Academia De Fadas
23 Capítulo 23 — Conversas de um sábado
Notas iniciais
Capítulo 23 ― Conversas de um sábado
Natsu
Abro os olhos lentamente, levando minha mão até eles para tapar a claridade insuportável do sol. Espero algum tempo até ter certeza que não ficarei cego e direciono meus olhos para o relógio ao lado da cama. 08:30. Nem louco que vou acordar a essa hora num SÁBADO. Resmungo silenciosamente por acordar sozinho, quando nem ao menos preciso levantar cedo, porém algo me chama a atenção: A luz do meu celular. Em um pulo, pego-o como se fosse acabar o mundo e vejo que é uma mensagem de Lucy. Abro um sorriso idiota, até perceber que estou fazendo isso, e paro. Pare de agir como um idiota. Repreendo-me. Desmaiei ontem depois de mandar a última mensagem.
Me lembro sobre o dia anterior, com minha tentativa falhada de me declarar. Cara não é mesmo para eu me declarar, não achei que ia ser tão difícil. Na verdade só tem piorado, porque estamos nos aproximando novamente e estou cada vez mais achando ridículo tudo isso. Melhor desistir de uma vez por todas.
Finalmente abro a mensagem.
“Claro que sei, mas não os seus sonhos que são impossíveis, pare de ter sonhos nojentos comigo por favor! É melhor você ficar longe de mim no churrasco hein! E não se preocupe tenho coisas melhores para sonhar Haha. Bons sonhos também, chatinho. Ps. Ficaria mesmo triste, é bom você aparecer” — De Loirinha Chata.
Começo a rir sozinho. Ótima maneira de se acordar. Olho para a tela do meu celular como se fosse me dar alguma resposta. Talvez eu devesse tentar mais uma vez...
Devo estar mesmo enlouquecendo.
―×―
Lucy
Abro os olhos rapidamente e ergo meu corpo da cama, assustada com o “sonho” que acabara de ter.
Estava em algum parque que nunca vi na vida, ou pelo menos não reconheço. Natsu estava lá também. Quero dizer, estava apenas nós dois. Então olhei para ele e ia fazer alguma piada idiota como sempre, mas ele me cortou.
“Acho que estou apaixonado por você”
“... Como?”
Ele me beijou. E a sensação foi a mesma do baile, ou seja, eu gostei.
Meu coração ainda está acelerado no meu peito. Não acredito que consegui realmente sonhar com o maldito. Ai meu Deus! Que horror! Que maneira mais horrível de se acordar. Respiro fundo para me acalmar e olho para o relógio. Ótimo. Além de sonhar com algo assim, despertei antes do meu despertador! Odeio acordar antes dele tocar, pois sinto que estou perdendo minutos preciosos de sono. Suspiro. Fazer o quê... Pelo menos tenho mais tempo para me arrumar antes que Sting passe aqui para nosso café da manhã de namorados.
Estou um pouco ansiosa, como sempre fico antes de encontrá-lo. Será isso algo bom? Acredito que sim. Espero que seja um café da manhã muito agradável e perfeito, como são todos nossos encontros, ou a maioria deles.
Resolvo levantar de uma vez por todas e sigo para o banheiro. Faço minha higiene pessoal e me arrumo da melhor maneira que consigo para agradá-lo. Alguns minutos, perfume e maquiagem depois, ouço alguém bater na porta. Só pode ser ele. Respiro fundo, dando uma última olhada no espelho e pego minha bolsa. Agora é só esquecer do sonho ridículo, abrir um sorriso e aproveitar Lucy. Não estrague tudo.
Abro a porta e logo vislumbro seu sorriso de galã.
— Oi amor! Bom dia — Sorri assim que o vi. Ele estava lindo de morrer como sempre, como consegue?
— Oi gatinha, bom dia! — sorriu e me beijou — Está linda — elogiou-me observando meu corpo por alguns segundos, depois voltou a me olhar — Vamos?
— Vamos! — digo um pouco envergonhada.
Descemos as escadas em silêncio e saímos do prédio. Fomos até um café ali perto que tinha visão para o canal que passa pelo meio da cidade. É tudo lindo e confortável. Bem caseiro, bem agradável. Não acredito que nunca tenha vindo aqui, mesmo sendo tão perto de casa. Devia ser a falta de companhia.
Entramos e um sino singelo tocou. Ajeitamo-nos em umas das mesas do lado de fora para podermos vislumbrar o ambiente, que por acaso é incrível. Sting segura minha mão, o que me faz olhar para ele novamente.
— E então dormiu bem? — perguntou sorrindo.
Não. E você nem imagina o porquê.
— Aham e você? — respondi acariciando sua mão.
— Faltou você do meu lado — galanteou com uma piscadinha, me deixando sem graça de novo.
Abri um sorriso envergonhado e ele sorriu também. Antes que ele pudessem me deixar ainda mais corada, vieram pegar nossos pedidos, que o fizemos com prazer. Depois ficamos conversando, ou tentando. Não que não tenhamos nada em comum... as coisas só não fluem tão naturalmente como deveria ser. Mas acredito que todos casais passem por isso.
Então entre os silêncios de nossa conversa, meu celular vibra em minha bolsa. Abro os milhões de zíperes e o pego. Uma nova mensagem. Abro.
“Ohayo Lucy! E aí sonhou muito comigo? KKK Tenho certeza que se soubesse dos meus sonhos não acharia nojento! Tentarei me lembrar do teu aviso mais tarde. Ah é? Coisas melhores? Vou te provar o contrário então. Até mais tarde. Ps. Eu já sabia, e é melhor você ir, senão sou eu quem fica triste.” — De Natsu chatinho.
Continuo olhando para o celular, lendo e relendo, tentando de alguma forma não me sentir completamente paquerada e tentada com aquilo. Fico perplexa. E com meu grande dom de não ser nada discreta, Sting nota.
— Que cara é essa? Quem era? — Pergunta com a sobrancelha arqueada.
Meu coração tem um mini infarto com a pergunta. Não quero mentir.
— Ahn... Na...tsu. — gaguejo a resposta, sabendo que sua reação não seria nada amigável. E realmente não foi.
— O que você tem com esse cara? — Encarou-me. Sua voz tinha uma certa irritação e se quer saber, tinha um certo pré julgamento. Droga, já estraguei minha manhã perfeita com o namorado.
— Nada amor, já falei que somos só amigos — Refuto da maneira mais calma possível para não acabarmos brigando.
Pela sua cara de poucos amigos, minha tranquilidade não ajudou em nada. Ele olhou para mim, desviou o olhar, ficou batendo os dedos na mesa. Se eu soubesse que ele ficaria tão agitado não teria dito a verdade. Eu e minha mania de ser a garota certinha.
— Escuta — volta seu olhar para mim — Quero que se afaste dele.
Fico olhando para ele pasma. Achei que ele estava brincando, mas seu olhar sério dizia o contrário. Isso tá ficando sério demais... me afastar do meu melhor amigo? De certa maneira meu melhor amigo deveria ser Sting... mas não importa, não poderia me afastar de Natsu assim... Me sinto contra uma parede, entre a vida e a morte.
— Porque? — foi tudo que consegui dizer.
— Não se lembra do que ele fez comigo? — exaltou-se — Me bateu sem motivo algum! Achei que você não falaria mais com ele sabendo disso! Não quero você perto de alguém como ele!
Havia me esquecido completamente a briga deles. Parece um bom argumento, apesar de que eu não acredite muito nisso.
— Era sem motivo algum mesmo? Aliás porque vocês brigaram no campo? — estava mesmo curiosa e sua fala foi minha deixa para entrar no assunto.
— Ele é louco amor! Do nada queria me bater. Sério, fica longe dele — olhou dentro dos meus olhos — por mim.
Agora sim me sinto ainda mais pressionada. Olho para Sting e depois fito meus dedos. Não sei o que dizer e tenho medo de dizer a coisa errada. Natsu... não imagino ele fazendo isso... sem motivo algum. Estranho. Não quero me afastar dele, ele me faz companhia, me consola, faz trabalhos comigo... me deixa confusa. Que situação ruim... Namorado ou melhor amigo? Isso não deveria ser algo que eu deveria escolher.
Limpo a garganta, mostrando meu desconforto e volto a olhar para Sting.
— Tudo bem... — Concordo um pouco hesitante e triste. Ele alarga seu sorriso e aperta minha mão.
Olhando para ele não parece ser algo tão ruim assim. Talvez seja melhor me afastar mesmo. Sempre soube que era o melhor, mas acho que me perdi no meio do caminho e acabei voltando a amizade... Espero que eu não me arrependa...
— Aliás... qual era sua proposta? — Recomponho-me, tentando não pensar no pior.
— Ah verdade! — Seus olhos brilham com a recordação — Minha família vai viajar para uma praia no fim de semana que vem, queria saber... se você não quer ir junto. Diz que sim! — sorriu em súplica.
Meus olhos se abrem em surpresa. Isso, com certeza, foi inesperado. Viajar... com ele? Sozinha? Quero dizer, tem os pais dele e tudo mais, mas mesmo assim, é um grande passo em um relacionamento. Estou pronta para isso? Digo... certamente ele vai querer coisas a mais. Ai Kami-sama, ele com certeza vai ter segundas intenções. Sinto o desespero tomar contar de mim. Porque fico assim só de pensar? Será que acontece com todas? O que eu faço?
— Olha, não precisa responder agora — volta a chamar minha atenção ao perceber que não respondo nada — Vamos na sexta, me responda até lá, certo? Espero realmente que você aceite.
Suspiro.
— Tudo bem, vou pensar.
―×―
— Acredita Levy-chan? Me chamou para viajar! — digo ainda desacreditada, enquanto mexo em algumas araras de roupas.
— Sério? Ai que máximo! — diz com os olhos brilhando, olhando as roupas que eu passava.
Era de tarde, e como combinado fui com Levy comprar alguma roupa para ir ao churrasco de hoje à noite. Nos encontramos no centro, onde tem uma estátua enorme que sempre combinamos nossos encontros. Já passamos por dezenas de lojas, mas nada nos interessou.
— E você vai Lu-chan? — Pergunta enquanto saímos de mais uma loja — Vamos entrar aqui! — Aponta para a loja do lado que tem várias roupas fofas na vitrine.
— Não tenho certeza... quero dizer, se eu for as coisas vão ficar realmente sérias entre nós não é? — Sigo-a um pouco perdida em pensamentos.
— Com certeza, isso não seria bom? Não é isso que esperamos de um relacionamento? — questiona enquanto olha as roupas.
Boa pergunta... Na verdade é realmente o que ela disse. Quando namoramos é porque queremos ficar com essa pessoa. Queremos que tudo se torne sério. Senão, porque namorar? Para acabar em mágoa e frustração?
— Não sei Levy-chan... Algo me diz que não é para eu ir — respondo receosa, pegando algumas peças e pendurando em meu braço.
— Algo é? — Diz com a sobrancelha arqueada, parando de mexer nas roupas e me encarando — Esse algo tem nome?
Hm? Nome?
— Como assim? — Encaro-a de volta.
Estamos uma ao lado da outra, olhando as mesmas peças. Ela se vira em minha direção e se apoia nas roupas para me encarar melhor.
— É por causa do Natsu não é?
Coméquié? Ela está louca? Gaguejo algumas palavras indecifráveis. Meu rosto começa a ferver. E sem razão alguma! Porque não poderia ser por causa dele.
E porque seria Lucy? E se for? Ai Kami-sama!
— Claro que não — respondo diretamente, voltando a procurar roupas.
— Pode mentir para mim — põe o braço na minha frente para eu encará-la — Mas não pode mentir para si mesma para sempre, Lu-chan!
— Não estou mentindo para ninguém! — debato, me sentindo um pouco ofendida.
Eu sei que ela tem razão. Mas não é como se eu estivesse mentindo para mim mesma! Claro que não estou! O que essa garota pôs na cabeça que tem algo entre eu e o Natsu?
Levy pega um montinho de roupa e segue para o provador. Sigo ela, ainda inconformada com toda essa conversa. Começo a lembrar das mensagens de Natsu. Pura bobagem. Ele sempre foi assim. Ele é um palhaço carinhoso com qualquer uma. Não estava me paquerando de forma alguma. Além disso... Sting pediu para que eu me afastasse. E hoje terá o churrasco. Não sei como farei para realizar seu pedido.
Entro em um provador e Levy entra no provador ao lado.
— Levy-chan... — digo um pouco baixo, esperando que ela escute através da tábua que nos separa.
— Oi?
— Sting pediu para que eu me afastasse de Natsu... — conto, enquanto me dispo. Ela ficou em silêncio por algum tempo, e por um momento achei que ela não tivesse ouvido.
— E você? — finalmente se pronuncia.
— Falei que tudo bem — respondo triste, colocando a primeira blusinha que vi na frente e me olhando no espelho.
— Se você acha que isso é o certo, não há nada a ser feito — Conclui, me deixando um pouco desapontada — Mas acho que você deveria relevar. Aliás, você sempre foi muito ligada a Natsu e Sting... você mal o conheceu... Não acha que está cedo para ele te pedir algo tão extremo?
Escuto com atenção, pensando em tudo. Ela tem razão. Como na maioria das vezes. Mas o que eu poderia fazer? Ele estava na minha frente, olhando nos meus olhos, praticamente implorando para eu me afastar. Ele é meu namorado, e com certeza se sente desconfortável com minha amizade intensa com Natsu...
— Me sentirei péssima se me afastar de Natsu — Admito confusa e encostando na porta do provador — Na verdade, já me senti mal apenas por concordar com isso. É como se eu o tivesse traído. Traído nossa amizade. Mas ao mesmo tempo, penso que se eu quiser que as coisas deem certo com Sting, terei que abrir mão disso sabe?
— Abrir mão de Natsu... Ou de você mesma?
— Hã? O que quer dizer? — questiono sem entender e volto a provar as roupas.
— Eu concordo que talvez vocês tenham que se afastar um pouco por seu namoro... Se fosse você no lugar dele também se sentiria mal com a situação. Mas também acho que ele não pode te afastar do seu melhor amigo assim. Ser amiga ou não de Natsu é uma escolha sua, e de mais ninguém. Não deixe ele te controlar.
Respiro fundo.
— Obrigada.
— Amigas são para isso.
Começo a sorrir sozinha. Porque apesar de toda essa confusão, ainda tenho a Levy-chan. E ela por si só, faz uma diferença gigantesca na minha vida.
— Ah! — exclamo ao me lembrar — Aliás Levy-chan, o que você ia me contar?
Estava tão aturdida com meus problemas que esqueci até mesmo o porquê de termos combinado de sair. Troco de blusa e percebo que a resposta não vem. Nani?
— Levy-chan? — Chamei-a de novo para ter certeza que ela estava ali.
— O-oi? — ouço uma voz tímida vir do outro lado.
— Não tinha algo a me contar?
— Tinha.
— E não vai?
— Vou.
Não estou entendendo mais nada.
— E tá esperando...?
— Não vai rir de mim?
Isso está ficando ainda mais estranho. Porque eu riria de Levy?
— Claro que não, pode falar amiga.
— E-eu... acho que estou gostando de Gajeel.
Hã?!?!? Levy? E... Gajeel? Não acredito! Ele, que ela dizia que tanto odiava? Que hilário. Abro o meu provador e entro no dela.
— QUE? COMO ASSIM ME CONTA MAIS!
— Não saia entrando no provador dos outros assim!
— Não importa, me conta!
Sim, fiquei no provador alheio conversando ao invés de experimentarmos todas as roupas e depois conversar melhor. É que curiosidade tem essa característica de imediatidade, que não conseguimos conter. Ela começou a contar que ficaram conversando perto da piscina por um tempão, e que sentiu um clima rolar. Então ele se confessou, dizendo que na verdade tudo o que fazia era porque a amava. QUE LINDO! Quase me derreto apenas por escutar até ela dizer que se assustou e foi embora. Nunca me disseram “Eu te amo”. Nem mesmo Sting... e pela animação de Levy-chan deve ser algo muito bom. Estou tão feliz por ela.
―×―
Volto para o apartamento, juntamente com minhas novas aquisições. Ficamos tanto tempo conversamos que já é quase o horário de início do churrasco. Levy deixou-me o endereço e um mapa para que eu consiga chegar ao dormitório, que por acaso não faço ideia de onde é.
Tomo um banho rápido, seco meus cabelos e coloco minhas roupas novas. Olho no espelho e gosto do que vejo. Abro um sorriso e logo desperto por causa do tempo. Pego minha bolsa e saio do apartamento. Pego o celular e fico olhando para a mensagem de Natsu. Eu sei que é errado. Mas não posso simplesmente deixa-lo no vácuo.
Desço as escadas digitando a mensagem.
“Oi Natsu, desculpe a demora para responder. E não, não sonhei com você, como já disse tenho coisas melhores para sonhar! Mesmo não sabendo continuo achando-os nojentos. Me provar o contrário? Duvido muito haha. E sim eu vou, já estou saindo na verdade. Faço muita falta mesmo. Até daqui a pouco? Beijos”
Aperto em enviar assim que saio do prédio. Respiro fundo por meu ato de rebeldia e guardo o celular no bolso de trás do short. Desvio meu olhar para a frente... e o vejo. Ali, na minha frente, me esperando. Está atraentemente diferente e... lindo. Sinto meu coração acelerar. Que droga. Ele olha para o celular e logo se vira, fazendo seu olhar se cruzar com o meu, que o pega de surpresa também.
— Yo Lucy — sorri.
— Yo... Natsu.
Fale com o autor