Abusada
9 Bicicleta...
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS E FINAIS!!!!
A aula havia terminado há meia hora e eu e Franklin andávamos despreocupadamente pelo estacionamento da escola. No ultimo horário a Professora de História resolveu de repente dar um trabalho enorme sobre a Segunda Guerra Mundial... E é claro que Franklin dormiu e perdeu todos os detalhes. Conclusão: eu estava dizendo a ele exatamente o que fazer para conseguir uma boa nota... Como sempre.
Ele não ficou muito feliz quando eu disse que a Professora não permitiu que o trabalho fosse copiado da internet e que ela iria investigar a fundo cada mísera frase e zerar o trabalho dos que não seguissem a sua ordem. Franklin disse:
– Sabe o nome disso? Vontade de dar. Esses professores são tudo mal comido e não tem nada pra fazer da vida deles. Daí ficam empurrando esses trabalhos impossíveis com prazos absurdas goela a baixo dos estudantes!
– Para de drama Frank! Pra começar, ela ta certa. Você sabe a quantidade enorme de alunos que ficam copiando o trabalho dos outros ou usam a internet para ganhar nota e isso não é justo.
– Ah por favor Em! Vai me dizer que nenhuma vez copiou uma coisinha ou outra da internet porque tava com preguiça de fazer o trabalho...
– Mas é claro que não.
– Nem para fazer um trabalho mais detalhado?
– Não preciso de internet para isso.
– Uhum sei. Sabe o nome disso? Nerd.
– Bom, a nerd aqui vai pra Haverd e você não.
– Poxa, aí é baixaria.
Nós dois rimos. O estacionamento ficava mais ou menos vazio aquela hora. Os alunos que tem carro já foram para suas respectivas casas e apenas alguns professores não tinham ido embora. Havia um grupinho aqui e outro ali sentados nos pedaços de grama espalhados pelo lugar, mas não havia esses pedaços perto do estacionamento para bicicletas... Também não havia bicicletas lá além da minha berrante bicicleta cereja. Por isso fiquei surpresa quando percebi certo movimento ao lado, um pouco distante de nós dois.
Arrisquei uma rápida olhada e quando descobri quem era agarrei a gola da camisa de Frank e me escondia atrás de um poste de luz junto com ele. Frank pareceu assustado e disse:
– Puta merda Emily, o que foi?
– Silencio!
Dei uma outra olhada apenas para saber se meus olhos não haviam se enganado... E eles não haviam... Erick estava agarrado firmemente a uma garota e enfiava a língua dentro da boca da menina enquanto ela arranhava a nuca e a cabeça de Erick... Achei aquilo, no mínimo, estranho. Pareciam animais! Porém essa não era a pior parte... Jéssica havia dito alguns dias atrás que ela e Erick estavam namorando e aquela menina com certeza não era Jéssica.
Ouvi Franklin atrás de mim:
– Puta que pariu, aquela é Mandy Harrison!
– Quem?
– A gostosa do Segundo Ano. Todos os garotos héteros da escola já devem ter batido uma pensando nela.
– Que nojo, mas não é com isso que eu to preocupada. Aquele é o Erick!
– É mesmo. É aquele menino da nossa sala. Ela é muita areia para o caminhãozinho dele.
– Não Franklin! Isso tá errado! Ele não pode beijar outra garota.
– Por que não? Ele é solteiro. Não me diga que gosta dele Emily!
– Não! Mas a Jéssica...
Eu parei no meio da frase. Tinha acabado de me lembrar que os dois namoravam em segredo e que ela não queria que ninguém soubesse... Eu não entendo o motivo de tanto segredo, mas é a decisão de Jéssica e eu não posso contestá-la... Muito menos contar para o Franklin. Mudei o rumo da minha fala:
– A Jéssica gosta dele.
– Gosta?
– Eu acho que sim.
– O que tem? Ele é dono do próprio nariz e pode beijar quem quiser. Fodas se a Jéssica gosta dele. Se eles tivessem um compromisso seria diferente, mas eles nem sequer se pegaram... Ou pegaram?
– Não que eu saiba... O que eu faço?
– Como assim?
Nós saímos de trás do poste e continuamos nossa caminhada, fazendo um desvio grotesco apenas para que Erick não nos visse. Eu disse:
– Conto ou não para ela?
– Deixa isso para lá. Se o menino tiver algum compromisso com a Mandy a escola inteira vai acabar sabendo e como eu disse: Erick é dono do próprio nariz. Ele não pertence a Jéssica.
A opinião de Franklin era bem válida... Mas ele não conhecia toda a história... Não sabia que Jéssica e Erick estavam namorando... E eu sou uma das melhores amigas dela... Eu tenho que contar isso para ela.
Alguns passos antes de chegarmos na minha bicicleta Franklin foi embora correndo com a desculpa de que estava absurdamente atrasado para pegar o ônibus e não queria perdê-lo então, me vi sozinha de novo.
Mal podia esperar para chegar em casa, comer alguma coisa e ler um bom livro ou tirar um longo cochilo. Estava planejando o resto do meu dia quando percebi que o pneu da minha bicicleta estava furado... E não era um furinho pequeno que deixaria eu, pelo menos chegar até minha casa sã e salva... Era um buraco, literalmente. Como aquilo tinha acontecido? Eu não posso ter feito uma coisa dessas sem querer. É um buraco enorme!
Depois de jogar milhões de pragas eu resolvi correr para pegar o ônibus, mas ele já tinha ido embora e eu não fazia a menor ideia de quando o próximo passaria! Fiquei me perguntando o que faria por horas até que decidi ligar para minha mãe... Claro que ela não atendeu, mas na terceira tentativa ouvi sua voz do outro lado da linha:
– Emily?
– Oi mãe... Errr... Estou com um problema.
– Então fale qual é e seja rápida. Estou trabalhando agora e você sabe.
– Sim. Acontece que o pneu da minha bicicleta furou e eu perdi o ônibus.
– Eu não acredito nisso Emily! Essa bicicleta é novinha! Como você conseguiu estragá-la?
– É só um pneu mãe.
– E adivinha quem vai ter que pagar pelo “só um pneu” em?
– Desculpa mãe... Mas esse não é o problema principal... Não tenho como chegar em casa... Você poderia me pegar?
– Ah claro que posso. Vou largar o meu trabalho e ir até aí porque a minha filha é muito folgada para ir andando para a casa. Você escolhe Emily: ou eu fico aqui trabalhando e nós duas vamos ter comida na mesa e um teto sob nossas cabeças ou eu vou até a sua escola te levo para casa e nós duas morremos de fome uma semana depois. O que acha?
– Foi só uma pergunta mãe.
– Se não tivesse feito essa pergunta você já estaria em casa e eu ainda estaria trabalhando.
E em seguida ela desligou o telefone na minha cara... Bem típico da minha mãe.
Olhei ao redor tentando procurar alguém conhecido para pedir uma carona ou algo assim, mas não havia ninguém por perto. Foi quando desisti e comecei a liberar minha bicicleta que ouvi passos atrás de mim e uma voz presunçosa dizendo:
– Ora Emily, aconteceu alguma coisa com a sua bicicleta?
Eu conhecia bem aquela voz. Meu corpo se tencionou de repente e eu virei para trás bem devagar... Fiquei cara a cara com Charlie. Engoli em seco e disse:
– Não, está tudo bem.
– Não parece. Caso não tenha percebido o pneu dela está furado.
– Eu percebi isso, mas... Minha mãe está vindo aqui me pegar.
– Não pareceu isso na sua ligação com ela.
– Bom, é que-...
– Conhece carma Emily? Parece que quando você faz uma coisa ruim outra coisa ruim acontece com você.
– Coisa ruim?
– Exato Emily... Você fez uma coisa ruim?
– N-não.
– Eu acho que fez sim. Talvez não tenha capitado a ideia que de hoje de manhã, mas você é meu brinquedinho o que faz de mim o seu dono. Eu odeio dividir os meus brinquedos e tenho certeza que não lhe emprestei para ninguém.
– Eu não-
– Não se passe por inocente comigo Emily. Hector Agabo.
– Por favor.
– Eu vi vocês dois conversando!
Eu pensei que ele ficaria furioso, perderia o controle e me mataria ou me machucaria bem ali no meio do estacionamento da escola... Mas não. O olhar dele transmitia raiva, mas era possível perceber quem estava no controle... Charlie tinha sua postura ereta e dominante de sempre e passava o ar de tranquilidade... Ele é muito controlado e estava claro que sua cabeça estava funcionando muito rápido. O Diretor planejava algo e esse algo seria meticulosamente planejado.
Eu não sei o que me deixaria com mais medo: a sua falta de controle ou a sua total dominação deste...
Foi então que eu percebi qual era a mensagem que ele estava passando com aquela discussão... Ele fez algo de ruim para compensar a coisa ruim que eu fez com ele.
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