Abuse Me, Use Me
1 Prólogo
Cecily se sentia nas nuvens caminhando pelos antigos arcos de pedra da aristocrática Universidade de Cambridge.
A conhecida arquitetura antiga a encantava desde o curso de inglês britânico que havia feito no verão passado que foi quando decidiu que após terminar o colégio queria fazer universidade ali. E agora, seis meses depois ela estava de volta.
A sensação do vento frio no rosto era reconfortante depois dos 18 anos passados no estado do Arizona nos Estados Unidos sob o sol escaldante em qualquer época de ano de Scottsdale.
Ouviu uma música alta tocando quando finalmente chegou ao dormitório 7A e não conseguiu identificar a banda enquanto empurrava a porta com dificuldade devido a quantidade de bagagem que carregava.
No centro do quarto havia uma garota de aproximadamente a sua idade – cabelos negros, lisos e repicados em todas as direções, a pele bronzeada um pouco mais escura que a sua e o corpo apesar de aparentar a mesma altura era estreito e magro, pernas longas, cintura fina e nada de seios, quadril ou bumbum – ela dançava de olhos fechados, totalmente entregue a música.
A menina parou de dançar tropeçando nos próprios pés e caindo sentada quando a porta bateu na parede com um baque e Cecily adentrava o quarto jogando a pesada bolsa de viagem que castigava seus ombros na cama e se virava sorridente dizendo:
_ Olá, sou a Cecily e você quem é? – perguntou ela sorrindo, enquanto a menina ainda a encarava estática no chão. _ Você, hum... precisa de ajuda? – perguntou ela com a voz fininha e infantil estendendo a mão e ajudando a colega de quarto a se levantar.
Ela sorriu entre encabulada, com raiva e agradecida e disse: _ Meu nome é Emily, e desculpe por, er... isso.
_ Tudo bem, americana? – perguntou Cecily notando o sotaque.
_ Sim. – respondeu a outra e erguendo a sobrancelha completou: _ De Scottsdale, assim como você.
A boca pequena de lábios cheios de Cecily se abriu em um perfeito “O”, ela podia dizer quase com certeza que nunca tinha visto a garota parada a sua frente antes.
_ Nós nos conhecemos? – perguntou ela mudando o peso de uma perna para a outra, as botas pretas de cano alto e salto não foram uma boa idéia, uma vez que, estava de mudança, mas elas combinavam perfeitamente com sua roupa.
_ Fizemos o ensino médio na mesma escola. – disse Emily com um toque de amargura na voz, fazendo Cecily se sentir culpada.
_ Me desculpe, eu não me lembro de você.
Emily limitou-se a um dar de ombros antes de se deitar na cama, conectar os fones de ouvido no laptop e começar a digitar furiosamente no teclado.
É claro que a garota mais popular do exclusivo Westmoreland II não se lembraria dela, a bolsista responsável pelo jornal da escola.
Emily adoraria ter dito que se ela tirasse os olhos do próprio umbigo por um só instante e olha-se ao redor com certeza saberia quem ela era, mas já tinha ouvido dizer e visto daquilo que Cecily Van Bearle era capaz e não gostaria de atravessar o seu caminho.
Portanto limitou-se a ignorar a garota com face infantil, voz irritante e perfeitamente vestida do outro lado do quarto.
***
Quando a quarta aula do dia começou como todas as anteriores, com os professores fazendo as mesmas perguntas bobas de “qual o seu nome, sua idade, de onde veio, porque escolheu a geologia”, Cecily bufou irritada e começou a bater impacientemente no chão as sapatilhas vermelhas que havia combinado aquela manhã com a calça de tecido creme e a camiseta branca de Alice in Wonderland parando apenas quando a sua vez de – mais uma vez – responder as perguntas inúteis chegou.
Ela jogou os longos cabelos castanhos ondulados com luzes douradas naturais para trás e respondeu:
_ Meu nome é Cecily Van Bearle, tenho 18 anos e sou do estado do Arizona nos Estados Unidos. Escolhi a geologia, porque cresci visitando o Grand Canyon e desde pequena o que na época eu nem tinha idéia como sendo a geologia do lugar me fascinava.
De alguma forma enquanto ela falava todos os alunos ficaram em silêncio, sua vozinha fina e infantil ecoava pelo auditório segura e decidida, enquanto a maioria dos que tinham falado antes dela pareciam encabulados e incertos.
O professor continuou interrogando os alunos claramente surpreendido com atitude da menina e ela voltou a se desligar de todos ao redor, pensando no que usaria na festa daquela noite, afinal nada a respeito dos outros colegas a interessava, se quisesse saber de algo, poderia descobrir por ela mesma.
***
Cecily entrou apressada no quarto 7A naquele inicio de noite, ela havia esquecido do tempo conversando com sua colega de sala Rachel que assim como ela, tinha jogado vôlei na época do colégio e foi obrigada a parar pelo mesmo motivo: contusões.
_ Oi, a festa acabou de começar, você não vai se trocar? – perguntou Cecily de bom humor atirando as roupas em cima da cama enquanto corria para o banheiro de lingerie para tomar banho antes de se juntar ao pessoal do curso na festa de boas-vindas aos calouros.
_ Eu já estou pronta. – respondeu Emily confusa olhando a própria roupa.
_ Ah! – foi a coisa brilhante que Cecily conseguiu dizer porque estava chocada demais por alguém acreditar que jeans surrados e camiseta cortada de banda combinados com um tênis all star implorando para ser lavado significava “estar pronta” para uma festa no vocabulário de alguém. Mas ela se recuperou logo dando de ombros e entrando no banheiro enquanto prendia os cabelos em um coque para não molhar.
Quando saiu alguns minutos depois escolheu a roupa ideal para mostrar a Emily como uma pessoa ia com trajes simples a uma festa e ainda assim parecia elegante.
Colocou um jeans skinny preta, uma regata branca por dentro do jeans e um bow peep toe pump vermelho sangue de salto 15 e plataforma.
Ela estava perfeita, a regata branca colada no tronco de seios pequenos, cintura fina e barriga inexistente, a calça justa realçando as curvas do quadril, o bumbum redondo e arrebitado e as pernas longas. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto e bagunçado e passou apenas um gloss transparente nos lábios antes de sair do quarto batendo a porta atrás de si.
A noite estava apenas começando.
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