Academia De Fadas

18 Capítulo 18 — O que é o amor?


Notas iniciais
Oi amorecos, como estão? Estou de volta, resolvi escrever a versão do Natsu haha *00* Espero que gostem e COMENTEM! ♥ ♦Capítulo Reeditado

Capítulo 18 O que é o amor?

Natsu

Saio da sala ainda meio sonolento. Não me lembro muito bem com o que eu estava sonhando, parecia agradável e seguro. O que será que era? Droga de memória. Talvez nem seja minha memória, muitas vezes não me recordo do que sonhei. Amigos malditos também, nem me acordaram para o intervalo, fala sério. E porque a Lucy estava sozinha? Que estranho. Acho melhor eu ir e voltar logo para fazer companhia para ela.

Ando alguns corredores em direção ao banheiro, quando avisto Lisanna encostada em uma parede, séria. Isso também é estranho, nunca a vi assim. Quanta coisa estranha para um dia só. Não basta acordar com uma loira louca gritando? Lis olha para mim e sorri, vindo em minha direção.

— Oi Nat-kun!

— Oi Lis, o que tá fazendo aqui sozinha? — devolvo o sorriso.

— Te esperando... — Diz um pouco sem graça, olhando para o chão.

Hã? Como assim? Minha mente ainda não está trabalhando direito.

— Ah é? Bem, aqui estou — brinco, mas ela não ri.

— Podemos conversar? Lá fora...? — aponta para a porta que leva até o campo.

— Ahn... Tudo bem, vamos — respondo um pouco hesitante. O que me aguarda agora? Suspiro e a sigo para fora dos corredores. E no final nem fui no banheiro.

Todo o caminho, ela não diz nada. Então eu também não digo nada. Andamos até o campo nesse silêncio perturbador. Não há ninguém jogando, acho que nem houve jogo hoje então. Ela me guiou até em umas sombras das árvores, e se virou finalmente para mim, me olhando fixamente. Para que tanto mistério?

— Natsu... — Lis começa a falar, ou apenas sussurrar, porque mal escuto sua fala. Ela mexe suas mãos uma na outra, como se estivesse muito nervosa.

— Sim? — pergunto despreocupado.

...

— O que eu sou para você? — pergunta corada e me olha novamente.

O que é... para mim. Claro, boa pergunta. E ela tinha que perguntar isso do nada. O que ela é para mim? Tentei disfarçar que estava surpreso. Não sei se funcionou, porque não me senti piscar por alguns momentos. Ela me olha curiosa e com expectativa, isso me mata.

— Ahn... não sei? — respondo em dúvida.

Sinto que não foi a melhor resposta do mundo, e com certeza não era o que ela esperava ouvir. Sua expressão muda, sua expectativa se transforma... em algo que parte meu coração. Ela está triste, droga, e aquele papo de não magoá-la?

— Olha Lis... — tento concertar, mas ela me corta, olhando diretamente no fundo da minha alma.

— Sabe Natsu... eu... eu te amo — Seu rosto está corado, porém mostra uma determinação que nunca imaginei ver.

Enquanto eu, permaneço paralisado. Por mais que eu já desconfiasse disso, ouvir essa frase tão impactante é assustador. Assustador porque eu não sei como reagir, nem o que dizer, nem se tenho palavras para tal. Fico parado por um bom tempo caçando palavras que não vinham. O sinal tocou a algum tempo, e eu continuo sem saber o que falar, com medo de dizer a coisa errada. Eu gosto de Lis, gosto. Amar parece um sentimento um pouco distante do que realmente sinto por ela, para ser sincero. Nem ao menos sei o que é isso, ou como é sentir isso. Não quero magoá-la, e a verdade provavelmente a magoe. O que eu posso falar?

— N-Natsu... desculpa falar isso do nada... eu realmente quero saber o que você sente por mim, quero a gente fique sério, que a gente namore... — Dispara em minha direção parecendo desesperada, vejo um brilho passar por seus olhos, e me desespero também — Pode pensar sobre isso? — Ela gagueja a pergunta, sem me olhar mais.

Respiro fundo antes que faça uma cagada.

— Tudo bem — Finalmente consegui responder algo — Só... me dê algum tempo.

Seus olhos tristes pairam sobre os meus. Eu olho para ela, tento transmitir segurança, consolo. Qualquer tipo de emoção que não a faça chorar no momento.

— Vai pensar? Promete? — seus olhos brilham de maneira diferente agora, como se houvesse esperança, e de verdade, tenho medo do que esse sentimento pode causar. Mas não digo.

— Prometo.

Lis finalmente sorri um pouco tímida, e sela seus lábios nos meus. Sinto-me estranhamente desconfortável, sensação que antes eu não tinha. Sua boca pressiona a minha com tanto pudor, que quase me desequilibro. Depois ela simplesmente corre, sem olhar para trás.

Nunca achei que saber seu amor por mim mudaria tanto as coisas. Mas muda. Porque nesse beijo percebi, que meus sentimentos não chegam nem perto dos seus. Fecho os olhos por um momento para me acalmar, e depois vou para a sala. Atrasado.

―×―

Finalmente a aula acabou, não aguentava mais aquela falação. Olhei para Lis guardando seu material de maneira ninja e saindo da sala. Tenho a sensação que eu deveria ir atrás dela. Mas não sei como melhoraria essa situação, não quero mentir, não quero magoá-la. Então faço o que acho certo, não faço nada.

Começo a guardar meu material preguiçosamente, e entre minha bagunça cotidiana, encontro o livro que eu deveria ter entregue a Gildarts. Droga, minha memória realmente me abandona.

Vejo Lucy sair da sala acompanhada de Levy e deduzo que irá direto ao trabalho, ou seja, ela não precisa da minha companhia. Suspiro, me sentindo atordoado com tudo o que tem acontecido. Lucy ter dormido em casa, Lis se declarado, e eu dormido. O que está acontecendo? Fecho o zíper da mochila, jogando em minhas costas e me apresso para passar na casa de Gildarts.

Ele mora praticamente ao lado da escola. Gildarts era o típico cara andarilho que teve uma filha e mudou completamente o rumo de sua vida. O velhote lhe deu uma oportunidade de mudar e ele a agarrou de todas as formas. Já ouvi dizer que a casa que ele mora também é do velhote, mas não sei ao certo, apesar de ser muito amigo dele, não perguntaria tal coisa.

Avisto sua pequena casa de madeira, e bato na porta, que se abre logo após. Gildarts olha curioso para mim e depois abre um sorriso de sempre.

Cheguei na frente da casa e bati na porta. Logo ela se abriu.

— Yo Natsu! O que faz por aqui? — pergunta mostrando todos os seus dentes — Entra — diz de maneira convidativa, abrindo a porta um pouco mais.

— Então, esqueci de te entregar o livro — falo, tentando tirar o livro da minha mochila. Não deveria ser tão difícil vai que eu não carrego nada, mas eu tenho o dom.

Estendo a mão com o livro em sua direção.

— Ah é verdade, tinha me esquecido também — afirma batendo da própria testa e depois pega o livro de minhas mãos — Obrigado! — agradece — Mas entre, faz tempo que não conversamos.

Assinto com a cabeça, porque é verdade. Antigamente, eu e Gray aparecíamos aqui com frequência para badernar. Posso dizer que Gildarts é como um segundo pai para nós.

Passo pela porta e reconheço o local, exatamente da mesma forma que sempre foi. O que me passa uma ótima sensação se segurança e conforto, como se estivesse até mesmo na minha própria casa. Ele aponta para o sofá e nos sentamos, aliás nos jogamos. Começamos a conversar de coisas... coisas que homens conversam.

— E as garotas, como está indo? — me perguntou com um sorriso malicioso, esse era o Gildarts de sempre. Qualquer outro assunto que deixasse sua boca seria uma surpresa.

Desde quando eu era pequeno, ele vivia fazendo insinuações sobre eu e Lis, por sermos muito apegados um ao outro. Pensar sobre isso, me deixa ainda mais confuso e exausto. Suspiro.

— Mal, bem mal — respondi de cabeça baixa.

Ele arqueia as sobrancelhas, provavelmente esperando uma resposta bem diferente.

— Ué, porque? — demonstrou preocupação.

— Sei lá... tem acontecido muitas coisas pelo qual nunca passei antes — desabafo, sem encará-lo, porque não é legal falar sobre essas coisas. Começo a mexer minhas mãos e o olho por um pequeno instante — Como posso saber se... amo alguém?

A pergunta deixa minha boca automaticamente. Penso que talvez seja bom conversar com alguém mais experiente do que eu. E se tem alguém experiente em mulheres, esse cara era ele. Seu queixo se enruga pensativo.

— Boa pergunta.

Ou talvez não adiantasse nada.

Ele olha para o teto e depois para alguns retratos pendurados em sua parede, até finalmente voltar-se para mim.

— Bom... posso dizer pelo que senti por Cornelia, mãe de Cana — começou a dizer — Acho que foi a única que realmente amei, e não é como se houvesse um motivo aparente. Simplesmente me sentia diferente com ela do que com as outras, queria sempre fazê-la sorrir, porque o sorriso dela era muito significante para mim, como se eu não precisasse de mais nada, queria protegê-la de tudo — respirou fundo, mantendo a postura séria — Mas acho que percebi isso tarde demais, quando nos separamos.

— Hm... — Foi a única coisa que consegui dizer depois de ouvir algo tão embaraçoso. É estranho falar sobre isso. Tão... pegajoso? Acho que não sirvo para isso.

Seus olhos divertidos me fitam novamente.

— Porque? Quem tem mexido com seus sentimentos? — Seu sorriso insinuador volta — Posso chutar... Lisanna?

Coço minha cabeça. Estava bom enquanto o assunto era a vida pessoal dele.

— É... talvez... — Respondo vagamente.

Confesso que... no momento em que ele fez sua pergunta, não consegui não pensar em Lucy. Não sei o motivo, ela simplesmente me veio em mente. Então seja certo que ela mexa comigo. Essa coisa de gostar de ver a pessoa sorrir, eu meio que me identifico. Porque gosto de vê-la rindo, e sendo quem é, é engraçado. Sempre me divirto quando estou com ela, mas não é como se eu a amasse, apesar de já ter confundido isso várias vezes anteriormente. Talvez o que sinto por ela fosse isso? Realmente, não sirvo para essas coisas.

— Opa, vi um olhar sonhador aí — me assusta de meus próprios pensamentos — Está interessado em alguém?

Acordo para a vida.

— Não sei dizer. Lisanna se declarou para mim, começamos a ficar, e para mim estava mesmo bom, porque gosto dela. Mas hoje... ela disse que me amava, e eu não soube o que responder...

— E...? Está escondendo o jogo de mim? — me dá um soco de “brincadeira” no ombro.

Levo minhas mãos até meu rosto e começo a passar os dedos por minha testa, pensativo, e me preparando para admitir algo que eu nunca admitiria. Respiro fundo.

— Olha... — começo a dizer sentindo algo engasgado na garganta — Eu sempre vi... Lucy — tremo ao dizer seu nome — como uma amiga. Quero dizer, talvez eu tenha tido esperanças quando a conheci, mas depois ficou claro que éramos amigos e apenas isso. Ela é... escandalosa e estranha, mas também é divertida e... amável ao mesmo tempo. No acampamento acabamos nos beijando e foi... sei lá... de um jeito que não deveria ter sido.

Olho para Gildarts para ver sua reação. Ele fica sério por um instante e depois alarga um sorriso.

— Sabia que tinha algo entre vocês! — grita inesperadamente — Sinto um clima rolando ali em todas as aulas.

Velho louco.

— Nada a ver — me defendo — Mas ela tá namorando agora, não vou atrapalhá-la.

Sua expressão de torna séria e terna outra vez.

— Cuidado Natsu, não vá perceber os seus sentimentos tarde demais como eu.

―×―

Sai de lá ainda mais confuso, ele disse algo como “Amor é sempre querer estar perto, mesmo sem palavras, apenas a presença. Sempre querer ver a pessoa feliz e sorrindo. Quando seu coração bater mais forte é apenas um dos sinais, para dizer que ama a pessoa. Mas o principal Natsu, é não tentar explicar esse sentimento, ele é indecifrável. E quando você sentir que seus sentimentos estão assim, indecifráveis, meu amigo, já era.” Tá, tá, não entendi nada. Essa coisa de amor e sentimentos é muito complicado, não sirvo para pensar. Não nisso.

Fui indo em direção a minha casa, quando me vejo na frente da livraria onde Lucy trabalha. Dá para ouvir a risada dela mesmo daqui. Me pego rindo sozinho. Escandalosa, como sempre... Caramba, o que foi isso? Tô ficando louco só pode.

Lucy... será que eu... Não, com certeza não. E a Lis... aquilo me pegou desprevenido, dizer que me ama. Parece profundo demais, tenho quase certeza que não sinto o mesmo por ela, mas gosto dela. Gosto de Lucy também, mas é diferente... Droga, porque tô pensando nessa loira de novo?

Tsc, preciso de umas férias desses tais sentimentos. Suspiro fundo, cansado dessa confusão mental.

Bom... preciso passar em um lugar...

―×―

Após acertar os assuntos que tinham que ser acertados, fui finalmente para minha casa. Sinto meu corpo exausto, esse foi com certeza o dia mais longo da minha vida.

Cheguei, abri a porta e me assusto ao ver meu pai ali sentado no sofá me encarando. O que ele estava fazendo aqui? Infelizmente minha pergunta foi respondia ao ver a cara endiabada da minha irmã ao lado dele.

— Precisamos conversar.

Notas finais
É isso por hoje pessoal, amanhã trago os próximos! Espero que tenham gostado, e comentem onegai. Fico muito feliz em receber seus comentários, saber suas opiniões, não posso melhorar sem isso e também não posso ficar motivada. Me deixem feliz *00*