrentando, as coisas não estavam sendo fáceis para ninguém e ele queria muito encontra-la logo.
–E quem fez de você o líder? – Jackson perguntou dando alguns passos para frente, mas Ângela se colocou no caminho encarando o rapaz.
–Pense dessa forma Jack, ele é o mais inteligente aqui e eu sou a mais forte, então acho que isso o coloca como líder. – Ângela não costumava ser agressiva, mas aquilo fez Jackson rir.
–Adoro quando você fica por cima. – Ele falou rindo fazendo a jovem corar, mas mesmo assim Ângela não saiu da frente.
–Ok, ok, menos conflito e mais solução. – Lacey falou se aproximando. –Eu vou manter os animais longe, vou impedir que animais venenosos ou carnívoros nos ataque. – Lacey falou e isso deixou a todos mais tranqüilos.
–Eu vou procurar madeira, devemos fazer uma fogueira, não acho que seja muito tarde e o vento frio já está forte, quando a madrugada vier vamos congelar. – Jeremy falou sério olhando ao redor.
–Eu vou com você. – Edward se ofereceu.
–Eu vou limpar melhor esse lugar e criar uma clareira, apesar de não concordar nem um pouco em ficar no espaço aberto. – Charlie falou usando seus poderes para levitar as pedras mais pesadas.
–Eu vou fazer a proteção do acampamento, caso alguma coisa apareça eu arrebento. – Ângela falou firme, ela não tinha mais medo, não iria ficar se escondendo o tempo todo.
–Você devia ter dito “Esmaga”. – Jackson falou fazendo uma imitação ridícula do Hulk. – Eu vou vigiar o acampamento para você, sou melhor observando de longe.
–Otimo, agora que todos encontraram suas funções vamos definir uma coisa importante. – Howard falou encarando todos ali. – Todo mundo sobrevive. – Ele falou firme.
Houve um momento de seriedade e respeito, eles estavam juntos agora, para lutar até o fim em nome da sobrevivência. – E Angel, me desculpe pelo ciúme exagerado, eu não devia....
–Tem razão Howie, você não devia. – Ângela pensou em virar as coisas e sair, mas não iria deixá-lo na mão, não agora que todos precisavam ficar juntos. – Sabe, isso é ridículo, você estava ai todo gato sem camisa andando com a Charlie para todos os lados dessa maldita Ilha e eu não fui jogar isso na sua cara quando o encontrei, você nem sequer perguntou o, porque das coisas e já partiu para a briga, isso não é certo, se quer manter isso funcionando você precisa confiar em mim.
–Eu confio em você. – Howard falou firme.
–Iiiii hora da DR, é melhor trazer o dinossauro de volta. – Jackson falou passando por eles e subindo em uma arvore para montar guarda.
–Não Howie, você confia em mim para salvar sua vida, não para ser sua namorada, mas quer saber eu estou meio cansada disso, você quer que eu seja um exemplo, porque você nunca foi um. – Ângela estava determinada, ela não entendia o, porque, mas sentia que precisava dizer tudo aquilo.
–Ângela o que está dizendo? – Howard perguntou dando alguns passos para á frente receoso.
–Eu quero um tempo, acho que nosso relacionamento começou muito intenso e por motivos errados, eu estava me sentindo carente e você queria algo especial, acho que precisamos pensar se é isso mesmo que queremos. – E com isso Ângela saiu de cena indo em direção as poucas amoreiras que ainda estavam inteiras.
–Cara ela pegou pesado com você. – Charlie falou se aproximando, mas Howard não parecia entender o que tinha acabado de acontecer.
–Isso nunca aconteceu antes. – Howard riu seco, sentindo o sabor amargo da rejeição, então era assim que todas as garotas que ele havia dispensado se sentiam?
–Sempre há uma primeira vez para tudo, eu sei disso agora, mas ela está nervosa, você a desrespeitou hoje de uma forma que garotas como ela não aceitam. – Charlie falou calma olhando para Ângela que agora falava com Lacey.
–“Garotas como ela?” Você não se considera uma garota como ela? – Howard falou olhando para Charlie de forma divertida.
–Não, eu não cometeria esse erro, eu não nasci para ser a garotinha perfeita, a jovem virgem que espera o cara certo, eu não sou a garota certa de ninguém.
–Nate sabe disso? – Howard perguntou de forma comedida, ele sabia que estava afundando em um território perigoso.
–Nate sempre soube como eu era, por isso estamos meio que juntos, não somos o casal 20, mas temos nossos conceitos.
–Deve ser interessante viver assim, sem conflitos.
–Nada é tão fácil quanto parece Howie, se quer saber eu estou com medo de perdê-lo nesse exato momento.
–Você é uma garota legal Charlie, eu não duvidaria disso. – Howard sorriu e deu um beijo no rosto de Charlie antes de seguir para o recém formado acampamento, eles precisariam de lugares para dormir, mas o chão provavelmente seria o melhor lugar.
Ângela tentava esconder as lágrimas, ela havia se afastado um pouco do perímetro do acampamento, não queria que ninguém a visse desse jeito, Lacey havia ficado com as frutas e todos os outros estavam em suas tarefas, ela só precisava de um pouco de espaço para superar o impacto de sua decisão, ela amava Howard, mas sabia que aquela era a melhor decisão para salvar o relacionamento deles, os dois estavam juntos á tão pouco tempo, mas Howard a tratava de uma forma que mais lembrava um troféu sendo exibido para os outros, era como se o romantismo verdadeiro não existisse mais e ela não queria ser apenas mais uma conquista na vida dele.
–Você não acha que foi dramática demais com ele? – A voz de Jackson afundou nos pensamentos de Angel.
–Me deixe em paz. – Ela falou virando de costas para ele e encarando a lua.
–Você é uma boa garota Angel, eu nunca conheci ninguém como você e tenho certeza que ele também não e é justamente ai que mora o perigo. – Jackson falou calmamente sentando-se ao lado da loira.
–O que? Vai querer dizer agora que a culpa ainda é minha? – Ângela parecia indignada com aquela possibilidade.
–Não é bem assim, eu quero dizer que homens como a gente não está acostumado com garotas como você, não sabemos como lidar com isso. – Jack colocou a mão sobre as mãos de Ângela que acabou ficando constrangida. –Viu o que eu disse, você é tão sensível, e delicada, tímida e romântica, homens não sabem lidar com isso, eu olho para você e tenho vontade de tirar sua roupa aqui mesmo, e tenho certeza que com Howard é a mesma coisa, então dá um tempo para ele, não entender as mulheres é um pré-requisito para ser homem. – Jack falou rindo com seu jeito sedutor de sempre.
–Ei Jack, obrigada eu acho, você realmente é um cara legal, me desculpe de novo por ter sido idiota lá atrás. – Ângela falou com um sorriso ainda meio triste.
–Cara eu já disse isso, você detonou um T-Rex, qualquer coisa que tenha feito ficou no passado. – Jack piscou e saiu dali deixando Ângela com seus pensamentos sobre tudo, desde o dia em que chegou na academia até aquele momento.
–Acho que está na hora de ser uma menina má. – Disse a loira para si mesma, se ela sobrevivesse a Ilha iria provar a todos que podia ser uma mulher de verdade e não apenas a menina assustada.
{...}
Base de Observação da Ilha – Porta aviões da SHIELD.
O lugar era enorme, vários aviões de guerra, helicópteros prontos para qualquer emergência, e uma equipe de agentes treinados, Fury havia pensado em tudo, ele sabia que as coisas poderiam ficar perigosas.
Algumas pessoas eram responsáveis pelo sistema de monitoramento de cada individuo na Ilha, assim como a manutenção dos obstáculos, Clint Barton normalmente controlava esse grupo, mas desta vez não quis se aventurar, seria ruim demais ser o responsável pelas ameaças que iriam atacar seu próprio filho.
Charles Xavier e Emma Frost estavam a bordo também, eles não se sentiam muito a vontade com aquela situação, mas Charles tinha uma neta e uma filha naquele lugar e não iria deixá-las sozinhas, assim como Emma queria estar por perto se algo acontecesse a Kate.
Logan permanecia na Torre de comando com Tony e Bruce, ele queria ver de perto tudo o que estava acontecendo, Gery estava lá em algum lugar, assim como Lacey, a garota que jurou proteger um dia, sem falar em Kate, a jovem que lentamente havia conquistado seu coração de uma vez por todas.
–Como está tudo? – Disse a voz firme de Fury, ele sabia que aquela idéia de mandar os jovens a Ilha poderia ser arriscada, mas era a o melhor para prepará-los para enfrentar Magneto.
–Eles estão indo muito bem, até agora todos estão vivos, acho que esse ano as coisas serão melhores. – Disse Hill procurando de forma discreta as imagens do filho.
–Ele vai ficar bem Hill. – Disse Fury com um sorriso quase imperceptível. – Ele já passou por isso uma vez, ele sabe como tudo funciona, ele será um dos melhores.
–Ou morrerá tentando. – Maria respondeu de forma dura enquanto se levantava e saia da sala.
–Dê um tempo a ela, essas coisas são difíceis de aceitar. – Natasha falou olhando para Nick que apenas a fitou com seus pensamentos.
–Acho que ninguém conseguiu aceitar isso ainda. – Fury respondeu para a ruiva que apenas sorriu. – Ninguém.
Natasha apenas olhou mais uma vez para a tela, seu filho ainda estava vivo e isso era tudo o que ela precisava saber, mas tinha medo que essa tranqüilidade não durasse para sempre.
–Howard está mostrando um lado que ainda não conhecíamos, Stark nunca teve esse senso de liderança. – Natasha falou tentando mudar o foco da conversa para algo mais profissional.
–Tem razão, assim como Angela Banner, ela não parecia ter um futuro tão certo na nossa organização, mas o apoio que ela dá ao Stark parece ser fundamental, também posso dizer que Charlie também teve muita evolução. – Fury falou esparramando algumas fichas na mesa até encontrar o perfil de Charlie.
–Lacey parece ser a mais centrada, ela é importante para esse primeiro grupo e acredito que Jeremy também seja. – Natasha falou olhando algumas informações colocadas na mesa.
–Sim, os dons de Lacey vão ajudar muito, assim como Edward, apesar dele não querer usar os dons que possuí, bom, ninguém aqui pode culpá-lo por isso, seu passado é recheado de conflitos e torturas. – Fury sabia que á maioria dos jovens ali tinham problemas vindos de algum momento trágico de suas vidas.
–Estou preocupada com Stefan também, ele é nossa responsabilidade assim como Seth, acha que ele vai perder a cabeça em algum momento? – Natasha perguntou torcendo para que isso não fosse um problema.
–Eu não sei, mas vamos torcer para que tudo acabe bem para todos. – Fury olhou mais uma vez para as fichas, ele sabia que aquela era uma tarefa difícil.
–Acha que todos eles vão sobreviver? – Natasha perguntou com um olhar sério, mas era possível ver a emoção por trás de suas palavras.
–Não posso afirmar isso. – Fury parecia entristecido por não poder dar segurança a sua agente, mas ele faria de tudo para manter o controle das coisas e a proteção dos seus jovens promissores.
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