Academia De Fadas

37 Capítulo 37 — Voltar para a realidade


Notas iniciais
Oi gente linda, estão muito bravos? Nervosos? Tacando pedras? Gomem ne, feriado eu larguei tudo ><", mas essa semana via ser normal tá? Escrevi meio corridinho, e nem respondi as reviews ainda, mas não deixem de comentar que me deixa muito feliz, já li todas, e assim que puder vou responder certo? Não me matem onegai, Boa leitura ♥ ♦Capítulo reeditado

Capitulo 37 — Voltar para a realidade

Lucy

Após muito tempo de campos, flores e ar fresco, voltei para Magnólia. Pude pensar em toda minha vida, até mesmo pensei em como será ano que vem, quando terei que decidir o que fazer no futuro. Claro, que tudo parece lindo e maravilhoso, mas não. Mesmo que tentasse apagar o maldito rosado da minha mente, ele simplesmente não saia. E sim, chorei quase toda noite, em um longo processo de lembrar em tudo o que passamos e como tudo terminou. De qualquer forma, me sinto mais calma e mais preparada para encarar a realidade. Estou conformada. Ele não era apenas um caso, era também meu melhor amigo e isso dificultou para que eu acreditasse que tenha feito isso. Enfim, é passado.

Cheguei na escola bem mais cedo para pedir ao diretor que me mudasse de lugar. É claro que para isso eu tive que inventar uma desculpa gigantesca que planejei o caminho todo para cá. Não acho que ele tenha acreditado em sequer uma palavra, mas ele acreditou em meus olhos e permitiu que eu sentasse novamente perto de Levy. Ando pelos corredores até minha sala e posso ver o corredor onde esbarrei com Natsu pela primeira vez.

Ei, está perdida?

Foi a primeira frase que ele me disse. E depois disso tudo aconteceu muito rápido. Fiquei tão apegada à ele, que nem parece que foi tudo nesse ano. Balancei a cabeça e segui meu caminho. Entrei na sala e me sentei em meu novo lugar. Passei um tempo olhando para minha antiga carteira e me lembrando de todas as coisas que aconteceram ali. Que merda, ele conseguiu invadir todos os lugares pelo qual eu passo.

Nem consigo imaginar quando terei que encará-lo novamente.

Escuto alguns passos e me pergunto se será algumas das garotas. Elas sempre chegam cedo. Espero que seja Levy, para poder acalmá-la. Mas quando os passos se aproximam e entram na sala, vejo que é a pessoa que eu mais temia encontrar. Se eu não conseguia imaginar, agora está claro. Fico paralisada quando seus olhos pairam sobre mim.

— Lu... cy — meu nome soa trêmulo em sua voz e mesmo tão baixo, o som ecoa pela sala vazia.

Mantive a mesma posição. Queria mesmo é sair correndo. No fundo de minha alma, tive vontade de pular nos braços dele e fingir que nada aconteceu. Mas meu orgulho venceu, e eu não ia ceder.

— Você está de volta — continuou após meu silêncio.

Nossos olhares não desviavam um do outro. Seus olhos profundos agora pareciam querer dizer ainda mais coisas. Meu corpo não queria se mover, e mesmo que se movesse não saberia para onde ir. Não consigo dizer nada, nem mesmo xingá-lo. Sinto que posso desabar a qualquer instante.

Ele começa a dar passos em minha direção, se aproximando. Cada passo fazia com que meu coração acelerasse e meu corpo tremesse. O que é isso? Meu nervosismo é tanto que não faço ideia do que fazer. Planejei tantas coisas para esse momento, e estas são minhas grandes ações.

Natsu para a, pelo menos, um metro de mim. O suficiente para eu caísse caso estivesse de pé.

— Acho que já passou tempo suficiente para você me escutar — diz, agora com a voz firme, mas ao mesmo tempo calma e até carinhosa.

Tento manter a calma e não lembrar de sua voz falando desse jeito comigo em outras situações. Penso em ficar quieta, mas todo meu nervosismo parece aflorar. Então me levanto e o encaro, pondo minhas mãos sobre a carteira.

— Escutar o quê? Não tenho nada para ouvir de você — grito com toda a raiva que armazenei. Até mesmo porque nunca imaginei me sentir assim algum dia.

Ele parece se assustar com minhas palavras agressivas. Deve ser porque a amiga fofa e meiga dele está com raiva, frustrada, decepcionada e triste! Amiga! Meu Deus. Ele não é nada que tenha relação comigo.

— Por que está gritando? — fala, tentando manter a calma, mas vejo seu punho cerrado — Você me ignorou por completo depois daquilo! — seu tom de voz aumenta, mas mesmo assim ele tenta não gritar a ponto de fazer eu surtar.

— Você queria que eu fizesse o que? — grito de volta, ignorando toda sua ceninha. Não ligo de parecer infantil, esses sentimentos estão me destruindo por dentro — Queria que eu te desse os parabéns por sua nova conquista? Por ter conseguido me enganar?

Todo meu corpo treme, e meu coração parece querer sair. Só então percebo que estou chorando. Não era para isso acontecer. Mas não sou forte o suficiente e nunca briguei assim com ninguém, isso faz todos os meus hormônios pularem.

— Claro que não! — Natsu explode finalmente — Eu só queria que você me escutasse! Meu Deus, eu fiquei desesperado atrás de você! Que nova conquista? Está maluca? Eu nunca te enganei! — grita ainda mais, exaltado.

Sinto meu corpo indo para trás com medo, e quase caio sobre minha cadeira. Apesar de todas as lágrimas desabando sobre mim, tentei permanecer com a expressão firme. Ele respira fundo, passando a mão pelo cabelo. Só vi Natsu exaltado assim quando brigou com Sting e isso me assusta.

Ele dá alguns passos para perto de mim, e eu novamente tento ir para trás, mesmo sabendo que estou presa entre minha carteira e cadeira.

— Desculpe, eu não queria gritar — volta a falar mais baixo — Mas você está gritando, e isso me exaltou.

Claro que a culpa seria minha. As lágrimas caem ainda mais e de repente sinto que não consigo controlar. Natsu dá mais um passo, quase podendo me tocar. E essa aproximação me causa calafrios. Ele me causa calafrios.

— Fique longe de mim — tento dizer, entre meus soluços.

— Não posso fazer isso — responde, levando sua mão em direção ao meu braço.

Mas dessa vez realmente me afasto e bato em sua mão. Não sei de onde essa coragem misteriosa apareceu, porém ela foi bem-vinda. Natsu olha para a própria mão afastada e depois para mim.

— Lucy, — fala baixinho — Eu amo você.

— Para! — grito novamente, saindo dessa prisão de carteiras e me afastando ainda mais — Para de mentir, Natsu! Isso cansa! Isso machuca! Chega!

Queria mesmo acreditar em seus olhos tristes.

— Isso não é mentira! — replica — É você quem está me machucando! Dá para ouvir o que eu tenho a dizer? Está sendo ridícula!

Assim que sua frase de ódio terminou, sinto que ele se arrependeu. Pelo menos, eu queria acreditar nisso. Porque a raiva e a mágoa dentro de mim pareceram vir à tona, assim como mais lágrimas.

Natsu sussurra alguma coisa que parecia um pedido de desculpas, mas não escuto, porque vejo alguns colegas de classe entrando na sala. Viro o rosto para esconder minha situação terrível. Sinto Natsu se afastar, provavelmente para que ninguém faça perguntas.

— Lu-chan! — Ouço a voz de Levy.

Ela aparece na minha frente, sorrindo, mas logo se desespera.

— Lu? O que aconteceu? — murmurou para ninguém ouvir, enquanto me abraçava.

— Vamos sair daqui — respondo, limpando as lágrimas e a puxando para fora.

―×―

Praticamente arrasto Levy comigo até os campos atrás do colégio. Como todos os alunos estavam nas salas de aula, sabia que estaríamos sozinhas. Sentei sobre a grama, encostando no muro da parte de trás da escola e comecei a chorar descontroladamente. Não consegui dizer nada. Eu não queria ficar assim, mas não conseguia controlar aquele grande vazio dentro de mim. Me preparei tanto para isso, para não desabar diante dele, mas assim que o vi tudo veio à tona novamente.

— Amiga, me diz o que houve. Está me assustando! — fala, enquanto tenta me acalmar, e parece tão desesperada quanto eu — Primeiro você some sem falar nada e agora isso. Brigou com Natsu? — continua a falar, enquanto eu tento emitir algum som que seja audível.

— Foi horrível Levy-chan — soluço entre as palavras, tentando limpar as lágrimas que não param — Eu flagrei eles se beijando, Levy! Se beijando! — tento explicar em meio a lágrimas e revolta.

— Calma amiga, calma — ela me envolve com seus braços, fazendo com que eu me acalme.

— Eu não sei o que fazer — continuo — Eu queria odiá-lo, mas agora parece tarde demais, porque... Meu Deus, eu amo Natsu. E esse sentimento está me matando — as lágrimas começam a cessar e minha voz começa a ficar mais controlada, tento respirar calmamente — Eu preciso esquecê-lo.

— Você precisa me contar o que aconteceu de verdade, Lu. Não consigo te entender.

Então eu a abracei e chorei mais ainda.

— Lucy, o que aconteceu? — uma voz conhecida aparece próximo a nós.

―×―

Natsu

Ver Lucy hoje foi como levar um soco no estômago. Depois de quase uma semana sem vê-la, foi uma surpresa. Eu nem ao menos sabia por onde começar, quando reparei que ela nem ia deixar eu começar. Ela não me deixa falar nada, ela não quer ouvir, é uma maldita teimosa! Achei que perderia a cabeça, e nada verdade perdi. Eu nunca gritaria com ela, mas o tom acusador dela me desesperou e me levou a dizer coisas idiotas, ao invés de me explicar. E estou ficando ainda mais desesperado ao ver ela saindo de minhas mãos com tanta facilidade.

Sentei no meu lugar para os olhares curiosos se dispersarem, e logo vejo Lucy chorando e puxando Levy com ela. Então meu instinto idiota desperta outra vez, e me levanto para segui-las. Não posso ficar parado sabendo que depois de tanto tempo ela finalmente está perto de mim. Lógico que já a fiz chorar. Grande canalha você, Natsu.

Sigo de longe, vendo elas pararem atrás da escola. Fico atrás de uma parede, ouvindo o choro desesperado de Lucy e tenho que me conter para não ir até lá.

— Eu não sei o que fazer. Eu queria odiá-lo, mas agora parece tarde demais, porque... Meu Deus, eu amo Natsu.

De repente todos meus sentidos sumiram e essa frase ficou rondando minha mente. Ela me ama. Isso foi suficiente para que eu sentisse um tapa na minha cara por tudo que fiz e disse à ela. Vou falar com ela, me explicar e me desculpar. Vou até lá e...

— Lucy o que aconteceu?

Vejo Sting aparecer, se agachando para se aproximar dela. Paro meus passos, e todas minhas forças parecem sumir. Ele abraça dela, e ela retribui enquanto chora. Sinto como se algo se quebrasse dentro de mim e volto para a sala.

―×―

Lucy

— S-sting... — falo, tentando conter as lágrimas novamente.

Ele não disse nada de imediato, apenas abriu seus braços e eu me joguei neles. Precisava de quantos abraços eu pudesse ter. Fiquei abraçadas a eles, colocando toda minha tristeza para fora. Eles não precisavam fazer nada, só de estarem ali por mim, era suficiente.

Levou algum tempo até que eu me acalmasse. Sting tentou descobrir o motivo de eu estar tão acabada, mas preferi omitir, até mesmo porque ele nem deve saber que eu e Natsu estávamos juntos. Aliás, ninguém sabia porque ele preferiu manter segredo. Corrigindo, ele preferiu me manter em segredo. Digo para Sting não se preocupar e ir para aula, enquanto vou com Levy ao banheiro para molhar o rosto. Precisava voltar para aula, não queria reprovar por falta.

Entrei para a segunda aula e segui direto para minha carteira. Reparei nos milhares de olhares curiosos. Aliás uma garota some e depois volta aos prantos. Devem achar que estou grávida.

...

Meu Deus, tenho que calar minha boca.

Tento prestar atenção na aula, mas é em vão. Nem vi o tempo passar, quando o sinal tocou e todas as garotas se aglomeraram em minha carteira.

— Lucy! O que aconteceu para você faltar uma semana inteira? — Erza pergunta com seu tom de presidente de classe e ao mesmo tempo preocupada.

— Juvia ficou preocupada — a azulada chega logo após.

— Você parece triste, Lucy. O que aconteceu? — Cana se manifesta, e pela primeira vez parece estar bem sóbria.

— Não aconteceu nada garotas, estou bem — respondo com um sorriso, que é claro, não convence ninguém.

— Lucy... — uma voz sobrepõe o silêncio, e então meu coração se aperta ao ver Lisanna — Podemos conversar?

Sinto meu corpo tremer, engulo em seco e assinto com um aceno de cabeça. Todas as garotas parecem olhar para nós com um ponto de interrogação, menos Levy que parece tão nervosa quanto eu. Ela sai da sala antes e eu a sigo. Enquanto olho para suas costas as imagens daquele dia aparecem em minha mente. Tento esquecer, mas sei que é improvável. Pelo caminho que seguimos, suponho que vamos parar no campo, o que é ruim, porque os garotos estão lá. Natsu está lá.

Lisanna se senta em um banco abaixo de árvores e me sento ao seu lado. Alguns instantes constrangedores de silêncio se formam, o clima parece horrível por aqui. Avisto os garotos de longe jogando futebol e assim que encontro certos cabelos rosas, vejo que seu olhar se prende em nós, então viro o rosto. Lisanna parece nervosa, olhando para o campo, para Natsu. Suas mãos se mexem sem sentido algum. Não quero falar com ela, queria mesmo ficar sozinha. Mas não posso culpa-la por tudo o que aconteceu. Ela também foi enganada.

— Bom... — começa a falar sem graça — Só queria pedir desculpas pela cena na casa do Natsu — ela sorri timidamente.

Então uma reviravolta de pensamentos parecem surgir abruptamente com essa frase. Começo a imaginar se a culpa realmente não foi dele. Talvez ela que tenha se empolgado de verdade. O fogo da esperança parece quase me dar socos.

— Sabe como é — continuou — Natsu não tinha me contado que você ia lá, e mesmo assim ele estava um pouco afobado, com pressa — ri envergonhada — Ele ficou sem graça por você ter aparecido, então eu falei para ele ir se explicar com você. Mas depois que ele voltou para casa, você não vai acreditar... Ele é tão quente.

Minha boca se abre, como se quisesse interromper esse monte de bobagens. Mas sei que no fim, só quero que ela pare de apunhalar meu coração. A esperança criada foi apagada de forma ainda mais bruta. Me neguei a escutar suas próximas palavras, sua descrição de como eles... eles... O que foi que eu fiz? Como ele pode ser tão baixo?

Acabou. Eu sabia disso no momento em que vi os dois se beijarem, mas mesmo assim eu queria ter esperança. Eu guardei um espaço dentro de mim, tentando acreditar que foi tudo um mal entendido. Só eu não percebi isso.

— Lucy? — Lisanna me chama ao ver que nem ao menos estou mais olhando para si. Sinto meus olhos marejarem.

— Oi? — respondo ao seu chamado, voltando meu olhar para o dela.

Seguro minha respiração e me foco em algum ponto atrás dela para não desmoronar.

— Só queria te pedir perdão por você ter visto aquela cena embaraçosa — continua com um sorriso de orelha a orelha, e eu sei exatamente o motivo desse sorriso — Mas estou tão feliz, Natsu é tão carinhoso.

Claro que é. Canalha.

— Não precisa se desculpar — digo secamente — Melhor eu voltar para sala, preciso ver... minha situação escolar com a Erza — invento qualquer coisa para sair dali.

Eu não aguentaria.

―×―

Levy

— Você acha que Natsu a trairia? — pergunto enquanto passo a mão por seus cabelos longos sobre meu colo.

— Não sei — Gajeel responde enquanto assiste os garotos jogarem — Ele pode ser idiota, mas acho que mulherengo não.

Suspiro em preocupação. Foi horrível ver minha melhor amiga daquele jeito e eu não sei o que fazer.

— A Lu está péssima, não gosto de vê-la assim — desabafo tristemente.

— Sempre tão preocupada — caçoa, enquanto alisa minhas bochechas.

Olho para ele, irritada, mas vejo seu sorriso brincalhão.

— Você me trairia? — pergunto diretamente, apenas por estarmos no assunto. Lógico que sempre há essa dúvida, mas vai que já estamos falando sobre isso...

— Nunca — afirma e meu sorriso se alarga.

— Te amo Gaj.

— Te amo pequena.

―×―

Lucy

Finalmente as aulas acabaram. Foi mais cansativo do que eu esperava, acho que uma semana foi o suficiente para desacostumar a estudar. Além disso, todos pareceram preocupados. Não queria deixar ninguém assim, mas não encontrei outra maneira para lutar contra meus sentimentos.

Sai da sala sem olhar para trás e praticamente corri até meu apartamento com medo de me encontrar com Natsu novamente. Não consigo tirar nossa discussão da cabeça. Como ele consegue parecer tão confiável e verdadeiro depois de tudo o que fez? E ele me chamou de ridícula! Respiro fundo, e procuro algo para comer antes de ir para o trabalho. Não estava afim de ir trabalhar, mas serei despedida se faltar ainda mais, já foi muito generoso da parte de meu chefe me deixar viajar.

Então determinada a melhorar a catástrofe do meu dia, pego minha bolsa e saio do prédio. Ando tranquilamente pelas ruas, olhando as ruas vazias. Hoje o céu está reluzente e acho que isso é um bom sinal. Além disso a brisa está ótima. Aproximo-me da livraria quanto meu coração dispara intensamente e paro meus passos. Natsu me observa encostado na parede ao lado da porta. Corri tanto da escola para não ter que vê-lo, mas é incrível como ele sempre aparece.

Respiro fundo, e volto a andar. Meu corpo parece tremer só com essa proximidade. Quero fugir, mas vou aguentar firme. Meus olhos me traem, olhando para ele de tempos em tempos e vendo seus olhos sérios me fitando. Minha boca está seca. Estou com medo, porém continuo a andar. Vou ignorá-lo, entrar na livraria e fingir que nada aconteceu, só isso.

Chego na porta, e ele não diz nada. Tento abrir a porta com a esperança de que Levy já tenha chego, mas nada. Então busco a chave em minha bolsa. Minhas mãos tremem enquanto tento encaixar a chave na fechadura. Natsu apenas me observa, sendo patética. Queria virar para ele e dizer tudo o que está engasgado em minha garganta, mas não consigo. Então fico ali, sofrendo o que pareceu por séculos para abrir a droga da fechadura. Fico me perguntando no que ele irá fazer.

Suspiro, tentando disfarçar o coração frenético dentro de mim. Assim que abro a porta e passo por ela, tento fechá-la novamente, mas é em vão. Natsu prende a porta com sua mão, e ele é pelo menos mil vezes mais forte do que eu. Ele é maluco, vai quebrar essa porta! Solto a porta, porque sei que irei perder. E nesse mesmo instante ele entra na livraria e fecha a porta.

Engulo em seco. Procurando o interruptor da luz, mas tudo parece sumir de meu alcance. Na verdade, acho que nem sai do lugar. Natsu se aproxima de mim, eu tento ir para trás, porém o balcão está atrás de mim. Não consigo enxerga-lo direito com todas as cortinas fechadas e a luz apagada. Mas nossas respirações estão tão fortes que podem ser ouvidas.

— Eu te disse que sou um cara persistente — Aproximou-se ainda mais e sussurra em meu ouvido.

Sua mão encosta em meu ombro e alisa minha pele. Solto a respiração que nem me lembrava de ter prendido. Seu calor tão perto de mim parece ser quase tóxico.

— Natsu, vá embora — digo com a voz trêmula, enquanto seus dedos alcançam minhas mãos.

— Não vou — replica rapidamente, levando a outra mão até meu rosto — Não vou desistir até que me perdoe.

Meu corpo amolece, e mesmo assim tento me manter forte para me afastar de sua mão.

— Falei para ficar longe de mim — me esforço para dizer.

Sua cabeça se aproxima de mim, e sinto nossas respirações se misturarem.

— E eu falei que não vou fazer isso — se afasta o suficiente para me olhar nos olhos. Vejo o brilho de seus olhos escuros me prenderem — É isso mesmo que você quer?

Fico em silêncio, porque eu sei que não é. Eu nem ao menos conseguia dizer isso em voz alta. Não posso deixa-lo me ganhar novamente, não posso permitir. Mas... apenas com seu toque meu corpo já incendeia, e tenho vontade de me entregar novamente. Tento me focar nas coisas ruins que ele fez, quando seus lábios tocam minha pele perto do pescoço.

Esforço-me para não gemer. Não, Lucy! Você não pode.

— Natsu, não faça as coisas ficarem mais difíceis — digo, sentindo as lágrimas percorrerem meu rosto.

Só então percebo, que ele está chorando também. Sinto algo úmido tocar minha pele, e sei que não é meu.

— Eu não tive culpa, você precisa me ouvir.

E com essa frase, a razão retorna. São essas coisas que ele provavelmente faz com a Lisanna, e que fez enquanto eu trabalhava ou sabe se lá mais quantas outras vezes.

— Não acredito em você.

A frase deveria sair em um tom firme e controlado, mas ao invés disso, as lágrimas parecem tomar conta, e a tristeza transpareceu mais que meu orgulho.

Ele se afasta, e nossos olhos se encontram. Queria acreditar na dor que seus olhos parecem transmitir. É mentira, Lucy. Você sabe disso.

Natsu abre a boca para dizer alguma outra coisa, quando escutamos batidas na porta. Ele me liberta, e eu corro para acender a luz. Então nos olhamos por alguns minutos. Seus olhos estão vermelhos, assim como tenho certeza que os meus também.

— Não vou desistir de você, Lucy — fala, antes de abrir a porta e sair, me deixando aos prantos e mais confusa.

Levy entra pela loja, com sua expressão nítida de incompreensão. Ela para de olhar para Natsu, provavelmente se perguntando o que estava acontecendo e depois se vira para mim, em um canto, desolada. Ela corre em minha direção e me abraça. É ótimo tê-la por perto. Tento contar resumidamente o que houve, desde a conversa com Lisanna e todos seus carinhos aqui na livraria.

— Lu, sei que não quer ouvir isso... Mas eu não acho que ele tenha te traído — começa a dizer, me deixando ainda pior.

— Mas eu vi Levy, não importa o que ele diga, ou o que ela diga. Estava ali na minha frente! — falo tanto inconformada quanto decepcionada — Ele estava beijando ela!

— Ou poderia ser ela beijando ele, Lu-chan! Abra sua mente — continua em sua teoria — Não quero acreditar também que a Lis possa ter mentido, mas ela sempre foi louca por ele. Deve ter perdido a cabeça quando viu que vocês estavam juntos!

— Ela não sabia, Levy! — replico.

— Então escute o que ele tem a dizer, não é justo ouvir apenas dela!

— Não quero falar sobre isso — retruco incomodada por sua insistência.

— Não pode ficar fugindo assim.

— Não posso fugir do que não existe Levy-chan! — e com isso, encerro nossa conversa que pode parar em discussão.

Levanto-me para começar a trabalhar. O olhar triste de Levy pesa sobre mim, mas tento não me importar. Não sei porque está o protegendo tanto! Tento me livrar desses pensamentos e volto a trabalhar.

―×―

Chego em meu apartamento, largando as coisas sobre a escrivaninha. Tomo um longo banho para me relaxar, enquanto as lágrimas descem. Não é como se eu pudesse evitar. Não consegui deter que eu me apaixonasse por ele. Mas isso vai passar.

Vai passar.

Notas finais
Todos tristes e deprimidos? :/Bom, todos que já amaram muito alguém sabem que esse sentimento não passa tão rápido quanto queremos certo?Enfim, comentem ♥