Abusada ll - Sequestrada
12 Meritocracia...
Estava deitada de costas na cama. Meus olhos focavam no teto e meus dedos tamborilavam na minha barriga... Há quanto tempo estava ali?... Muito, com certeza.
Era difícil descrever a vida no cativeiro... Eu não passava fome, o que era muito bom e três vezes ao dia, Charlie descia e me dava um prato com comida. Ele nunca comia comigo.
Havia aprendido algumas coisas. Para começar, tudo era um jogo... Ele dava as cartas e eu tinha que aprender a lidar com elas. Charlie queria que eu “aproveitasse”. Bom, isso era uma coisa que eu me recusava a fazer.
Porém, aprendi a lhe fazer agrados. Elogiar a comida, sua aparência, seu cheiro. Quando ele chegava e se inclinava na minha direção eu tinha que lhe beijar. Na maioria das vezes dava apenas um selinho, mas havia dias em que ele agarrava minha cabeça e me forçava a lhe dar um beijo mais profundo, de língua... Eu não gostava desses dias.
Todo dia ganhava uma roupa nova e raramente eram repetidas. Aparentemente, Charlie tinha muito dinheiro... Como será que ele havia conseguido ele?
Nunca me sentia confortável com os lingeries e constantemente segurava a barra das babydools e puxava-as para baixo em sua presença.
A cada mimo feito para ele, ganhava uma recompensa: escova e pasta de dente, um pente para meus cabelos, uma barra de sabão.
Apesar do alimento constante me sentia fraca. Mais fraca do que quando ficava naquele porão escuro... Acho que era a luz... Havia lido algo assim, se me lembro bem no livro de biologia. A longa e constante exposição a uma luz artificial me provoca efeitos colaterais fortes tais como dificuldade de raciocino, fadiga muscular, falta de apetite e, em compensação, excesso de sede.
Uma vez, pedi a Charlie que instalasse um interrupitor aqui em baixo para mim, mas ele negou. Eu não entendia o motivo até que percebi que a cada dia que se passava eu conseguia protestar menos e minha capacidade para empurrá-lo e tirá-lo de cima de mim diminuía. Assim como eu, ele sabia os efeitos colaterais que a luz me causava e gostava deles, pois era mais fácil de me controlar... Ele me queria fraca e submissa.
À um tempo atrás, estava pensando justamente nisso durante o banho. Na minha impotência e submissão pouco a pouco a Emily estava desaparecendo e a escrava que ele queria tomava o lugar dela... Não conseguia pensar direito, não conseguia me mexer direito. Eu o beijava, eu o tocava... No que eu estava me tornando?
Apesar de não ter espelhos no cativeiro, o boxe do chuveiro me oferecia um fraco reflexo de mim mesma. Os cabelos estavam mais ralos e sem vida, meus olhos haviam perdido o brilho, eu carregava olheiras profundas e escuras, minha boca estava seca e rachada... Eu não era mais eu...
Não sei se foi por rebeldia, se foi o ódio do meu próprio reflexo... Se foi uma tentativa de suicídio... Só sei que sai do banheiro, deixando o chuveiro aberto, peguei a cadeira no quarto e joguei-a com toda força no boxe de vidro.
Cacos se espalharam por todo o lugar, algum deles caíram sobre mim. Senti pontos dos meus braços, tronco e perna arderem. O vidro me rasgava em vários pontos e eu via sangue no chão. Quando a chuva de vidro parou, eu observei meu corpo. Não tinha nenhum corte profundo ou caco cravado na pele, mas, em compensação, estava cheia de arranhões.
De repente ouvi um grito furioso ao meu lado:
— O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?
Era Charlie. Eu fiquei sem reação. Nua, ainda molhada devido ao banho e com lágrimas escorrendo, eu fiquei estática e encolhida no chão. Ele chegou perto de mim e me pegou pelos cabelos, me arrastando para o quarto.
Com raiva ele rasgou um pedaço da fronha na cama e amarrou minhas mãos com ela. Logo em seguida, deixou-me presa e pendurada no gancho no meio do quarto.
Minha cabeça rodava e minhas pálpebras estavam caídas, não conseguia expressar reações, não conseguia pensar ou articular mais que uma palavra. Nada fazia sentido.
Via Charlie indo e vindo do banheiro com sacos, vassouras, panos... Ouvia seus gritos como um eco ao fundo... Depois senti seus socos... Seus chutes... Seus tapas... Algo atingiu a lateral da minha cabeça e me fez ficar tonta, depois algo atingiu meu olho direito e ele inchou não me deixando abri-lo direito, minhas costelas também foram um alvo, logo depois meu estomago e eu sentia meu corpo balançar no gancho para frente e para trás a cada golpe. Quando pareceu ter terminado, curvei-me para frente e vomitei no chão do quarto.
Eu sabia que era uma visão patética. Meu corpo inteiro tremia, sentia um suor frio escorrendo, porém ao mesmo tempo os locais atingidos estavam quentes e pulsantes. Eu tossia e chorava e engasgava, depois repetia todo o processo. Ouvia Charlie praguejando e me insultando ao longe, via enquanto ele limpava a sujeira que eu havia feito no chão a minha frente.
Ele foi embora e me largou lá nua, molhada, pendurada... Abaixei minha cabeça e a mantive pendurada para frente... Eu podia ter pegado um dos cacos do boxe quebrado... Eu podia ter me matado ou matado Charlie, pelo menos machucá-lo eu conseguiria... Podia ter feito tantas coisas, mas por que fiquei parada daquele jeito como uma idiota?
Não demorou muito, mas logo a luz se apagou e eu fui mergulhada na total escuridão. No primeiro momento eu agradeci, mas então comecei a ficar com medo... No breu total minha mente imaginativa criava vultos, fantasmas, barulhos como gemidos, correntes sendo arrastadas e passos. Era aterrorizante. Meus braços doíam, minha cabeça doía, os locais atingidos por Charlie doíam. Eu estava tonta e mal conseguia me mexer.
As vezes sentia que estava despencando, outras que estava voando e logo descobria que estava no mesmo local. Fui ficando cada vez com mais frio. Comecei a tossir. Comecei a espirrar. Eu chorava o tempo todo e às vezes até gritava.
Lembrando-me de momentos como esse, agora e deitada na cama, vestida e alimentada, era um alívio. Apesar do pesadelo do sequestro continuar, os momentos de terror haviam ficado para trás...
Um longo tempo depois Charlie apareceu. Ele estava com uma aparência péssima. Não parecia ter dormido, não estava tão bem arrumado quanto ele costumava estar e ele falava de um jeito arrastado e com uma voz rouca.
Ele usou um canivete para cortar o pedaço de fronha que me prendia. Minhas pernas estavam fracas e Charlie não fez nenhum esforço para me pegar, então não me firmei e despenquei no chão com um gemido. Ele pegou-me no colo e sentou no colchão comigo, envolvendo-me em grossos cobertores e me embalando e ninando.
Charlie passava a mão nos meus cabelos e os beijava. Eu permanecia alheia, como da vez em que ele me deu banho na minha casa depois de me estuprar e me surrar. Depois ele me colocou na cama, trouxe um grande prato de um cozido e me alimentou calmamente e pacientemente.
Mediu minha temperatura, me deu alguns remédios e me deixou sozinha. Se me lembro bem, ouvi um pedido de desculpas enquanto ele saia do quarto, mas podia muito bem ter sido apenas minha imaginação.
Depois daquilo as luzes não tornaram a se apagar. O processo começou todo de novo e eu voltei com os mesmos problemas psicológicos e locomotores de antes.
Charlie não colocou mais nenhum boxe no banheiro. Quando eu lhe pedi um espelho ele simplesmente riu e não me respondeu, provavelmente lembrando-se desse episódio...
Enquanto minha mente devaneava em pensamentos, ouvi a porta se abrindo e Charlie entrando. Eu usava uma lingerie laranja dessa vez, a babydool era tomara que caia e marcava logo abaixo dos seios, terminando no fim da barriga, junto com uma calcinha de rende laranja assim como o busto ( link nas notas finais). Eu sabia que o vestuário era revelador e provocante, mas não me movi para tentar cobrir meu corpo. Acho que desde que fiquei pendurada nua naquele gancho, havia desistido de fazer isso.
Charlie entrou e eu disse um baixo “oi”. Ele me respondeu e se aproximou de mim me dando um selinho do qual não protestei.
Ele se sentou na cama apoiando as costas na parede ao lado e colocou minhas pernas em seu colo. Suas mãos seguravam minhas coxas e seus dedos passeavam nela indo para cima e para baixo e fazendo círculos, começando um diálogo:
— Como está sendo seu dia?
Ah então ainda era dia. Eu não sabia disso. A última refeição que havia recebido fora almoço ou jantar? Ou será que fora café da manhã... Não conseguia lembrar direito. Franzi as sobrancelhas e disse:
— Bom.
— Por que franziu as sobrancelhas?
— Qual foi minha última refeição?
— Almoço. Poucas horas atrás.
Hum... Ele não costumava vir tão perto do almoço. Não achava que Charlie trabalhava, pelo menos não um trabalho em tempo integral com hora marcada. Mas ele tinha uma agenda com certeza. Talvez alguns serviços avulsos... Eu não sabia.
Ele sussurrou:
— Você está com um olhar meio idiota.
— Hum?
Não consegui raciocinar direito o que ele dizia, na verdade aquela conversa estava me deixando com dor de cabeça. Ouvi-o dizendo:
— Talvez seja melhor diminuir um pouco a luz.
— Não gosto do escuro.
O escuro me lembrava esse episódio em que fiquei pendurada sozinha e me lembrava o porão em que eu ficava antes do quarto... Definitivamente não gostava do escuro... Preferia ficar com as luzes acesas. Eu sabia que ficava mais fraca, porém, em compensação, estava tão “grogue” que às vezes nem percebia as coisas que ele fazia comigo...
— Pensarei em algo.
Ficamos em silêncio por um tempo... Havia uma coisa que estava pensando em pedir para ele já há algum tempo, mas estava com medo. Charlie, porém parecia estar com um humor muito bom hoje... Talvez não faça mal apenas perguntar. Fui em frente e disse:
— C-Charlie... Tem algo que estou querendo te pedir a algum tempo.
Era raro que eu lhe pedisse alguma coisa, por isso ele levantou uma sobrancelha, me encarou e disse:
— E o que é?
— Eu queria um calendário... Talvez um relógio também.
Ele continuou me encarando e perguntou:
— Pra que quer isso?
— Só quero cronometrar o tempo que fico aqui.
— Por quê?
— Eu não sei... Só não gostaria de ficar as cegas.
— Eu falo quanto tempo você está aqui.
— Por favor.
Eu o encarei no fundo de seus olhos usando a minha melhor cara de cachorrinho-que-caiu-do-caminhão-de-mudança. Charlie devolveu o olhar e mordeu os lábios. Quando ele desviou a cabeça para a porta parecia ter feito um longo esforço para tal. Ouvi-o suspirar e balançar a cabeça negativamente.
Um segundo depois ele retirou minhas pernas de seu colo rudemente e levantou da cama, saindo do quarto de forma rápida.
Eu também suspirei. Devia imaginar que não adiantaria nada, mas pelo menos eu havia tentado. Continuei deitada na cama tamborilando os dedos na barriga e olhando para o teto.
Tive sono e logo dormi. Acordei com Charlie chegando ao quarto e trazendo o meu jantar. Ele deixou em cima da mesa como sempre e eu comecei a comer. Enquanto eu fazia isso, ele voltou com um bloco de papel embaixo do braço, uma caixa quadrada, um martelo e uma caixinha.
Dentro da caixinha havia pregos e ele martelou dois deles na parede ao lado da porta que levava para o banheiro. Depois pendurou um calendário daqueles de papel com imagens diferentes para cada mês em um e um relógio branco e redondo de ponteiros no outro.
Ele se afastou e nos encaramos até que ele disse:
— Gostou?
Balancei a cabeça para cima e para baixo devagar e disse baixinho:
— Obrigada.
— Sabe que aqui temos um sistema de meritrocacia, certo?
Desviei o olhar e encarei um canto do chão... Já estava ciente daquilo... Ele não me deixava esquecer.
Sua voz soou de novo:
— São dois presentes, então você me fará dois favores.
— O que quer?
Agora, Charlie estava sentado na minha cama e apontou para o chão a sua frente como resposta a minha pergunta. Eu me levantei e parei em pé onde ele havia apontado. Meu sequestrador me encarou e disse imparcialmente:
— Ajoelhe-se.
Oh não... Eu sabia o que ele estava querendo. Abaixei a cabeça, encarei sua ereção já um pouco aparente na calça e disse tão baixo que duvidei que ele pudesse ouvir:
— Sabe que eu não gosto de fazer isso.
— De joelhos, Emily.
Eu não podia recusar. Imagens e sensações do porão e da vez em que fiquei amarrada vieram a minha mente. Minhas costelas ainda estavam doloridas e carregavam uma mancha roxa, Charlie dissera a pouco tempo que havia uma mancha igual embaixo do olho em que me atingiu... Então, devagar me ajoelhei na sua frente... Fiquei encarando o chão e mantive as duas mãos fechadas em punho repousadas nas minhas coxas.
Senti suas mãos afagando meus cabelos e indo até meus pescoço e ombros, mas não me atrevi a mexer nenhum músculo. Depois de um tempo ele sussurrou:
— Pode começar.
Minhas mãos tremiam quando alcancei o seu cinto, abrindo-o bem devagar e ouvindo o som do metal da fivela ecoar pelo quarto. O mesmo aconteceu com o barulho do zíper se abrindo. A cueca que ele usava ela preta e eu logo tratei de tirá-la, o que fez seu membro grande e duro pular para fora e quase atingir meu rosto.
Arrisquei levantar o olhar e vi que Charlie me encarava sem expressão. Rapidamente, voltei a olhar para baixo.
Com o tempo, aprendi a fazer aquilo da forma que ele gostava. Primeiro, segurei se pênis com uma mão e comecei com movimentos lentos para cima e para baixo, apertando o polegar por toda sua extensão. Vi pelo canto do olho que seus olhos se fecharam. Então, fechei minha boca ao redor da glande e suguei com os lábios. Ouvi um fraco gemido. Lentamente, deslizei por toda a extensão de seu membro até alcançar a base. Sim, eu sabia fazer o que ele chamava de “garganta profunda”, apesar de ter engasgado e apanhado várias vezes até ter aprendido aquilo.
Charlie enrolou seus dedos nos meus cabelos e começou a me controlar. Eu seguia aquele movimento rítmico para cima e para baixo e sugava mais forte seu pênis à medida que chegava a ponta e conseguia. Podia sentir seus dedos apertando minha cabeça com mais força e ouvia seus gemidos de prazer.
Não demorou muito e logo ele afundou minha cabeça até a base de seu membro de novo e eu o senti balançar um pouco dentro da minha boca antes de ser invadida por jatos de esperma.
Charlie me largou e ficou me observando. Eu sabia que ele estava me testando para ver se eu iria engolir do jeito que ele gostava, o que acabei fazendo. Aquele gosto meio azedo tomou minha boca e eu fiz força para não fazer nenhuma cara feia, já que ele odiava, mas engoli tudo.
Como sempre, recebi os tapinhas na cabeça e o “boa garota” de Charlie com aquela voz satisfeita de “acabei de gozar”.
Depois de tossir um pouco eu disse:
— Já acabou?
— Por ora. Como eu disse: dois presentes, dois favores... Mas eu resolvi deixar você me devendo dessa vez.
Charlie guardou seu membro dentro da cueca e fechou as calças enquanto se levantava. Deu-me um breve beijo, murmurou um “até logo” e saiu do quarto.
Como sempre acontece depois que ele me faz uma de suas visitas, tomei um longo banho, mas dessa vez escovei meus dentes quatro vezes. Queria a todo custo tirar o gosto e o cheiro de Charlie de mim... Mas parecia que ele estava impreguinado no meu corpo.
Depois, sentei-me de volta na escrivaninha e terminei meu jantar que já estava frio. Apesar de odiar comida fria, comi tudo com gosto. Afinal, depois de engolir o sêmen de Charlie, comeria até terra parar tirar aquilo do meu organismo.
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