Abstinência

7 Todos ficam feios quando choram


Notas iniciais
Bom dia! O quem vcs estão achando dos tamanhos dos capítulos? Esse aqui, originalmente, teria mais de 2mil palavras, mas achei q podia ser demais e deixei parte dele pro próximo. Sei que já postei capítulos bem maiores que esse, mas gostaria de saber a opinião geral pq aí a partir do próximo eu me adequo ^^ Boa leitura! Hoe~

Enquanto andávamos pela rua escura, Kaito não olhou nenhuma vez para trás. Parecia realmente chateado e eu me esforçava para acompanhá-lo.

Acabei tropeçando em meus próprios pés pela segunda vez na noite. Só não fui ao chão porque o homem me agarrou pelo braço. Depois ficou me fitando sem dizer nada. Resolvi que era a hora de eu mesma tomar uma atitude.

– Kaito, eu posso explicar...

– Sem essa, por favor. – interrompeu e então me largou com violência. Encolhi com o gesto e não ousei olhá-lo nos olhos azuis penetrantes.

Claro que estava zangado. Zanzar por aí com uma estrela pop desaparecida não traria nada de bom para ele. Poderia até acabar na prisão, se fossemos descuidados. O pessoal da segurança não pensaria duas vezes antes de admitir que fora ele o responsável pelo sumiço de Len, afinal, para eles Kaito não passaria de um marginal e nunca aceitariam a minha versão da história. Eu sabia de tudo isso, mas mesmo assim eu fui egoísta o bastante para permitir que ele corresse esse risco.

Engoli em seco e levantei o rosto. Eu tinha de encará-lo.

A verdade era que eu não me arrependia de nada disso. No fundo, eu sou essa pessoa egocêntrica e grosseira. A única coisa mais importante que meu bem-estar é o de meu irmão. Não foi exatamente por ele que fiz tudo isso? Não foi apenas por ele que eu fugi e me envolvi com um total estranho? Sim, foi. Logo, não havia motivos para me sentir acuada diante da situação.

Você tem 17 anos, Rin! Trate de arcar com as conseqüências de seus atos pelo menos dessa vez!

– Peço desculpas pelo risco que fiz você correr. – verbalizei de uma vez só.

Kaito manteve a expressão séria e então revirou os olhos, o que me surpreendeu um pouco. Isso não era uma atitude muito adulta.

– Se você parar de cair a cada 10 minutos, talvez fique mais fácil de encontrar seu... Não sei. Sua cópia.

– Len é meu irmão gêmeo.

Ele apenas assentiu e voltou a andar na frente, dessa vez um pouco mais lentamente. Nisso, senti meu bolso tremer. Neru! Ela devia me alertar sobre os grupos de busca! Por que não disse nada sobre o parque?

Sem diminuir o passo, apanhei o aparelho. No visor estava escrito “5 novas mensagens” e me perguntei como não senti as quatro primeiras.

“CUIDADO! Eles se dividiram e não sei para onde um dos grupos foi.”

“Seu guarda-costas brutamonte resolveu procurar o Len sozinho. Agora são dois grupos e mais um cara. Podem estar em qualquer lugar!”

Ótimo... Jones idiota. Foi por isso que nos encontramos àquela hora em frente ao parque. Não foi culpa de Neru afinal...

“Consegui algumas informações: O primeiro grupo está seguindo para a periferia. O segundo para o cemitério. Ninguém sabe onde está o brutamonte.”

Quase tropecei novamente por estar com os olhos no telefone, mas me equilibrei a tempo. Quando voltei para ler a penúltima mensagem, quase tive um ataque do coração e parei de supetão. Kaito notou minha mudança de espírito e cruzou os braços aguardando uma explicação.

“ACAHARAM O LEN!! Todos voltaram ao hotel!! Ele tá vindo!!” Dizia o texto e mal pude me conter de alívio. No entando, a sensação foi rapidamente extinta quando passei para a última.

Diferente das primeiras mensagens, esta não tinha um número desconhecido como remetente, mas sim um nome de identificação: Maninho.

Com as mãos tremendo e o coração na boca, mesmo sem saber por que, tentei manter-me calma para não chamar a atenção de Kaito quando pressionei “ler”.

“Onde você tá, sua idiota? Subaru ficou gritando comigo e só agora pude chegar ao quarto, mas não a encontrei em lugar nenhum! Volte já para cá, antes que faça alguma loucura ou alguém perceba que sumiu! Será que nunca vai ter responsabilidade?”

Não podia mais sentir meu coração nem na garganta nem em local algum. Com certeza estava despedaçado e morto num canto escuro qualquer de meu corpo.

Juntei toda a força que me restava e arremessei o telefone no asfalto, deixando-o dividido em dois e totalmente destruído. Kaito olhou para trás assustado.

– Não preciso mais encontrá-lo.

– Ele voltou? – perguntou animado, mas logo depois percebeu meu estado de espírito e recuou. Senti a tempestade quente que ameaçava sair de meus olhos – Você está bem? Quer escolta até o Castelo?

– Não.

– Então para onde devo levá-la? Onde ele está?

– Não quero vê-lo. – senti o peso de minhas palavras dentro de cada lágrima que descia pela minha face – Eu quero... Eu quero...

– Não é melhor que a princesa volte ao seu reino? – perguntou um pouco nervoso.

– Eu não quero voltar! – gritei fechando os punhos em volta do corpo – E pare de me chamar de princesa! Você já sabe quem eu sou de verdade!

–Ei, acalme-se. Está tudo bem. – ele tentou levar suas mãos aos meus ombros, mas desviei dele e voltei a gritar:

Nada está bem! – enxuguei ao rosto sem nenhuma delicadeza – Essa jornada pela madrugada foi totalmente em vão! Será que você não entende?! Sou uma inútil e agora ele está no hotel com a Neru!

Comecei a soluçar e engasgar diante da raiva crescente que me invadia.

Kaito não tinha reação alguma. E como teria? Uma pessoa que ele mal conhece estava tento um ataque na sua frente. Ninguém está preparado para algo assim.

– Meu deus, como eu quero matá-la! É tudo o que eu quero! – parei para tossir. Minha aparência devia estar horrível e esse pensamento me fez sentir pior ainda – Não! Eu quero matar Neru, Jones, Subaru e Len! Ah! Aquele babaca! – tampei meu rosto com as duas mãos.

– Rin...

– E mais! — baixei as mãos para a boca, deixando os olhos a mostra, como se quisesse abafar minhas palavras — Nosso poder de gêmeos não existe coisa nenhuma como ela pensava. Arg! Eu quero me matar também!

De repente uma trovoada seguida por algumas gotas vindas do céu me fez calar. Ele aproveitou a pausa e se pôs na minha altura, segurando minhas mãos trêmulas.

– Já acabou? – perguntou baixinho e eu não respondi. – Vamos voltar antes que a chuva engrosse. – declarou enquanto entrelaçava os dedos nos meus e me puxava junto consigo.

– V-voltar? Para onde? — solucei.

– Para a minha casa – ele sorriu – Não é nenhum luxo, mas acho que você não tem escolha.

Parei novamente.

– Eu posso estar fragilizada, mas ainda tenho um pouco de sanidade. Não vou passar a noite com um homem desconhecido que ainda por cima é um ladrão. – me arrependi de minhas palavras rudes na mesma hora. Quem falava era a raiva, não eu.

Ele então olhou para o céu que ficava cada vez menos estrelado devido às nuvens de tempestade que se agrupavam. Quando voltou a me fitar, seus olhos não eram mais gentis ou solidários como há alguns segundos.

– Se não me engano já passa das 4h da manhã. Tecnicamente você passou a noite comigo. E eu não sou um desconhecido. Sou Kaito, o ladrão que te ajudou quando mais precisou. Ou isso já foi esquecido? – seu tom de voz era crescente e ficava cada vez mais ameaçador. Sua mão apertando a minha – E eu pensei ter dito que você não tinha escolha.

Como não respondi, ele retomou a caminhada com a mão agarrada a minha.

Nem me importei em olhar para trás para checar pela ultima vez o celular que eu deixara morto na calçada. Ele estava em pedaços e não tinha mais utilidade. Assim como meu coração.

★★★

Assim que pisamos dentro da pequena casa, a chuva ganhou força.

Eu já havia parado de chorar havia muito tempo, mas minha garganta estava seca e apertada demais para responder quando Kaito alertou para que eu aguardasse na sala enquanto ele buscava uma toalha.

– Aqui – ele surgiu das sombras – Melhor se secar ou vai pegar uma pneumonia e vai morrer.

Envolvi-me no tecido e permaneci imóvel, encarando-o. Morrer?

– O que foi, loira?

– Não posso ficar com essas roupas molhadas.

Ele pareceu analisar minhas palavras.

– É claro... Desculpe... – e coçou a cabeça, fazendo as gotículas de água que estavam em seus fios encharcados escorressem até as pontas para depois caírem no chão frio – Me acompanhe então.

Seguimos pelo corredor estreito e paramos diante de uma porta de madeira um pouco manchada.

– Meu banheiro – apontou para a mesma porta – Você pode, er... Tomar banho se quiser. Está tudo bem limpo, mas não tenho uma banheira.

– Obrigada, Kaito.

Ele assentiu.

– Bom, há um roupão lá dentro. Fique a vontade para vesti-lo já que não terei mais nada que possa servir no seu... – ele tossiu — Er... Em você.

Ficamos no encarando pelo que me pareceu uma eternidade. Eu gostaria de agradecer mais, de mostrar que tudo aquilo não passava de uma crise infantil e que apesar de eu ser extremamente egoísta, ainda apreciei tudo o que fez por mim (o que ainda estava fazendo), mas não consegui.

– Vou entrar então... – declarei passando para dentro do lavabo e fechando a porta rapidamente trás de mim, ficando no escuro completo. Ouvi seus passos do outro lado se afastando cada vez mais e aguardei até que minha visão se acostumasse ao ambiente antes de começar a me despir.

Fazia tudo sem nenhuma pressa e meus pensamentos estavam longínquos.

De repente, espirrei e quase caí no chão. Só então notei que meu corpo todo tremia. Quando fui tirar a calcinha, passei as mãos pelas coxas ainda machucadas pela noite anterior e foi impossível ignorar o desconforto agradável que isso proporcionava.

Balancei a cabeça a fim de afastar aquele pensamento de minha mente e decidi entrar logo no banho para me aquecer. Não queria pensar em meu irmão. Não desse jeito e não agora.

Tinha de me apressar e tomar o banho. Caso contrário eu poderia pegar uma pneumonia e morrer...

Notas finais
Saudades do Len? Ele volta a aparecer logo hehe. Até os reviews e não se esqueçam de opinar quanto ao numero de palavras que falei nas notas iniciais!! PS: Sabiam q eu to postando os últimos capítulos uma fic de Naruto? Se interessar, procure por "Prometidas" no meu perfil. Beijos!!