Academia De Fadas

39 Capítulo 39 — Natal perfeito


Notas iniciais
Olá gente boa, como estão? Vou dizer a vocês como estou, BRAVA, muito BRAVA u_ú Vamos ter um papo sério agora hunf, é bom vocês começarem a comentar, senão adeus fic, fim de papo Ò_ó KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Okay, brincadeira ou não, sério gente :/, tentem comentar tá? Tento escrever todos os dias para vocês, não poderiam deixar um comentário rápido? Agradeço a todos que comentaram o capitulo passado, fico muito feliz, e bem vindos novos leitores. Espero que gostem do capitulo ♥ ♦Capítulo reeditado

Capitulo 39 — Natal Perfeito

Lucy

O barulho insistente do meu despertador começou a ecoar pelo quarto vazio. Um lembrete que era hora do café da manhã e também que eu estava sozinha. Sento na cama sonolenta, esticando meus braços e olhando em volta. Suspiro ao reparar que é só mais um dia normal de solidão. Levanto, vou ao banheiro, escovo os dentes e me olho no espelho. Controlo-me para não pular com a imagem. Meu cabelo parece ter passado por um vendaval, e minhas olheiras estão horríveis. Consequências de uma noite mal dormida.

Tomo uma ducha para tentar melhorar minha aparência e seco meu cabelo para ele não armar. Prendo ele de lado e passo uma maquiagem leve para esconder a parte escura abaixo de meus olhos. Analiso novamente meu reflexo no espelho e já me sinto bem melhor. Visto uma calça jeans e uma blusa de manga longa verde com uma jaqueta por cima. A manhã está fria.

Saio de meu flat e dirijo-me até o refeitório, onde um longo aparador me espera com suas diversidades de gostosuras para se comer à vontade. Meu estômago se remexi dentro de mim, e lembro de ter perdido a janta ontem por ficar conversando com Natsu. Pergunto-me se ele vai estar lá. As coisas não estão ocorrendo como deveriam, mas não sei até que ponto estou achando isso ruim. Eu poderia estar realmente sozinha, mas até aqui, o infeliz me faz companhia.

Respiro fundo e passo pelas grandes portas do refeitório. E assim que entro, vejo pessoas acenando para mim. Eu nem precisei procura-los.

— Bom dia Lucy-san — Wendy continua acenando histericamente — Senta com a gente — chamou de longe.

Igneel sorria abertamente como parece ser de costume e Natsu se virou para mim, sorrindo de leve. Com todos do refeitório olhando para mim, como recuar? Sorri normalmente e me aproximei, mesmo que já sinta meu coração batendo mais forte.

— Bom dia Wendy — falei com um sorriso — Senhor Igneel-san — cumprimentei, desviando meu olhar de um para o outro e me virei para Natsu — Bom dia Natsu — murmuro sem graça.

— Bom dia Lucy — responde sorrindo.

Não seu sorriso de antigamente que ocupava todo seu rosto, mas um sorriso sereno. Aquele mesmo que me deu ontem à noite, antes de se retirar. Então ele afastou a cadeira ao seu lado, presumi que era onde eu deveria me sentar. Que ótimo.

— Vou me servir primeiro — digo numa tentativa de fugir temporariamente — Já volto.

Dou meia volta e vou até os aparadores. Tento afastar os pensamentos que me afligem e pego um prato para me servir. Decido-me por alguns pães de queijo, frutas e um suco de maracujá, esperando que faça mesmo seu efeito calmante. Tão cedo e meu coração já está trabalhando demais. Volto para a mesa e me sento para comer silenciosamente, enquanto eles ainda aproveitam suas refeições. Sinto o olhar de Natsu me fitando, e resolvo finalmente encará-lo.

— Caramba, você estava com fome — Natsu comenta, olhando para o meu prato.

Sinto meu rosto esquentar de vergonha. Termino de engolir um de meus pães de queijo e aponto para o prato dele.

— Eu? — digo indignada — Olha o seu prato! Isso porque você já comeu metade enquanto eu pegava o meu.

Ele arqueou as sobrancelhas, com um sorriso divertido.

— Preciso me alimentar adequadamente caso resolva ficar o resto do meu dia conversando com você — disse casualmente.

Eu sei, eu sei que ele estava se referindo à ontem. Quando perdemos o jantar por ficarmos conversando demais. Mesmo assim todo meu rosto esquentou ainda mais e parecia querer explodir, assim como meu coração. Não é uma cantada, Lucy. Eu deveria mesmo de convencer, mas olhar seu sorriso de lado enquanto me observa é demais.

— Nossa! — uma exclamação interrompe meu transe — Vocês são mesmo um casal engraçado — Wendy brinca, olhando para nós. Igneel ri, concordando.

Ainda mais constrangida, ignorei tudo e voltei a comer. Minha comida parecia o mais interessante no momento. Depois disso todos se voltaram a falar sobre todas as coisas que havia neste lugar maravilhoso. Todos terminaram de comer, satisfeitos. Então fomos para os vitrais, onde pude ver de cima toda a paisagem à nossa volta. O refeitório ficava bem no alto, dando a vista perfeita para todas as termas.

— Então Lucy — Igneel puxa assunto — Passará a ceia conosco, né? — pergunta sorridente. Fico em silêncio procurando um jeito de negar, sem negar. Não queria mesmo negar, e eu sei porquê. Odeio a mim mesma por isso — Aceitarei seu silêncio como um sim — fala após meus devaneios.

— Hã... eu aceito, obrigada — sussurro sem graça. O olhar de Natsu pausa em mim, surpreso e eu tento ignorar essa ânsia de olhá-lo de volta — Preciso levar algo?

— Claro que não! Você é nossa convidada — Igneel responde como se fosse uma ofensa eu pensar em algo assim.

Esboço um sorriso constrangido.

— Agradeço o convite.

— Lucy-san — Wendy começa a falar, puxando minha blusa — Estamos querendo ir nos ôfuros, a água é quentinha e está muito frio. Vamos também! — convida animada.

Fico olhando para essa família sorridente, me tratando tão gentilmente e me pergunto o motivo disso tudo. Não sou nada deles e mesmo assim eles me convidam para ficar com eles o tempo todo. Espero que não seja pena. No fundo, sei que não é. Natsu é naturalmente gentil, e sei de onde puxou agora. Isso me incomoda, porque mesmo quando não quero saber mais nada sobre ele, acabo aprendendo.

Assinto com um sorriso e Wendy começa a me puxar para sair do refeitório. Mesmo estando envergonhada por me sentir uma carta fora do baralho, acho graça em seus atos. Sempre achei que ela não gostasse de mim, e quase me sinto sua irmã desta forma.

Durante o caminho, Igneel aponta alguns pontos interessantes do local. Natsu apenas anda ao meu lado, em silêncio. Será que está pensando nos acontecimentos de ontem? Estou um pouco arrependida com o tom de minha voz naquela hora. Eu não deveria estar, mas ver seu olhar distante e sua mágoa, parece ter me atingido de alguma maneira.

Trocamos para roupas de banho, antes de entrar para a região das termas e logo chegamos aos pequenos buracos no chão, em círculos e cercados por algumas rochas, com apenas uma abertura para se entrar. Havia vários, um ao lado do outro. A água parecia mesmo atraente, com a fumaça exalando por todo lugar, parecendo uma sauna, quente.

— Nossa, parece realmente quentinha — comento, animada.

— Isso é ótimo, porque estou congelando — Natsu diz em seu calção, encolhido com o frio. Parecia estar quase branco — Odeio inverno.

Começo a rir.

— Você vai ficar doente deste jeito — falo indignada.

Ele me olha por alguns instantes que faz meu corpo paralisar, pensando se disse algo errado. Depois um sorriso de lado aparece em seus lábios.

— Está preocupada?

Sinto meu rosto corar novamente. Não acredito que lhe dei uma chance como essas. Às vezes acho que sei maior divertimento é me deixar envergonhada. Apenas balanço os ombros, fingindo não me importar. Minha maior preocupação do momento é ter que fingir não me importar, porque não deveria ser fingimento. Tento deixar meus pensamentos de lado e vou até uma cadeira deixar minha bolsa e tirar meu vestido solto. Assim que fico apenas de biquíni, sinto alguns olhares masculinos em minha direção. Odeio chamar atenção dessa maneira. Volto correndo para onde Natsu está, na entrada do ôfuro.

— Entra logo, está frio! — digo, abraçando a mim mesma.

Natsu deixa passagem para mim, vendo meu desespero.

— Desse jeito você ficará doente — repete minha frase, olhando para mim — E sim, estou preocupado — continua falando, fazendo novamente que eu me sentisse petrificada.

Engulo em seco, vendo meu reflexo em seus olhos. O que ele quer com essas frases? Respiro fundo e passo por ele. Sento no banco de concreto fixo por toda a circunferência do ôfuro e sinto a água quente aquecer meu corpo gelado. Pelo menos, algo delicioso. Então percebo estar sozinha.

— Cadê sua família? — pergunto numa tentativa de mudar de assunto e me sentir mais confortável.

— Aqui, ué — responde como se fosse óbvio e aponta para o vazio atrás de si. Vendo sua própria idiotice, olha ao seu redor, parecendo pasmo — O que? Eles estavam aqui à meio segundo.

Meu coração começa a acelerar. Por que eu sinto que eles sumiram de propósito como ontem e o idiota do Natsu nem reparou? Isso aqui é muito pior do que ontem! Sozinha com Natsu nesse círculo, todo fechado? É quase como estar entre quatro paredes, e realmente não me lembro da última vez que estive em uma situação dessas com Natsu e tenha acabado bem. Quero dizer, naquela época era bom, mas agora sei que não era certo.

Natsu sussurra algo como “Eles me pagam” e entra no ôfuro, ficando de frente para mim, e ali havia só um metro entre nós.

— Então... — tentei começar algum assunto para não deixar qualquer clima estranho se iniciar entre nós. Poderíamos simplesmente conversar sobre bobagens como ontem. Mas as palavras não vieram.

— Hm... — Natsu murmurou, olhando ora para mim, ora para a água.

O silêncio tomou parte novamente entre nós. A fumaça dificultava um pouco minha visão, o que me ajudava a esconder meu rosto vermelho. Meu corpo se acostumava com a água fervente, enquanto também estava congelando pela situação. Olhávamos para todas as direções, como se houvesse o que olhar além de muros de pedras. Às vezes nossos olhares se cruzavam e sentia um arrepio passar por meu corpo.

— Fico feliz que vai passar o Natal conosco — falou, e levei um susto por ouvir algum som após tanto silêncio e tensão. Olho para frente e o vejo sorrindo para mim.

— Ah sim... — murmuro em resposta — Seu pai é uma pessoa convincente.

Ele riu de minha observação.

— Foi mesmo só por causa disso?

Olho para seus olhos que me encaram. Sinto que prendi a respiração ao ouvir sua pergunta, porque no fundo, sei que não é apenas por causa disso. Eu queria isso, ficar perto dele. Mas eu nunca falaria isso em voz alta. Eu vou esquecê-lo. Sei que vou.

— Sim — respondo mostrando indiferença, e tentando esconder todos meus inúmeros sentimentos.

— Hum... — faz em resposta e se aproxima de mim, fazendo meu coração quase enfartar — Interessante — terminou de dizer ao meu lado.

Não gosto de sua proximidade. Quase posso encostar meu ombro no seu e só isso, faz meu corpo querer amolecer. Não gosto também de entrar em conflito comigo mesma, mas isso parecer ser frequente quando ele está perto.

— Vocês sempre passam o natal aqui? — começo outro assunto rapidamente para novamente mudar de assunto e antes que algo pior aconteça.

— Não — responde calmamente — Sempre mudamos de lugar. Meu pai gosta que conhecer novos lugares, e nos leva junto. Grande coincidência, não é? — Sorri, voltando a me olhar, e deixando os muros para lá — Vir para cá, justamente quando você está aqui.

Então meus temores se tornam real, ao olhar para ele tão perto. Ainda pior, sinto ele tocar minha mão com a sua e automaticamente todo meu corpo parece reagir.

— Talvez fosse para a gente se encontrar — diz com um sorriso suave, me fazendo corar ainda mais.

Olhamos um para o outro como se fosse por horas. Às vezes, acho que nossos olhares se conectam um com o outro. Eles transmitem tantos sentimentos alheios a mim. Eu ainda o amo. E isso pareceu ecoar em minha mente nesses longos segundos. Isso tem que parar. Finalmente acordo para a realidade e tiro minha mão debaixo da sua.

Natsu também parece despertar na mesma hora, e olha para o alto. O único lugar que podemos apreciar aqui dentro. Imagino que irá mudar de assunto para alguma coisa sobre o tempo, como fez ontem.

— Você acredita em destino, Lucy? — pergunta, concentrando-se em algum ponto aleatório do céu.

Fico surpresa ao ouvir sua pergunta. Não esperava por nada deste tipo. Aliás, que tipo de pergunta é essa? Destino? Nunca tirei nenhuma conclusão sobre isso.

— Eu acho... que cada um escreve o seu destino — respondi, mexendo na água ao meu redor com as mãos, e depois também ergo meu olhar para o céu — Mas... talvez haja certas circunstâncias que não podemos fugir sabe? Situações já escritas nas entrelinhas — tento refletir.

Natsu ri baixinho, me fazendo olhar para ele, no mesmo momento que seu olhar volta para mim. Seu riso se dissolve, mas vejo o canto de seus lábios inclinados para cima.

— É estranho... eu achar que nós somos uma dessas situações já escritas?

Meu olhar paralisa sobre ele. Agora sua expressão mudou novamente, e seu mínimo sorriso não está mais lá. Vejo apenas seus olhos profundos, os mesmo que pude enxergar quando ele disse que era apaixonado por mim. Meu coração quer sair pela boca e todo meu corpo parece arrepiado com sua frase. Então me lembro de Lisanna, e me pergunto porque ele diria algo assim.

— Não... diga bobeiras... — respondo, desviando meu olhar.

Meu coração ainda martela dentro de mim.

— Não é bobeira — fala ainda mais rápido, mais rápido do que eu esperava. Quando dou por mim, ele está na minha frente, me fazendo olhá-lo novamente — Tentei mesmo desistir de você, deixar para lá. Mas quando vejo você parece estar por toda parte, não me deixa escapatória, não me deixa fugir. Não consigo encontrar o motivo disso tudo — começa a desabar de palavras, com os olhos aflitos — Talvez tenha que ser simplesmente assim, nós vamos ficar juntos, no final.

Suas palavras parecem me atingir diretamente. Ele descreveu tudo o que eu sinto. Tento fugir, ficar longe, ignorar, mas no fim ele está lá, em meus pensamentos. Olho para ele, sentindo meu corpo derreter, e controlando a vontade imensa de beijá-lo. Mas não posso, ele apenas está tentando me convencer a perdoá-lo.

— Isso... é coisa da sua cabeça, Natsu. Não vamos ficar juntos — digo, olhando para minhas mãos.

Arrisco um último olhar para ele, mas Natsu não reage. Então saio daquele lugar que começa a me sufocar. Pego minhas coisas na cadeira, sentindo as lágrimas vindo. Corro para um lugar qualquer. Encontro um canto escondido, e me enrolo em minha toalha. Começo a chorar tudo o que tenho guardado, choro todos meus sentimentos, choro tudo o que sinto por Natsu. Choro ainda mais, por querer acreditar em suas palavras, e não conseguir.

―×―

Volto para o meu apartamento, sentindo meus olhos inchados. Odeio parecer patética e rezei para não encontrar nenhum deles ao entrar. Tomo um banho quente e demorado. Logo seria a ceia, e não sei como encará-lo. Queria que as coisas fossem mais fáceis.

Coloco um vestido que comprei especialmente para o Natal e prendo uma fita vermelha no cabelo. Visto um casaco por cima, uma meia calça cor de pele e uma bota bege que combinava com os detalhes do vestido. Olho para o espelho, fazendo uma maquiagem básica e estou pronta. Ainda não me sinto mais a mesma, mas já aparento melhor. Levo uma mão até meu peito, como se pudesse sentir meu coração acelerado.

Algumas batidas na porta, me despertam. Respiro fundo, vou lentamente até a porta e a abro. Deparo com um Natsu bem vestido, atraente e até... sexy. Ele veste um suéter vermelho, calça jeans e seu cachecol de sempre. Só de olhar para aquele cachecol me traz lembranças. Ele sorri, como se nada tivesse acontecido.

— Boa noite Lucy.

Apesar de sentir minhas mãos tremerem, tento retribuir o sorriso.

— Boa noite Natsu.

Antes mesmo que eu pudesse dizer algo, Natsu se sobressalta.

— Me desculpe por hoje cedo — disse sem jeito — Não queria te assustar. Acho que... deixei meus sentimentos fluírem demais. Me perdoa? — pergunta com seus olhos brilhantes malditos.

Espanto-me um pouco com sua reação. Mesmo assim suas palavras pareceram preencher algum vazio dentro de mim. Dessa vez, sorrio sem ser falsa ou parecer nervosa.

— Só porque é Natal — brinco e ele se deixa levar, rindo comigo.

— Obrigado Natal — brinca também.

Nos olhamos, sorrindo como idiotas. Então ele desperta.

— Ah, minha família está te esperando, vamos? — ele me estende o braço em graça. Hesito por alguns minutos, mas entro na brincadeira.

Envolvo meu braço no seu, sentindo seu calor. Isso é bom, estar com ele. Então me pergunto se estou agindo errado.

―×―

Quando passo pela porta de seu flat, logo visualizo uma mesa bem organizada e farta de comida. Eles prepararam tudo isso? Olho ao redor e vejo que o local é bem maior do que onde estou alocada. Há uma árvore de Natal em um canto, que ilumina todo o espaço com as luzes pisca-pisca. Assim como uma lareira em uma sala de estar que dá um ar natalino e esquenta o ambiente. Olho maravilhada para cada detalhe. Parece que este será meu primeiro natal de verdade depois de tantos anos sem minha mãe.

— Bem vinda Lucy! — Ingeel me recepciona abrindo os braços e mostrando todo seu trabalho.

Agradeço um pouco tímida por me sentir deslocada. Essa sensação não demora a passar, começamos a comer toda aquela comida exagerada — que estava deliciosa — enquanto conversávamos sobre bobagens e Igneel fazia piadas bobas. Não me lembro da última vez que ri tanto para minha barriga até doer. Por um momento me senti como se fosse parte de algo, parte da família deles. Eles me receberam muito bem, e não me deixaram nem um pouco excluída. Ali parecia haver tudo o que um bom natal merecia.

Wendy passou a contar diversas histórias embaraçosas de Natsu em outros natais e todos os lugares que eles já conheceram. Tudo está perfeito. Faz tempo que não me sinto tão bem. E esse sentimento é ótimo.

Depois de comermos, fomos para a pequena sala, onde Igneel pôs um desenho natalino. Típico. Apesar de ter a impressão de assistir àquela animação pela milésima vez, eu me diverti. Sentei ao lado de Natsu, deixando para trás pelo menos por hoje tudo o que passamos. Olhei para ele ao mesmo tempo que me olhou.

— Obrigada — sussurro e abro um pequeno sorriso.

— Pelo o quê? — pergunta, também sussurrando como se fosse um segredo.

— Por me deixar passar o natal com vocês.

Natsu olha para mim com suas sobrancelhas arqueadas e então sorri.

— Então... — começou a falar pensativo, olhando para os lados — Obrigado por existir — seu olhar voltou a me fitar, e seu rosto pareceu iluminado.

Corei com seu comentário, e tentei esconder o sorriso que meus lábios insistiam em demonstrar, para conseguir assistir ao filme.

―×―

Algum tempo se passou, após Igneel colocar diversos desenhos seguidos para assistirmos. Ele parecia se divertir muito com cada personagem, às vezes até imitava suas falas. Talvez não seja apenas eu que tenha visto várias vezes. Wendy dormia na poltrona ao lado, e meus olhos estavam pesando mais que o normal. Assim que acabou a versão de Shrek natalino, Igneel levantou-se outra vez, pronto para por outro filme. Meu Deus. Olhei para Natsu que tinha o mesmo olhar assustado que o meu. Ele olhou para o relógio e voltou a me olhar.

— Acho que está na hora — Levantou-se em um pulo e me estendeu a mão — Venha, vou te mostrar seu presente.

Pisco várias vezes me perguntando se escutei certo.

— Presente?

Natsu ri de minha reação.

— Sim, vem logo! — respondeu, pegando em minha mão e me puxando em direção... à porta? — Pai, estamos saindo!

Dou um aceno sem graça para Igneel que nos olha curioso, depois um largo sorriso toma posse de seu rosto.

— Tá, tá! Usem camisinha!

Natsu parece engasgar ao mesmo tempo que para de andar.

— Quê? Cala a boca, pai! — gritou, me arrastando para fora do flat e batendo a porta.

Olho paralisada para ele, depois de uma frase tão constrangedora de seu pai. Natsu analisa minhas feições apavoradas e suspira.

— Ignora ele, não é nada deste tipo — explica, tentando me acalmar.

Não sei se deu certo. Apesar de Natsu não ser realmente o cara que vai me arrastar para um lugar escuro e me forçar a ter relações sexuais com ele, estou um pouco apavorada por estar sozinha com ele, e com sua mão na minha. Além disso não faço ideia para onde ele irá me levar.

— Onde está o presente? — pergunto curiosa.

— Você vai ver — disse sorrindo, sem largar minha mão.

Ele começa a me guiar entre os diversos flats até estarmos perto das termas. Então pegamos um caminho alternativo para sabe se lá onde isso vai levar. Está escuro e frio. Começamos a passar por algumas árvores e começo a realmente ficar preocupada com minhas teorias malucas. Parece que estamos fazendo trilha de noite.

— Natsu, estou ficando com medo.

— Estamos chegando — disse animado o bastante para não parecer um assassino e continuou a me puxar — Sabe — voltou a falar, sem olhar para mim — Pensei muito no que eu poderia te dar, queria que fosse algo novo e que não pudesse ser esquecido — continuou, enquanto desviamos de mais árvores — Hoje quando você saiu correndo, sai por aí, para pensar. Então encontrei seu presente.

Começamos a subir uma ladeira, e o ar parecia mais frio aqui. Pude ouvir... o som do mar.

— Algo que não pode ser comprado, mas que mesmo assim possa ser inesquecível — falou de maneira terna, fazendo meu coração acelerar — E também, algo que me lembre você.

Sua frase acabou ao mesmo tempo que aquela longa trilha parecia chegar ao fim. Saímos daquele lugar que parecia uma floresta e encontramos várias rochas. Natsu me guiou por cima delas para que eu não caísse.

— Não entendo — balbucio, perdida.

Quando chegamos ao topo de todas aquelas rochas, pude ver o mar, e as ondas batiam bem abaixo de nós. Ainda estava boba com tudo aquilo, quando olhei para Natsu, e seu olhar fitava o céu com tanta intensidade que me forcei a olhar. Segui teu foco, e me encantei.

— Aqui é o melhor lugar que já encontrei para observar as estrelas — comentou, ainda olhando para o céu — Elas me lembram você, então queria muito te mostrar.

Seu olhar finalmente desceu para meus olhos e ele sorriu. Parecia um sorriso nervoso, porque não reagi.

Parecia algo tolo, mas essa paisagem é realmente linda. Nada atrapalha nossa visão, não tem prédios, árvores, e ainda melhor, há vagalumes iluminando o lugar. Fiquei petrificada diante tanta beleza. As estrelas estão maiores e parecem brilhar ainda mais. Então o relógio de Natsu apita. Ele me olha, sorrindo.

— Prepare-se — falou, segurando minha mão e nos sentamos com os pés para o mar.

Neste instante fogos de artificio passar a tomar conta do céu, o deixando ainda mais perfeito. São tantos que sinto meus olhos brilhando, enquanto um sorriso se forma involuntariamente em meus lábios.

— Feliz Natal, Lucy — deseja com seu sorriso largo que não vejo a tanto tempo.

— Feliz Natal — sorrio também, encanta com tudo. E mesmo sem querer admitir, o que mais me fascina no momento é seu sorriso bobo — Desculpe não ter pensando em algo para você também — comento, magoada comigo mesma.

— Não precisa — Natsu intervém, então beija minha mão de leve — Meu presente está aqui.

Antes que eu pudesse me dar conta, ele se aproxima e sela seus lábios nos meus. Um selinho terno, que me assustou. Senti tanta falta disso que não pude impedir meu corpo de retribuir. Então esse selinho se multiplicou, e depois se aprofundou.

Entre nossos beijos, o som das ondas batia abaixo de nós, os fogos inundavam o céu, e as estrelas pareciam nos observar. O natal foi perfeito.

Notas finais
Felizes com o NaLu retornando? *0*Gente, só penso, vocês não comentam porque não gostam? Se não estiverem gostando, digam também, até pensei na segunda temporada poxa, realmente desanima ver tantos leitores, e quase nenhum comentário.Onegai nee ♥