Notas iniciais
E aqui estou eu para mais uma história Jibbs. Essa aqui inspirada em uma fic que li em inglês, uns três episódios de NCIS, um pedido feito em um dos comentários que recebi e um pacote de MM’s. Sim, uma miscelânea de coisas culminou nessa história. Não vou me alongar muito mais, só digo que a linha temporal dessa história é a 16ª temporada e que muita coisa aconteceu desde a 3ª temporada. Sem spoilers para não estragar as surpresas! Divirtam-se com mais essa maluquice que veio na minha cabeça enquanto eu luto com o bloqueio que estou tendo para o próximo capítulo de Carta Para Você!

Poderia ter sido como qualquer outra segunda-feira. Mas não era. Tinha uma coisa muito errada. E isso estava me deixando maluca.

Não era o fato de eu ter sido acordada às 4:30 da manhã, pela secretária do Secretário da Marinha, me avisando que tinha uma operação de alto risco sendo realizada por um grupamento SEAL e era IMPERATIVO que eu a assistisse, afinal, era a conclusão de uma das muitas operações que o NCIS realizava em conjunto com as demais agências mundo afora. Isso é nada mais, nada menos que o cotidiano de se dirigir uma agência federal.

Também não era a falta de sono ou a vontade esmagadora que tenho, às vezes, de assassinar, com requintes de crueldade, o líder do meu melhor time. Mas eu não posso fazer isso, afinal, além dele ser um agente federal – e esse era o menor dos empecilhos – ele é o MEU marido. E eu tenho a absoluta certeza de que vou sentir uma falta tremenda desse bastardo teimoso e chauvinista assim que ele fechar os olhos, afinal, treze anos de casamento é muito tempo para que eu pense que posso viver em um mundo sem ele – e acredite, eu sei muito bem o que é isso.

Não, também não era as implicâncias de DiNozzo com Ziva, ou de Ellie com Nick, ou de qualquer um dos agentes com McGee. Era outra coisa. Uma muito importante.

EU AINDA NÃO CONSEGUI TOMAR UMA BENDITA XÍCARA DE CAFÉ.

E isto está me corroendo por dentro. Quando eu levantei, não tinha um mísero grão de café ou pozinho da minha bebida preferida para que eu pudesse fazer uma generosa caneca para começar o dia. Tudo bem, bola para frente, tem um monte de Starbucks pelo caminho. Contudo, parece que o destino não quis cooperar com a minha pessoa e todas elas estavam fechadas.

Respirei fundo, eram 4:50 da manhã, ninguém é meu escravo particular, mas, mesmo assim, eu precisava do meu café, então me lembrei que no NCIS tem, no mínimo umas três cafeteiras, eu poderia me virar lá. Acontece que, nenhuma, nenhuma das três estava funcionando. A que fica na minha sala, não tinha o maldito refil (Quando foi que isso acabou?); as duas da lanchonete, uma estava quebrada – e eu acho que sei muito bem quem foi – a outra estava sem o pó.

Ou seja, minha segunda começou com o pé esquerdo, e isso não eram nem 5:15.

Deus, ajudai-me a encarar essa semana!

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Não tinha nem vinte minutos que Jen havia saído de casa quando meu celular tocou. Não podia ser ela, afinal, ela nunca foi uma pessoa matutina, e, além do mais, ela só ligaria em último caso, o que eu espero, que não seja.

Mas não era, era do despacho. Um homicídio triplo dentro de uma fragata da marinha que estava ancorada em Norfolk.

Era um péssimo jeito de começar a semana.

Desci, e fui tomar o café, certo que Jen havia deixado o suficiente para mim. Mas, desta vez não tinha café pronto e quente. Tinha um bilhete. Na letra apressada (e com uma certa tonelada de mal humor) ela me dizia que tanto o pó de café quanto as cápsulas da cafeteira tinham acabado. E acrescentava, “É muito bom você já ter comprado quando eu voltar para casa. Te amo, J.”

Como se eu fosse ter tempo para ir ao supermercado só porque ela quer. Vou comprar o meu café em alguma cafeteria por aí.

Andei de Alexandria à Norfolk. E nenhuma das cafeterias, restaurantes ou qualquer outra espelunca que pudesse vender café estava aberta. DiNozzo, muito inconvenientemente para o meu gosto, disse que tem a ver com a época do ano. Era quase Natal, e a maioria das pessoas não se arriscariam ir na rua, ainda mais com uma tempestade de neve pairando sobre as cabeças de todos.

Eu estava sem café, mas DiNozzo não ficou sem o tapa na cabeça, que eu dei com muito mais força que o normal para extravasar a minha raiva de não ter tomado café, ainda.

Isso eram 7:00 da manhã.

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Parecia que essa operação não iria acabar nunca, foram seis longas horas de observação e comandos, sem uma gota de cafeína em meu sistema. No final, eu achei que seria possível estrangular o Comandante dos SEAL’s se possível, se isso desse alguma dose extra de endorfina no meu corpo. Doa males o menor, a operação foi um sucesso, e o crédito veio todo para a agência, o que não era de todo mal para se começar a semana.

Assim que saí do MTAC eu tinha duas prioridades, ou melhor uma. Eu tinha certeza que a essa hora, Jethro já havia chegado e, consequentemente, já deveria estar no seu terceiro ou quarto copo de café fresquinho e quentinho. Eu precisava dele— e do seu copo de café – na minha sala.

Contudo, ao olhar para a Sala do Esquadrão, não vi nenhum vislumbre dele ou da equipe. Estavam fora em um caso. Precisava saber onde era...

— Bom dia, Cynthia! – Disse ao passar pela minha fiel secretaria. – Pode me fazer o favor de me atualizar sobre os casos dessa manhã? – Pedi.

— Claro, Senhora. Estão todos na sua mesa, separados por ordem de importância.

— Muito obrigada. – Agradeci e, assim que entrei na minha sala, fui direto procurar onde raios a MCRT estava. Dependendo do lugar, não custava nada pedir um favorzinho.

Norfolk?! Só pode ser brincadeira. Homicídio triplo. Despacho chamou às cinco da manhã. Eu podia esquecer o meu favor. A equipe vai estar atolada até à cabeça por todo o dia.

Só me restava ir pessoalmente à cafeteria do outro lado da rua. Coisa que eu não queria fazer. Principalmente se eu começasse a pensar na fila, na demora do atendimento e na quantidade de trabalho que tinha parado na minha mesa. Mas, se eu estava tão desesperada por café, como eu com certeza estava, era para lá que eu precisava ir. Então peguei as minhas coisas, e, avisando Cynthia que não demoraria, saí para o dia mais frio do ano, no meio de uma nevasca, tudo por um pouco do bendito café.

Quando entrei na cafeteria, estranhei. Para um dia tão frio quanto estava, achei que aquele lugar estaria lotado. Não estava, não tinha nem fila. Pelo visto minha sorte tinha virado. Com um enorme sorriso no rosto, me dirigi ao balcão e esperei um barista me atender. Foi só quando fiquei de frente para o enorme balcão de mármore preto que percebi a plaquinha.

“Desculpe-nos, estamos sem café no momento!”

Isso só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto! Como assim sem café?

Olhei, acho que um tanto desesperada para o barista mais próximo, mas o rapaz apenas balançou negativamente a cabeça. Realmente estavam sem minha bebida favorita. Olhei furiosa para a tempestade do lado de fora. Atravessei esse mau tempo dos infernos só por um copo de café e agora eu vou ter que voltar para o NCIS, congelar lá fora, SEM MEU CAFÉ!

Alguém vai morrer hoje.

Ao entrar no prédio, minha cara deveria estar tão fechada e com uma expressão de raiva tão evidente que ninguém teve a coragem de dividir o elevador comigo.

Melhor assim, ou algum deles poderia ser a vítima do assassinato eminente que eu estava por cometer.

Ao passar pelo terceiro andar, dei uma boa olhada na área onde a equipe fica. Nenhum deles à vista. Dei uma checada na mesa – e lixeira – de Jethro, mas ali não havia nenhum sinal de que ele estivera aqui, ou pior, que ele tinha tomado café.

Fui para minha sala. E, ao entrar no escritório de Cynthia, a pobre moça estava apavorada.

— Senhora, me desculpe a intromissão, mas SECNAV está na sua sala, e está furioso.

Quem disse que as coisas nunca podem ficar pior do que já estão?

— Obrigada por me avisar, Cynthia. – Mantive o tom educado, afinal, ela não tinha culpa da falta de café que pairava por essa cidade e em meu corpo. Mas, por dentro, eu estava amaldiçoando a pessoa do Secretário só por ele ter aparecido na minha sala, justo hoje.

Respirei fundo, mantive a compostura e entrei na minha sala, só para ser fuzilada com mil e uma perguntas sobre o caso do triplo assassinato.

O que ele queria que eu dissesse? Que sou vidente? Que tenho uma bola de cristal e posso ver como estão as investigações em Norfolk, diretamente da minha sala, sentada na minha mesa? Que eu tenho uma escuta pessoal implantada em Jethro e sei tudo o que ele está fazendo?

Deveria ser isso. Ou pelo menos eram estas as respostas que o meu lado mal-educado e privado de cafeína queria dar. Ao invés disso, me mantive calma – algo raro devido ao meu estado ansioso — e respondi que assim que tivesse notícias sobre o caso, ele seria o primeiro a saber.

SECNAV não ficou muito satisfeito. E, depois de um aceno de cabeça para se despedir, saiu batendo a porta. Aproveitei que a porta era dupla e que ele nunca me escutaria para xingar bastante quando ele fez isso.

— Aqui não é a sua casa para você bater a porta, seu bastardo, misógino, megalomaníaco, inuportável... — E parei. Céus, eu estava xingando o meu chefe!

Esse dia não podia acabar logo não? Queria tanto ir para casa, dividir uma garrafa de Bourbon com meu marido e depois cama...

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Um triplo homicídio sem pistas. Sem vestígios de como o crime foi cometido. Sem uma evidência à vista para dar uma dica de como o crime foi cometido.

Eu fiz a equipe revirar aquele navio de cima até embaixo. Umas três vezes. E eles não acharam nada. Nossa única pista estava nos corpos que Ducky já levava para o Estaleiro.

E aqui vinha a parte ruim. Depois de seis horas de busca, ainda tinha uma viagem de uma hora até a base. Com todos eles falando, e levantando teorias, — e brigando -. Some-se a isto o fato de que eu estou há sete horas sem café, o primeiro que me fizer perder a paciência volta a pé para Washington.

Por conta da nevasca, a viagem durou mais do que o previsto. E eu me pergunto como DiNozzo ainda pode ter a cabeça no lugar depois de falar pelo caminho inteiro.

Mal tinha entrado na sala e colocado a minha arma na gaveta, quando o telefone da minha mesa começou a tocar.

— Gibbs. – Respondi para quem quer que seja do outro lado.

— Na minha sala, agora. – Era a Diretora me chamando, porque não é assim que a minha esposa me chama.

Não tive tempo de responder e ela desligou.

Ponderei se valia a pena ir até a sala de Jen. Ela não tinha o melhor dos humores, o que notei só pelas poucas palavras que ela disse no telefone. Eu não estava a fim de começar uma briga por conta de um caso com ela, ainda mais estando privado de café. Contudo, eu lembrei que ela tem uma cafeteira particular— privilégios de ser Diretora. Por um pouco de café, valia o risco de encarar a fera.

— Quando eu voltar quero atualizações sobre o caso. – Grunhi para a equipe que ainda estava chegando e subi as escadas de dois em dois degraus.

Não perdi tempo de ouvir os protestos de Cynthia quanto a minha falta de educação ao entrar no escritório da Diretora. O que eu queria estava lá dentro, assim, abri a porta com força, fazendo-a bater na parede do outro lado e voltar fechando com outro estrondo e olhei para a Diretora/minha chefe/esposa que estava do outro lado da mesa.

Jen tinha um olhar sombrio.

— Como você sabia que eu já tinha chegado? – Disparei – Eu mal tinha entrado na sala do esquadrão!

— Eu consigo sentir a sua presença, Jethro, agora, onde está? – Ela disse sem rodeios.

— O que?

— Por céus, Jethro, o seu fiel companheiro!!

Do que ela estava falando, nós não temos um cachorro. Pelo menos, o cachorro que temos em casa não pode ser considerado como meu o maldito pastor alemão, nomeado de Jet, tinha adotado outra pessoa...

— O. copo. de. café! — Ela falou pausadamente como se eu tivesse algum problema para entender o que ela queria dizer. — Jethro, cadê o seu copo de café?

Era isso então que queria? Pois eu queria a mesma coisa...

— Eu subi aqui para tomar do seu café! Não para você tomar do meu! – Respondi para ela.

— Isso quer dizer que você já tomou café hoje? – Ela sibilou vindo na minha direção. E eu conhecia aquele olhar, aquele jeito de andar. Jen estava furiosa, querendo matar alguém e, definitivamente, com abstinência de cafeína, ela não tardaria em perder a calma e realmente agir por impulso. Ou seja, ela estava tão desesperada quanto eu.

— Não. Não achei nenhum lugar aberto que tivesse café. Mas não tive tempo de ir na cafeteria aqui perto. – Respondi tentando segurá-la pelos ombros e fazê-la voltar para a mesa dela.

— Lá não tem. Café. Eu já fui lá. – Ele respondeu com um suspiro.

— Mas você tem uma cafeteira aqui. – Eu falei me direcionando para a nossa salvação.

— Sem as cápsulas. – Foi a resposta curta que recebi.

Isso explicava a fúria dela.

— E não adianta procurar na lanchonete. – Ela continuou – uma máquina está quebrada e a outra não sei o que aconteceu. – Ela se escorou na mesa.

— Então, temos um problema. – Eu disse.

— Um bem grande, Jethro. Eu estou sem café desde as quatro e meia da manhã. Tive uma operação interminável para coordenar, e SECNAV está no pé por conta do homicídio triplo. Ou seja, eu já estou no limite da paciência, e isso vai respingar em alguém. E, ah, esqueci de mencionar, tenho que ir para o Capitólio dentro de quarenta minutos.

— A cabeça do DiNozzo é bem dura. Ele aguentou bem os tapas até agora. – Falei para ela, tentando amenizar o clima e, ao mesmo tempo, achar uma solução para nosso problema.

Em partes funcionou, porque ela sorriu.

— Só você mesmo, Jethro. Eu estou a ponto de voar no pescoço de alguém, e você vem fazer piada. – Ela se recostou em mim. Sua cabeça apoiada em meu ombro.

— Sempre que precisar, Jen. — Eu passei meu braço esquerdo pelos ombros dela e dei um beijo na sua têmpora.

— Nós precisamos de café, Jethro, se quisermos terminar o dia fora da cadeia!

— Você não tem nada que substitua o café aí não?

— Acha que já não procurei? Revirei esse escritório de ponta cabeça e não achei nada! – Ela choramingou.

Eu parei para pensar em como eu ia lidar com a equipe durante o dia sem poder me distrair com um copo de café e ainda, como Jen ia lidar com aqueles políticos dando em cima dela, estando a ponto de estourar como ela estava. E ao pensar naqueles malditos políticos e na forma como eles ficam olhando para ela, eu fiquei ainda mais furioso.

— Não faça isso. – Ela me advertiu.

— Não fazer o que? – Eu respondi surpreso. Minha mente me imaginando agarrando pela gola da camisa cara, um daqueles políticos engomadinhos e ensinando uma boa lição a eles. A lição de que não se mexe com a minha esposa.

— Ficar pensando em todos aqueles idiotas que ficam me olhando do pescoço para baixo ao invés de prestarem atenção no que eu estou falando. Isso só vai piorar a sua situação. – Ela disse me encarando.

— Desde quando você consegue ouvir o que eu estou pensando? – Eu disse surpreso.

— Não consigo. Mas seu braço desceu do meu ombro para minha cintura, você me trouxe para mais perto do seu corpo e seu aperto ficou mais forte, uma clara indicação de que você está com ciúmes.

Olhei bem para ela. Jen me conhecia tão bem quanto eu a conhecia.

— Você não tem uma reunião para ir, não? – Mudei de assunto.

— Ter eu tenho, mas você não parece muito propenso a me soltar. – Ela murmurou no meu ouvido.

Não, eu não estava. E com ela falando desse jeito... eu via a possibilidade de uma outra forma de aliviar a tensão.

— Jethro..... – Ela me alertou.

— Estraga prazeres... – Eu a soltei e ela riu.

— Uma das nossas regras quando nos casamos era essa. Não dentro do escritório. – Ela disse com um sorriso, enquanto pegava as coisas e vestia o sobretudo.

— Eu me lembro dessa regra, mas me lembro das vezes em que a quebramos também.

— Não me diga... – ela sorriu. – E estamos lidando com a consequência até hoje, não é mesmo?

Eu sorri também, lembrando da noite em que, na teoria, deveríamos ter ido ao baile de aniversário dos Marines, mas acabamos aqui, nesse mesmo escritório, primeiro, finalmente conversando sobre tudo o que havia acontecido em Paris e porque ela havia me deixado, depois sobre os seis anos seguintes, até o dia em que ela reapareceu na minha frente, como minha chefe. Quando tudo estava explicado, era tarde demais para que ela pudesse aparecer no baile, e, bem, tínhamos seis anos de ausência para ser aplacada.

— Tire a cabeça daquela noite, Jethro! Pelo amor de Deus! Ou você vai precisar de um banho frio, no meio desse dia gelado! – Ela me deu um tapa no braço e foi em direção à porta.

Eu a segurei e dei um beijo nela, pelo menos isso, nós poderíamos fazer, mesmo que depois tivéssemos que mudar o humor e tom da conversa.

— Eu realmente te amo, Jethro, mas eu tenho que ir. Prometo trazer um café para você na volta.

Tive que deixa-la ir. Respirei fundo quando a porta foi aberta, daqui de cima podia ouvir a falação da equipe.

— Paciência com eles, ninguém lá tem culpa de da greve nas cafeterias do redor. – Ela me alertou quando nós dois chegamos na varanda. – Nem a cabeça do DiNozzo, mesmo ele sendo tão chato, às vezes. – Ela se despediu e rumou para o elevador do andar, enquanto eu descia as escadas.

A única coisa que me impediria de matar um deles era a promessa de que logo ela traria café.

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Entrei sem nenhuma animação no elevador, só para dar de cara com Ducky.

— Oh, olá Jennifer! Como está? – Ele me saudou, educado e sorridente como sempre.

— Sinceramente, Ducky, já tive dias melhores. Hoje é um daqueles que já começaram mal. – Disse com um suspiro resignado.

— Aconteceu algo, minha querida? – Ele me perguntou preocupado.

— Nada que seja preocupante, Ducky. – Eu tentei aliviar o tom. – Só estou com abstinência de café.

— Tentando uma limpeza? Isso é bom. Você e Jethro bebem muita cafeína. E isso não faz bem.

— Muito pelo contrário, Ducky. Estou completamente desesperada por um copo. Estou sem desde que levantei, e isso foi às quatro e meia da manhã. Parece que há um boicote ao café hoje. – Falei frustrada.

Ducky sorriu do meu infortúnio.

— Imagino que não esteja acontecendo só com você, então? – Ele me perguntou.

— Não. Jethro está tão louco por um copo desse líquido viciante quanto eu.

— Parece que não é um bom dia para ser agente do NCIS ou trabalhar na equipe de Jethro. Aposto que quem está sendo a vítima é Anthony.

— Da parte de Jethro sim. Acho que você vai ter que dar uma checada na cabeça do DiNozzo a qualquer hora dessas. – Falei assim que o elevador parou no andar em que eu desceria.

— Pobre Anthony. Mas te aconselho a seguir com essa abstinência forçada. Vai te fazer bem, minha querida, e, quando quiser, sempre tenho um chá por aqui.

— Obrigada, Ducky, mas acho que nem todo chá do mundo pode aliviar minha vontade por café hoje. Mas a qualquer hora eu desço para conversarmos enquanto bebemos uma xícara.

— Vou ficar te esperando, então, minha cara.

E, quando as portas se fecharam, só pude vê-lo pegando o celular do bolso e fazendo uma ligação.

Notas finais
Volto no próximo capítulo... eu tenho sérios problemas em escrever oneshots... ela sempre acabam virando histórias!