Academia De Fadas
6 Capítulo 06 — Luau – Parte I
Notas iniciais
Capítulo 06 — Luau – Parte I
— Não me culpe se você se apaixonar por mim — Natsu disse num sorriso malicioso, com olhos fixos em mim.
Fiquei paralisada. Qualquer outra reação vinda de mim seria irreal. O que está acontecendo aqui? Natsu, meu amigo fiel e companheiro está mesmo dizendo coisas assim? Meu coração está tão disparado que parece querer sair do meu corpo em alguns minutos. Continuei encarando seus olhos. Deve ser a primeira vez que paro para prestar tanta atenção neles. São tão... intensos. Senti-me vidrada em seus olhos e na tensão entre nós dois. Então... ouvi uma risada.
Natsu ria. Até demais.
Afastou-se de mim, tentando conter sua própria gargalhada, que por acaso era sem motivo algum, pois não vi nada de engraçado.
— Estou brincando — disse, rindo mais um pouco — Não preciso dessas coisas como ser romântico.
Não creio. Ele é mesmo só um idiota.
— Há há há — forcei a risada — Não tem graça, idiota — falei lhe dando um empurrão.
— Ah é? — Ele parou de rir e me encarou novamente — Preferiria que não fosse brincadeira então? — sorriu de lado.
Sorriso idiota. Igual o dono.
— Me poupe — falei, dando de ombros — Vamos acabar logo com isso, já está escurecendo! — apressei, tentando desviar de assunto para algo que não me deixe tão constrangida.
O que eu esperava desse cara? Ele é meu melhor amigo, o conheço muito bem. É apenas um palhaço maldito, dizendo coisas sem pensar, em um campo vazio, numa situação indesejada.
— Verdade! — Natsu exaltou-se, provavelmente lembrando que não estávamos aqui para forçar garotas contra árvores e deixá-las sem graça — Tenho que mostrar para o Gray quem é o melhor! Droga!
A cada frase que deixa sua boca, fico ainda mais pasma. Melhor só ignorar tudo isso.
— Vamos! — exclamou, entrando na floresta.
Minhas opções: 1) Entrar na floresta com esse idiota. 2) Ficar aqui para ser devorada por pernilongos, sozinha.
Ok, talvez nesse caso é melhor estar mal acompanhada do que sozinha.
Entramos na floresta. Assim que me vi dentro dela, percebi que talvez eu esteja errada novamente. Era melhor ser devorada por pernilongos. Essa floresta é assustadora! Escura e asquerosa. Posso escutar cada passo que avançamos. Escondi-me atrás de Natsu, apenas seguindo-o, aliás ele parece bem confiante em sua rota. Apesar de faltar razão nele, sua determinação é sempre incrível.
Após algum tempo, enquanto eu olhava para as árvores tortas e sombrias, bati com tudo nas costas de Natsu, que parou sem aviso prévio.
— Ai! — gritei passando a mão por meu nariz assassinado por esse idiota que parou do nada — Não pare tão de repente assim, Natsu! — bronqueei, irritada.
— Ei... pra onde será que deveríamos ir? — perguntou, me ignorando.
Olho para ele, perplexa.
— O QUEEE? Eu te segui esse tempo todo e você nem sabia para onde estava indo? — Gritei totalmente inconformada e um tanto apavorada. Porque convenhamos, estamos no meio do nada.
— Eu só achei que se seguisse reto alguma hora iria achar alguma coisa — Natsu disse colocando a mão em sua cabeça e soltando um risinho de “é, não deu certo”.
— Não acredito nisso.
Estamos perdidos.
[...]
Algum tempo se passou. Continuamos andando desesperadamente por toda a floresta. Não encontramos nada. Nada de tesouro. Nada de Campo. Nada de ninguém. Nada de nada. Ainda não posso acreditar como deixei esse idiota nos guiar. Determinação é o caramba. Não posso nem elogiá-lo por pensamento que isso acontece!
Sentamo-nos em algumas pedras. Sem ideias do que fazer, para onde ir. Não conversamos. Não nos olhamos. Respirei fundo, até encará-lo e apontar o dedo para ele.
— A culpa é toda sua Dragneel! — explodi.
Ele me encarou também.
— Minha culpa? — pôs a mão sobre o próprio peito — Se você sabia para onde ir, por que não me parou?
Pensei em um bilhão de xingamentos. Nos encaramos por mais alguns minutos, então viramos o rosto um para o outro novamente, suspirando em desistência.
— O que faremos agora? — falei olhando para o céu. Quase não posso enxerga-lo por causa dessas árvores gigantes e sombrias — Podemos tentar voltar... — propus sem muita esperança.
— E você sabe como fazer isso? — devolveu-me.
Nos olhamos e suspiramos uma segunda vez. Ficamos em silêncio. Nenhuma ideia genial vem à mente. Deveria ter deixado um caminho de doces pela floresta. Mentira! Bruxas são o que falta para dar vida ao meu verdadeiro pesadelo. Mas eu poderia ter marcado o caminho de alguma maneira.
Um sino toca.
— O que foi isso? — Natsu pergunta, olhando para a o lugar onde o som se originava.
— Acabou o jogo — respondi, cansada.
— O QUE? — gritou, levantando-se em um pulo — DROOGA! ISSO QUE DÁ FICAR PARADO AQUI — continuou divagando inconformado. Aprendi a ignorar essas suas reações sem noção.
— Pelo menos sabemos em que direção seguir agora — falei, me levantando da pedra também, e batendo na minha roupa — Vamos!
Seguimos por entre árvores, e árvores, e árvores, caçando o caminho de volta.
— Droga! Droga! Droga! — continuou resmungando o caminho inteiro.
Vou pular no pescoço dele.
— Dá pra parar? — reclamei, lançando um olhar irritado em sua direção. Mas pelo jeito ele aprendeu a ignorá-los também.
— Não podia ter perdido!
Ignore Lucy. Ignore.
Andamos mais um pouco, até eu enxergar um vão entre as árvores que não nos levava a mais árvores. É o campo. Obrigada Kami-sama.
— FINALMENTE! LIVRE! — gritei como se tivesse renascido, esticando meus braços e pernas — Tem o luau ainda! Tenho que me arrumar! — Falei animada, correndo na frente. Mas não ouvi passos atrás de mim, então parei e me virei para olhar meu amigo zumbi, que precisa de uma dose de adrenalina — O que é?
— Não tô afim de encarar ninguém, ainda mais se for o Gray quem ganhou. Ele vai me zoar até a morte! — disse colocando as mãos na cabeça, já pensando em todas as piores consequências possíveis.
— Para de drama, vem logo! Senão não vamos aproveitar o luau! — reclamei.
E eu não vou poder ver o Sting. Pensei apenas comigo mesma.
Ele finalmente se deu por vencido. Suspirando e reclamando o caminho inteiro, mas pelo menos ele veio. Corremos até os chalés. Ou melhor, eu corri, ele ainda parecia um zumbi. Fácil para ele que não tem que se arrumar tanto!
Me despedi dele e voei em direção a porta que esperava por mim.
Estou exausta. Mas estou animada para o que ainda pode acontecer aqui. Abri a porta e me surpreendi ao ver que as garotas estavam ali, e não no luau. Seus olhos se voltaram para mim ao entrar no chalé.
— Lu-chan! Aonde você se meteu? Estava preocupada! — Levy veio em minha direção, abrindo os braços para me abraçar até perceber meu estado e parar automaticamente — Er... Abraços depois certo?
Olhei para mim mesma. Que horror. Estou toda suja. Sinto-me suada. Realmente, minha situação está deplorável. Eu não me abraçaria também.
— Acabei ficando perdida dentro desse jogo idiota — respondi, desanimada.
— Perdida? Sozinha? Que perigo Lucy! — Lisanna apareceu, saindo do banheiro, com uma tolha em mãos, secando o cabelo.
— Eu estava com Natsu...
Área perigosa detectada! Frase errada pra pessoa errada. Ficou um silêncio terrível entre nós. Como eu poderia ter falado aquilo? Argh! Eu realmente não penso nas coisas antes de falar! Engoli a seco.
— Bom, mas então, o luau já não começou? — Tentei quebrar o clima pesado.
— Aham, estávamos esperando você e nos arrumando — Disse Lisanna forçando um sorriso para não deixar as coisas estranhas.
Apesar de já estarem bem estranhas para mim. Às vezes me sinto culpada por ser tão amiga de Natsu. Todos diziam o quanto isso era estranho, agora já se acostumaram. Mas eu não acho que ela tenha se acostumado. Eu me sentiria mal em seu lugar... Sou uma amiga péssima. Mas Natsu foi meu primeiro amigo, ele que me apresentou a todos, não conseguiria virar a cara para ele do nada.
— Ah sim... Vou tomar um banho então, se quiserem podem indo na frente! — Sorri e andei em direção a minha mala para procurar por alguma roupa que combinasse com a ocasião.
— Não tem mesmo problema você ir sozinha Lu-chan? — Levy perguntou preocupada.
— Claro que não, podem ir — respondi, indo para o banheiro, mas parei na porta — Ah Levy-chan! Quem ganhou o jogo, aliás?
Natsu
Me despedi de Lucy, vendo-a andar na direção oposta a mim. Fui andando até o chalé, ainda tenho que me arrumar para esse tal de luau. Admito que não estou nada animado, mas quem sabe o futuro me reserve ainda uma ótima noite?
Cheguei em frente a porta e a abri. Assim que entrei, vi um olhar e um sorriso sarcástico que pareciam apenas esperar por minha chegada. Droga de dia.
— Então parou de se esconder — Gray disse com seu sorriso ridículo.
Droga! Droga! Droga! Algo me dizia que coisas boas não estão por vir. “Quem sabe o futuro me reserve uma ótima noite?”. Fala sério. A resposta voltou bem rápido.
— Ah, aquele jogo estava muito chato, então resolvi andar para esfriar a cabeça — menti descaradamente.
Gray riu mais ainda.
— Mentiroso! EU VENCI! — gritou, apontando o dedo para mim. As pessoas estão curtindo ficar apontando dedo para mim hoje — Quem é o melhor agora?
— Pelo menos coloque roupas pra falar algo, idiota!
— Mas o que...? — Gray olhou para si mesmo.
Cara idiota, não sabe nem quando tira as roupas. Essa coisa de ficar arrancando as roupas aí no mesmo cômodo que eu, não rola não. Ficar olhando homem pelado, tô fora.
— Ei princesinhas, já estou saindo — Gajeel passou por nós, saindo do chalé.
— E eu também, melhor não demorar, perdedor! — Gray correu atrás do outro.
Maldito!
Dane-se. Estou mesmo fedendo igual um condenado, melhor eu tomar banho. Hoje o dia já foi longo demais.
Narradora
Gajeel e Gray saíram de seus chalés ao mesmo tempo que Levy e Lisanna. Elas acenaram para eles, se juntaram e foram juntos até o lugar planejado.
— Caramba você é mesmo baixinha! — Gajeel implicou com a azulada, como sempre. Colocou seu braço em cima da cabeça da mesma, que o olhou irada.
— Para de ser chato! — gritou, tirando seu braço.
Nunca entenderia porque ele implica tanto com ela, o tempo todo. Apesar de ficarem separados na sala de aula e nos eventos aleatórios, sempre acabavam se esbarrando. E bom, ele nunca perdia a chance de zombá-la. Os dois foram andando rapidamente na frente, discutindo. Nada fora do normal. Enquanto Lisanna e Gray apenas observaram a cena um pouco mais atrás.
— Eles não têm jeito mesmo — murmurou Gray, vendo os dois discutindo.
— É verdade — Lisanna concordou, rindo.
Depois permaneceu em silêncio, hesitante em perguntar sua principal curiosidade. Juntou seu pingo de coragem e finalmente disse:
— Natsu não vem?
— Hm, aquele idiota chegou tarde demais e vai depois — respondeu sem muito ânimo.
— Ah tá... — Lisanna falou num tom baixo e triste. Aliás, tudo o que queria no momento, era finalmente passar algum tempo com seu amado.
Os quatro foram andando até encontrar onde todos estavam. Haviam piscinas enormes com pequenos espaços de uns 5 metros entre elas. A decoração estava incrível, porém o que tornava tudo realmente perfeito era a natureza ao redor. Os coqueiros balançando suas folhas dando um ar tropical. Havia luzes iluminando as piscinas mais próximas do barzinho, e uma fogueira no meio de tudo isso.
Muitas pessoas já se encontravam ali. Dessa vez todas as salas estariam presentes, então havia uma numerosa quantidade de alunos.
Entre esses alunos, o grupo das garotas já estava reunido perto da piscina. Dando risadas e comentando sobre tudo ao redor. Principalmente sobre as pessoas e seus trajes, pois é o que fazem de melhor.
— O Gray-sama está radiante, como sempre — Juvia disse, observando seu querido de longe e suspirando.
— Porque não aproveita e tenta falar com ele? — Erza induziu.
— Não sei se Juvia teria essa coragem — respondeu com sua mania de falar em terceira pessoa. Era algo que estava nela desde criança e que custava-lhe mudar.
— Vai Juvia! É sua chance! — Lisanna encorajou também, empurrando a azulada em direção ao moreno.
Juvia pensou se seria uma boa ideia. Tem medo da reação que Gray teria, e sempre que tentava fazer algo para chamar sua atenção era em vão. Ele a ignorava de todas as maneiras possíveis. Mas era hora de tomar coragem de fazer algo maior. Encorajada e destemida foi finalmente em direção à Gray. Estava tão focada nele que acabou esbarrando em alguém com força e caindo no chão.
— D-desculpe — Levou a mão à cabeça para aparar a dor.
— Tudo bem, me desculpe também, não estava prestando atenção. — Um garoto de cabelos cinzas estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. Quando ele a olho com mais atenção, se encantou instantaneamente por aqueles cabelos azuis, seus olhos, seu corpo que também era chamativo e bem estruturado — Prazer, sou Lyon Bastia.
Deu o melhor de seus sorrisos, tentando causar o mesmo encanto na garota que acabara de conhecer. Ela pegou em sua mão para se levantar.
— Juvia Loxar — correspondeu com um sorriso.
―×―
— Eu acho que ela perdeu o foco — Observou Levy ao ver a amiga esbarrar em outro garoto bonito.
As garotas riram pelo comentário. Todas concordavam. Juvia é louca por Gray, mas ele nunca mostrou interesse algum por ela. Qual seria a melhor solução, além de conhecer outro rapaz encantador?
— Queria tanto um namorado — Cana exclamou, virando outro copo de cerveja.
— Pode beber tanto assim numa viagem escolar? — Erza a repreendeu — Se o diretor te ver... — Ia terminar sua frase, mas foi interrompida, olhando em direção onde o dedo de Cana apontava. Era Makarov bebendo muitas — Não acredito, que diretor é esse? — inconformou-se.
— Falando em namorado... — Levy relembrou — Você nunca vai falar com o Natsu, Lisanna? — perguntou, olhando para amiga albina que saltou com a pergunta.
Levy não era a garota mais discreta do mundo. Todas sabem.
— F-falar com ele? — Tornou-se um pimentão. Enquanto os olhares das garotas se dirigiam apenas para ela.
— Você gosta dele não é? — A azulada insistiu — Você deveria tentar!
— Nunca entendi a história de vocês dois... — Erza comenta, pensativa. Já ouvira falar, mas realmente não se recordava.
Lisanna suspirou.
— A gente era bem amigo quando criança, passeávamos sempre juntos, vivíamos na casa um do outro. Um dia encontramos um gatinho na rua, e dissemos que íamos cuidar dele. Daí sempre nos encontrávamos no parque, falávamos que era nossa casa. Natsu foi sempre impulsivo, desastrado e infantil, mas quando eu o olhava cuidando daquele bichinho, percebi o quão carinhoso ele podia ser e como... eu queria esse carinho. Acho que me apaixonei nessa hora.
As garotas ouviam os detalhes bem atentas, achando tudo um conto de fadas.
— Porém um dia, meu pai disse que conseguiu uma bolsa no exterior para mim, devido minhas notas. Falavam que faltava alguém como eu naquela escola. Acabei indo para Edolas, por um longo tempo, e acabamos perdendo todo o contato, estava certa de esquecê-lo, mas de repente meu pai disse que seria melhor se eu voltasse... e quando entrei na sala e o vi novamente, percebi que meus sentimentos não tinham mudado. Mas não sei se isso é bom, porque nunca mais consegui falar com ele normalmente...
Todas suspiraram.
— É uma linda história — Erza sorriu, colocando um braço no ombro da amiga, que se encontrava vermelha demais.
— Talvez seja hora de perder esse medo e ir falar com ele! — Levy encorajou mais uma vez — Nunca saberá o que ele pensa, se não tentar!
— Ai ai, essas coisas são tão complicadas — Cana virou mais um copo.
Lisanna ficou pensativa. Deveria mesmo arriscar? Pensou nas inúmeras consequências que teria que suportar caso não fosse correspondida. Mas acreditava fielmente que o rosado sentia algo por ela também. Não era possível ele ter esquecido tudo o que eles haviam passado juntos.
Pensando nisso, viu Natsu chegar. Com uma bermuda vermelha e uma camiseta branca. Seu coração disparou. Como pode ser tão lindo? Será que o amor havia a deixado cega, ou ele é realmente tão atraente assim para seu coração saltar pela boca?
Respirou profundamente e deu um passo à frente. Era hora de tomar coragem.
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