Notas iniciais
hello people n tenho muito oq falar aki aproveitem

Meia hora depois nós dois continuávamos conversando, porém a certa altura Hector deitou na calçada usando a blusa de frio como travesseiro e eu me sentei na rua apoiando minhas costas nele de modo que juntos formávamos uma espécia de T humano. Frolo intercalava entre ficar em cima das minhas pernas ou deitar na barriga de seu dono, mas agora ele tinha percebido que se ficasse comigo tinha mais chances de ser paparicado.

–Você não pode tá falando serio. O dia todo estudando?

–Não o dia todo... Tudo bem, quase o dia todo.

Hector deu um sonora gargalhada e disse:

–Agora eu entendi duas coisas.

–O que?

–Primeiro: entendi porque você tirou a maior nota da escola no provão, mesmo tendo gente em serie mais acima que a sua. Eu, inclusive. Segundo: entendi o porquê de você não ter namorado.

Eu abri um pequeno sorriso envergonhado e perguntei:

–O que tem a ver?

–Ora, com você escondida assim como espera que algum cara bonito e legal te encontre? Sorte que eu consegui.

Se a primeira parte não fez com que eu ficasse vermelha de vergonha, essa com certeza fez... Eu não queria ficar calada então comecei a pensar em coisas para se dizer em situações assim... Só que não dá! Não fui programada pra esse tipo de coisa! Droga, Eliza ou Jéssica se sairiam muito melhor! Pensa Emily... Já sei! Eu disse:

–E q-quem disse que você é bonito?

Hector levantou o tronco do chão e olhou para mim com uma cara surpresa. Isso! Consegui dar uma resposta a altura! Mas ele não deixou barato e disse:

–Espertinha você. Mas acabou de admitir que me acha legal.

Droga. Não tinha respostas para aquilo então apenas virei meu rosto para a calçada e para a cabeça de Frolo, apoiada na minha coxa. Hector viu que eu não tive escapatória e deu outras de suas gargalhadas como se dissesse “Viu? Eu ganhei”... Eu descobri que gostava quando ele ria... Ele não ria como as outras pessoas, de uma forma contida e educada. Hector literalmente rolava no chão de tanto rir.

Continuamos conversando depois daquilo. Falamos de música (ele ama green day e ficou decepcionado ao descobrir que eu nem ouvia falar deles), livros (como assim ele não conhece Bukowski?), filmes (nisso nós dois concordamos) e muitas outras coisas... Fazia tempo que eu não conversava e ria assim com alguém... Foi bom.

Em determinado momento ele se levantou e perguntou se eu queria acompanhar ele e Frolo pelo resto do passeio e eu acabei respondendo que sim. Ele começou a refazer o caminho, que era o contrário da minha casa. Não que eu tenha me importado... Sem contar que eu, tecnicamente, saí escondida então, enquanto não dessem pela minha falta em casa, não iria passar nem perto de la.

Enquanto eu ia levando Frolo pela guia nós dividíamos dicas de filmes e trilhas sonoras, depois começamos a brincar de “eu vejo uma coisa...” e depois contamos casos engraçados de nossos amigos ou familiares. O tempo ia passando e quando dei por mim a lua estava alta no céu e eu dei um longo bocejo.

Por sorte tinha colocado o celular no bolso do casaco antes de sair e pude ver as horas através dele. Eram quase vinte horas... Minha mãe poderia chegar a qualquer instante... E isso definitivamente não era bom.

Um pouco triste e desapontada eu disse:

–Desculpa, mas eu tenho que ir agora.

–Ah. Por que?

–Está tarde. Já deveria estar em casa.

–A minha casa é a próxima. Por que não entra e liga para sua mãe ou outra pessoa para que venham te pegar?

–Não. Não mesmo. Minha mãe não ia gostar.

–Então, só entra um pouquinho.

–Não. Eu realmente não posso.

Hector olhou pra baixo e deu um suspiro triste. Fiquei com tanta pena que quase cedi e resolvi entrar, mas me lembrei da minha mãe... Ela ia ficar com muita raiva, com certeza. Torcendo os lábios e parecendo nervoso Hector disse:

–Desculpe a insistência. Só queria passar mais tempo com você... Olha, você tem razão, está tarde. Eu te levo pra casa.

–Não precisa se incomodar. Posso voltar sozinha.

–Não, eu insisto.

Pensei um pouco... Se bem que não há nenhum mal nele me levar até em casa... É só ele não entrar... E quer saber? Eu também queria passar mais um tempo com ele.

–Então, tudo bem.

–Isso! – Ele disse sorridente – Só preciso deixar o Frolo em casa antes. Ele não consegue caminhar por muito tempo, sabe?

Bem... Isso meio que não fazia parte do plano... Mas Frolo realmente estava ofegante e toda vez que parávamos ele se sentava daquela forma meio atrapalhada dele... Talvez só uma passadinha. Meio incerta eu disse:

–Ta... Mas não podemos demorar muito.

–Sim, prometo. Não mais que cinco minutos.

Ele pegou minha mão e começou a correr na direção da sua casa. Serio. Ele pegou na minha mão... Uma descarga elétrica passou por todo o meu corpo e de repente eu não estava nem um pouco preocupada com quanto tempo eu ficaria na casa de Hector.

La era praticamente igual ao minha, porém havia um papel de parede listrado (que as vezes me deixava tonta por olhar) e móveis em um estilo mais clássico... Seria algo que meu pai gostaria ... Se é que eu conheço os gostos de meu pai... Passamos para a cozinha e de lá para o quintal, onde ele soltou Frolo que simplesmente despencou em um monte de plumas e retalhos de tecido que haviam num canto. O engraçado era que aquela coisa já fora a caminha dele, segundo Hector... É, acho que aquele buldogue era mesmo um míni destruidor, afinal.

Aceitei de bom grado o copo d'água que ele havia me oferecido pois, apesar de estar frio, fizemos uma longa caminhada. Estava apoiada no balcão bebendo a água e observando os pratos de porcelana pendurados em uma das paredes quando percebi que Hector, sentado na ilha da cozinha, estava me encarando.

Toda vez que eu o pegava me olhando eu desviava rapidamente os olhos, para logo depois me pegar olhando para ele de novo... Ele não se sentiu envergonhado nem incomodado por eu estar o pegando me encarando... Juro que aquele copo de água foi o mais demorado que eu já tomei na minha vida... E talvez eu tenha contribuído para isso.

Quando dei o ultimo gole Hector rapidamente desceu da ilha e veio na minha direção, ele tirou o copo de minhas mãos e o colocou dentro da pia que, por um acaso, ficava alguns centímetros ao meu lado. Ao fazer isso ele se inclinou na minha direção e fez questão de ficar muito próximo de mim. Podia sentir a ponta de seus tênis tocarem os meus... Minha respiração estava acelerada e eu acabei mordendo o lábio inferior... Estava nervosa, com certeza... Mas não era o mesmo que eu sentia com Charlie... Eu não sentia o panico e o medo agora.

Hector parecia nervoso também e seus olhos percorreram meu rosto e meu corpo... Pelo menos o quanto ele podia devido a sua proximidade. Sua mão esquerda veia até a minha bochecha e a acariciou, logo depois colocou uma mecha do meu cabelo, que estava solta, atrás da minha orelha. Parei de morder meus lábios e os abri um pouco... Por que mesmo que eu não queria ficar na sua casa?

Ele desceu a mão e se afastou um pouco, como se tivesse reconsiderando algo, mas parece que ele não conseguiu se convencer pois se aproximou mais uma vez. Sua cabeça se inclinou na minha direção, mas eu não recuei como fiz com Charlie... E nos beijamos.

Primeiro um roçar. Depois, um selinho seguido de outro. Ele beijou meu lábio inferior e o superior com calma antes de decidir beijar minha boca por inteira... Eu queria aquilo. Sua cabeça de inclinou levemente para a esquerda e eu fiz a mesma coisa para o outro lado. Juntos nós cedemos passagem para nossas lingas e elas se encontraram no meio do “caminho”... Hector não beijava como Charlie. Apesar de não ter tido a mesma preça que o Diretor, sua língua se movimentava mais rápida e eu não conseguia acompanhá-lo... Com certeza ele já havia feito aquilo antes... Era como se ele ansiasse por isso... Muito mais que Charlie.

Suas duas mãos agarraram minha cintura e me puxaram na sua direção. Ele interrompeu o beijo apenas por um segundos para dar um suspiro de extasie. Hector mordeu meus lábios e começou um trilha de beijos por meu queixo, indo até meu pescoço.

Charlie nunca havia beijado meu pescoço e percebi que gostava muito daquilo. Subi minhas mãos pelas costas de Hector e passei a massagear seu cabelo... Foi quando percebi que uma das mãos do garoto subia pela minha barriga e ele apertou mais uma vez minha cintura fazendo-me sentir seu pênis ereto por baixo da calça jeans... Arregalei os olhos e dei um gemido de protesto diante daquilo... De repente eu não estava mais na cozinha de Hector... De repente eu estava na sala do Diretor e era ele quem fazia aquelas coisas comigo... Não... Não... Não!

O empurrei com toda força que pude. Ele acabou se encostando na ilha com os olhos arregalados de surpresa e o peito ofegante. Hector deu um pequeno sorriso e disse:

–O que foi? Fiz algo errado?

–Não... Sim... É só que...

Não havia uma forma fácil de explicar o que eu senti... Naquela hora não eram as mãos de Hector em mim e sim as de Charlie... E eu, definitivamente, não queria aquilo. Eu me virei de costas e abracei meu corpo enquanto abaixava a cabeça.

Atrás de mim Hector arquejou e disse num tom urgente:

–Ah meu Deus Emily! Me desculpa. Por favor, me desculpa mesmo. Eu não queria ser assim apressado, mas... Nossa, foi tão bom... Por favor me, desculpa. Eu nunca mais vou fazer isso... Da próxima vez-...

–Próxima vez?

“Não se esqueça Emily, você é meu brinquedo e brinquedos devem sempre obedecer seus donos “... Não podia haver uma próxima vez... De nenhuma maneira.

Precisava dizer isso a Hector e eu estava para fazer isso quando fomos interrompidos pelo toque do meu celular, ainda no bolso do casaco. Eu tirei e constatei com um certo alivio que era o número da minha mãe. Quando eu atendi ela veio falando de uma vez:

“Emily Gomez, onde diabos você está?!”

–Oi mãe. Só fui dar uma volta.

“Dar uma volta?! E quem disse que você poderia 'dar uma volta'?”

–Desculpe. Ainda estou dentro do condomínio. Apenas alguns quarterões longe daí.

“Então faça-me o favor de voltar para casa nesse exato momento! Ouviu? Quero você aqui a-go-ra!”

–Sim senhora. Já estou indo.

Desliguei o telefone e o fui guardando enquanto corria na direção da saída. Antes de ir embora eu disse:

–Desculpe, mas preciso ir pra casa agora.

–Espera, eu te levo.

–Não mesmo. Minha mãe já está uma fera.

Quando já estava na calçada da rua eu parei e me virei para o menino que me olhava confuso e corado da porta de sua casa. Mesmo que contra a minha vontade, eu disse:

–Isso foi um erro... Não vai acontecer de novo.

–Hã? O que?

–Desculpe.

–Não. Emily!

Mas eu não o deixei terminar pois comecei a correr o mais rápido que minhas pernas agüentavam de volta para casa. Pude ouvir Hector gritando meu nome mais uma vez e logo depois a porta de sua casa sendo batida com força... Pobre garoto... Ele foi tão legal, tão gentil e tão divertido... E eu gostei tanto dele... Por que não podia ser diferente?... Por que eu não o conheci antes?... Queria que as coisas pudessem tomar um rumo diferente, mas... Eu não tenho coragem de ir contra Charlie... E parece que ninguém mais tem...

Notas finais
entao gente, tive uma super ideia agora quero q vcs (se tiverem vontade) me enviem a forma como vcs pensam q sao os personagens... tipo um dream cast de Abusada quem sabe eu ate uso no futuro :D espero q tenham gostado comentem ate o proximo