Academia De Fadas

44 Capítulo 44 — Dizer Adeus


Notas iniciais
Olá meus amores, como estão? *000* Quero agradecer a todos os comentários, fiquei muito contente *--* E a todos que favoritaram a fic *000* Sinto que vocês ficarão muitos tristes e magoados nesse capitulo, mas enfim, até as notas finais ♥ ♦ Capítulo reeditado

Capitulo 44 Dizer Adeus

Não tenha medo de continuar
Não tenha medo de desistir
Seria melhor você saber que no final
É melhor falar demais do que nunca dizer o que você precisa dizer de novo

Lucy

Parece que a cada dia que passa, tudo se torna ainda mais estranho. Faz algumas semanas desde o ocorrido no salão de eventos. Desde então, Natsu falou comigo uma vez ou outra. Estamos simplesmente fingindo que nada aconteceu, mas é bem complicado esse fingimento sendo que toda vez que nos falamos fico inquieta e ele com uma expressão distante. A verdade é que dói estar perto dele. Quando ele chega perto de mim, sinto que posso morrer.

Ainda mais estranho, é que ele parece ouvir mesmo minhas preces. Ele não tem aparecido muito nas aulas ou tem chegado atrasado. Sempre que o olho, está debruçado sobre a carteira e penso se está mesmo dormindo ou se está tão desinteressado. Às vezes me pergunto o que ele tem feito para estar assim. Os professores têm reclamado sobre sua falta de atenção e foco em um ano tão decisivo. Começamos a fazer nossas entrevistas sobre a carreira que queremos seguir e sinceramente não faço ideia do que pretendo. Então olho para Natsu e tenho aquele desejo oculto de descobrir o que ele fará.

Quero dizer, não estou preocupada com ele, nem nada do tipo. É só curiosidade. É como eu tenho chamado.

Mais significante que tudo isso, Sting voltou a falar comigo. Não que em algum momento a gente tenha parado de se falar, mas sei que nos afastamos muito. Ele parece diferente e incrivelmente determinado a ficar comigo novamente. Isso mesmo. Suas indiretas estão cada vez mais intensas e eu realmente não sei o que responder. Porque eu ainda penso em Natsu. Seria simples esquecer tudo e começar de novo, não? Bom, eu ainda pretendo tornar isso simples.

Reparei então que não sei muitas coisas. Como me odeio por isso.

O trabalho hoje foi bem movimentado. Estou exausta depois de tantos pedidos. Como este ano muitos de nossos amigos pretendem prestar vestibular, Levy fez uma mega propaganda da livraria e deu certo. Muitos estudantes apareceram por aqui, mesmo aqueles que são de outras salas. Demos a ideia para o gerente de abrir uma ala para estudos, como uma biblioteca. Quem sabe isso acabe bem?

Levy irá fazer letras. Ela disse que sempre sonhou com isso, em aprender sobre várias linguagens e conhecer o mundo. Eu sorri quando perguntei a ela, porque realmente não a imagino em outro curso. Erza irá fazer direito, Cana pretende cuidar dos negócios da família — um bar local — e Juvia parece que ajudará em um aquário da cidade. Todos tão decididos, sinto até certa inveja. Mas de coração, espero que todas se deem bem na vida.

Não tenho falado com Lisanna, ela parece ter se afastado da maioria de nós. Levy diz que a encontra na Fairy Hills e conversam normalmente. Talvez seja mesmo comigo. E não que eu fique reparando, mas ela e Natsu tem conversado bastante, ainda mais agora que ela está sentada ao seu lado. Já falei que não quero mais pensar nele?

A porta da livraria se abre novamente. Respiro fundo.

— Boa tarde, posso ajudá-la?

Tenho impressão de já ter visto essa garota antes.

— Boa tarde Lucy, estou procurando por livros de economia.

Adoro quando pessoas que não sei o nome, me chamam pelo nome. Na verdade, isso aconteceu tanto antes que apenas assenti e a levei até uma das estantes. Então minha curiosidade venceu.

— Nos conhecemos? — pergunto diretamente.

Ela riu.

— Sou Ultear, da sala B — explica com um sorriso — Acho que não se lembra de mim no acampamento, mas costumo conversar com Gray. Para ser sincera, sei seu nome de tanto Sting mencionar em nossa sala.

Sinto meu rosto corar com seu comentário. Apenas balanço a cabeça para mostrar que entendi, porém ela está concentrada na procura por livros. Sting tem falado de mim? Ela conversa com o Gray? Juvia sabe disso? Bom, como já falei antes, nunca conversei muito com ele, apenas de tabela por ser amigo de Natsu. E como Natsu e eu não temos conversado também, tudo virou consequência. Ouvi a porta abrir novamente. Cadê a Levy-chan?

— Se precisar de algo, me avise — falei, me retirando.

Suspirei novamente, sentindo minhas pernas doerem. Então o que começou mesmo a doer foi meu coração.

— E aí? — Natsu cumprimentou sem jeito.

— Ah — deixei escapar com minha surpresa, mas me recompus — Posso ajudá-lo?

— Provavelmente — brincou, me fazendo rir sem ter a intenção. Está confraternizando com o inimigo, Lucy? Ele olhou para os lados, retirando de seu bolso um papel amassado — Preciso deste livro.

Pego o papel de suas mãos, tentando não encostar nele.

“Princípios da Administração 10ª Edição, Lewis”

Administração? Fico olhando para o papel por algum tempo até perceber quantas teorias malucas tirei disto e despertar. Pare de agir como um maluca na frente dele!

— Certo — digo para ele ver que estou viva — Por aqui.

Começo a guia-lo pela livraria, sentindo meu nervosismo querer tomar conta de meu corpo. Subo uma pequena escada que leva para outra ala e passo a escutar até meus passos e minha respiração. Será que ele pode ouvir meu coração acelerado? Cadê a droga da estante com livros de administração? Quando finalmente a avistei, sinto que corri até ela.

Fico diante dela, procurando pelo autor. Tenho certeza que o vendi esses dias. Natsu fica ao meu lado, olhando para todos aqueles livros. Que clima horrível.

— Você fará administração? — minha voz soa mais rápido do que minha mente podia processar. O que está fazendo? Está interessada nele? Tossi com meus pensamentos — Quero dizer, para você querer um livro destes — tossi de novo — Não que seja da minha conta.

Ele começou a rir. Senti meu rosto avermelhar com o desastre da minha curiosidade sem fim. Mas não parecia rir exatamente de mim, mesmo eu sabendo que isso seria mentira. Sua risada foi suave e até mesmo cansada.

— Pretendo — responde simplesmente.

— Ah — foi tudo o que consegui murmurar.

Um silêncio se formou, enquanto eu ainda procurava pelo livro. Será que acabou? Por que eu não pesquisei antes de vir até aqui?

— É este aqui — Natsu disse, pegando um dos livros da estante.

Olhei para ele, pasma. Bela vendedora. Levantei-me do chão, batendo em meu jeans, enquanto Natsu esperava eu passar. Que comece a longa caminhada. Andamos em silêncio novamente, odeio silêncios. Eu costumo falar demais e isso realmente me deixa desconfortável.

— Nunca imaginei que faria administração — arrisco, sem olhá-lo.

Ele fica pensativo por alguns momentos até responder:

— Nem eu.

Eu pensei que a resposta viria acompanhada de alguma risada bem humorada, ou alguma piada, mas não. Natsu parecia em outro mundo. Então apenas o deixei em sua dimensão, sem falar mais nada. Chegamos ao caixa, passei o produto, ele pagou, tudo como se fossemos robôs.

— Obrigada — agradeço ao entregar o livro para ele.

— Eu que agradeço — responde, indo em direção a porta, mas ele para e se vira novamente para mim — Lucy — chama com certa determinação.

— Oi? — falo, já sentindo meu coração querer sair.

— É... — ele sussurra, parecendo confuso — N-nada — sorri, balançando a cabeça — Até amanhã.

E dessa vez ele foi embora.

Enquanto eu fiquei ali, com o coração na mão e sem entender nada.

―×―

Erza

Hoje, o dia está maravilhoso! E pensar que esse é o último ano me dá ainda mais forças para aproveitar ao máximo. Caminho em direção a escola, juntamente com Levy e Juvia. Preciso sempre chegar cedo por ser a presidente do conselho e como elas moram sob o mesmo teto que eu, eu as arrasto. Claro que é para o bem delas. Elas não se importam nem um pouco.

— Estou morrendo de sono — Levy murmura, bocejando e com os olhos praticamente fechados.

— Por que Juvia também foi arrastada? São apenas seis horas! — Juvia se queixa, esfregando os olhos.

— Olhem para a linda manhã que vocês perderiam! — insisti.

— Manhã? — Levy perguntou forçando os olhos — Eu nem a enxergo ainda.

Garotas exageradas e nada otimistas. Tentei outra forma para levantar o astral do dia.

— Juvia, hoje pode ser o grande dia! — digo olhando para a outra azulada com os olhos brilhando.

— Juvia não se importa de ser a grande tarde — murmurou, parecendo um zumbi.

Qual o problema com elas? Temos que aproveitar nossa juventude com todo nosso fervor! Quem sabe onde cada uma de nós estará ano que vem? Talvez a gente nem se encontre mais!

— Olhe só o que temos aqui.

Então sem percebermos, estávamos indo em direção a um grupo de garotos. Eles começaram a se aproximar com suas caras suspeitas e maliciosas. Odeio gente assim. Cansei de ser usada para algo que não quero.

— Fiquem para trás, garotas — digo, dando um passo à frente.

Os garotos se entreolharam.

— Parece que temos uma durona hoje — um deles comentou e os outros deram risada.

— Erza, isso não é uma boa ideia — Levy sussurrou atrás de mim — Vamos apenas ignorá-los e ir direto para a escola.

Juvia concordou.

— Estaremos seguras lá.

Eu apenas ri. Deve ter sido uma risada muito estranha porque todos pareciam inconformados olhando para mim.

— Nem pensar que vou deixar alguém estragar minha linda manhã — falei, tirando de minha bolsa um cano de metal.

Comprei por esses dias. É claro que sempre tive um desses comigo, mas o antigo era muito grande e não consigo carrega-lo para muitos lugares. Esse tem o tamanho regulável e parece a situação perfeita para testá-lo. Às vezes me pergunto se é por isso que tantos sentem medo de mim.

— Vem cá boneca — um deles se aproximou.

Olhei para aquele mínimo cano em minhas mãos e fiquei pensando o que deveria fazer. Então com um movimento brusco para a frente, o cano se estendeu com tudo até a barriga do cara e ele foi jogado para longe. Nossa! Pensei ao olhar para o cano agora cumprido. Isso é realmente bom.

Os garotos olharam para o outro no chão e depois voltaram a me olhar.

— Você vai ter que pagar por isso!

Três deles vieram para cima de mim. As garotas soltaram um grito e foram para trás. Não temam caras idiotas assim. Peguei impulso com o cano em direção a eles. Um deles tentou alcançar a ponta para tirar de mim, então o inverti na horizontal e os empurrei. Outro segurou em meu pulso num momento de distração, usei minha força para investir o cano em seu estômago.

Menos um.

Virei-me rapidamente para brigar com o outro cara, que vinha com uma faca. Peguei novamente impulso, fincando o cano no chão e parando em suas costas. Passei o cano por entre seus pés, o fazendo cair. E depois sentindo o último vindo por minhas costas, virei com força e mirei em seu membro inferior, acertando em cheio com meu joelho. Que nojo.

Arfei diante da cena dos quatro garotos caídos.

— Caramba... — ouço as garotas murmurarem.

Até escutar passos em nossa direção. Será que eles tinham companhia? Viro-me no sentido do som e então o vejo.

— Meu Deus. Erza está tudo... — Jellal aparece arfando, e então olha para a aquela cena.

Escondo o cano atrás de mim na mesma hora.

— Je-Jellal — gaguejo, tentando sorrir normalmente.

Não tenho vergonha de ser quem sou, mas não queria que ele visse desta forma. Aliás o que ele pensaria de mim?

— Cuidado! — gritou, pulando em cima de mim.

Olho para o lado e vejo que o primeiro cara se recuperou. Levanto com força.

— Qual o seu problema? — grito, pegando meu cano de volta — Quer brigar?

Então ele olhou para o lado, vendo a situação de seus amigos e saiu correndo. Melhor assim. Bufo, irritada. Já foi bastante chato ter que... AI MEU SENHOR DA GLÓRIA. Olho para trás e vejo os três me olhando, assustados. Jellal está assustado! Ótimo Erza.

Mas depois ele apenas sorriu.

— Imprudente como sempre — comentou, me estendendo a mão — Lembre-me de nunca brigar com você.

Dei uma risada nervosa, aceitando sua mão.

— Nos lembre de dizer que a manhã está linda — Levy comentou.

— É um grande dia hoje, não? — Juvia brincou.

Todos rimos. É mesmo uma linda manhã.

―×―

Gray

Acordei cedo demais. Detesto quando isso acontece, só de pensar o quanto eu poderia dormir a mais, fico mais cansado. Infelizmente o sono não retornou, então apenas arrumei minhas coisas e fui para a aula mais cedo. O céu está incrivelmente claro hoje, talvez seja um bom dia aliás.

Cheguei na sala e me debrucei sobre a carteira. Só me resta esperar o tempo passar. Mas não demorou muito para ouvir os alunos chegando. Levantei minha cabeça quando percebi que a sala estava quase cheia. Foi então que a esquisitice começou. Estava arrastando meu olhar pela sala, quando parei sobre o grupo de garotas na carteira de Lucy, e ainda pior, estavam todas me olhando. Arqueei as sobrancelhas, e elas sorriram maliciosamente em minha direção. O que tá rolando?

Não sabia que era tão irresistível assim, até todas começaram a vir na minha direção. Todas de uma vez? Queria me sentir feliz, mas sinto que estou é ferrado.

— Bom Dia Gray! — Levy cumprimenta com uma animação suspeita.

Gajeel aparece logo ao lado dela, lhe dando um selinho e depois me olhou.

— E aí, princesinha?

— O dia não está maravilhoso, Gray? — Erza ficou bem na frente da minha carteira com um sorriso estranho.

A Erza está sorrindo? É pior do que eu pensava. Onde fui me meter?

— Olá, garanhão — Cana disse rindo como louca.

Sinto que estou sem expressão nenhuma, com todos meus nervos gritando para que eu fuja para o lugar mais longe possível.

— O que vocês querem? — pergunto com desconfiança.

— Para que esse medo todo cara? — Gajeel bate em minhas costas.

— Porque me sinto como uma presa cercada — respondo diretamente.

Lucy aparece ao meu lado esquerdo com um sorriso brilhante. E olha que faz muito tempo que não a vejo sorrir para valer. É pior do que uma presa cercada.

— Querido Gray — Lucy cantarola, pondo a mão em meu ombro.

Puta que pariu, estou muito ferrado.

— É o julgamento final? — questiono, não sabendo para quem olhar.

— Não, bobo — Erza fala com um sorriso maquiavélico, pelo menos é assim que enxergo — Tem uma amiga nossa, que você já sabe quem é, muito afim de você. Então pensamos em vir aqui e pedir para você dar uma chance para ela.

Ah, é isso. Precisa mesmo vir metade da sala até minha carteira para falar isso? E por que a Juvia não vem pessoalmente e fala? Pensando nisso, mesmo depois de todas as loucuras dela, ela nunca me pediu para ficar com ela seriamente. Vai entender como funciona a cabeça dela. Talvez ela quisesse ganhar por cansaço.

Mentira. Teve uma vez que ela simplesmente chegou em mim e disse que me amava. Claro que não consegui pensar em nada, então não falei nada. Daí ela saiu correndo e chorando.

— Olha gente, eu sei que... — começo a argumentar até ser cortado.

— É só um beijinho! — Levy me interrompe fazendo sinal com o dedo.

— Qual é, deixa ela ao menos sentir o gosto! — Cana continuou.

— Fica com ela! — Erza parecia implorar.

— Você não vai morrer se fizer isso! — Lucy praticamente parecia querer pular em cima de mim.

Parece que vou morrer se não fazer isso. Olho para todos aqueles olhares ansiosos sobre mim e suspiro.

— Tá, tá — concordo por impulso — Só um beijo.

Todos sorriram como idiotas e saíram dali. Assim que Juvia ia entrar na sala, arrastaram ela para fora. Na verdade, ela pareceu bem confusa com aquilo como se não soubesse de nada. Eles não prestam mesmo. Fiquei ali, batendo os dedos na mesa aguardando algum próximo passo do “procedimento”. Reparei que estava nervoso, ou talvez eu tenha muitos tiques e nunca percebi.

Erza apareceu na porta fazendo um sinal para que eu saísse. Assim o fiz, passei pela porta e todo o grupinho estava lá reunido para me mandar para a fogueira.

— Ela está te esperando no fundo da escola — Lucy disse com um sorriso.

— Seja gentil, caso queira continuar vivo — Erza me “encorajou”.

Apenas balancei a cabeça e fui. Ainda estava meio atordoado com todo esse esquema, mas não tinha como fugir mais. Esse tipo de coisa me lembra o ensino fundamental. Andei a passos lentos até lá, sem saber o que esperar. Faz mais de dois anos que estudo com Juvia, e desde então ela sempre foi a “perseguidora fanática”. Não sei o que deveria significar para mim ficar com ela, mas sinto que algo mudou. E tenho medo disso.

Logo a vejo encostada na parede, ela sorri ao ver minha aproximação. Fico de frente para ela, até perceber sombras atrás da parede. Paparazzi, que legal. Olho para ela, ela para mim. Me sinto complemente sem graça e sem ação. Gray, você já ficou com quase metade da escola, o que está acontecendo?

— Então... — tentei começar algum assunto para o clima melhorar, mas a frase não se formou em minha mente.

Ela olhou para os lados e parecia tremer. Vê-la assim faz eu reparar como... ela é só uma garota. Vejo ela todos os dias como a louca que me persegue, mas assim, Juvia parece mesmo uma garota. Feminina, frágil e meiga. Ela segura as mãos com força em sua frente e mal consegue me encarar. Perceber isso... me deixou sem reação.

— Gray — pronuncia, quebrando o silêncio.

Sua voz está séria como nunca vi, e ela me chamou por meu nome, sem um “sama” estranho para acabar com o clima de vez. Odeio ter que admitir que me surpreendi. Odeio admitir que meu nome fica legal na voz dela. Odeio admitir que meu coração parece ter acelerado por ouvir ela me chamar.

— Hm? — murmurei em resposta.

Ela finalmente me olhou. Então fiquei ainda mais surpreso por nunca reparar que os olhos dela são de um azul tão profundo. E o quanto eles brilham ao me ver. Seu rosto levemente corado é tão... doce. Juvia encosta uma das mãos em minha camiseta, me deixando ainda mais espantado. Ela respirou fundo de olhos fechados até finalmente me encarar de novo.

— Eu te amo — disse firme, parecendo segurar a respiração.

Acho que fui eu quem prendi a respiração. Ela disse isso uma vez e eu não soube responder. Ouvir de novo e de maneira tão... serena é um choque para mim. Ela sempre deixou claro tudo o que sentia por mim, mesmo sem ter que pronunciar essa frase. Mas ouvir aquilo diretamente dela é assustador. Fiquei parado, olhando fixamente em seus olhos intensos e sua face corada.

Então acabei com meu nervosismo, puxando ela para perto de mim e a beijando. Foi tão rápido como meu corpo se movimentou que me surpreendi. No momento em que meus lábios tocaram os dela, senti algo eletrizante correr por meu corpo. Estranho, muito estranho. Mais estranho ainda é que beijá-la, é bom. Ela ficou estática no começo por meu ato repentino, parecia com medo, mas depois me abraçou. Fiz questão de colar meu corpo no dela quando impus minha língua em sua boca. Juvia me apertou.

Mas me dei conta que estava fazendo merda, então a soltei. Olhei para ela como se fosse algum tipo de veneno e dei alguns passos para trás, ainda atordoado.

— Algum problema? — ela perguntou ao ver minha reação.

— Juvia... — comecei a falar, sem saber exatamente o quê — Eu não sou o tipo de cara que você deve amar — continuei, refletindo sobre eu mesmo e sobre tudo o que senti quando a beijei.

É intenso demais. Eu quase pude sentir em seus toques seus sentimentos por mim e isso é apavorante.

Ela deu um passo para frente.

— Não é algo que eu possa escolher — afirmou, parecendo uma pessoa completamente diferente. Quando ela parou de se referir a si mesma como terceira pessoa?

— Mas você pode mudar — repliquei rapidamente — Eu não quero nada sério — comecei a falar, vendo sua expressão se alterar — Eu sou egoísta e não entendo nada sobre sentimentos. Eu achei que podia vir aqui e ficar com você por pena, mas não é justo com você.

Quando foi que fiquei tão sincero? Juvia parece querer chorar e de repente me senti o cara mais imbecil do universo. Já me senti um mulherengo maldito, mas nunca assim. Nunca como se eu fizesse algo realmente ruim para outra pessoa. Ela começou a olhar para os lados e comprimiu os lábios, até voltar a me olhar.

— Eu não preciso da sua pena — retrucou com a voz irritada. Há mais alguma coisa dela que eu não sei? — Não sou idiota, Gray — continuou a falar, e as lágrimas começaram a cair — Sei que faço esse papel, correndo atrás de você como louca, mas não sou. Posso ser persistente e maluca, mas não sou idiota — afirmou outra vez e eu apenas fiquei parado — Acho que eu sempre soube que você não queria nada comigo, então fiquei tão feliz quando eles disseram que você queria ficar comigo. Mas me enganei — engoliu a seco, passando a mão pelas lágrimas — Me enganei sobre a pessoa por quem me apaixonei também.

Então ela apenas se virou e saiu. Olhei para seus cabelos cacheados em suas costas, enquanto ela se afastava cada vez mais. Suas palavras continuaram a perfurar meu peito. Por que importa tanto? Ela não é só uma perseguidora fanática?

O que diabos aconteceu aqui?

―×―

Natsu

Sinto-me completamente esgotado fisicamente e psicologicamente. Não bastasse minha vida amorosa ter pulado do abismo, minhas notas estão seguindo o mesmo rumo, enquanto minhas faltas sobem a ladeira. Esfrego a mão pela cara e olho para a papelada na minha frente. Tenho ajudado meu pai na empresa, então meu tempo tem se dividido em trabalhar, trabalhar, trabalhar, estudar e dorm... opa, dormir não. Faço isso na escola. Olho para o relógio e me assusto. Droga.

— Pai, estou indo para a aula — gritei na frente de seu escritório.

— Tudo bem filho, obrigada pela ajuda — respondeu.

Sai correndo de lá, mesmo sentindo que não estava saindo do lugar. Meu corpo está mole e cansado. A escola é longe pra caramba. Preciso tirar uma carteira de motorista logo. Vou chegar atrasado de qualquer forma, talvez seja melhor pegar o metro.

[...]

Ouvi o sinal tocar, enquanto eu ainda corria pelas ruas. Bem na hora, é um milagre. Corri ainda mais parar chegar na sala antes do professor e me sentar. Estava arfando. Vou morrer jovem, é fato.

— Você está bem, Nat-kun? — Lis perguntou assim que viu minha situação.

— Morrendo, mas ainda vivo — ironizei, fazendo ela rir.

É estranho esse novo mapeamento de sala. Gray continua do meu lado, enquanto Lisanna ocupa o outro lado. Jenny está na minha frente e um cara que nem lembro o nome está atrás. Fico feliz por ter Gray e Lisanna aqui perto, mas... às vezes me pego olhando para o outro lado da sala, querendo está lá. Jenny conversa comigo também. É estranho. Ela é... “atirada” demais. Tem dias que ela chega e pisca para mim, ou se senta de forma provocativa. Tento ignorar tudo isso.

Só então reparei no meu melhor amigo desolado em sua carteira, parecendo pensar mais do que já pensou em toda sua vida. O que aconteceu? E por que diabos metade da sala não está aqui? Reparo em outras carteiras vazias.

— Que cara é essa? — pergunto para Gray, que parece nem me escutar — Ow! — chamei outra vez em vão, então o cutuquei para não chutar sua carteira — Gray!

Ele finalmente se virou para mim com seu olhar de poucos amigos.

— Que foi? — fala, seco.

— Nada — replico — Só vendo se você está vivo ou se virou a nova decoração da sala.

Gray suspira com meu sarcasmo e volta para seu mundo. Vai entender. Abro meu caderno procurando pela matéria. O professor entra na sala juntamente com o resto da turma. Vejo os olhos inchados de Juvia e penso “Ah, foi isso”. A aula começou e eu nem percebi quando simplesmente pisquei e cai no sono.

Sinto algo cutucar meu braço e me sinto perdido. Já está na hora de acordar? Abro os olhos pesarosos e vejo Lis na minha frente com uma expressão preocupada.

— Acorda Nat-kun! Já é intervalo — explicou, sorridente.

— Ah, sim — digo, arrumando minha postura e olhando em volta.

Minha cabeça dói. Estou na escola? Meu olhar se arrasta até parar sobre Lucy que me olha também. Ela também tem uma expressão preocupada no rosto e morde seu lábio inferior de leve. O mundo nem precisava existir mais. Ela desviou o olhar e se levantou para sair. Não entendo o que acontece entre a gente. Nas vezes que ela me olha desse jeito, ainda posso me ver lá dentro. Mesmo assim, não há nada que eu faça para conseguir que Lucy volte.

— Nat-kun, podemos conversar? — Lis volta a se pronunciar e eu volto a olhá-la.

— Claro — respondo com um sorriso.

Levantei-me preguiçosamente de lá e nos encaminhamos para os bancos perto do banco. Parece que esse é oficialmente o lugar para conversas embaraçosas, e não estou muito ansioso por essa. Na verdade, estou com expectativas. Eu... sei que Lisanna fez alguma coisa aquele dia. Não sei o que, não sei como. Mas sei também que não é uma má pessoa. Por isso, não pude simplesmente virar a cara para ela. Estou aguardando o dia que ela virá por contra própria. Mesmo que nunca aconteça.

Sentamos um ao lado do outro. Até finalmente ela me olhar.

— Você nunca me respondeu... — disse diretamente, sem graça.

Olho para ela, um tanto surpreso. É verdade. Aconteceu tanta coisa que até me esqueci disso. Não é algo a se esquecer, idiota.

— Ah... — murmurei mais para mim do que para ela.

Eu realmente pensei em muitas coisas sobre minha vida. E não tenho dúvida que ela irá mudar radicalmente este ano ou no próximo, ou talvez nos dois. Pensei em dar uma chance para Lis. Aliás, ela me ama e eu já gostei dela. Mas ficar com alguém onde os sentimentos não se equilibram é certo?

— Nat-kun? — chamou minha atenção.

— Lis... — começo a falar, mesmo sem saber ao certo. Eram tantas coisas engasgadas há tanto tempo — Desculpe, não posso corresponder seus sentimentos — digo sério e olhando diretamente para ela.

Eu preciso fazer isso, preciso deixar claro. Seus olhos começam a marejar, mas sei que tenho que continuar.

— Eu deixei de te amar há muito tempo Lis. Sinto um carinho enorme por você, por te conhecer desde criança, mas... é só. Eu sei que devia ter te respondido antes, mas você sempre foi minha amiga, quase uma irmã, e eu não queria te magoar. Mas eu preciso deixar claro as coisas para você, porque você merece saber.

Falei tudo rapidamente como se as palavras só quisessem sair. Tomei fôlego para voltar a falar, mas ela me cortou.

— Não! — gritou inconformada como se já soubesse o que viria.

— Lis — falei calmamente — Eu amo a Lucy — finalmente deixei claro, e ela continuou inconformada — Você precisava saber disso. Mesmo que não estejamos juntos hoje e que o mundo conspire contra nós, eu a amo.

— Por que Natsu? Ela só te ignora e grita com você o tempo todo! Ela é desajeitada e nunca te valoriza. O que ela pode te dar que eu não posso? — perguntou tudo de uma vez mexendo os braços.

Encostei as mãos em seus ombros para ela se acalmar.

— Ela pode me dar o amor dela — murmurei — Não é você Lis. Sei que não quer escutar isso. Sou eu, é ela. Eu mesmo não entendo, mas aconteceu. E eu não posso continuar me enganando ou te enganar.

— Eu não ligo Nat-kun — sussurrou, com as lágrimas começando a cair — Pode me usar para esquecê-la. Se você ficar comigo, provavelmente vai me amar um dia. Eu posso esperar!

Isso é desespero demais. Era quase consolador saber que alguém se sentia assim por mim. Mesmo não sendo a garota que eu queria.

— Lis, está se escutando? — perguntei indignado, quase a chacoalhando — Você merece alguém que te ame, e eu não sou esse cara! Eu realmente queria poder te amar na mesma intensidade, seria mais fácil para mim também. Mas eu não controlo isso — só então reparei que estava gritando.

Eu parecia o desesperado. Talvez eu seja. Ela ficou quieta e depois começou a chorar. Por um momento me senti a pior pessoa do mundo e a abracei. Sussurrei um milhão de desculpas. Mas ao mesmo tempo acho ridículo pedir desculpas por não sentir o que ela quer que eu sinta. Alguém consegue controlar a porra do coração?

O amor não é pra ser fácil.

Após algum tempo, não me senti tão mal. Eu estava aliviado. Finalmente pude dizer a verdade, e dizer em voz alta foi como dizer a mim mesmo. Então tomei uma decisão quanto aos meus sentimentos. Algo que eu deveria ter feito a muito tempo.

―×―

Lucy

Sai da escola, sentindo-me um pouco abatida. Desde aquela vez que Natsu me chamou na livraria e saiu sem dizer nada, estou agitada. Não entendo o motivo, mas tinha algo em seu olhar tão significante que me deixou nessa inquietação. Ele anda tão estranho. Eu não deveria me preocupar, não mesmo. Naquele dia do salão de eventos tomei minha decisão final e vou segui-la até o fim. Além disso, hoje quando, por um breve momento, nossos olhares se cruzaram, ele novamente fez parecer que precisava me dizer algo, mas não disse. Depois ele simplesmente saiu da sala com a Lisanna.

Acho que eles estão mesmo juntos. Agora que ela está sentada ao seu lado, vejo como se tornaram íntimos. Às vezes me pego olhando para o outro lado da sala e fico pensando se teria sido diferente sentar por lá. Também fico lembrando das coisas que ele disse, e da maldita carta que tentei rasgar um milhão de vezes e não tive coragem. Natsu parecia tão sincero. Queria mesmo entende-lo, mas ao mesmo tempo quero distância.

Hoje o trabalho foi sossegado — finalmente, depois de tanto tempo — e passei a maior parte do tempo, conversando com Levy-chan. Falamos sobre o caso entre o Gray e a Juvia. Juvia foi tão corajosa, expondo todos seus sentimentos de forma tão clara. Queria ter essa mesma determinação, mesmo que ela tenha chorado rios depois. Parece que os papeis se inverteram, afinal. Juvia dando um gelo em Gray. Pode ser interessante no final das contas. Isso me faz pensar se um dia, eu e Natsu, voltaremos a ser o que éramos. Não queria admitir, mas sua amizade me faz muita falta. Ele sempre esteve comigo e de repente, somos dois colegas de classe que dizem “bom dia”.

As horas se passaram na velocidade de uma tartaruga, quando finalmente me despedi de Levy-chan e sai. Fui andando pelas bordas do canal, como costumo fazer. Acho que isso me acalma.

Fiquei olhando para meus pés e o próximo passo a se dar com eles, quando olhei para frente e quase cai. Natsu estava sentado a alguns metros dali, me observando. Há quanto tempo ele está me olhando e eu nem reparei? Engoli em seco e sai do canal para não ter que passar tão perto dele. Passo por ele, apenas balançando a cabeça de leve em um cumprimento e continuei a andar.

— Lucy — chamou com a voz baixa — Preciso falar com você.

Virei-me e vi que ele se levantou.

— Você sempre quer falar comigo — falei por nervosismo.

Não quero ser uma garota rude, mas meus instintos sempre agem antes. Natsu olhou para os pés, sorrindo com minha resposta. Pensei se deveria ir embora antes que algo ruim aconteça. Esperei ele dizer mais alguma coisa, mas tudo o que permaneceu foi o silêncio. Então quando comecei a me virar, ele voltou a se pronunciar:

— Vou me mudar de Magnólia.

Paro no mesmo instante que sua voz termina a frase. Tento processá-la, mas minha mente não a entende. Volto a olhá-lo e seus olhos se fixam nos meus. Queria ouvir sua risada sarcástica dizer que estava brincando e tudo era um truque para que eu o escute, mas não. Sua expressão estava séria.

— C-como assim? — tento permanecer firme, mas minha voz treme, assim como meu corpo todo.

— Vou para a capital, Crocus — explica, mantendo sua postura — Terminarei meus estudos lá e também vou para a Universidade de Fiore. Vou amanhã de manhã.

Fico parada, ainda tentando compreender tudo aquilo. Minha mente parece completamente nublada. Umidifico a boca, sentindo que ela está seca como nunca esteve.

— E por que está me contando isso? — perguntei como se não me interessasse.

Mas eu me interessava, e isso doía. Ele voltou a sorrir daquela mesma forma triste e irônica. Olhou para o chão, pensando nas próximas palavras talvez. Enquanto eu ainda tentava entender o que se passa dentro de mim.

— Bom, de alguma forma eu esperava que você dissesse algo assim — responde, desfazendo seu pequeno sorriso — Não sei o que deu em mim — seu olhar volta para mim e ele solta uma risada sem graça — Achar, por pelo menos um instante, que você me impediria de ir.

As palavras simplesmente somem. De minha boca, de minha mente ou de qualquer lugar onde poderiam estar. A habilidade da fala não deveria evaporar dessa maneira. Eu... impedir?

— Você não acredita em mim, eu sei — continua a falar — Mas... eu sempre disse a verdade. E você é a única que me prende aqui — ele para e pensa por alguns segundos — Eu realmente tentei, Lucy — fala com um sorriso fraco — Suportei cada ignorada, suportei a vontade de falar com você para te dar tempo, suportei distância, suportei não escutar sua voz. Mas reparei que apenas me feri com isso — sua expressão assume uma fisionomia de dor que nunca imaginei — E feri você também, mesmo sem querer.

Meu coração parece querer saltar do corpo. Cada palavra dele é como atravessar uma lança em cada órgão vital dentro de mim. Ele está brincando... é uma brincadeira. Tentei convencer a mim mesma, enquanto as palavras continuavam a não aparecer. Ele me olha, não sei o que espera que eu diga, mas simplesmente não consigo falar nada.

Ele respirou fundo até voltar a se expressar:

— Eu... tomei uma decisão que você já tomou a muito tempo e eu insisti em não perceber.

— Decisão? — finalmente digo algo, sentindo meu corpo fraquejar por esse esforço.

Ele balança a cabeça de leve e sorri.

— Estou... — fala pausadamente e fecha os olhos por um instante até voltar a me focar — desistindo de nós — disse, tentando esboçar um sorriso novamente — Tchau Lucy.

Seus olhos me fitaram intensamente antes dele se virar e partir.

Mesmo com tantos sentimentos presos dentro de mim. Mesmo com tantas palavras em minha garganta. Mesmo com minhas lágrimas começando a cair pouco a pouco por uma dor inexplicável. Meu corpo não se moveu e as palavras não saíram. Olhei para suas costas desaparecendo de minha vista, e ergui minha mão em sua direção sem pensar. Eu queria alcança-lo. Mas nada aconteceu.

Só pude ouvir... o som do meu coração despedaçando.

Mesmo que suas mãos estejam tremendo
E sua fé esteja perdida
Mesmo se os olhos estiverem se fechando
Faça isso com o coração aberto
Diga o que você precisa dizer

(Say – John Mayer)

Fim da 1ª Temporada

Notas finais
Pois é minha gente, acabou o que era doce, e todos devem ter pensandoPUTA MERDA, li tudo isso para eles não ficarem juntos no final?Por isso que eu digo que tem uma segunda temporada TA-DÃ *00*E eu resolvi fazer separado, o que me deixa muito triste por deixar os comentários e as recomendações para trás, mas espero poder receber muitos na próxima temporada certo? Assim que eu começar, postarei um aviso aqui com o nome, espero todos vocês lá, e agradeço o incentivo de todos até aqui *00*Posso dizer que a segunda vai estar muito melhor, e que as coisas não acertadas nessa temporada, vão se acertar lá certo?Amo vocês, e até, possivelmente, semana que vem ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!