Abstinência
1 Relatos originais
Notas iniciais
Abstinência; Ato de abster-se, de privar-se do uso de alguma coisa.
Para que eu conseguisse Abster-me de você, foi muito parecido com o ato de um viciado tentar largar as drogas.
Segundo algumas pesquisas os sintomas da abstinência são: Ansiedade, fadiga, sudorese, vômitos, depressão, convulsões e alucinações. Então, sim, eu estive em abstinência de ti durante muito tempo.
Na primeira semana eu chorava em desespero todos os dias, nada ficava no meu estômago por mais de meia hora, eu estava no primeiro estagio para a depressão.
No primeiro mês, eu já havia mergulhado tão fundo que nem a melhor das almas conseguia me resgatar. Eu tinha alucinações vividas com sua presença, você estava ali, bem ali, tão perto! Mas tão distante. Eu cheguei a 40 graus de febre certa noite, estava no hospital e você ali, bem ao meu lado segurando minha mão. Mas ai eu sorria e você sumia, como fumaça, como magica. E junto minha vontade de viver.
Depois de seis meses eu comecei a sair de casa, eu ia a bares, ficava com mulheres desconhecidas, bebia bebidas que provavelmente estavam batizadas, aceitava cantadas de estranhos, só por que quando eu estava chapada o suficiente você aparecia. Como aquela cena em Eclipse, onde a Bella está na moto e o "espirito" de Edward aparece pra ela mandando ela parar, mas ela não parava, ela ia mais e mais rápido, só por que a necessidade de ter ao menos uma imagem dele, era melhor do que nenhuma. E, por céus, você sabe como eu odeio Crepúsculo e todas essas bobagens juvenis, mas pela primeira vez eu não encontrei exagero nessa cena. Eu sentia na minha pele o que ela sentiu, e sabe? Eu entendo completamente ela. Quando algo assim acontece, seu cérebro age como se a outra pessoa estivesse morta, mesmo não estando. O que é pior, já que você sabe que ela foi por que quis, foi escolha dela simplesmente ir, sem rastros, sem fios soltos para dar aquela fina e tênue esperança de que um dia, um dia, você tenham a mínima chance de a ter novamente. Mas não existe esse fio, não existe essa chance. Por isso eu continuava fazendo cada vez coisas perigosas, só por que escutar sua voz na minha mente, mesmo que por breves segundos, era o que fazia minha alma ainda insistir em existir.
Depois de um ano, finalmente, eu consegui sair de verdade com alguém. Ela era linda, culta, tinha um papo intelectual que alimentava minha mente de mil formas possíveis. Ela fazia faculdade de psicologia, por céus, você sabe que essa é a faculdade dos meus sonhos! Ela odiava tecnologia, cantava e dançava com perfeição. Durou alguns meses, talvez dois, não sei ao certo. Só que eu me peguei comparando ela a você, sabe? Eu me pegava pensando " Se fosse ela estaria pulando com um sorriso louco, indo ate a China só pra me trazer uma rosa de madrugada" ou " Se fosse ela brigaria comigo pela bagunça". Me flagrava pensando em como meus lábios não se encaixavam com tanta perfeição nos dela, minhas curvas não cabiam exatamente nela quanto o encaixe perfeito que era só nosso. Ela não fazia um oral tão gostoso quanto o seu. Ela não sabia fazer do seu jeito, ela não puxava meu cabelo de forma bruta durante o beijo, nem sorria exasperada quando eu cantava, por que ela cantava milhões de vezes melhor. Ela não adorava quando eu lia pra ela, por que ela era uma viciada em literatura igual a mim. Eu não tinha que lidar com os problemas dela, com os defeitos, por que era ela quem lidava com minhas crises. Eu não tinha que explicar a ela com um brilho nos olhos minhas teorias bizarras de como o mundo foi criado, por que ela tinha as próprias teorias. Ela não era tão problemática, não pegava na minha mão, mesmo que ela estivesse suada, só por que eu estava desconfortável perto de tanta gente. Ela não secou minhas lagrimas no ano novo quando eu estava tendo uma crise de pânico por que tinha muita gente na praia e isso me sufocava. No final eu percebi que... Bem, ela só não era você. Terminamos.
Um ano e três meses depois você voltou! Você falou comigo, mas não do jeito que eu esperava. Você me convidava pro seu casamento. Sim! Um casamento, quem diria? Você casou com ela. Você tinha encontrado a garota dos seus sonhos. Ela adorava mais cachorro do que gatos, ela não ficava insistindo pra você ler livros ou pra você escutar aquela musica "sem graça" que eu amava. Mas ela também não sabia seus defeitos tão bem quanto eu. Ela fazia você gozar como eu, e eu sei disso por que eu uma conversa com ela, a mesma me afirmou que você era muito ativa. Ri sem graça me lembrando de como você se desmanchava em minhas mãos, com gemidos ao pé do meu ouvido, lembrava dos tremores em suas pernas e do jeito que gritava meu nome para toda a vizinhança ouvir. Mas não disse nada, não se preocupe. Eu nunca impediria você de fazer o que você achava lhe deixar feliz, mesmo que fosse um erro muito precipitado.
Um ano e sete meses depois eu desisti de tentar esperar você cair na real e ver que ela não era sua como eu era. Eu segui em frente sabe? Eu realmente segui em frente. Claro, tenho minhas recaídas. Vez por outra ainda me embebedo sem pensar muito e vejo você sorrindo e me dizendo que eu deveria pular no mar com você, por que ele estava delicioso, não importava se era duas e meia da manhã. Nem que o mar revolto quebrava nas pedras com violência suficiente pra quebrar minhas constelas com uma única onda. E eu ia! Eu juro que cheguei a por o pé pra fora da ponte e pensar em pular, só por que você tinha pedido com esse sorriso que antes era tão meu. Mas ai eu lembrei. Lembrei que você nunca pularia de uma ponte, dentro de um mar revolto, só por que eu estava sorrindo e pedindo. Lembrei que na verdade, foi eu quem terminou. Lembrei também que você me traia descaradamente com minhas melhores amigas. Lembrei o jeito como você controlava o que eu queria vestir, quando eu queria sair, com quem e que horas eu iria voltar. Lembrei do seu jeito possessivo. Lembrei finalmente que eu tinha libertado minhas algemas, fugido do cativeiro e saído da síndrome de Estocolmo que me prendia a você. E por ultimo, lembrei que eu ainda estava viva e que nunca mais eu deixaria você tocar em mim.
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