Academia De Fadas

38 Capítulo 38 — Férias solitárias... ou nem tanto?


Notas iniciais
Oi gente linda do meu coração, como vocês estão? *00* Leitores amados, peço humildes desculpas pelos comentários, sério, ontem fui responder todos e poxa fazia eras que eu não respondia, talvez por isso as reviews estejam diminuindo? Nossa, me senti imensamente mal, mas já respondi a todos e fiquei muito feliz com todos eles, Por favor, NÃO DEIXEM DE COMENTAR, o número de reviews tá diminuindo e acabo desanimando, e sim, sou muito dramática *0* Desculpas e obrigada a todos que comentaram e favoritaram a fic *0* Espero que gostem do capitulo ♥ ♦Capítulo reeditado

Capitulo 38 — Férias solitárias?

Lucy

Férias, tudo o que eu precisava para relaxar desse ano de angústia. Passaram-se mais de três meses desde que eu e Natsu terminamos. Nem parece que faz tanto tempo assim, e nem que eu aguentei realmente a passar por tudo isso. Nas primeiras semanas foram complicadas, Natsu continuou a insistir, mas eu não queria mais ouvir, estava conformada com o acontecido. Na verdade, todas as vezes que nos vimos, discutimos. Uma vez começamos a gritar em sala de aula e ninguém entendeu nada, até o professor chegar e nos mandar para a diretoria. Resumindo, passei muita raiva nesses dias.

Então houve um dia, que nos olhamos no corredor, seu olhar trazia tanta dor que me contive para não abraça-lo. Estava pronta para outra discussão, mas ele apenas sorriu e passou reto. E depois disso parou de tentar. Não sei o que houve e não deveria ter ficado triste com isso. Francamente, minha vida se tornou muito mais fácil sem ter que ir para a aula todos os dias esperando por sua tentativa, e depois nossas brigas. Mesmo assim... é estranho. Porque desde que entrei na escola, não houve um dia em que não falei com ele.

Enfim, não posso acreditar que ano que vem será meu último ano de escola. Passou tão rápido. Lembro-me de minhas aulas entediantes na casa de meu pai, apenas eu e o professor. As coisas mudaram drasticamente quando vim para cá, e agora só resta um ano. Queria ter me revoltado antes, talvez minha vida seria bem diferente. De qualquer forma, creio que a distância que essas férias irá criar será boa.

Entro no trem a caminho da casa do papai. A vantagem desses dias distantes é que acabei ligando algumas vezes para ele, e ele até que me deu atenção. Combinamos de ir em um resort passar o fim de ano. Não que eu goste da ideia de viajar com meu pai e não com meus amigos, mas quero aproveitar essa brecha para me aproximar de meu pai. Além disso, talvez seja bom passar um tempo longe das confusões. Longe de Natsu.

―×―

Algumas horas depois, estávamos na frente daquele imenso lugar. Meu pai estava na recepção cuidando de nossas estadias, enquanto fiquei de um lado para o outro no lobby do hotel, olhando aquela paisagem perfeita. Esse lugar é lindo, e com a brisa gelada que está, as termas serão maravilhosas. Algumas lendas desse lugar dizem que as águas naturais daqui curam corações feridos, será verdade?

— Boa tarde, senhorita Heartfilia — um rapaz bem trajado aparece fazendo uma reverência — Queira me acompanhar, irei leva-la até seu quarto — diz formalmente, pegando minhas malas e me guiando entre as diversas portas.

Os quartos parecem várias casinhas uma ao lado da outra, todas parecem muito confortáveis e agradáveis. Vejo que eles ficam em um lugar afastado do lobby, ao ar livre, tudo rústico e bem organizado. Paramos em frente à uma dessas casinhas, ele me mostra um cartão que deve ser colocado para conseguirmos acender as luzes, e todo o restante.

— Obrigada — agradeço ao rapaz ao abrir a porta e se retirar.

Deslumbro um quarto maravilhoso, todo arrumado e em seu devido lugar. Há uma pequena sala, com dois sofás e uma TV ao lado. Uma pequena mesinha, balcão, freezer e uma janela com uma vista maravilhosa. Um banheiro enorme e branco. E... um quarto. Deve ter alguma coisa errada.

— Lucy — meu pai aparece na porta, mexendo em sua carteira — Estava resolvendo as coisas na recepção — explica seu atraso.

— Papai, acho que confundiram nosso flat — falo olhando para os lados — Esse daqui só tem um quarto.

— Esqueci de te avisar — começa a falar sem qualquer entusiasmo — Não poderei ficar.

Olho para ele tentando entender o que ele quer dizer com isso. Como assim não vai ficar?

— Não entendi — digo abertamente.

Ele suspira, parecendo cansado.

— Tenho alguns problemas da empresa para resolver — conta calmamente, sem parecer ter um pingo de arrependimento — Então estarei ocupado.

Eu sabia que tinha algo errado em ele passar o fim de ano comigo. Esse era meu pai de sempre, negócios em primeiro lugar. Deveria ter estranhado sua incrível e misteriosa gentileza. Realmente pensei que ele pudesse mudar e seriamos uma família feliz novamente? As pessoas não mudam Lucy, elas só decepcionam. Aprenda.

— Você disse que passaria o natal e o ano novo comigo — falo com uma voz serena, apesar do tremor em meu corpo dizer que preferia explodir.

— Lucy, tenho assuntos mais importantes para tratar. Não seja uma garota mimada — olha para mim, mas não parece estar ali.

Garota mimada. Pensei que garotas mimadas precisavam de alguém para mimá-las, e pelo que eu me lembre, eu não tive.

— Tudo é mais importante do que eu, não é papai? — digo olhando para baixo — Você sempre deixava a mamãe em segundo plano também?

Sua expressão se fechou completamente, então ele se virou de costas.

— Te ligo daqui a dois dias, no Natal. Divirta-se — disse e fechou a porta.

Fiquei olhando para a porta fechada, sabendo que ele nunca ligaria e que também não se despediu direito. Vejo-me neste lugar enorme, sozinha. Da mesma forma que sempre fiquei naquela mansão gigantesca e sem vida. Natal em família, grande piada. Tempo de amor? Paz? Compartilhar as alegrias? Cadê as drogas prometidas no final do ano?

Suspiro, desanimada. Então tento melhorar meu humor.

Não importa. Vou aproveitar ao máximo. Aliás, não posso desperdiçar um lugar lindo como este. Não importa se estou sozinha, a natureza vai me fazer companhia.

Desfaço as malas, ligo o aquecedor, visto um biquíni com uma roupa por cima e me olho no espelho. A mesma garota solitária de sempre, a garota ridícula. Nunca fui de me achar feia, mas de repente me sinto a garota mais sem graça no planeta Terra. Se ao menos minhas amigas estivessem aqui. Penso em Levy, Erza, Cana e... até em Lisanna. Não nos falamos muito depois de tudo aquilo, só em grupo. Às vezes sinto seu olhar em mim, mas ela sempre desvia quando eu a olho. Não sei o que pensar disso. Vejo ela e Natsu conversando de vez em quando e penso se estão tentando disfarçar para que eu não fique mal.

Lucy, chega de pensar nessas coisas! Recomponho-me, e pego minha sacola de praia. Enfio minha toalha, e pego minha câmera na mão. Tirar fotos sozinha? Deixa para lá. Jogo ela de volta na cama, e saio. Sigo as placas que me levam até as termas, são caminhos de pedras, e até isso é encantador.

Logo avisto as fontes naturais. Um lugar lindo, cheio de piscinas com águas cristalinas. Consigo até mesmo sorrir sozinha diante deste cenário. Procuro uma piscina com menos pessoas, e deixo minhas coisas na cadeira. Faço um coque para não molhar todo meu cabelo, tiro a roupa rapidamente e pulo na piscina antes que o frio tome conta de mim. Respiro fundo, sentindo a água morna esquentando meu corpo. Isso é relaxante.

Encosto em uma das bordas, sinto as pedrinhas tocarem meus pés, e as bolhas subirem do chão. Fico olhando para o céu claro e com poucas nuvens e me pergunto se vou conseguir passar quatro dias assim. Amanhã é a véspera do Natal, onde minhas amigas vão estar em seus encontros românticos e felizes. Todas disseram que irão me enviar fotos, devem ter pensado que eu me sentiria melhor, mas enviar uma foto sozinha não vai me fazer melhor.

— Onii-san! Não é aquela garota que você costumava ficar? — ouvi uma voz fina atrás de mim.

Tento ignorar todos a minha volta. Não há ninguém que eu conheça aqui, e não adianta ter esperanças.

— Você pode parar de correr de um lado para o outro? Desse jeito não vamos aproveitar nada! E de onde você aprendeu a falar dessas coisas, você tem oito anos! Do que você... — ouvi outra voz revoltada.

Eu queria não ter reconhecido essa voz. Minha cabeça se virou rapidamente para confirmar se eu estava começando a ficar maluca. Mas eu não estava. Só pode ser brincadeira. Pensei até mesmo que fosse uma ilusão, se não fosse por aqueles olhos ônix que conheço tão bem. Natsu ficou parado, enquanto sua irmã apontava o dedo para mim. E só por ter seu olhar sobre mim, meu corpo estremeceu.

— Lu... cy? — disse em forma de questionamento, e pausadamente. Tão pasmo quanto eu. É impossível acreditar nisso.

— É ela, não é? — sua irmã insistiu, com um sorriso largo.

— Hoho — uma risada estranha surgiu atrás dos dois — Essa é a famosa Lucy Heartfilia? — um homem apareceu logo após.

Ele deve ser o pai de Natsu, pois seus traços se parecem. Mesmo assim, ele parece muito jovem, mesmo que seus olhos pareçam tão cansados. Fiquei estática ao ver não apenas o garoto que eu não queria ver, mas toda sua família. Natsu também permaneceu em silêncio, sem tirar os olhos de mim. Respiro fundo e tento dispersar meus pensamentos confusos.

— Olá, prazer em conhece-lo, senhor — digo timidamente — Não sou famosa, mas sou a Lucy Heartfilia — continuo um pouco sem graça, e sem sair da piscina.

— Que garota encantadora — diz se aproximando de mim, e apertando minha mão — Sou Igneel, pai de Natsu. Ele me falou muito sobre você — contou com um sorriso largo, como o de Natsu.

Natsu falou de mim para sua família? Minhas bochechas esquentam, e arrisco um olhar para Natsu, que só diz:

— Cale a boca, pai.

Levando a mão até a testa.

— E eu sou a Wendy, mas você já sabe disso, né? — a azulada se aproximou, sorrindo — Aquela que flagrou vocês, se lembra?

Mesmo dizendo algo tão inapropriado, ela ainda parece ser inocente. Seus olhos até brilham ao falar sobre isso, e isso não deveria acontecer.

— Ah... sim — respondo envergonhada — Peço desculpas por aquilo. Natsu estava me salvando de passar o dia na rua — tento me explicar para melhorar a situação.

Como foi que me meti nessa?

— Não precisa se preocupar — Igneel interrompe — Natsu nos explicou sua situação, além do mais a casa está sempre aberta para você — continuou a falar educadamente.

Fiquei pensando se eu deveria mergulhar e voltar, então nada disso estaria acontecendo. Tem maneira pior de conhecer a família de alguém? Não queria ter que fazer isso, mas busco o olhar de Natsu para ajudar com tudo isso. Ele apenas balança a cabeça.

— Queria te perguntar, você é a filha de Jude? Jude Heartfilia? — questiona sem tirar o sorriso do rosto.

— Hã... — fico estática ao saber que conhecem meu pai — Sim, ele é meu pai — respondo ainda confusa.

— Ele é de grande ajuda para nós na empresa, queria poder agradecê-lo pessoalmente. Ele não aparece muito nas reuniões. Vocês vieram passar o Natal aqui também?

São tantas novas informações que meu cérebro parece girar e girar, mas não processa nenhuma delas. Eles vieram passar o Natal aqui? Que ótimo, tudo o que eu precisava para me distanciar dos meus sentimentos simplesmente brotou no mesmo lugar que eu. Mesmo assim, eles parecem uma ótima família, mas não vejo a mãe de Natsu e me pergunto o que pode ter acontecido. E como ele conhece meu pai? Então para não enlouquecer, me concentro em responder suas perguntas.

— Não, estou sozinha — respondo com um sorriso fraco, que tenho certeza que demonstrou minha tristeza, pois o sorriso dele também se desmanchou.

— Ah sim, desculpe o intrometimento — Igneel fala, e sinto que é verdadeiro. Logo seus olhos parecem se abrir — Tive uma ideia! Por que não passa o Natal conosco então?

— O que? — minha voz inconformada se junta com a de Natsu no mesmo instante.

Natsu olha para mim, curioso. Ao mesmo tempo em que eu arqueio minhas sobrancelhas para essa ideia absurda. Passar o Natal com Natsu? Ah não, isso não vai rolar. Não mesmo. Até porque se eu passar muito tempo perto dele, meu coração trabalha demais.

— Eu... hm... não posso fazer isso — respondo sem graça em recusar um convite tão animado.

— Ora, não seja boba — insisti — Em qual apartamento você está?

— 1...963 — respondo com medo das consequências que isso pode trazer.

— Nossa! — exclama ainda mais empolgado — Estamos no 1965, somos quase vizinhos! Não tem como você recusar, nós passamos lá para a ceia.

Droga, isso não é nada bom. Tento sorrir, e ficar séria ao mesmo tempo para demonstrar que isso não é nada parecido com minha ideia de Natal. Mas não adianta, Igneel se afasta para falar de maneira entretida com Natsu. Então Wendy se aproxima. Interrogatório, parte dois.

— Você é a namorada do onii-chan? — Pergunta com seus olhos reluzentes. Essa garota é direta demais.

— Não — respondo rapidamente, já sentindo meu rosto queimar.

— Por que não? — questiona, claramente chateada com minha resposta — Ele disse que gosta de você, então eu acho que...

— Meu Deus Wendy! Cala essa boca! — Natsu a afasta de mim, assim que começa a prestar atenção em nossa conversa.

Agradeço imensamente por evitar mais constrangimentos desnecessários.

— Mas nii, você disse aquela vez que...

Natsu tapou a boca dela antes que ela fizesse mais declarações. Tentei fingir que não me importava com suas palavras. Apesar de ser estranho ele falar de mim para sua família se está com Lisanna. Ela não se sente mal?

— Ela não é minha namorada — ele afirma para Wendy se aquietar — Mas pode voltar a ser.

Olho para ele no mesmo instante para me certificar que não estou ouvindo coisas. E assim que encontro seu olhar, sei que escutei certo. Meu coração dispara, e não sei como reagir a uma de suas frases enigmáticas. Da mesma maneira que me pergunto como ele consegue brincar com meus sentimentos depois de tudo o que aconteceu.

Depois disso, eles entraram na mesma piscina que eu. O clima ficou ótimo e a piscina pareceu ainda menor. Tentei manter distância de Natsu, para que meu corpo não comece a amolecer, nem meu coração. Mas sua irmã e seu pai pareciam empurrá-lo direto para mim. Inacreditável. Voltei a encostar na borda da piscina, depois de praticamente jogarem Natsu para perto de mim. Ele soltou alguns xingamentos e veio para o meu lado, em uma distância segura.

Não ousamos nos olhar, nem ao menos trocar algumas palavras. Só a presença dele perto de mim era o bastante para me deixar inquieta. Sua família ficou nos observando de longe, até Igneel sair da piscina.

— Wendy e eu... vamos tomar um sorvete, tá filhão? — disse, puxando Wendy consigo.

— Sorvete? — Natsu questionou, apoiando-se nas bordas para sair da piscina — Está frio.

— Não! — seu pai gritou, fazendo com que ele caísse novamente na piscina — Não te queremos lá!

— O que diabos você quer dizer com... — começou a falar assim que voltou à tona, mas sua família se foi.

Na verdade, eles saíram correndo. São super discretos. Natsu ficou boquiaberto olhando para o lugar onde sua família sumiu. Depois olhou para mim e voltou a desviar o olhar. Sozinha com Natsu nessa piscina. Eu deveria ter saído correndo também. Isso não é nada bom. Se ele tocar naquele velho assunto novamente, tenho medo de desabar. Tenho que ser forte.

— Então... — começou a falar, provavelmente sem ideia do que — Está gostando daqui? — perguntou casualmente, olhando para o céu.

— Hã... sim — respondo ainda constrangida — É muito bonito.

— Daqui o céu é mais bonito do que na cidade, não acha? — continuou a falar calmamente.

Tive a impressão dele estar fingindo que nada aconteceu. E de repente essa ideia não parece tão ruim. Somos um desastre como amantes, mas éramos ótimos amigos... Talvez eu tenha que relaxar um pouco. Faz tempo que ele nem ao menos toca naquele assunto. Respiro fundo e olho para o céu também. Ele tem razão, parece maior e mais perto de nós. Mais limpo e mais sereno.

— É verdade, é lindo daqui.

Natsu olha para mim e ri. Olho para ele sem entender.

— Está rindo de mim? — pergunto diretamente.

— De forma alguma — respondeu com um sorriso — É que você concordou comigo em alguma coisa — brincou.

Sem perceber, eu comecei a rir. A gente implicou tanto um com o outro nos últimos tempos, que parecia normal contradizer tudo o que ele dizia. Parece errado estar aqui rindo com o cara que destruiu meus sentimentos, mas agora quando eu o olho, vejo o mesmo garoto brincalhão que conheci. Então sinto falta daquele garoto, sinto falta do meu amigo.

— É a primeira vez que você fala algo com nexo — devolvo sua brincadeira, ainda sorrindo.

Mas quando olho para ele, vejo que também me olha. Nem reparei que estávamos tão perto. Isso não é nada bom. Seu sorriso não está mais lá, trocou de lugar com um olhar carinhoso, e uma expressão serena. Meu coração já começa a acelerar a ponto de explodir. Não posso me render de novo.

Ele abre a boca, e parece pronto para dizer algo que pode não trazer boas consequências, mas ao contrário disso, apenas vira seu rosto e volta a sorrir.

— Claro que não, tudo o que eu falo faz algum sentido.

Natsu começa a olhar para as águas em nossa volta. Sinto que ele pensou muito antes de dizer qualquer coisa e mudou de ideia. Penso que se eu continuasse a olhá-lo, poderia não suportar ficar sem tocá-lo. Está bom assim. Sermos quem éramos antes.

―×―

Natsu

Depois de passar meses, meses, me torturando mentalmente por tudo o que eu fiz, e para não fazer mais nenhuma besteira, comecei a me conformar. Fiquei feliz com a escolha do meu pai para passar o fim de ano nesse ressorte, mas os problemas vieram na mala. Ainda quando olho para Lucy, não consigo acreditar como de tantos lugares, conseguimos ainda nos esbarrar. Após nossas intermináveis discussões e dela nunca deixar eu falar nada sobre o que houve com Lisanna, cai na real. Ela nunca vai me perdoar, me perdoar pelo o que eu não fiz.

Tento manter uma conversa descontraída, para aquele clima horrível entre nós não voltar. Só pelo fato dela não me ignorar, já vejo isso como uma vitória. Talvez eu deva continuar assim, pelo menos dessa maneira ela fala comigo, ela até está rindo, e nossa, ninguém sabe a falta que senti desse sorriso.

Há um momento entre nossas conversas, que me aproximo dela sem pensar, fico observando sua voz mansa e seus olhos brilhantes. Penso não ser possível encontra-la aqui, parece ser um sinal. Quando ela olha para mim, penso em dizer tantas coisas guardadas, mas vendo seu sorriso sumir, volto em mim. Não posso fazer isso. Então falo alguma coisa normal e tento manter as coisas dessa maneira.

Posso não tocá-la, mas ela está sorrindo. Lembro-me da conversa com Gildarts e dou toda a razão para ele. É desesperador o sentimento que temos, para querer proteger isso.

―×―

Lucy

Apesar de meu relacionamento com Natsu ser algo complexo até mesmo para que nós entendamos, parece que resolvemos por todos os acontecimentos de lado para aproveitarmos o resort. Conversamos e rimos de coisas banais como as estrelas, ou sobre diversas teorias da água ser tão quente. Foram nessas bobagens que reparei o quanto eu precisava disso, não dele, mas de um amigo. Desde que vim para cá eu nunca soube o que é ficar sem um, e não é como se as garotas não fossem amizade suficiente, mas sem ele, é como se houvesse um vazio que não foi preenchido.

Claro que não esqueci sua traição, e fico me sentindo confusa durante todo o tempo que conversamos. Também consegui observar este ano o quanto sou uma pessoa rancorosa, e tenho dificuldade em perdoar as pessoas. Não entendo de onde vem tanto ressentimento, mas enquanto falo com Natsu, me pergunto se devo trata-lo com meu velho melhor amigo ou como aquele que deixou meu coração em pedaços.

— Está anoitecendo — Natsu observa, olhando para o céu que escurecia e trazia consigo algumas estrelas — Talvez seja melhor irmos embora.

Olho para ele, tão relaxado depois de todo o constrangimento de hoje cedo. Concluo em agir normalmente, se ele pretende não tocar naquele assunto, então eu também não tocarei.

— Também acho — concordo, subindo meu olhar para o céu — Onde deve estar sua família? — pergunto ao me lembrar que não estamos exatamente sozinhos neste lugar.

Natsu ri ironicamente.

— Sei lá — responde desanimado — Do jeito que eles são, devem ter me abandonado aqui — fala despreocupado, e começa a se ajeitar para sair.

— Vocês são uma ótima família — comento, olhando para minhas mãos — Não diga coisas assim, fui eu quem fui abandonada.

Ele volta a olhar para mim, enquanto se apoia na borda da piscina para sair. Sei o que está pensando, provavelmente se sinta mal por ter falado algo indevido. Mas não é ele, me senti solitária de repente. Vi sua família animada e unida, e não posso evitar de sentir inveja por isso.

Antes que ele diga algo, limpo a garganta para cortar o clima.

— Desculpe, é melhor irmos — digo sorrindo.

Natsu pensa por uns minutos, sem tirar os olhos de mim, então assenti com a cabeça e sai da piscina com facilidade. Depois de sair, estende sua mão para mim. Devo ter parecido uma estranha, olhando para sua mão como se fosse algum alienígena. Realmente hesitei, mas resolvi ceder e aceita-la.

Assim que o toquei, senti como se um choque passasse de seu corpo para o meu. Tive medo de ter sido apenas eu, mas vejo por seu olhar confuso que sentiu o mesmo. Ficamos estáticos, com as mãos unidas e olhares cruzados. A impressão que tive era que pensávamos nas mesmas coisas: Ainda sentimos atração um pelo outro. Assusto-me ao pensar dessa maneira e erroneamente solto sua mão. Caio na piscina com tudo novamente.

Volto a superfície envergonhada com meu ato, quando escuto sua risada exagerada.

— Você é mesmo atrapalhada — diz, rindo.

Fico emburrada, mas ele estende sua mão novamente. Respiro fundo, pronta para a onda de sentimentos. Então pego em sua mão e o puxo para dentro da piscina. Começo a rir em seu lugar e me apressei para sair dali, antes que ele voltasse a superfície. Logo seu olhar me alcançou.

— Você não presta — fala em um tom irritado, mas sei que é brincadeira.

Apesar de descobrir um lado insuportável de Natsu nas últimas conversas que tivemos antes daqui, Natsu não fica irritado por coisas assim. Mesmo assim, sua frase me levou a dizer palavras que não pude parar.

— Você quem não presta — digo séria, mais séria do que deveria soar.

Ele me olhou, parecia magoado. Sabemos o significado de minhas duras palavras, e não era simplesmente por ele rir de mim. Então o que eu mais temia aconteceu, o clima estranho voltou.

Natsu não se expressou, apenas saiu da piscina e permanecemos em silêncio, enquanto nos enxugávamos. Pegamos nossas coisas e fomos caminhando até nossos flats. Essa mútua não troca de palavras, ou até mesmo ofensas parecia me sufocar. Por um momento queria invadir seus pensamentos e saber se ele se arrependia. Pior do que isso, queria saber o motivo dele ter me traído, mas tive medo que a culpa fosse minha. Talvez eu nunca saiba a resposta para isso e talvez nunca sejamos mais o que éramos antes.

Ele me acompanhou até meu quarto. Então forçou um sorriso.

— Boa noite Lucy — disse simplesmente, se aproximando e depositando um beijo em minha testa.

Antes que eu protestasse ou sentisse todo meu sangue subir para o rosto, ele se retirou. Olhei para suas costas até ele entrar em uma das portas ali perto. E mesmo com toda minha confusão, não pude deixar de reparar o quanto ele estava atordoado.

Entrei, em silêncio e fechei a porta atrás de mim. Com um turbilhão de sentimentos, conclui: Não vai dar certo ficar perto dele. Tudo parece estar voltando à tona.

O que eu faço?

Notas finais
Então, isso vai dar certo? haha *00*Desculpas pelo capitulo também, meu word tava meio louco hoje, enfim, qualquer erro me digam para concertar, certo?Espero comentários, deixem uma autora feliz *00*♥