Abstinência

12 O certo a se fazer


Notas iniciais
RESPONDI A TODOS OS REVIEWWWSSS!!! (n fiz mais do que minha obrigação, mas ok...) Oi oi, pessoinhas! Bem-vindos a mais um capítulo. Espero que gostem dele ;) Hoe~

Meninos!– nós dois acordamos com um sobressalto seguido de uma espreguiçada tranquila ao percebermos que se tratava de Subaru gritando do corredor – Venham logo tocar café da manhã porque o dia está cheio!

– Bom dia, Rin. – Len me cumprimenta com um beijo na testa. Sorrio e nos encaramos por alguns segundos maravilhosos até que Subaru esmurra a porta nos fazendo levar um susto novamente.

Rin, Len! Acordem! Ultimamente tenho me sentido como uma babá para vocês! Sinceramente...

– Já estamos de pé! – meu irmão grita de volta jogando um travesseiro que estava ao seu alcance para o outro lado do quarto. Eu acabo rindo do gesto revoltoso e ele me lança um olhar debochado. – Vamos descer em cinco minutos! – complementa arrancando a blusa de meu corpo como se isso não fosse nada de mais.

– Ei! – protesto tapando os seios recém expostos.

– Isso é meu. – explica e me dá um selinho rápido – É pra te forçar a ficar pronta logo.

– Olha quem fala. Desde quando você é rápido para se arrumar? – provoco indo atrás de roupas limpas no closet. Dentro dele, dou uma última olhada na direção de Len, que também se vestia sentado na cama de costas para mim. Suspiro como uma boba, mas logo depois corro para me agasalhar. Estava frio demais sem uma camisa.

★ ★ ★

Como prometido, ao fim de 5 minutos, estávamos à mesa com Subaru e mais todos os novos seguranças. A presença deles ainda me incomodava e eu ainda não havia gravado nenhum dos nomes, por isso, evitei dirigir o olhar ou a palavra a eles.

Também sentados conosco, estavam nossos músicos de apoio: Blanca e Yuhi. São raras a vezes que os dois estão conosco fora do estúdio, então concentro minha atenção neles apenas para ter no que focar no meio daquela multidão.

– Já contou pra ela, Len? – Blanca pergunta em meio às conversas.

Finjo não ouvir e dou um longo gole na minha xícara de chá. Meu irmão dá uma cotovelada de leve na menina, mas não responde.

Imediatamente sinto ciúmes. Nunca pensei que teria de ter cuidado com a morena de olhos esverdeados, mas escrevo uma nota mental lembrando-me de observá-la com mais cautela durante os ensaios e reuniões. Se minhas suspeitas se confirmarem e ela realmente estiver de segredinhos com Len, não medirei esforços para que seja expulsa do grupo. É verdade que a Yollow-K ganhou muito com sua entrada, dois anos atrás, e seus mixes são de uma qualidade assombrosa, mas tenho certeza de que acharemos alguém superior para substituí-la junto com Yuhi.

– Rin? – Subaru chama e sou obrigada a sair do meu mundo de especulações e planos – Vá com calma com esse chá. – riu e todos na mesa acompanharam.

Largo a xícara imediatamente. Olho para o loiro à minha frente e ele está se esforçando para não rir enquanto usa uma das mãos para tapar a boca. Acabo sorrindo também ao notar como ele tremia para se controlar, mas logo percebi que mesmo a mão que segurava o copo de suco chacoalhava um pouco. Pisco confusa, mas ele segue meu olhar e então esconde as duas mãos ao lado do corpo de forma discreta.

– Ei, Subaru. – ele chama – Tudo bem se nos retirarmos agora? Temos muitos afazeres hoje, de acordo com a agenda que nos deu.

– Desde que já tenham se alimentado. – responde – E é bom mesmo se adiantarem, pois há muito trabalho pendente graças ao desaparecimento de vocês. Não serei bonzinho. – avisa limpando a boca suja de bolo.

Depois, Len, eu e os músicos levantamos, o que fez com que uns sete seguranças fizessem o mesmo. Revirei os olhos para a quantidade de escolta que agora éramos obrigados a ter, mesmo para tarefas corriqueiras.

Começo a seguir em direção a minha primeira tarefa do dia, mas o loiro me agarra pelos ombros.

– Quero te mostrar uma coisa.

– O quê?

– É surpresa. – pisca um dos olhos e dou uma verificada rápida e receosa em nossa platéia. Ele percebe e sussurra – É de natureza profissional, relaxa.

Então sigo Len de perto até o estúdio de gravação semi-profissional que instalamos em todos os hotéis em que passamos mais de uma semana para que nenhum ensaio seja de baixo nível enquanto não estamos no estúdio privado da Golden.

Yuhi e Blanca ficaram conversando entre si durante todo o trajeto, mas quando entramos no ambiente estufado, pararam de falar imediatamente. Fito Blanca de forma desconfiada, no entanto, ela retribui meu olhar com um sorriso. Não parece preocupada.

Volto a encarar Len, que está agora com um notebook em mãos. Ele vai até a dupla e eles assumem o computador. Plugam fios, mexem em caixas de som, ligam um teclado e por fim entregam tudo ao meu irmão que, assim como eu, esperava calado.

– Quer me mostrar uma música nova? – entendo finalmente.

– Bingo. – responde sem muita emoção e concentrado na tela do notebook. – Pronto.

Engulo em seco. Não estava exatamente confortável para falar sobre letras de música. Não depois de ontem.

"Não é nada disso, seu maluco! Fui eu que escrevi essa música. Não vê o K? Kagamine! Isso era um presente para você. Eu finalmente terminei e iria entregar quando nos víssemos ontem. Mas infelizmente não fui eu a encontrá-lo, então acabei esquecendo que estava comigo. E sobre minha letra de mão... Saiba que é muito difícil escrever encima da colcha da cama, o único lugar em que eu poderia fingir que não estava fazendo nada. Por muitas noites eu fingi estar dormindo, mas na verdade estava elaborando essa belezinha!"

– N-não acha que é melhor fazermos o que Subaru mandou? Estamos atrasados com o calendário...

– Ele espera. Isso vai ser rapidinho, prometo.

– Len, eu realmente-

– Ei, posso ter um pouco de privacidade? – pergunta olhando para a porta. Está falando com os seguranças. – Não é permitido que ninguém da equipe, a não ser da parte de som, ouça nosso conteúdo em período de criação. Tenho certeza de que Subaru explicou isso.

Imediatamente, todos se retiram e fico surpresa com o quão quietos são. Jones era mais do tipo questionador e gostava de nos tratar como crianças às vezes. Talvez a mudança não seja tão ruim.

– Bom, Len, como eu estava dizendo-

– Rin, desculpe, mas eu preciso te dizer algumas coisas antes de cantar. – respira fundo – Eu fiz isso antes de ontem e deixei com Yuhi e Blanca para remasterização e batida. Ontem eu estava bem zangado com você porque... Você sabe.

Sim, eu sei. Primeiro me chamou de idiota e irresponsável por fugir, depois disse que eu estava zangada porque queria transar, e então me acusou de estar te traindo.

– Escreveu enquanto eu ainda estava fora?

– Não. Logo depois que chegou. Quando achei a sua letra saindo do casaco. – tossiu – Ou seja, entende minhas motivações de quando a escrevi, certo?

Ciúmes. Raiva. Ódio, talvez?

– Entendo.

– Quero pedir desculpas por tudo, mas acho que podemos tirar algo de bom disso tudo. Como nossas criações! – conclui animado. – Apenas ouça e diga o que acha.

– T-tudo bem... – tento sorrir.

– Ah, e Rin?

– Sim?

– Desculpe por matar a garota.

– O- o quê?!

Então ele começa: Uma palavra e nada de instrumentos ainda. Enfim, ele dá play no computador, mas o programa só libera o som de fundo depois de Len tocar o teclado. As notas são suaves e bastante apagadas em relação a sua voz.

Ao fim de talvez seis versos, tudo toma um ritmo diferente e sinto-me arrepiar enquanto ele nada diz. Seus olhos permanecem fechados desde que começou a cantar.

Então voltamos à suavidade do fundo musical e ele torna a abrir a boca. A letra não é triste, mas tem um toque de saudade enquanto fala sobre algum romance entre uma menina internada e um presidiário. Algum tempo depois entendo que aquele amor era proibido. Continuo ouvindo e acabo entregando-me a sensação agradável que Len passa quando está cantando.

A parte triste chega: trata-se de um adeus doloroso. Depois, mais solos instrumentais. Len aperta as pálpebras e eu espero.

Quando torna a cantar os versos, sinto o peito doer. A personagem está morrendo – Blanca e Yuhi incluíram até bips hospitalares – e ela está arrependida. Por que me identifico com sua alma em sofrimento? Não estou hospitalizada. Não há ninguém que conheço a quem tenha de dar adeus.

Tento me recompor.

Suas últimas frases são “Te vejo amanhã. Você sabe onde me encontrar.”, mas tenho certeza de que aqueles dois jamais ficarão juntos outra vez. As caixas de som deixam de emitir qualquer som e mergulhamos no mais absoluto silêncio.

Não tenho coragem de chamar por Len, que ainda tem os olhos bem fechados, pois tenho certeza de que nada sairá de minha garganta em chamas. Felizmente, ele volta a realidade e sorri sem graça.

– O nome é Paper Plane. – diz – Acha que consegue me perdoar por plágio?

– Como assim? – questiono meio rouca.

– Ora, é o outro lado da história. Eu meio que roubei sua idéia. – continuo sem entender e ele tenta mais uma vez – A letra que escreveu de presente para mim. Eu fiz a parte da garota.

– Ah, claro! – droga, do que ele está falando? Eu nem ao menos tive a chance de ler o presente que Kaito deu para mim, antes de repassá-lo desesperadamente para Len. Inferno! Mil vezes inferno!

– Sua lerdinha. – brinca acariciando minha cabeça. – E então, o que achou?

– Ah, é ótima. Realmente tocante. – respondo no automático. Tento me concentrar em não demonstrar o quanto não sei sobre "minha letra".

– Isso é maravilhoso! – comemora fazendo sinal para os dois outros que estavam conosco. – Acha que devemos pôr no CD? Não quero lembrar de Paper Plane como sendo algo rancoroso... Quero que seja bonito. Como sua própria criação.

– Ah, não acho que vá combinar muito com o álbum novo, Len... – Blanca se intromete.

– Concordo. No máximo, essa pode ser uma faixa bônus para o show e para do DVD. – Yuhi também dá sua opinião. Eu continuo quieta para não falar merda. Enquanto não citarem a outra letra, estará tudo bem.

– E quanto a Prisioner? – Len questiona cruzando os braços. Os três parecem músicos profissionais com anos de experiência nas costas enquanto conversam.

– Bom, ela ainda não tem o instrumental, então podemos fazer algo mais agitado e seguir mais para o estilo eletrônico. – Yuhi dá de ombros. Não parece 100%interessado.

– Aceitaria isso, Rin? – meu irmão pergunta de repente e eu fico sem saber o que responder.

Então um flash de memória da noite passada me vem a mente. No papel amassado que foi jogado em minha direção, havia um poema. Uma letra. Um "K" no fim como uma assinatura e "Priosioner" no início para dar título.

A música de Kaito! Eles querem lançá-la no CD!

– De jeito nenhum! – grito mais alto do que desejava.

– Calma, Rin. Não vou fazer nada que não queira com a letra. – expõe o loiro com expressão gentil — Um fundo mais romântico então? Deixamos arquivada para o próximo lançamento.

– Não. – insisto — Não podem pôr ela no álbum nunca. Nem nesse nem em nenhum outro enquanto estivermos vivos.

– E se forem as duas canções juntas? — a mulher sugere do nada.

– Não. Sequências estão muito fora de moda, Blanca. – Yuhi contrapõe.

– Diga isso para os milhares de fãs de Story of Evil. – retruca.

– Não, não, não. É sério. – entro no meio dos dois — Ninguém pode ouvir isso.

– Que exagero. –Yuhi ri. – Isso é vergonha, Rin?

– Não tem motivo para se envergonhar, querida. – Blanca completa.

– Esperem, não acho que seja isso. – Len os faz parar e eu agradeço. Não aguentava mais todos eles me importunando enquanto minha cabeça já estava enlouquecida procurando desesperadamente por uma saída daquela situação. – Rin, o que está havendo?

Olho no fundo de sua íris azul. Ele está comigo, posso sentir. Está querendo me entender e vai me apoiar seja no que for.

Talvez, e apenas talvez, eu deva dizer a verdade.

– Gente, posso ficar a sós com meu irmão? – pergunto cabisbaixa.

Os dois se entreolham, mas não dizem nada. Deixam a sala e fecham a porta atrás de si. Quando me percebo sozinha com Len, volto a me desesperar. O que exatamente eu pretendo fazer?!

– Então..? – ele dá alguns passos para trás e se apóia no teclado.

Mordo o lábio inferior pois não sei o que dizer. E se eu disser mesmo a verdade? Que passei a noite com um cara e que ele me deu essa letra pronta? Que na verdade isso é um tesouro e Len jamais poderia ter lido? Que nem mesmo eu li?

Suspiro pesadamente. Não há escapatória agora. Tenho de ser fiel a quem eu amo, mesmo que isso signifique machucá-lo.

– Len, eu tenho que te contar algo. Você não vai gostar, mas não posso manter segredos de você.

– Do que está falando? – agora ele parecia preocupado. Vi quando as mãos voltaram a tremer, assim como no café da manhã, e imediatamente ele recolheu os braços para cruzá-los atrás do corpo. Amplio meu campo de visão para observar seu rosto: ele já estava pálido assim mais cedo ou é a luz?

– Você está bem? – abandono meu plano anterior. Há algo de errado com ele e não posso ignorar.

– Claro que estou. Fale logo o que tem pra me dizer.

– Não. Você está chacoalhando inteiro e está mais branco que o normal. Temos que ir ao hospital.

O pego pelo pulso e tento puxar para sairmos do estúdio, mas ele resiste.

– Não preciso de um médico. Só estou gripado.

– Len, pare de teimosia! – brigo. Ele abre a boca para se defender, mas então perde o brilho nos olhos e cai desmaiado no chão.

A última coisa de que me lembro é estar gritando e de ter várias mãos me puxando para trás.