Academia De Fadas
41 Capítulo 41 — Fim de ano
Notas iniciais
Capítulo 41 — Fim de ano
Lucy
Voltamos em silêncio, ouvindo as pessoas comemorando e os fogos que ainda não pararam. Natsu também está pensativo, o que torna tudo bem desconfortável. Essa confusão entre certo e errado na minha mente não cessa, eu disse que não iria ceder e então retribui seus beijos. Não consegui me deter e fico inconformada comigo mesma. Como ele pode fazer isso comigo? Mesmo depois de tudo o que fez, ainda tem poder sobre meu corpo. Isso é horrível! Não consigo explicar, mas quando ele me olha, essa pequena conexão é o bastante para que eu me jogue em seus braços.
Chegamos na frente de minha porta, ficamos um do lado do outro, pensando no que dizer. Então nos olhamos. Não devíamos ter feito isso, porque se procurávamos explicações, encontramos ainda mais confusão. Sua boca tomou novamente a minha com tanto pudor que pensei que fosse cair. Ofego com o ato repentino, enquanto Natsu passa sua mão sobre minha coxa. Minhas costas batem contra a porta, mas não sinto dor. Sinto muitas coisas, não dor. Sua boca desce para meu pescoço, me mordendo sem compaixão. Solto um gemido involuntário e sinto uma mão em minha boca. Natsu me olha em um misto de excitação e preocupação.
— Se você for gemer, é melhor em um lugar que ninguém veja o motivo de estar fazendo isso — sussurra, mantendo sua mão sobre minha boca.
Grunhi, tentando falar com a boca tampada e ele me libera.
— A chave tá no meu casaco — murmuro sem conseguir me mexer.
Natsu continua me prensando contra a porta, quando vai apalpando meu corpo em lugares bem longe de onde a chave está. Sinto um arrepio delicioso passar por todo meu corpo ao experimentar sua mão quente de um lado para o outro. Penso em protestar por sua demora, mas ele encosta seu corpo ainda mais rente ao meu.
— Shiiu — faz ao perceber minha inquietação.
Respiro fundo para aguentar suas provocações, quando ele finalmente alcança a chave. Ele me puxa para si e tenho tempo apenas de escutar a fechadura se abrir no momento em que Natsu me agarrou ainda mais forte e me arrastou consigo para dentro. Seus lábios se apoderam dos meus, e escuto a porta se fechar atrás de nós. Não acendemos as luzes, deixando que a luz do luar preenchesse o espaço. Ele me solta por um instante apenas para me olhar. Então como toda vez, sei o que nossos olhares estão dizendo.
— Ei Lucy... — sussurrou perto de meu ouvido e foi descendo em uma linha de beijos por meu pescoço — Sinto muito a sua falta — disse numa voz rouca que me fez derreter.
Ele continuou a me tocar, me acariciar, a me morder. Se ele soubesse a falta que senti de cada toque seu. Tanta falta que achei que pudesse explodir. Sua mão quente parou sobre minha cintura e foi aos poucos subindo até meus ombros, onde foi descendo meu casaco por meus braços. Em instantes meu casaco estava no chão, e eu não me importei. Natsu voltou a me olhar, provavelmente para se certificar que esteja tudo bem comigo.
Então mordi o lábio inferior um pouco envergonhada e determinada. Ele sorriu e se inclinou para me beijar. Começamos aos poucos, sentindo os lábios, depois a língua, seu sabor, e sem perceber estávamos em um beijo intenso e devastador. Passei as mãos por seu pescoço para prendê-lo a mim, e suas mãos me apertaram mais contra seu peito. Suas mãos se abaixaram novamente até minhas cochas e as puxaram em um impulso. Arfo soltando sua boca, sentindo sua excitação contra mim. Talvez eu possa mesmo explodir.
Sinto meu corpo sendo impulsionado sobre o sofá, e antes que eu pudesse reclamar, sua língua passou por meus lábios e se aprofundou contra minha boca. Minha meia calça vai sendo arrancada, enquanto ele não deixa de me beijar. Ajudo a jogá-la de lado para tê-lo logo perto de mim. E como telepatia, sua mão finalmente deslizou sobre minha pele nua, tocando minha cocha com precisão. Solto um gemido sem dó que o faz me apertar ainda mais forte. Passo as mãos por seu suéter e com sua ajuda, o retiro. Olho para seu abdômen definido, então sinto minha intimidade se agitar ainda mais.
Não sei onde deixei minha consciência para estar fazendo tudo isso. Mas meu corpo pede tanto por ele que poderia morrer por isso. Natsu deita-se sobre mim no pequeno espaço, mas que parece o suficiente para muitas outras coisas. Ele me beija, erguendo meu vestido e passando a mão sobre minha cintura. Então sua boca se desliza em beijos até meu pescoço, e ele me chupa. Ofego, arranhando suas costas e começo a gemer sem pensar. Essa sensação delirante que espero não terminar tão cedo.
Mas terminou, assim que ele me deu mais alguns beijos e parou. Seus olhos encontraram os meus, que tenho certeza, contêm um ponto de interrogação enorme.
— É melhor pararmos — disse um pouco ofegante.
Não tenho certeza da expressão em meu rosto, mas com certeza se aproxima de algo perto da indignação. Sua reação me pega totalmente desprevenida, pois faz todo meu raciocínio voltar e não me sinto em uma boa posição. O que ele quer dizer com parar? Olho para ele, totalmente confusa. Estou aqui, me humilhando e deixando um monte de feridas para trás e ele diz “Melhor pararmos”? Natsu continua sobre mim, com os braços flexionados para me olhar melhor.
— Lucy, a gente tem que conversar — murmura e seu olhar transparece medo.
Não sei o que no meio disso tudo me fez sentir raiva. Não consigo nem explicar o porquê, mas me sinto frustrada e humilhada novamente.
— O que Natsu? — sussurro, sentindo meu coração se apertar — Não sou tão boa quanto a Lisanna? — digo, empurrando-o para trás e me sentando com os pés no sofá, enquanto ajeito meu vestido.
Sinto seu olhar perplexo, mas não quero saber.
— Do que está falando? — pergunta sínico.
Uma ânsia dentro de mim começa a crescer até chegar em meus olhos e sentir que irei desabar a qualquer momento. Queria que minha raiva fosse maior do que essa mágoa para eu enlouquecer de novo e dizer tudo o que quero na cara dele, mas não consigo. Não respondo seu questionamento, nem o encaro.
— Lucy — começa novamente — Eu nunca, nunca — repete com mais precisão — fiz qualquer coisa deste tipo com a Lis. Eu nem ao menos sinto qualquer desejo por ela em relação à isso!
Arrisco olhá-lo, mas sinto que foi pior. Seus olhos parecem querer hipnotizar os meus. Será que alguém consegue fingir tanto desespero? Lembro-me da conversa com Lisanna e fico indignada por ele conseguir mentir algo tão sério.
— Então por que você iria querer parar do nada? — indago com minha voz elevada — Aliás! — grito, me levantando do sofá para me distanciar dele — Foi bom você ter feito isso, porque eu não quero que ela seja traída como eu fui!
Ele se levanta também e fica na minha frente.
— Eu não te traí! — replicou parecendo indignado — Meu Deus! Eu já tentei te falar isso um milhão de vezes!
Olho para ele apenas por tempo suficiente de sentir as lágrimas começarem a cair de meus olhos. Não posso deixar que ele me veja assim de novo.
— Quer saber, vai embora — digo, apontando para a porta.
Seu olhar se torna ainda mais sínico. É como passei a chamar seu olhar no momento em que ele finge parecer de um jeito, mas é mentira! Ele deu alguns passos para perto de mim.
— Qual é o seu problema? Você nunca me escuta! — fala agitado.
— Você é meu problema! — grito, ainda mais exaltada — Você apareceu simplesmente para acabar com a minha vida!
Natsu dá passos largos em minha direção, até pegar meu pulso. Tento me afastar, mas ele é muito mais forte. Seu rosto fica a poucos centímetros do meu, e nossos olhares ficam na mesma linha.
— Você também é meu problema — afirma com a voz mais calma — Às vezes me pergunto se temos solução.
Meu corpo paralisa sobre sua frase profunda. Meus olhos passam de um para o outro, sem saber onde me focar.
— Vai embora — repito, tentando parecer forte.
Ele me solta e dá alguns passos para trás.
— Você não confia mais em mim?
Sei o que ele quer dizer com isso. Eu sempre disse que confiava nele mais do que em qualquer pessoa. Não importava onde eu estava, ou como me sentia, ou até mesmo com que humor me encontrava, ele sempre estava presente. Ele sempre me protegia, sempre me animava. Não consigo mais encontrar aquele garoto em seus olhos.
— Não — respondo friamente.
Ele se cala por alguns instantes. Sua expressão parece expor tantos sentimentos que fico confusa, mas a mágoa ganha de todas. Isso é inútil, sou eu a magoada aqui! Natsu abaixa a cabeça, olhando para o chão por alguns minutos até voltar a me olhar.
— Entendi — sussurra, indo até a porta — Boa noite, Lucy — fala ao abrir a porta, e sem olhar para trás, a fecha.
Desabo sobre o sofá no mesmo instante, me sentindo ainda mais perdida do que estava. Então começo a chorar descontroladamente, abraçando meus joelhos como se fosse algum amigo. Não sei de onde vem essa dor angustiante, mas me pergunto porque ela demora tanto para ir embora.
―×―
Acordo com o corpo dolorido por dormir no sofá. Chorei tanto ontem à noite que não queria nem me levantar. Fiquei com a mesma roupa também. Segurei meu impulso de ir vê-lo para esclarecermos tudo. Mas não tem o que ser esclarecido. Arrasto-me até o banheiro para tomar uma ducha que leve toda a dor para o ralo. Escovo os dentes e coloco uma roupa que não me lembre suas mãos passeando por mim.
Saio do flat, olhando ao redor para me certificar que não irei encontra-lo. Como já está um pouco tarde, espero que não estejam também no refeitório. Não sei o que faria para encará-lo de novo. Outra discussão, como conseguimos? A cada passo para perto do refeitório faz meu coração saltar. Respiro fundo ao entrar no lobby, quando um homem me para.
— Com licença, senhorita Heartfilia? — pergunta educadamente.
— Eu mesma — respondo curiosa. Parece um funcionário do hotel e não faço a mínima ideia do porquê ele me pararia logo de manhã.
Ele busca algo em seu bolso, até me estender um envelope.
— O senhor Dragneel pediu para que eu te entregasse isso antes de partir — explicou.
Pego o envelope com as mãos temendo.
— Ele... foi embora? — pergunto com a voz falha.
— Sim, parece que resolveram voltar para casa mais cedo — esclareceu — Se me dá licença — diz, fazendo uma reverência — Tenha um ótimo dia.
E com isso se retirou. Olho para o envelope, sentindo meu coração se despedaçando. Ele foi embora... Saio do local e vou até um canto escondido, como se fosse fazer algo ruim. Mas na verdade estou com medo de suas palavras. Encosto em um muro, e abro o envelope, mostrando um papel de caderno dentro.
Respiro fundo e leio.
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Querida Lucy,
Não sei se dá para reparar, não sou um cara que costuma escrever cartas. Então não julgue minhas pobres habilidades. Pelo menos tenho certeza que a comecei de maneira correta. Enfim.
Você pediu para que eu fosse embora, e assim o fiz. Espero que isso possa te mostrar: não importa o que me peça, tenha certeza que eu farei. Infelizmente, ainda não posso realizar o pedido para que eu desista de você. Sinto muito. Queria poder te explicar meus sentimentos por você, mas até mesmo para mim é confuso. Como você não quer me escutar, espero que leia. Eu poderia enviar uma mensagem, mas cartas não te deixam muito mais curiosa? Aliás você adora escrever e essas bobagens todas. Espero que tenha acertado, porque gosto de pensar que te conheço ao menos um pouco.
Vamos lá, Lucy. Parte1.
Você é simplesmente a garota mais incrível que já conheci.
Você é simpática, inteligente, extrovertida, carinhosa e além de tudo, é tão linda que fico fascinado. Não bastasse tirar toda minha atenção, sempre foi minha companheira e ocupou tão facilmente o posto de melhor amiga. Achei que fosse tudo, que essa ânsia de querer estar perto de você era amizade. Mas lógico que não é tão fácil assim, você pode fingir que não sabia de nada, mas naquele festival do começo do ano eu estava disposto a ser seu. Só não esperava que você não estivesse.
Parte2.
Sou extremamente apaixonado por seu sorriso.
Não que isso seja novidade, porque tenho certeza que já me pegou olhando para você como um idiota. Sabe, quando eu o vejo sinto que não preciso de mais nada. E mesmo em todas minhas tentativas de protege-lo, eu falhei. Desculpe por isso.
Parte3.
Você estava maravilhosa ontem. Então desculpe se fiquei iludido demais para esquecer de dizer isso. Você estava perfeita, saiba disso.
Parte4 e mais importante.
Eu te amo.
Essa miserável frase que tantos temem. Não é incrível como ela sai com facilidade quando você tem certeza disso? Você pode me achar contraditório por dizer que não consigo te explicar meus sentimentos e depois dizer isso. Sinceramente, é mesmo. Estou passando por tantos sentimentos contraditórios que poderia escrever um livro (Se eu não detestasse escrever – Viu como eu te amo?). Mas mesmo quando você me deixa com raiva, frustrado, decepcionado e no nível mais alto de ódio que nunca imaginei atingir, eu te amo. Pode parecer zueira, como 90% das coisas que eu digo, mas tenho pelo menos 99% de certeza que as estrelas brilharam mais quando eu te disse isso no natal. Elas viram aquilo. Só falta você acreditar em mim.
Vou me afastar de você, de novo. Porque sinceramente não sei mais o que fazer. Eu nunca te trairia. Confesso que trairia qualquer outra garota com você, mas não o contrário. Sei que não é hora para piadas, mas gosto de imaginar que ainda consigo arrancar um sorriso ou outro de você.
Minha versão, prepare-se:
Pedi para que a Lis se encontrasse comigo depois do trabalho. Estava determinado a dizer que estava com você e pedir desculpas por não corresponder os sentimentos dela. Então ela apareceu em casa praticamente uma hora antes e começou a dar em cima de mim. Ela me beijou no exato momento em que você apareceu. Sem explicação alguma, sem clima algum. Não sei o que deu nela.
Sinto muito por não ter impedido que isso acontecesse, mas eu realmente não esperava por isso, e muito menos, não esperava que não acreditasse em mim. Desde aquilo minha vida tá um verdadeiro inferno sem você. Espero que um dia possa acreditar em mim.
Até o próximo ano?
Daquele que te ama, Natsu.
Ps. Escrevi mais do que na prova de redação, leve isso em conta.
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Li e reli a carta com o coração na mão. Eu sorri como idiota, me senti encantada e comecei a chorar. Isso tudo está me cansando. Não sei no que acreditar. Será que fiz a coisa certa?
―×―
Alguns dias se passaram e voltei para minha amaldiçoada vida. Finalmente é véspera do ano novo e realmente espero que este ano vá embora com Deus. E por favor, leve todos os desastres juntos.
Combinei de passar o ano novo com as garotas. Íamos nos reunir no dormitório da maioria delas e festejar. Isso era ótimo, porque eu não passaria essa data sozinha. Além disso, passei horas no telefone com a Levy ontem, planejando tudo o que íamos fazer hoje e claro, contar tudo o que houve. Eu até li a carta inteira para ela. Levy insiste em dizer que sou a garota mais orgulhosa do mundo, e eu não discordei.
Olho para meu celular, jogado sobre a cama e não vejo a luz piscar. Não a vejo piscar faz muito tempo. Não nos falamos desde o Natal. Sei que tenho grande culpa nisso, vai que ele me garantiu que iria se afastar. Mas também acho que tenho razão. E outra vez, estou entrando em contradição. Suspiro pesadamente e me levanto.
Olho para o lixo ao lado da minha mesa, lotado de tentativas falhadas de me comunicar com Natsu. Não sei mais o que estou fazendo.
O relógio grande perto da TV apita, e vejo que tenho que começar a me arrumar. Como já tomei banho mais cedo para arrumar meu cabelo, apenas visto o vestido branco rendado que comprei para a ocasião. Pego o pudim que me pediram para fazer, minha bolsa e saio.
Direto para onde ouvi sua primeira declaração.
―×―
Levy
Eu, Erza e Juvia começamos a arrumar a decoração do local antes que todos chegassem, aliás era muito mais fácil para nós que vivíamos ali. Ontem conversei muito com a Lu sobre as comidas que poderíamos fazer, o que podíamos encomendar e como iriamos enfeitar tudo. Ela só não sabe que mudei um pouco os planos. Conversando com as outras garotas, entramos em consenso que seria muito chato reunirmos só nós, o clube da Luluzinha. Então... eu chamei todo mundo.
Ok, confesso que eu influenciei todo mundo a querer isso. Quero que o Natsu e a Lu-chan se resolvam de uma vez, é tão claro como água ver que um é louco pelo o outro. Estou surtando! Não estou mais ligando se ele traiu ou não, para mim é óbvio que ele ama minha amiga. Garota teimosa! Também não quero acreditar que a Lisanna tenha agido propositalmente. Seja o que for, a Lu-chan vai me xingar muito quando ver Natsu aqui. Mas o que eu não faço para ver uma amiga feliz?
Sem ser mentirosa, eu também queria ver meu namorado. Porque, coitado, ele passou a noite inteira ontem ouvindo minhas teorias sobre o que houve com o Natsu e a Lucy, e tenho certeza que ele nem se importa. Além disso, teve que suportar minha revolta. Ele não é maravilhoso?
Olho para a decoração, enfim, pronta. Tudo está perfeito, como imaginei. Bexigas brancas, folhas de coqueiro, flores e frutas por toda parte.
— Está perfeito! — comento, animada com o resultado.
— Está lindo! — Erza concorda, sorrindo.
— Juvia amou! — a azulada também se manifesta.
— Hã... — Erza começou a dizer, fazendo com que eu e Juvia a olhasse com expectativa — eu chamei o Jellal, tem problema? — pergunta um pouco corada.
— HMMMMMMMMMM — falei a deixando mais vermelha e comecei a rir — claro que não, quanto mais melhor.
— Oi minna! — Lucy chegou sorridente, acenando para nós com a mão livre.
Aquele sorriso, que vai querer me matar quando ver o Natsu aqui.
―×―
Lucy
— Oi minna! — digo animada ao chegar.
Elas acenam sorridentes. Olho toda aquela decoração maravilhosa e me sinto orgulhosa do bom trabalho das garotas. Ando até a mesa para deixar o pudim que pesa em meu braço.
— Oi gente! — escuta uma voz masculina e me viro.
Gray? O que ele está fazendo aqui? E sua roupa branca me diz que ele passará o fim de ano com a gente. Ando até onde as garotas estão reunidas. Aceno para Gray, sem demonstrar minha dúvida. Olho para Levy-chan buscando alguma explicação do tipo “Será que ele errou de lugar?”. Mas ela apenas sorriu, então não entendi nada.
— E aí pessoal — outra voz se aproxima.
Ai Meu Deus.
Levy olha para mim parecendo em crise. Olho para trás e vejo Natsu cumprimento Gray com um aperto de mão e uma batida nas costas. Acho que vou desmaiar.
Ele se aproxima para cumprimentar as garotas, até chegar em mim.
— Oi Lucy — fala sorrindo, então se aproxima para me beijar na bochecha.
— O-oi — digo da maneira mais idiota que já me imaginei dizer um oi.
Então ele simplesmente deu as costas e foi em direção ao Gray. Só um oi, e um beijo bobo na bochecha. Não que eu estivesse esperando por mais, mas depois de ler toda aquela carta eu achei que... não sei. Fosse ser diferente?
Com o passar das horas ficou claro que não seria uma noite de garotas. Chegou muita gente, muita. Tipo nossa sala inteira e talvez algumas pessoas que nem fossem da nossa sala. Fiquei completamente perdida e abandonada. Porque minha melhor amiga, que por acaso está namorando, não ficou comigo. Erza não desgrudou de Jellal, e apesar de querer sentir ciúmes, os acho fofo demais! Estranhamente Gray estava tendo uma conversa normal com Juvia, e até mesmo ela parecia agir normal, o que é estranho. Tudo está estranho.
E para acabar com todo o resto da minha noite, Lisanna não saiu do lado de Natsu. Ela sorria muito e ria demais de qualquer coisa que ele falava. Olho para esta cena e me lembro da carta. Em que devo acreditar? Meus olhos mentem tanto assim?
Fiquei na piscina por um tempo, me sentindo completamente deslocada e desconfortável. Natsu não falou mais comigo, e de repente sua garantia de se afastar parecia bem real. Ele nem ao menos me olhou. Tive medo de olhá-lo no instante em que seus olhos estivessem em mim, mas eles nunca estavam. Estavam focados em Lisanna e em suas palavras engraçadas. Talvez assim seja melhor.
Quando estava perto da meia noite, todos se levantaram, enquanto alguns garotos começaram a soltar fogos. Assim como toda vizinhança. O céu estava repleto de fogos de todas as cores. Mesmo assim não parecia assim tão bonito, lembro-me do resort, daquele céu esplendido e dos lábios de Natsu nos meus. Falando nele, não o vejo faz algum tempo. Me repreendo por ficar reparando nisso.
Assim que apita meia noite, vi diversos casais se beijando. É lindo sabe, o primeiro ato do ano ser um beijo apaixonado. Várias pessoas começaram a se abraçar e eu me senti tão vazia. Então meu bolso vibrou, e sem explicação, meu coração acelera quando vejo uma nova mensagem na tela do celular.
“Feliz Ano Novo Chatinha! Que esse novo ano possa ser muito melhor do que o passado. Eu te desejo todas as melhoras coisas possíveis. E só para você não esquecer. Amo você” — De Natsu chatinho.
Olho para a mensagem sem conter um sorriso. Então aperto o celular contra meu peito e olho para o céu estrelado.
O que esse ano pode reservar?
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