Academia De Fadas
32 Capítulo 32 — Amizade Difusa
Notas iniciais
Capitulo 32 — Amizade Difusa
A quinta-feira se inicia radiante, ainda melhor que qualquer outro dia que eu já tenha vivido. Juntamente à ela, meu despertador toca às sete horas insistentemente. Ele tocou, tocou e eu fingi não escutar, mas certas pessoas não conseguiram fazer o mesmo.
— AAAAAAAH! Que maldito despertador é esse Lucy! — Natsu acordou irritado, esfregando a mão por seus olhos.
Dou risada de sua agitação e ele me olha bravo. Dou um sorriso gentil e sua expressão se suaviza. Ele passa a me encarar exatamente como eu, nessa troca de olhares me lembrei de toda a noite anterior, detalhe por detalhe. Mordo meu lábio e ele sorri. De repente o som do despertador ao fundo parece não existir mais. Natsu se aproximou e selou nossos lábios.
— Bom dia paixão — disse com um belo sorriso, aquele sorriso que me derrete instantaneamente, com ele me chamando de “paixão” então, meu coração acelerou.
— Bom dia amor — falo sorrindo.
Ele me abraçou e depositou um beijo em minha testa.
— Agora pode, gentilmente, desligar seu despertador? — brincou e eu comecei a rir. Exagerado.
Levantei, me espreguiçando. Ando preguiçosamente até o despertado para desliga-lo. Eu costumo deixa-lo afastado de mim, porque as vezes que eu deixei perto da cama tiveram consequências desastrosas e frequentes de uma garota atrasada para a aula.
— Você vai passar na tua casa? — pergunto enquanto caço meu uniforme e vou até o banheiro.
— Não, eu já trouxe tudo. E também meu pai já voltou, com certeza eu teria que explicar muita coisa do porquê não passei a noite em casa e não tô afim — disse indo até sua mochila jogada em um canto e tirando sua escova de dente e seu uniforme.
Ele veio ao banheiro juntamente comigo e começamos a escovar os dentes nos olhando pelo espelho, tentávamos não rir, depois que enxaguamos as bocas, ele me olhou.
— Que nojo, você parecia um cachorro com raiva tentando não rir com pasta na boca — falou rindo, o olhei irritada, suspirei, o empurrei pra fora do banheiro e fechei a porta para me trocar — Ei, o que você tá fazendo? — ouvi sua voz do outro lado da porta.
— Vou me trocar.
— Como se eu já não tivesse visto você sem roupa — murmurou indignado.
— É diferente — gritei de volta.
Começo a me trocar rapidamente. Dou uma olhada no espelho, ajeito meu cabelo, passo uma maquiagem leve, pronta! Suspiro ainda me lembrando da noite quente de ontem. Ainda é inacreditável. Me pergunto quando meu melhor amigo se tornou um cara incrivelmente interessante, sexy e amoroso. Então me lembro de quando nos conhecemos, e lembro também o porquê de nunca passarmos de amigos. Comprimo a boca um pouco hesitante. Vai ficar tudo bem.
Saio do banheiro e o flagro colocando a calça do uniforme, e depois tirando a camiseta. Por mais que eu já o tenha visto muitas vezes sem camiseta, essa visão me agrada. Ainda mais quando me lembro de certas situações que... está calor não? Enquanto viajo em minha onda pervertida ele me observa e seja lá o modo como eu o estivesse olhando, com certeza, ele notou.
— Que foi? Já está com saudade? — lançou seu olhar malicioso que tenho tentado me acostumar a receber.
Dou de ombros, pegando minha bolsa no gancho da porta.
— Claro que não, é que você demora dema... — Sinto seu corpo me tocar por trás e corto a frase imediatamente.
Ele me envolve em seus braços e beija meu pescoço. Fico paralisada olhando para a madeira da porta. Natsu me deixa louca, de todas as formas.
— Você mente mal — murmura perto de mim, rindo.
Ele se afasta e põe sua camiseta. Sinto meu rosto esquentar. Será que um dia vou acostumar com sua aproximação? Fazem mais ou menos seis meses que o conheço e nunca me senti... normal em relação à ele. Quem sabe daqui uns cinco anos? Estou sugerindo que ficaremos juntos por muito tempo?
Tento disfarçar meu nervosismo, arrumando as coisas da minha mochila. Natsu fica me observando enquanto remexo materiais aleatórios. Há um sorriso bobo em seu rosto. Ele toca minhas mãos, segurando-as.
— Ei Lucy... — diz baixinho — Tenho uma ideia.
— Ideia? — pergunto curiosa, arqueando as sobrancelhas.
Ele assente com a cabeça.
— Tá afim de matar aula?
Tento processar sua informação. Sei que já faltei a algumas aulas no meu estado depressivo ou algumas vezes quando estive doente, mas mesmo assim pensa nisso é um pouco estranho. Nossa escola é maravilhosa e cara. É como desperdiçar seu potencial.
— Hã? Está louco?
— Não! — defende-se — Quero dizer, desde que estamos juntos nos encontramos só de noite, podíamos variar, fazer algo diferente — tentou me convencer.
Continuo a olhá-lo, pensando se era mesmo questionável. Era mesmo verdade seu argumento. Sempre nos encontramos de noite, até porque na escola todos veriam e estamos saindo escondido... De tarde eu trabalho... Então nos restas as noites às escondidas.
— Só hoje — concordo e Natsu alarga seu sorriso.
―×―
Trocamos novamente de roupa para não sair de uniforme. Fiquei totalmente nervosa de alguém nos ver. Natsu me garantiu que todos estariam na escola e ninguém iria aparecer, mas era melhor não estar vestido de uma forma que qualquer aluno de lá iria reparar. Não que adiante muito quando seu namorado tem cabelo rosa.
Eu disse namorado? Desde quando? Ele não te pediu em namoro Lucy. Estou começando a parar para pensar que estou fazendo coisas inimagináveis com um cara que não é nem ao menos meu namorado.
Não é hora para pensar nisso Lucy!
— Aonde vamos? — pergunto enquanto andamos pelas ruas de Magnólia.
Ele segura minha mão para continuar nossa caminhada desorientada. Sinto meu corpo tremer só com o ato. Fico um pouco envergonhada por não imaginar que um dia isso aconteceria.
— Onde você quiser — sorri — Algum lugar que sempre quis ir e nunca foi? — olhou-me curioso.
Pensei por um tempo. Algum lugar que eu sempre quis ir e nunca fui? São tantos que não faço ideia por qual começar. Não tive muitas chances de sair por aqui ainda, perdi muito tempo tentando me ajeitar e conseguir bons amigos. Claro que valeu a pena cada segundo gasto para minhas conquistas. E bom... antes de vir para cá eu não tinha muitas opções além do jardim da minha casa, minha casa, meu quarto, casa da minha prima que mora do lado de casa... Enfim.
Pensando no meu tempo passado, lembrei-me de um lugar que se encaixava exatamente em sua frase. Eu sempre quis ir.
— Zoológico — digo olhando para o nada.
Natsu para de andar e me olha espantado.
— Sério? Nunca foi? — perguntou e eu balancei a cabeça negativamente para ele.
Era para ser algo óbvio? Qual é o problema com as crianças normais? Elas vão ao zoológico toda semana, tomam sorvete em família e tals? Queria entender mais isso.
— Meu pai não tinha tanto tempo para me levar nesses lugares desnecessários — explico usando as palavras que meu pai usaria.
Natsu apenas escuta e faz algum som para mostrar que entendeu.
— Então vou te levar — sorriu e apertou minha mão — Vamos.
Fomos andando de mãos dadas pela cidade, essa sensação era tão boa que eu queria que o zoológico não chegasse nunca. Na verdade a sensação é tão boa que tenho medo de perde-la na mesma facilidade que perdi minha mãe.
―×―
Lisanna
Droga! Estou super atrasada para a aula. A Mira-nee nem me acordou!
Coloco os sapatos e começo a correr. Eu já cheguei atrasada esses dias, não é legal ficar me atrasando. Enquanto me repreendo quase tropeço em uma pedra no meio do caminho, o que foi um alerta para eu ir mais devagar. Suspiro emburrada. Vou chegar para a segunda aula de qualquer forma.
Passo pelas ruas tranquilas, quando uma cena me chama a atenção. Cabelos rosas. Tento focar minha visão para ver se estou mesmo enxergando o que estou. Natsu e Lucy de mãos dadas.
Engulo a seco e me escondo atrás de uma árvore para observá-los. Não pode ser. Será que amigos também andam de mãos juntas? Natsu nunca andou assim comigo nem mesmo quando éramos inseparáveis. Meu coração começa a acelerar tentando me dizer que é tudo ilusão.
Quando voltei para cá, um pouco depois de começar o ano letivo, Mira-nee me contou que Natsu tinha feito uma nova grande amiga. Descobri logo que era Lucy, todos os trabalhos juntos. Eles saiam juntos. Todos diziam que eles eram namorados, mas isso sempre foi negado. Senti raiva, mas quando conheci Lucy vi o quão doce ela era. Então fiquei chateada por pensar que ela era apaixonada por ele e vice-versa, mas eles se afastaram um pouco. Criei esperanças.
Já perguntei à ela se sentia algo por ele, e ela negou. Fiz o mesmo com ele uma vez e a mesma resposta foi dada. Então eu fui criando esperança e coragem dentro de mim... Mesmo depois do que a irmã dele disse... Faz um tempo que não os vejo junto, então...
Mas... faz tempo que Natsu não fala comigo também, mesmo depois de minha declaração. Ele nem ao menos me respondeu. Calma Lis, eles são só amigos.
Tento me convencer disso. Eles não mentiriam. Respiro fundo e volto a olhá-los. Então toda minha calma se esvaia, todos meus argumentos quebram e meu coração se despedaça, porque bem na minha frente, eu o vejo empurrá-la para um beco e mesmo que eu não enxergue tão claramente é fácil adivinhar o que acontece depois disso.
Sinto as lágrimas descerem por meu rosto. O garoto que eu sempre amei, a garota que diz ser minha amiga.
Não vai ficar assim.
―×―
Lucy
Depois de muitas “paradas” pelo caminho ― o que me fez reparar como meu melhor amigo é na verdade um completo tarado ― finalmente chegamos. Passamos pelo gigante portão de entrada com estatuas de animais. Assim que dei meu primeiro passo para dentro do local, meus olhos brilharam. É lindo! Tão mágico, tão vivo!
Olhei para Natsu, extasiada. Ele sorriu e apertou minha mão. Começamos a andar pelas diversas cercas e grades. Como uma criança realizando um sonho, apontei para todos os animais que apareceram em nossa frente. Todos exóticos e fofos! Sou apaixonada por animais, mas nunca tive a chance de ter um. Certo pai autoritário não deixava.
Paramos em frente às girafas.
― Nossa! São enormes! ― praticamente gritei acompanhando o cumprimento de seu longo, bem longo, pescoço.
― Tão fácil te surpreender ― disse com um sorriso bobo, observando meu jeito inacreditável de ver os animais. Faço bico para sua afirmação.
Natsu ri de minha expressão, me puxa para si e me beija ternamente. Assim, completamente fora de contexto, no meio do zoológico. Não me importei nem um pouco e o correspondi. Passo minhas mãos por suas costas e o aperto, enquanto nossos lábios não se desgrudam. Isso é estranho. É bom, e não ter vergonha disso, talvez um pouco, mas saber que tem pessoas olhando e não se importar, chega a me assustar.
Ele se afasta e sorri. E como um efeito-espelho um sorriso bobo se forma em meus lábios. Entrelaçamos nossas mãos e continuamos a andar, como se fossemos um casal normal que eu quero acreditar que somos.
Vimos macacos, pássaros de todas as espécies, cobras, ursos, tigres, leões e vários outros animais, nos demos uma folga de andar. Paramos em uma cafeteria que há dentro do próprio zoológico e nos sentamos.
— Estou morrendo de fome — reclamei, agarrando o cardápio.
— Eu também — falou, passando a mão pela barriga.
Logo fizemos nossos pedidos para que não demorassem. Natsu demonstrando sua fome, pegou o maior lanche que havia ali. Às vezes me pergunto para onde vai toda essa comida.
— E então gostou? ― apoiou-se na mesa para me olhar.
— Amei — sorri — Adoro animais, queria ter um ― digo aos suspiros ― Aliás, você tem um gato né?
― Sim, meu fiel companheiro ― afirmou com uma expressão divertida ― É o Happy, gosto muito dele ― continuou com um olhar caloroso. Pude sentir certo apego e acho que pude me apaixonar mais um pouquinho.
― Você o comprou?
― Não, eu o encontrei em um parque com a Lis. Íamos lá todos os dias para ver ele. Tinha aquelas casinhas sabe? De parquinhos. Era incrível como ele sempre nos esperava por lá na mesma hora ― contou entusiasmado ― Mas então a Lis foi para o exterior, então como eu ia sozinho no parque resolvi pegá-lo logo para mim ― explicou.
Enquanto ele contava sua grande história não pude deixar de sentir uma pontada no coração. Pergunto-me se isso que chamam de ciúmes. Ele ficou todo Lis para lá e Lis para cá. “Lis”, ele tem até apelido para ela. Então parei para pensar melhor. Será que é assim que ela se sente quando nos vê juntos? Bom, não importa. Porque ele fica falando dela tão naturalmente assim para mim?
― Que foi? Você está com uma expressão estranha.
— Nada — respondi rápido, mas não consegui disfarçar a irritação na minha voz.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Já disse que você mente mal? — falou rindo — Fala logo.
— Você era bem próximo da Lis — digo o apelido de forma ácida.
Natsu ficou me olhando, parecia realmente se divertir internamente. Não gosto disso. Mas no fim, apenas suspirou.
— Era sim.
E essa não é uma boa resposta, porque senti meu sangue ferver um pouco mais. De repente senti como se nossa amizade fosse apenas... uma substituição da falta que ele sentia dela... E se for isso?
— Você gostou dela? — Minha curiosidade subiu alguns níveis e saiu por vontade própria. Apesar de temer sua resposta.
— Sim — responde calmamente, sem tirar os olhos de mim.
Qual é o problema com esse cara? Como ele responde essas coisas como se não fizesse importância? Ele sabe que meu coração tá se despedaçando com essas respostas diretas e... Não sei.
— Você a amou? — Pergunto de cabeça baixa. Esta conversa acabou me deixando pior do que imaginei.
— Que garota curiosa — brincou sorrindo.
Apesar de seu sorriso, ele não respondeu. Logo a comida chegou e minha dúvida ficou para trás. Comemos em silêncio. Minha fome havia passado com essas conversas sobre o passado. O que é Lucy? Queria ser a única garota na vida dele? Natsu tem um passado, pode ter gostado de muitas garotas, ficado com elas e tudo o mais. Isso incomoda, e é estranho. Ele era meu melhor amigo o tempo todo, sempre esteve ali e você simplesmente parou de nota-lo. Suspiro com esses pensamentos, dando mordidas leves no meu x-salada.
Terminamos de comer e ele continuou sem responder, como se eu nem ao menos tivesse perguntado. Tentei voltar ao assunto, mas Natsu me cortou.
— Quer ir ao aquário? — perguntou, se levantando e me estendendo a mão.
— Vamos — falei um pouco emburrada.
Andamos até o aquário, e apesar de estar chateada com tudo, olhei maravilhada para tudo aquilo. É demais estar no meio de vários vidros com peixes totalmente diferentes. Foi medonho quando passamos pelos tubarões. Fiquei pensando se era mesmo seguro estar tão perto deles com apenas um vidro me protegendo. Senti calafrios.
— Tem medo? — Natsu olha para minha expressão de pânico.
— Claro que tenho, olha o tamanho da boca desse bicho.
Ele ri abertamente.
― Eu estou aqui, me sacrifico por você ― brincou, sorrindo ― Parece que vai ter um show com golfinhos, tá afim de ir?
― Super afim ― sorri com sua frase.
Sabe, eu meio que me odeio por não conseguir odiá-lo.
O local que aconteceria o show continha bancos como um estádio de futebol, mas no meio ao invés de grama havia um enorme tanque. No centro havia uma mulher que brincava com golfinhos alegremente.
― Kawaii! ― grito, olhando para aquela cena.
Natsu sorriu e foi me puxando a procura de um lugar vago para se sentar. A gente se sentou em um lugar com uma boa visibilidade para o show. Ele passou o braço por meu ombro e assim parecíamos um casal, abraçados naquela multidão.
―×―
O show acabou e foi incrível. Já estávamos cansados, mas resolvemos tomar um sorvete para aliviar a alma. Entramos em uma sorveteria ali perto e pedimos banana split para dividir. Espero que ele saiba o que significa pedir algo para dois. Sentamos e ficamos esperando pelo pedido. Chance perfeita para voltar em assuntos inconvenientes.
— Você não me respondeu Natsu — Digo diretamente, me referindo ao vácuo que ele me deixou na cafeteria.
— O que? — perguntou desentendido. Acha que irá mesmo escapar com isso?
— Você a amou? — pergunto baixinho com o coração na mão.
Ele me encara cansado;
— Isso realmente importa?
— Para mim importa — respondi e ele jogou suas costas para trás.
― Crianças sabem o que é amar pra valer? ― questionou olhando para o teto. Eu não queria mais perguntas, quero respostas! ― Há quem diga que sim, então talvez eu tenha mesmo amado. Mas crianças também esquecem mais rápido, elas amam, mas não sabem disso.
Olhos para os lados, processando as informações.
― O que quero dizer Lucy ― diz, voltando em sua posição normal e segurando minha mão por cima da mesa ― Não interessa o que senti por ela, talvez tenha sido amor, talvez não, não me importa agora. Eu me perguntei o que era esse sentimento até esses dias atrás.
― E agora você sabe o que é? ― perguntei cabisbaixa.
Ele levantou meu queixo.
― Queria dizer que tenho certeza do que é ― Natsu diz sério, me fazendo piorar por dentro ― Mas prefiro ir descobrindo com você.
Meu coração se apertou com sua frase. Na verdade, um conforto sem igual o invadiu.
― Então pare de ficar imaginando coisas. Só tive a coragem de dizer isso para você.
Sorri ainda mais. Mesmo em palavras ocultas eu sabia que ali estavam aquilo que eu amava ouvir e parecia ainda mais real. Procurei alguma frase para poder responde-lo ou pelo menos mostrar que eu o correspondia, mas meu bolso começou a vibrar.
Pego o celular e vejo ser uma mensagem.
“Cadê você? Está tudo bem? Por que não veio a aula? Vai ter um festival aqui a noite, você tem yukata? No trabalho te explico, você vai né? Beijos” — De Levy-chan.
— O que foi?
— Levy-chan ― respondo, enquanto digito uma mensagem de volta.
— Preocupada?
— Sim, mas também tá dizendo que vai ter um festival hoje à noite na escola.
— Festival? — ele riu — Aquele velho é mesmo louco.
Continuamos conversando de todas os motivos que haviam festa na escola e logo nosso pedido chegou, ficamos brincando, havia sorvete em toda minha cara. Dois bobos, e apaixonados.
―×―
Despedi-me demoradamente de Natsu em um pequeno corredor entre a livraria e o prédio ao lado. A manhã se passou rapidamente ao seu lado e eu adorei cada segundo, mesmo nossas conversas sérias me fizeram o conhecer melhor. Mas o tempo passou e estava na hora de voltar a realidade e trabalhar.
Levy-chan me encheu de perguntas sobre eu ter faltado. Falei que não me sentia bem, e depois de muito contestar, ela aceitou. Depois passou toda a parte me explicando sobre o festival. Parece que havia todo ano, com luzes, músicas, barraquinhas, bem tradicional, algo que nunca pude aproveitar, então fiquei animada.
Como ela disse que o uso de yukata era obrigatório, corri para casa depois do expediente a procura do meu. Tenho um lindo e conservado das festas tradicionais que meu pai dava aos seus sócios. Ele é branco com flores rosas com uma faixa rosa de mesmo tom. Finalmente o encontrei perdido em uma caixa dentro do guarda-roupa, sorri ao vê-lo e o deixei na cama. Hora de um bom banho.
Hoje o dia foi ótimo e inesperado. Suspiro enquanto sinto a água morna por todo meu corpo. Então Natsu realmente sentiu algo forte em relação à Lisanna. Bom, não importa, certo? Porque agora ele me ama. Isso ainda é forte e assustador, mas me traz uma sensação completamente inovadora. Sorri comigo mesma.
Tiro o tampão da banheira e vejo a água escorrer. Seco meu cabelo e depois de muito trabalho e esforço consigo por meu yukata sozinha. Dou uma boa olhada no espelho, ainda serve direitinho em mim. Prendo meu cabelo para trás com uma fita rosa e escuto baterem na porta. Olho para o relógio e vejo que já está no horário que as garotas marcaram para passar aqui e nos arrumarmos todas juntas. Abro a porta e uma a uma vai passando por mim com algumas sacolas.
― Oi Lu-chan, você ficou linda nesse yukata ― Levy-chan diz sorrindo, tirando o seu yukata amarelo com flores laranjas e fita azul de sua sacola.
Agradeço e percebo que todas iram se arrumar ainda. Como minha casa era mais perto seria menos incomodo ir até a escola com essa roupa apertada. Começo a reparar nos yukatas maravilhosos de cada um. De Erza é laranja com flores pretas e fita preta. O de Juvia é azul claro com flores azuis também em tom mais escuro, e fita de mesmo tom. E de Lisanna... é lilás com branco.
Não quero começar a me sentir estranha em relação à ela. Depois de todo o papo de hoje e sabendo tudo o que ela sente por Natsu. Começo a me sentir péssima só de ter coragem de sorrir para ela. Respiro fundo e tento ignorar tudo isso.
Ajudo todas com seus laços e a arrumar seus cabelos. Adoro fazer isso, vê-las arrumadas e satisfeitas. Amarrei a fita azul escura no cabelo de Levy, fiz um coque em Erza, deixando algumas mechas soltas, fiz um rabo de cavalo em Juvia e em Lisanna coloquei uma flor por seu cabelo ser curto.
Ela se olhou no espelho e sorriu. Depois me olhou.
― Você acha que Natsu vai gostar Lucy?
Sinto meu sangue ferver e meu coração disparar. Ela continuou me olhando, e parecia saber tudo, mas não sabe. Engulo todo meu nervosismo.
— Claro — sorri — Você está linda.
Então rezei para que nenhuma delas fossem comigo, aquilo que estou sendo para Lisanna agora.
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