Abstinência
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Notas iniciais
Assim que ouvi o elevador chegando no andar e a voz de Tony fofocando sobre nós, eu tive uma ideia. Agarrei a mão de Jethro e o puxei para baixo. Nos escondemos atrás da divisória.
A conversa girava na nossa evidente falta de paciência e cafeína. O que não me surpreendia. Mas estava surpresa sobre eles estarem tão interessados no assunto. A falação continuou até que Torres deu uma ideia brilhante, trancar Jethro em algum lugar.
Na mesma hora eu olhei para ele, e meu marido não tinha gostado nada da ideia e, pelo que pude percebe pelo brilho de seus olhos, estava planejando o que ele iria fazer com Torres. Enquanto eu estava segurando o riso. Trancar Jethro em qualquer lugar era pedir para morrer. E parece que toda a equipe concordava comigo. Até que Nicholas, não satisfeito de tentar morrer pelas mãos de Jethro, resolveu que seria melhor que eu também fosse trancada.
Foi a vez de Jethro segurar o riso. Olhei para ele de cara feia. Como estávamos muito perto, poderíamos ser ouvidos, então, tirei meu celular do bolso e digitei o meu plano para que Jethro lesse.
— “Nós dois, agora. Quero ver a reação da equipe quando eles notarem que ouvimos o plano deles. Você primeiro.”
Ele gostou da ideia. E dando a volta, parou bem atrás de DiNozzo que ainda falava alguma coisa inútil. E o tapa que ele recebeu foi tão forte que até eu senti a dor.
Com a equipe prestando a atenção em Tony e Jethro, apareci do lado do último que anunciou a minha presença na investigação. E as caras de assombro foram cômicas. Eles logo voltaram ao trabalho e, de tempos em tempos, um ou outro levantava a cabeça em nossa direção, certo de que, mais cedo ou mais tarde, mandaríamos todos embora.
Com pouco tempo, a teoria de que as três mortes eram queima de arquivo passou de “teoria” para “começar a fazer sentido”, uma pista no computador de uma das vítimas levava a crer que era isso, mas eram pistas circunstanciais, não provariam nada em um tribunal.
— Precisamos ter certeza! – Jethro gritou.
Neste meio tempo, Abby, que também estava sem seu CAF-POW diário, apareceu feliz.
— Gibbs, Gibbs, Gibbs, Gibbs! Tenho os resultados das análises. – Ela falou, comendo um bolinho de chocolate. E isso explicava a felicidade dela.
Olhamos para ela na expectativa, e, ela, com um floreio colocou os resultados nas telas de plasma.
— E o que eu estou vendo, Abbs? – Gibbs perguntou olhando da tela para a cientista gótica.
— Todos eles foram dopados! Sem exceção. Foi difícil de achar, porque não é uma droga usada muito, na verdade, ela só causa isso quando é ingerida em altas doses, porque normalmente ela é uma inibidora de enjoo.
— Alguém do navio fez isso então. Mas quem?
— Espero que vocês não fiquem bravos comigo, mas...
Estávamos tão concentrados no falatório de Abby que não prestamos atenção em mais nada, até que, do nada, eu senti o cheiro de café. Café bem forte e, pelo jeito, feito em casa.
Olhei para o lado e vi que Jethro também tinha sentido, então não era alucinação da minha cabeça sedenta por um gole da bebida.
Antes que pudéssemos reagir e olhar em volta para saber quem era a pessoa que, com certeza, iria perder aquele copo de café, uma mão apareceu bem na frente do meu rosto, e ela segurava um copo térmico vermelho, com os seguintes dizeres:
“My mom is a fucking badass queen!”
Quando olhei para o lado, vi que Jethro também tinha ganhado o dele, mas seu copo térmico era azul e dizia:
“Rule #23.1 – Never mess with my Dad’s coffee, if you want to live.”
Só tinha uma pessoa na face da terra, corajosa o suficiente, para fazer isso. Nós dois nos viramos ao mesmo tempo, e parada, bem atrás de nós, com seus cabelos vermelhos e olhos azuis, Eve, nossa filha, sorria divertida.
— Fiquei sabendo que vocês dois andam ameaçando Deus e o mundo hoje. Deduzi que a greve da Starbucks, a falta de café lá em casa e o fato de que as distribuidoras não tiraram os caminhões das docas hoje poderia ter influenciado nisso. – Ela disse tentando manter o rosto sério.
Nós dois a encaramos.
— Que?! Não vão nem agradecer? — Ela cruzou os braços e levantou a sobrancelha.
— Muito obrigado! – Tony disse feliz ao ver Eve. – Você não faz ideia do que já aconteceu comigo hoje, Ruivinha querida do meu coração!
Ela olhou para ele, e depois para nós.
— Por que tem sempre que ser a cabeça do Tony? – Ela bateu o pé.
— Eu deveria ter te ligado, assim me poupava muita dor de cabeça. – Ele disse com um muxoxo, enquanto Eve olhava ainda mais zangada na nossa direção.
— Não foi você, Tony? – Perguntei para o agente italiano.
Eve deu uma gargalhada.
— Claro que não, acho que vocês apavoraram tanto a turma que nenhum deles conseguiu usar as células cinzentas e chamar a salvadora aqui! – Ela fez uma mesura, indicando o seu título autoproclamado.
— E quem foi então? – Jethro perguntou abraçando a filha de lado e a tirando de perto de Tony.
— Ducky. Pelo jeito ele conversou com a mamãe mais cedo. E ficou muito preocupado com o que ouviu. Assim, como eu estava no intervalo entre o fim da escola e a aula de idiomas, ele me ligou e me avisou do tamanho da tempestade que estava rondando os corredores da NCIS. Não pude vir mais cedo por dois motivos, é segunda e minha agenda é lotada, e segundo, foi um custo convencer o Melvin a me levar onde eu precisava ir para conseguir fazer a surpresinha aqui. E depois em casa, onde fiz o café para, então, ele me trazer aqui. Acho que matei o pobre de cansaço hoje... – Ela terminou pensativa.
Eu não tinha muito o que falar. Estava realmente feliz que a minha filha tinha tido a boa vontade de fazer essa surpresa para mim. E não dizia só sobre o café...
— O que mais tem aí? – Perguntei olhando em direção à sacola que, agora, estava sobre a mesa de Jethro.
— Ah! Isso? São cápsulas de café para a sua cafeteira, a senhora falou qualquer coisa sobre precisar dessas coisinhas... e tem mais café aqui. Ela mostrou uma garrafa enorme. E Chocolate quente para quem não liga para o café.
Quando ela disse chocolate quente, a equipe voo na garrafa térmica.
— Posso só saber onde você conseguiu dinheiro para comprar tudo isso? – Jethro perguntou sem solta-la.
— Minha mesada, pai. Não gasto tudo. Na verdade, guardo a grande parte! – Ela garantiu.
— Hei, pestinha. Onde estão os nossos copos personalizados? – Torres perguntou.
— Seus copos?! Agente Torres! – Eu o adverti, o que ele achava que minha filha era, a ajudante do Papai-Noel?
— Olha no fundo da bolsa, Torres. Achei que vocês eram investigadores melhores. – Ela balançou negativamente a cabeça.
Tony tomou a bolsa da mão de Torres, mas quem conseguiu pegar os presentes antes foi Ziva – depois de dar uma rasteira e jogar DiNozzo no chão.
— Achei o meu! Ela gritou e mostrou um copo branco com letras azuis, remetendo à bandeira de Israel, a frase do copo?
“Eu posso te matar de 18 maneiras diferentes usando este clip de papel.” E a imagem de um clip estava estampada do outro lado do copo.
Tony engoliu em seco quando leu a frase.
Ellie foi a próxima, seu copo rosa claro dizia: “Que a força e a comida estejam sempre com você!”
— Eu amei! Amei!! – Ela gritou e abraçou Eve.
McGee achou o seu. Também azul, mas de um tom bem mais escuro, estava escrito:
“Eu sou o.... Lorde Elfo!”
Ele agradeceu a Eve e ficou todo feliz olhando para o copo.
Torres achou o seu, preto, para combinar com a única cor de roupa que ele usa, e tinha a seguinte frase:
“Não queira que eu libere o meu cisne interior.”
— Muito apropriado. – Ele falou. – Adorei Eve.
— De nada...
Tony foi o último. Um copo cinza, com letras pretas.
Eve começou a rir antes mesmo que DiNozzo lesse o que estava escrito. Na verdade, ele nem leu, apenas virou o copo na nossa direção e nos mostrou a frase que a pequena tinha escolhido para ele:
”DiNozzo. Agente Muito Especial, Anthony DiNozzo”.
Agora que ninguém aguentaria a falação dele.
Ainda tinha o de Abby. E Eve não tinha decepcionado. Um copo preto do tamanho dos que Abby tomava CAF-POW!, trazia a seguinte frase em letras vermelhas: “Eu sou a única pessoa que pode te matar sem deixar nenhuma evidência para trás.”
Quando nós lemos a frase no copo de Abby tivemos um estalo. Quem poderia ser a única pessoa que pode ter limpado a cena?
— Jethro...
— Eu já sei.
— Quem foi o primeiro a chegar na cena do crime? – Eu perguntei.
— O único que ficou dentro da fragata enquanto o NCIS não chegava.
— O capitão da Fragata! – O restante da equipe respondeu em coro.
Eve nos olhou assustada.
— Gente... oi... eu ainda tô aqui, beleza?
— Só o Capitão tinha acesso àquela equipe. – Ziva disse.
— E foi ele quem chamou o NCIS. – Ellie completou.
— Além do mais, ele é o único tem que a senha para entrar em todos os setores. Inclusive na sala de gravação onde a pesquisa era feita e, assim, apagar qualquer registro de acesso em qualquer lugar. – McGee completou.
— Além dele ser o único em quem todos confiavam o suficiente para aceitar uma bebida ou comida que pudesse estar envenenada ou drogada. – Tony finalizou.
— Vocês raciocinaram tudo isso por conta de um copo térmico? – Eve estava sentada na mesa do pai e nos olhava apavorada.
— Você, Ruivinha, é uma gênia! – Eu dei um beijo na testa dela.
— Mas quem falou a frase que está no copo da Abby foi a própria Abby! Eu só paguei para colocarem ali. – Seus olhos azuis estavam arregalados.
— Não é sobre quem disse o que, é sobre o timing. Você trouxe a frase certa para o momento certo! – Abby disse. – Eu vou rodar mais alguns testes, talvez eu ache uma prova de que o Capitão seja o culpado. McGee comigo, você vai descobrir quem fez o último login naquele sistema! – E Abby desceu correndo para o seu laboratório.
Olhei para Eve, ela tinha a carinha mais confusa do mundo quando me olhou de volta.
— A senhora sabe que eu não estou entendendo nada, né?
— Eu sei, Eve, e a conversa é complicada demais para que eu te resuma o que está sendo esse caso. Vem comigo, vamos deixar a turma trabalhar. – Peguei a mão dela.
— Justo na melhor parte? Ah, não. Vamos ficar por aqui. Logo, logo Abby vem com algum resultado mirabolante e o Capitão vai ser arrastado para o NCIS, e essa parte, eu quero ver! – Minha filha bateu o pé.
— Eve, para a sala da sua mãe agora! – Jethro ordenou.
Ela olhou para ele com olhos de cachorrinho pidão. E, pela primeira vez, não convenceu o pai.
— Na hora que vocês chegarem com o capitão, me avise! – Ela pediu para DiNozzo. – Eu quero ver o interrogatório.
— Eve eu não vou falar de novo, quer ficar sem o celular e sem a mesada? – Jethro ameaçou.
— Subindo... sendo obrigada, mas subindo. – Ela sussurrou a última parte.
— Eve agora! – Mandei e ela subiu muito a contragosto.
Olhei para a equipe que agora trabalhava muito mais animada e Jethro só me falou o seguinte.
— Ela é definitivamente você.
Revirei os olhos, essa teimosia vinha do lado dele, eu tenho certeza!
—--------------
Como Eve tinha dito, Abby conseguiu provar que o Capitão, de fato, fora o responsável pelas mortes. Eram nove da noite e estávamos de volta à Norfolk, atrás dele.
Capitão Stevens poderia ter nos enganado pela manhã, mas ele definitivamente não nos esperava voltar tão cedo, e, assim que entramos na Fragata, ele estava eliminando as provas do crime que não achamos quando demos a busca e, acabando de receber sua recompensa pelo crime.
— Pegou isso, DiNozzo?
— Em todos os ângulos, Chefe.
Se precisávamos de provas incontestáveis, aqui estavam elas.
— Acho que Eve não vai ver o interrogatório hoje... com essas provas e esse flagrante, uma confissão não é necessária. – Ziva disse ao colocar Stevens no carro.
— Melhor assim. – Falei. Por mais que eu goste de ver a carinha de alegre de Eve quando nós pegamos o bandido ou o “cara mau” como ela costumava falar quando era menor, eu não gostava de vê-la perto deles e ouvindo o que eles sempre tinham a dizer.
— Vão ter muitos mais ainda, ela vai ver o interrogatório um dia. – McGee falou.
— Isso se ela não for a interrogadora... – Tony gritou do outro carro. – Ah, qual é, Ziva? Com os genes que ela tem, você acha que ela vai fazer o que? Ser uma atriz?
— Não, Tony. Minha surpresa é por que, pela primeira vez, eu concordo com você! – Ziva fechou a porta do carro e mandou o capitão ficar de boca fechada.
— Tá vendo, Chefe, até Ninja concordou comigo!
— Já pro carro, DiNozzo.
Ainda bem que esse dia estranho estava acabando.
—--------------
Depois de quase vinte horas acordada, finalmente eu ia para casa. E, diferentemente de como saí pela manhã, sozinha e sem café, eu voltava com a família inteira e, carregando o meu copo novo, que seria o meu melhor amigo.
Mesmo sendo tão tarde, a espoleta ruiva que estava sentada no banco de trás não parava quieta.
— O que foi dessa vez, Eve?
— Na verdade, eu só tô procurando uma coisa... – Sua voz saiu abafada por ela estar abaixada no chão do carro.
— O que você tanto procura? – Jethro perguntou curioso, observando a filha pelo retrovisor.
— Meu pacote gigante de MM’s. Eu juro que eu não comi e também não levei para comer na escola. Não sei onde foi parar... Mamãe, você não viu não? – Ela levantou a cabeça e a posicionou no meio dos bancos dianteiros, seus cabelos caindo em cima do ombro do pai.
Jethro me olhou de lado e depois se concentrou, com muito afinco, nas ruas a sua frente.
— Pacote de MM’s? – Questionei sem olhá-la. Também concentrada no caminho.
Mas isso não enganou Eve. Aliás, o nosso silêncio era suspeito demais. Eu podia sentir ela me encarando e depois de um tempo, notei que ela tinha virado a cabeça na direção do pai, olhando-o fixamente.
— AH NÃO!!! Vocês não fizeram isso!! – Ela reclamou alto. – Era o último. ÚLTIMO pacote de MM’s que tinha lá em casa. E eu não comi nenhum chocolate hoje, estou praticamente em abstinência de chocolate! – Eve continuou revoltada.
— Foi sua mãe. – Jethro falou tentando se passar por inocente.
Eu o olhei indignada.
— Não senhor! Você também comeu! E ainda comeu mais do que eu! – O acusei.
— Foi você quem apareceu no lado da minha mesa segurando o pacote. Dizendo que tinha achado o pacote no carro. E você me ofereceu o chocolate! – Ele olhou para mim, crente que tinha convencido a “garotinha do papai” da sua inocência.
— O que é dez vezes pior! – Eve disse irritada e eu gargalhei na direção dele. – Pai! O senhor sabe que eu AMO chocolate e AMO muito mais MM’s, como você não impediu a mamãe de comê-los? E ainda teve a audácia de COMER junto com ela? Como vocês fizeram isso comigo?
— Amanhã eu compro mais para você. – Jethro tentou apaziguar a situação.
— Pai...
— Eve, já chega.
— EU PRECISO DE CHOCOLATE! Não comi nenhum o dia inteiro. E o senhor sabe como eu fico quando eu não como chocolate? – Eve disse em um único respiro.
Olhei para Jethro. Se ele quisesse paz... mas, ao invés de me olhar ele simplesmente disse:
— Você, Eve, é igualzinha à sua mãe. Quando cisma de querer comer algo ou beber, não fica quieta até que consegue. Sua mãe é viciada em café e faltou pouco em bater quando eu não dei uma bala de café para ela hoje, já você, está me perturbando por conta de chocolate. Simples, não compro mais chocolate para você, mocinha, e nem levo mais café para você durante o expediente, Jen.
— Pai!
— Jethro!
— E ponto final. – Ele terminou enquanto estacionava o carro na nossa garagem.
Tanto eu quanto Eve fechamos a porta do carro e entramos sem falar uma única palavra para ele. Quando eu estava no alto da escada, apenas disse.
— Eve, pegue as suas coisas, hoje você dorme comigo. E deixe o Jet de vigia na porta do seu quarto. Seu pai, hoje e pelo resto da semana, vai dormir no sofá.
Eve correu para o quarto para arrumar a suas coisas, enquanto Jethro subiu as escadas até chegar onde eu estava.
— Jen... eu achei que nós íamos terminar a conversa do elevador – Ele disse a meia voz para que nossa filha não ouvisse.
— Foi você quem escolheu isso, Jethro. Eu fico com abstinência de café durante o expediente. Eve com abstinência de chocolate até você ser gentil e comprar mais. E você— apontei para o centro do peito. – sabe muito bem que tipo de abstinência vai ter! – Coloquei os cobertores e o travesseiro entre os seus braços. — Tenha bons sonhos, Jethro!! – Disse enquanto o empurrava escada abaixo.
— Isso não é justo, Jen. Está frio. É quase Natal. Você não pode fazer isso comigo! – Ele reclamou ainda na escada, dois degraus abaixo de onde eu estava,
— Tivesse pensado nisso antes. – Eu virei as minhas costas e fui para o quarto.
Pouco depois, Eve saiu do quarto dela, e Jethro, bem que tentou convencer a filha de que, pelo menos, poderia no quarto dela.
— Eve. Filha. Ruivinha. Por favor. – Ele pediu.
Eu sabia que Eve não conseguia ficar com raiva de nenhum de nós por muito tempo e se Jethro continuasse a chamá-la pelos muitos apelidos que ela tinha, não tardaria e a Ruivinha cederia e ele dormiria no quarto dela.
— EVE para o meu quarto AGORA. Ele está tentando de manipular! — Cheguei na porta do quarto.
— Mas mamãe.... – Ela pediu, claramente já convencida pelo pai que ele não merecia um castigo tão duro.
— Mas Jen... – Jethro fez coro, achando que a nossa filha mudaria a minha cabeça.
— Você para dentro – puxei Eve para dentro do quarto, — e você, para a sala. – fechei a porta com força.
-Jen... pude ouvir Jethro murmurando do outro lado.
— Jet... pega. – Gritei para o pastor alemão que estava parado na porta do quarto de Eve. – E foi só assim que Jethro desceu as escadas.
—--------------
No outro dia, quando desci, fui recepcionada por um banquete. Mas o que mais me chamou a atenção foi o cheiro de café e chocolate. Alguém estava mesmo muito arrependido.
— Espero que a tenha dormido bem. – Jethro me entregou uma caneca de café bem fresco, com um sorriso inocente no rosto.
Olhei séria na direção dele.
— Bom dia para você também. – Respondi.
— Eve ainda está dormindo?
— No banho. Ah, esqueci de perguntar, dormiu bem, Leroy? – Ele encolheu quando disse o primeiro nome.
— Não. E acordei pior ainda. Tinha um cachorro do meu lado.
Eu ri.
— Não ria. Minhas manhãs costumam ser melhores...
— E por que essa não foi? – Levantei uma sobrancelha e olhei para ele.
— Eu aprendi a lição. – Ele disse por fim, e veio tentar me beijar.
— Nada disso, apressado. As coisas não serão tão fáceis assim. – Eu o adverti.
Ele deu um passo para trás e me olhou de cima embaixo.
— Gostou da minha roupa para o último dia de trabalho do ano?
— Você vai ficar andando vestida assim, na minha frente, o dia inteiro, e depois na festa de Natal do NCIS? – Ele grunhiu.
— É essa a intenção! – Eu sorri diabolicamente para ele. – Isso e para você aprender que tem mais a perder do que eu e a sua filha juntas...
— Jen...
— Foi você quem pediu... quem sabe, assim, você aprende a lição e nunca mais ameace a sua esposa de ficar sem café e a sua filha de ficar sem chocolate. E vai por mim... eu não sei qual das duas é a pior no quesito abstinência...
— O pior, no quesito abstinência sou eu. – Ele falou perto demais do meu ouvido e enlaçando seu braço na minha cintura. E a única coisa que me impediu de beija-lo ali, na nossa cozinha, como eu o beijei no elevador ontem, foram os passos apressados descendo as escadas.
— Se você se comportar bem... quem sabe, eu posso resolver o seu problema hoje à noite... Te vejo às 20:00, no meu escritório? – Disse antes que Eve entrasse na cozinha.
— Sim, para no trabalho agora? – Ele pareceu bem feliz.
— Se você não me perturbar durante o dia e me levar doses suficientes de café, eu posso ser agraciada pelo espírito natalino e te dar um presente adiantado. – Sussurrei no ouvido dele.
Ele riu rouco e se afastou. Eve estava a alguns passos de entrar na cozinha.
— Bom dia! — Ela disse ainda com sono. Sono que foi embora rapidinho quando ela viu o que tinha na mesa.
— Chocolate!! – Ela voou para a caneca de chocolate quente com marshmallows que estava na mesa. Mas logo em seguida olhou para o pai, desconfiada. – Isso aqui é um pedido de desculpas?
— Vamos dizer que isso sou eu entrando no espirito natalino. – Ele respondeu sério. E eu tive que segurar a risada. Ele era muito cara de pau em usar as minhas palavras.
— Sério? De verdade? – Eve não acreditava.
— E porque não quero ter que deixar a sua mãe com raiva e dormir no sofá de novo.
Eve riu.
— Bem... isso é com ela. Mas eu acho que a pior parte não foi essa...
Eu congelei, Jethro não reagiu tão naturalmente assim, será que ela tinha escutado alguma coisa?
— Jet pode ser realmente pesado e babão quando quer... Ele acordou do seu lado, não foi, pai?
Era isso!
— O que você acha? Tratando vocês duas bem, eu acordo na minha cama e longe do cachorro.
— Jet. – Ela disse.
— Tanto faz. – Ele respondeu, mas jogou um pedaço de biscoito na direção do cachorro.
— Mudando de assunto, que horas é a festa no NCIS hoje. Tô vendo que vocês estão bem arrumados...
— Começa às dezoito.
— E não tem hora para terminar?
— Tem, já que depois a Abby quer fazer o amigo oculto na casa dela...
— Entendi... o Melvin vem me pegar, né? A escola acaba cedo... é só pegar resultado hoje.
— Não. Eu te pego. – Jethro foi categórico.
— Mas o senhor vai interromper um dia de serviço só para vir me pagar aqui em casa? Acho que eu posso ir de metrô então...
— Eu venho te pegar, Eve. – Ele insistiu.
— Tudo bem... Não vou reclamar da carona não! – Ela disse feliz.
— Então, mocinha, diminui no chocolate e vamos embora, ou você vai chegar atrasada na escola.
— Só mais esse Marshmallow, mamãe...
— Eve.
— Ok. Tô indo... mas isso aqui tá tão... – Ela tentou pegar mais um, mas Jethro saiu puxando ela pelo braço.
— Isso não foi justo...
— Você vai acabar por nos atrasar. – ele disse enquanto segurava a porta aberta para ela.
— Mas é véspera da véspera de Natal... duvido que os assassinos trabalhem hoje.
— Depois você pede o DiNozzo para te contar as estatísticas de Baltimore... e você vai saber se os criminosos tiram férias ou não. – Jethro respondeu para a filha.
Deixamos Eve na escola. Não que ela tivesse aula hoje, mas dia de entrega de notas sempre a deixa nervosa.
— Te pego às três, em casa.
— Pode deixar papai, vou estar pronta!! Tchauzinho para vocês, tenham um bom dia no trabalho! — Ela se despediu e caminhou para a porta.
— Se vai ser bom eu não sei, mas pelo menos temos café. O que já é um começo. – Eu sorri ao olhar para Jethro.
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— Papai, eu ainda não entendi o motivo de o senhor ter vindo aqui em casa me buscar no meio do expediente! – Eve desceu as escadas curiosa.
Olhei para minha filha e para a roupa que ela havia escolhido. Definitivamente tinha puxado o bom gosto da mãe, com um toque da própria personalidade;
— Primeiro, porque preciso da sua ajuda para uma coisa e, segundo, não vou te deixar sair por aí bonita desse jeito.
— Pai! — Ela ficou vermelha de vergonha e cruzou os braços me olhando torto.
— Você vai me ajudar ou não?
— O senhor sabe que sim, mas o que é?
— Preciso de um álibi convincente para poder pegar o presente da sua mãe. Se eu saísse sem nenhum motivo, ela iria desconfiar.
— Ah! E o que o senhor vai dar para ela? – Os olhos azuis dela brilharam de curiosidade.
— Não te conto! — Dei um peteleco no nariz dela e abri a porta do carro para que ela entrasse.
— Pai!! É o presente da mamãe! Eu posso ficar sabendo o que é! Não vou contar para ela! – Eve continuou o falatório assim que eu entrei no carro.
— Já disse que não.
— Me usa de álibi e não me conta para que é.... você não tem jeito, Leroy Jethro Gibbs.
— Não seja exagerada... às vezes eu acho que você é mais um clone da sua mãe do que nossa filha.
— Sou sua filha, te garanto. Temos a mesma cor de olhos! – Ela piscou na minha direção. – Agora, com isso provado, o que é o presente, mesmo?
— Isso não vai colar, Eve.
— Mas já estamos chegando?
— Sim.
E ela começou a olhar os arredores, mas nenhuma loja ou lugar ali dava uma ideia de onde eu iria.
Parei o carro duas ruas antes, só para que Eve não descobrisse.
— Eu vou também! – Ela se prontificou a sair do carro.
— Vai andar na chuva fria até o lugar e molhar o seu cabelo? – Apontei para o para-brisa molhado.
Ela fez uma careta para o tempo.
— O senhor realmente pensa em tudo, não é pai?
— Eu tento, Eve, Eu tento. Fica aqui que eu já volto. – Dei um beijo na testa dela.
— Tenho outra escolha? – Ela fez um bico.
— Não. – E saí para a chuva fria.
Quando voltei, ela tinha uma sobrancelha levantada e me olhava com expectativa.
— Onde está? Onde está a sacola, ou a bolsa, ou o embrulho?
— Você não acha que eu iria te dar esse tipo de pista, não é? – Falei para ela enquanto arrancava o carro.
— Desse jeito não dá para viver. Nunca fico sabendo de nada... – E Eve reclamou o caminho todo.
Quando chegamos no Estaleiro, o clima era mais para festa do que para trabalho. E com a equipe não era diferente, apesar de que eles tinham um outro assunto para resolver. Quem tinha tirado quem no amigo-oculto.
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Não demorou para que desse logo às dezoito horas. Bem, antes mesmo do horário combinado, o prédio inteiro parecia ter entrado no modo folga e todos estavam conversando, relegando o trabalho para depois do Ano-Novo. Comigo não foi muito diferente, ainda mais depois que a minha filha deu as caras no meu escritório.
— E então, mãe, — ela começou olhando para o porto. – quem a senhora tirou no amigo-oculto?
— Direta desse jeito você não vai descobrir mesmo. – Garanti a ela enquanto fechava o relatório na minha frente e o colocava na pilha com os demais, nada ali era urgente mesmo.
— Já tentei não ser direta, e também não funcionou. Pensei que uma forma mais curta funcionaria.
— Não mesmo. Pelo menos não comigo ou com o seu pai, mas se for para te deixar feliz, não foi você...
— Também não foi a senhora, então tenho que tentar tirar a verdade da senhora em nove chances.
— Em nenhuma chance, mocinha, você vai descobrir junto com todo mundo. Agora vamos para a festa.
— Bem, a senhora só vai abrir oficialmente a festa, porque não tem mais ninguém trabalhando lá embaixo... – Ela me afirmou o que eu já sabia.
— Bem... um pouco de descanso não faz mal para ninguém, não é mesmo?
— A senhora está ouviu o que acabou de dizer? – Ela parou na minha frente me encarando.
— Sim, por quê?
— Porque podia servir tanto para a senhora quanto para o papai. Quem sabe isso não vira a resolução de Ano-novo de vocês. – Ela se virou para descer as escadas.
Quando cheguei na sala do esquadrão, Abby veio saltitando em minha direção, sua roupa de ajudante do Papai Noel e suas marias-chiquinhas balançando com o movimento.
— Diretora, posso declarar iniciada a festa? – Ela me pediu
-Fique à vontade, Abby.
— Eu declaro encerrado o expediente! Que a festa comece! FELIZ NATAL PARA TODO MUNDO!! – Ela gritou de cima da mesa de DiNozzo.
Todos bateram palmas e acabaram de colocar os relatórios nas gavetas. Trabalho, agora, só depois do Ano-novo.
A festa estava animada, todo mundo conversando, bebendo e comendo à vontade. Logicamente sempre tem os palhaços ou os desastrados que fazem todos rirem. Depois de conseguir, ao menos, cumprimentar cada um dos presentes e desejar um Feliz Natal para eles e as famílias, senti que Jethro me olhava de longe.
Dei uma olhada no meu relógio, eram oito da noite. Ele não tinha esquecido do que eu prometera.
Virei em sua direção e com um sorriso indiquei que ele poderia subir. Afinal, ele era conhecido por desaparecer sem mais nem menos mesmo. Já eu tive que esperar um tempo.
Quando notei que ninguém parecia perceber a ausência de Jethro e que Eve e os demais fofoqueiros estavam distraídos com algum jogo, fui para o elevador e, o mais discretamente que consegui, rumei para a minha sala.
Logicamente ele já estava lá. Sentado no sofá, me esperando.
— Por que demorou tanto? – Ele me perguntou ao se levantar do sofá e vir na minha direção, para trancar a porta.
— Porque eu não posso simplesmente deixar uma festa no meio e sumir para dentro do meu escritório, Jethro. Tive que despistar os curiosos e os fofoqueiros.
— Posso aceitar isso como desculpas. – Ele me abraçou por trás.
— Fico feliz com isso. Mas pode me informar o motivo de tanta pressa? – Me virei na direção dele e o encarei.
Uma péssima ideia, pois aqueles olhos e aquele sorriso me diziam que eu estava muito encrencada nessa noite.
— Eu não estou com pressa, você que não foi nada pontual. Está vinte minutos atrasada. – Ele veio me abraçando, e, ao contrário do que eu fiz de manhã, desta vez eu deixei.
— Então... qual era o motivo dessa reunião mesmo? – Perguntei para ele quando ele parou de me beijar.
— Tinha algo a ver com a abstinência de alguém por qualquer outro alguém.
— Ah.. isso. E, como vamos fazer para resolver esse problema? – Sorri na sua direção.
— Tenho algumas ideias, mas todas me remetem ou à Paris ou a uma certa noite, dentro desse mesmo escritório... – Ele falou me levando para o sofá.
— Coisas que não poderemos fazer, pois o prédio está lotado... o que é uma pena... – eu enquadrei seu rosto em minhas mãos. – Mas podemos ter uma festinha de Natal particular por alguns minutos aqui, só nós dois.
Jethro me olhou com um sorriso nos lábios.
— O que você está aprontando?
— Eu?! Nada! – Ele respondeu rápido demais.
— Não minta para mim... o que você tem escondido aí?
— Vai fazer igual a ontem no elevador, Jen? – E o brilho travesso nos olhos voltou.
— Se for preciso, sim. – Eu procurei no bolso do paletó dele, pelo o que eu procurava, não saberia dizer.
A risada que ele deu vibrou em seu no peito e eu pude senti-la, tamanha era a proximidade que estava dele.
— Não tem nada de engraçado. – Acusei. – Você sabe que detesto segredos! – E voltei a procurar nos bolsos.
— Não está aí. – Ele disse, claramente gostando da atenção que estava dando a ele.
— Então você admite que TEM alguma coisa? – Fiquei de pé e o encarei. Tirando vantagem de que, pelo menos uma vez, estava mais alta que ele. – Jethro, o que é?
Mas descobri que ficar de pé na frente dele, com ele sentando a centímetros de mim, não é uma boa ideia, pois em um piscar de olhos suas mãos agarraram minha cintura e ele me colocou sentada em seu colo.
— Será que é isso que você está procurando? – Ele apoiou uma caixinha de veludo azul escuro no meu joelho.
Olhei surpresa para a caixinha, a última vez que ele fez um movimento quase igual a esse, ele tinha apoiado uma aliança na minha barriga grávida de seis meses, e, três semanas depois, estávamos casados. O que será que tinha nessa caixinha?
— Não vai abrir? – Ele perguntou beijando o lóbulo da minha orelha.
— Vou... é que eu estava lembrando da última vez que você fez algo parecido... – comecei sincera.
— E? – Ele agora beijava o meu pescoço e, por um breve momento, eu me esqueci como se falava.
— E depois de três semanas estávamos casados.
— E três meses depois, Eve nasceu. E tudo isso começou nessa sala, Jen. – Ele me abraçou mais forte pela cintura. – Abra. – Ele sussurrou quente na minha pele.
Virei meu rosto na direção dele e dei um selinho em seus lábios, depois voltei minha atenção para a caixinha, apoiada precariamente no meu joelho.
Com minhas mãos tremendo, a trouxe para perto de mim, vi que Jethro tinha a sua atenção voltada para o meu rosto, ele queria gravar a minha reação assim como tinha feito há treze anos atrás.
Respirei fundo, e com dedos nada firmes, consegui abri a tampa. Era nada mais, nada menos do que um cordão. Um delicado cordão com um relicário. Passei a mão sobre a peça, não era visível de primeira, mas ali, gravada estava a Torre Eiffel.
— Jethro... – Eu amava tudo o que me fazia lembrar Paris e o que vivemos lá, mas, nunca gostava de relembrar como todo aquele conto de fadas terminou.
— Você ainda não terminou de ver o presente.
Era praticamente involuntário. Eu já estava chorando antes mesmo de ver o que ele tinha escolhido para ficar guardado ali dentro. E ele, pacientemente, enxugava minhas lágrimas enquanto acariciava minha bochecha.
— Eu não te dei um presente para você chorar, Jen.
— Eu sei... — e abri a peça. Lá dentro, como eu desconfiava, ele tinha colocado uma foto nossa, não uma qualquer, mas uma que Abby tinha tirado quando nós ainda estávamos na maternidade, poucas horas depois de Eve ter nascido, e do outro lado, 1999, gravado. O ano em que nossa história começou. Ou seja, Jethro não comemorava só o Natal com esse presente, mas nossos vinte anos... Não todos juntos, mas era essa a sua intenção.
— Feliz aniversário de 20 anos, Jen. – Ele falava baixo ao meu lado.
— Nem todos estes vinte anos foram juntos, Jethro. – Eu levei minha mão ao seu rosto, a culpa me inundando.
— Os seis anos serviram para nos mostrar que não tinha como vivermos separados. – Ele me garantiu
— Nem fale sobre isso. – Eu pedi.
— E então, gostou? – Ele perguntou tentando manter o tom leve, mas eu percebi a incerteza em sua voz. Era sempre assim quando ele me dava algum presente, desde a primeira vez, em Paris.
— E tem como eu não gostar de algum presente que você me dá, Jethro? – Eu o beijei para garantir a verdade em minhas palavras.
— Sobre isso eu não sei responder, mas eu gosto de todos os que você me deu, Jen. – Ele me disse com um sorriso. – Principalmente um que está no andar de baixo e chegou há doze anos atrás.
Eu ri... era verdade. Nosso maior presente, Eve.
— E ela é definitivamente meu presente de aniversário... – Ele falou convencido, recomeçando a beijar meu pescoço.
— Não recomece... – Eu queria protestar, mas dessa vez ele tinha razão.
— Como não? — Ele trocou a nossa posição e agora eu estava de frente para ele. – Faça as contas, Jen... você se lembra daquela noite. Como você disse, tudo começou aqui, nesse escritório, e diria nesse sofá.
— O baile que você não me levou. – Eu o acusei.
— Eu tinha que fazer algo, não queria passar a noite do meu aniversário tendo que dividir a sua atenção com um monte de gente. Então... Eve é o meu presente de aniversário, Jen, você sabe disso.
Eu sabia muito bem... nunca esqueci aquela noite e muito menos o susto que tomei um mês e meio depois, ou seja, eu descobri que estava grávida bem no dia de Natal, minha filha, foi o meu presente naquele ano.
— Bem... se estou me lembrando, você não ganhou presente de Natal naquele ano... que tal consertamos isso? – Eu falei olhando bem nos olhos dele. Ele me entenderia, tenho certeza.
— Se você não se importar com os convidados que estão no andar de baixo... – Ele atacou minha boca.
— Não me importo... até porque, tenho que fazer uma coisa muito importante...
Ele levantou a cabeça em minha direção.
— Tenho que agradecer ao meu marido o melhor presente de Natal que ele me deu há doze anos atrás, e tenho que ajudá-lo a curar uma certa abstinência...
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