Abstinência
3 Pequena pausa para comer torrada
Notas iniciais
– Len? – chamei docemente meu irmão que ainda dormia. Na sua cama, diga-se de passagem. – Len, acorda.
– Hm... – ele abriu os olhos, mas não se mexeu.
– Eu dormi sozinha ontem a noite. — declarei impaciente.
Ele sentou e bocejou mexendo na franja como de costume. Esperei até que voltasse o olhar para mim novamente e sentei no chão ao seu lado.
– E daí? – perguntou.
Meu rosto se transformou numa carranca e tive de suspirar alto para manter a calma.
– Eu mereço uma recompensa, não acha?
– Não acredito que está fazendo isso... — riu e virou de costas para mim cobrindo-se até o pescoço.
– Fazendo o que? — tirei seu cobertor com violência e puxei seu corpo até estarmos de volta cara a cara – Seria legal ganhar algum reconhecimento de sua parte, sabia?
Ontem o tempo passou de forma preguiçosa desde que levantamos para almoçar. Subaru, nosso empresário, não telefonou e nem ninguém da imprensa tentou perturbar nosso sossego. É com prazer que afirmo que nossas únicas atividades do dia foram comer, tomar banho e dormir novamente, afinal, com a vida agitada de estrelas pop, não é sempre que podemos gozar de um momento tão sereno como este.
Na verdade, sempre que nos hospedamos nesse hotel mais afastado do centro da capital nossa paz é garantida. Tudo aqui é fantástico e com certeza seria meu lugar preferido para passar as noites se não fosse por um pequeno empecilho...
– Não, Rin. Você está é pedindo sexo. – ele pegou seu celular – E ainda por cima às 8 da manhã.
– Não acredito que pense assim de mim, Len... – fingi decepção – E logo depois de uma noite inteira de bom comportamento... – declarei olhando para cima, encarando-o.
– Uma noite inteira, né? – nos seus olhos pude ver que estava caindo no meu jogo.
Isso!
– Inteirinha e sozinha... – comecei a acariciar suas coxas.
– É verdade...
Percebendo minha vitória, subi vagarosamente em sua cama e ajoelhei com as pernas dele entre as minhas. Impulsionei meu corpo para frente para que pudesse alcançar seus lábios e ele retribuiu docemente passando as mãos ao redor de meu quadril. Depois de alguns segundos, interrompi nosso beijo e voltei para a posição de origem sem romper o contato visual. Len não dizia nada e tinha um sorriso sedutor.
Determinada a continuar, peguei no elástico de sua bermuda e comecei a baixá-la sem movimentos bruscos. Ele já estava excitado, como podia sentir por cima do tecido, e isso só deixava meu coração mais acelerado. Deixei de olhar para seus olhos azuis e mordi o lábio inferior um pouco nervosa. Já havia feito oral algumas vezes, mas não o bastante para estar confiante.
Será que eu faço direito? Acredito que sim pois ele nunca reclamou... Mas e se na verdade não tivesse dito nada para não me deixar constrangida?
– Rin?
– O-o quê? – saí do transe e só então percebi que ele ainda estava vestido. Por quanto tempo eu estive parada?
Ele me puxou para si e me abraçou.
– Não precisa fazer o que não quer. – ele sussurrou em meu ouvido.
Espera! Não, não, não! Quem disse que eu não quero?!
– Mas eu... – tentei protestar, mas ele me beijou novamente e aquilo me acalmou.
– Relaxe. Deixe que eu assumo daqui. – o loiro disse.
E então, como na manhã de ontem, Len começou a beijar meu pescoço enquanto desabotoava minha camisa para acariciar meus seios. Como estava sentada em seu colo, pude sentir sua “animação” roçando em mim. Aquilo me fez sorrir e criar coragem.
– Até parece que vou deixar você assumir alguma coisa. – sussurrei provocadora.
Quando me separei de sua boca e voltei mais uma vez as mãos para sua bermuda, estava mais confiante e excitada que antes. Não a tirei por completo, só o bastante para que seu pênis pudesse ficar ereto sem nenhuma barreira de malha.
Apesar do rosto quase andrógeno de Len, seu corpo era perfeitamente masculino, incluindo o órgão genital que media pelo menos 16 centímetros, grosso o bastante e acima de tudo delicioso.
Continuei olhando em seus olhos mesmo quando abaixei a cabeça.
Optei por lambê-lo começando pela base e indo até o topo, o que fez Len jogar a cabeça para trás. Motivada por sua reação, umedeci os lábios e pus tudo na boca, tendo cuidado para não raspar os dentes e manter o ritmo nas subidas e descidas.
Ele arfou e voltou os olhos para os meus. Sua respiração acelerada e seu olhar que indicava prazer me envolviam e eu podia sentir meu corpo ficando quente. Aumentei a velocidade e passei a língua rapidamente pela glande, fazendo-o gemer mais ainda.
Eu amava aquilo!
Meus cabelos, mesmo curtos, começaram a cair no rosto, o que me impedia de enxergar meu irmão, mas o mesmo levou as mãos até minhas mechas e as puxou para trás.
Pensei que ele fosse soltá-los e voltar a se recostar na cabeceira da cama, mas Len continuou segurando meu cabelo e, à medida que sua excitação aumentava, segurava com mais força. Continuei com os movimentos repetitivos e ele voltou a gemer.
As puxadas que sentia no couro cabeludo eram incômodas no início, mas aos poucos fui tomando gosto e depois de alguns minutos aquilo pareceu quase essencial.
– Ah, Rin... Eu... – ele fechou a mão com ainda mais força e a dor que senti no meio do crânio não foi maior do que minha satisfação por deixá-lo daquele jeito.
– Ainda não, Len – pedi levantando o corpo.
Cheio de excitação, ele veio para cima de mim, já tirando minha calcinha, para depois me pôr deitada a sua frente. Vi que estava pronto para usar sua língua e a espera de poucos segundos me forçou a implorar com os olhos.
Len captou a mensagem e agarrou minhas coxas com o objetivo de apoiar-se enquanto me dava prazer. Não pude me conter diante das sensações. De repente sinto algo penetrando em mim e abro os olhos a tempo de ver seu sorriso provocador antes de pôr o segundo dedo.
– Ah... – suspiro entregando-me completamente àquele momento.
– Vamos ao que interessa. – declarou e nem me dei ao trabalho de questionar ou mudar de posição. Eu já sabia o que viria e, se ele quisesse, poderia muito bem moldar meu corpo ao seu gosto. Nunca fui muito exigente quanto a isso e a única coisa sobre a qual faço questão é ele.
Desde que Kagamine Len esteja me tocando, nada mais importa.
Ele não demorou a entrar em mim, e eu também não queria que tivesse. Já estava desejando aquilo desde a noite passada e não podia mais esperar.
Arfei quando ele começou a se movimentar. Quanto mais rápido ele ia, mais eu gemia de puro prazer. Eu estava ficando sem fôlego e ele só aumentava a força das estocadas. O incentivo o fez arrastar as mãos desde minhas canelas até a bunda arranhando-me sem cuidado. Isso não fazia parte de seu comportamento usual, assim com os puxões de cabelo, mas confesso que as mudanças não podiam ser melhores!
– Len... – pude dizer entre um gemido e outro.
– Eu não posso mais, Rin! – ele murmurou e agarrou meu quadril.
– Não, Len... Espere! – o êxtase era enorme, mas tinha de fazer algo ou ele gozaria dentro de mim. Podia senti-lo pulsando.
Consegui me soltar dele ainda a tempo de por os lábios em seu pênis novamente.
– O que está fazendo? – surpreendeu-se — Eu vou... Ah!
Então eu senti o líquido jorrar quente e amargo em minha boca pela primeira vez na vida.
Len caiu para trás respirando sem regularidade, mas continuou olhando para mim. Provavelmente queria saber o que eu iria fazer em seguida.
E sinceramente... Eu também queria.
Continuei ajoelhada e respirava com dificuldade.
– Agora engula. – disse de repente e olhei assustada para ele. Era o que eu devia fazer não é? Não foi minha idéia deixá-lo gozar na minha boca? – Rin, engula. – mandou enquanto vinha em minha direção.
Uma de suas mãos agarrou minhas bochechas, me forçando a fazer biquinho. A outra foi até minha vagina super umedecida.
Eu já sabia o que estava por vir antes mesmo dele começar a acariciá-la: mais do que com a língua, Len tinha muita habilidade com as mãos — talvez pelos anos de prática no violão — e eu sabia que não iria agüentar muito tempo de boca fechada.
Tinha de engolir. E rápido.
– Se você cuspir, vai se arrepender. – disse ameaçadoramente.
Eu não podia acreditar em como meu irmão estava agindo diferente. E por incrível que pareça, seu comportamento feroz só me deixava mais excitada. Ele então apertou minhas bochechas com mais força e começou a mexer a outra mão. Fechei os olhos. Não tinha outra saída.
Engoli tudo de uma vez e abri a boca pondo a língua para fora, como que para provar a Len que não o estava enganado, no entanto, ele não parou de movimentar os dedos sobre o clitóris e toda a área da vagina. Sua mão fazia movimentos circulares, o que me fez perder o controle. Aos poucos fui perdendo a força nos quadris, e senti que estava chegando ao auge. Meus olhos reviravam nas órbitas e meus pés se contorciam. Por fim acabei gozando também e caí para trás. Estava esgotada.
– Boa garota. – disse sorrindo antes de me dar um beijo rápido.
Por alguns segundos fitei, assustada, aquele Deus do Sexo que hoje resolveu possuir meu irmão.
– Nada mal, hein. – elogiei realmente chocada.
– Só queria recompensar minha irmãzinha que dormiu sozinha ontem à noite.
Não tinha forças para responder àquilo. Ele levantou da cama, ajeitou a bermuda e caminhou de volta até mim.
– Eu trago o café da manhã. – disse beijando minha testa antes de por uma camisa qualquer e sair do quarto.
Enquanto estive deitada recuperando o ar dos pulmões, um flashback de nossa vida amorosa passou por minha mente: lembrei nitidamente de que foi aos 14 anos, quando entramos para o mundo artístico, que comecei a sentir atração por Len. Na época, tive medo de ser rejeitada e perder meu irmão para sempre então mantive os sentimentos em segredo por mais um ano. Recordei também como me senti feliz quando ele me beijou pela primeira vez no nosso aniversário de 15 anos. A imagem de seu rosto corado e sorridente daquele dia jamais deixará minha memória. Foi então no ano passado que começamos a de fato quebrar tabus e a dormir juntos em segredo. Tudo caminhava para a perfeição, apesar do que o loiro-cabeça-oca pensava de vez em quando.
Voltei para o presente ao ouvir o "bip" do cartão sendo passado para abrir a porta.
Tentei me recompor pois ainda estava caída na mesma posição na qual havia me deixado, mas foi difícil devido ao fato de que meu corpo inteiro queimava. Várias partes de mim latejavam devido à força com que ele me apertara. Pus uma mão na nuca para sentir o local que doía. Lembrei da sensação de ter Len puxando meus cabelos com cada vez mais força e mordisquei o polegar por puro tesão.
– Rin?
– Já voltou? – eu ainda estava seminua, mas não me importei.
– Eu não peguei muita coisa – o rapaz veio até a cama onde eu estava e sentou-se pondo a bandeja entre nós.
Havia duas xícaras com chá — pelo cheiro, devia ser blend– uma torrada e dois tipos de bolinhos. Analisei seu rosto.
– O que foi? – perguntou mordendo sua torrada.
– N-nada.
Como assim "o que foi", garoto? Você me destrói por completo e depois vem comer torrada?
Como se lesse meus pensamentos, ele desviou o olhar e pôs o pão no pratinho.
– Está com vergonha? – perguntou sem graça – Quer ficar sozinha?
– Não! – menti imediatamente. Ele continuou olhando para a parede.
– Sabe, Rin, eu usei a noite passada para refletir sobre algumas coisas... — como eu não disse nada e peguei uma das xícaras, ele continuou – Sobre a gente, para ser mais exato.
Bebi um gole. Era blend mesmo.
– E você chegou a alguma conclusão? – perguntei. Estava com medo de sua resposta, mas também muito curiosa.
– Cheguei. – ele pegou a outra xícara — Eu pensei bastante e conclui que não adianta de nada inibir nossos desejos. Você não vai parar de tentar me seduzir e eu não vou resistir para sempre. – o loiro deu uma pausa e bebeu um gole – Eu vou aceitar nossa condição de irmãos amantes.
Eu estava eufórica e queria me jogar nele naquele instante, mas algo no seu tom me deixava alerta. Algo mais ainda estava por vir e senti que não gostaria...
– E por isso hoje não fiquei preocupado em me censurar e libertei meu eu mais selvagem. – acrescentou e senti que eu estava ficando corada. Então ele esteve me escondendo tudo isso por tanto tempo? – Mas como eu nunca havia me permitido ir longe, não sabia do que era capaz e fiquei com medo de te assustar – ele deu um sorriso tímido – Mas parece que me preocupei a toa, já que você também resolveu se superar hoje.
Fiquei ainda mais vermelha.
– Era isso que queria falar? – perguntei desviando o olhar, mas satisfeita por estar errada em relação ao seu tom de voz. Tudo estava perfeito como devia ser.
– Sobre isso sim. Mas estou com uma dúvida. — continuei bebendo meu chá. Era agora. A notícia ruim! Eu sabia! – Em alguns momentos cheguei a pensar que a estava machucando... Está tudo bem?
Na mesma hora, engasguei com a bebida e pus a mão atrás da cabeça.
– T-tudo bem. Claro que está tudo bem.
– Não minta, por favor. O que tem aí? – ele levou uma das mãos para onde eu estava escondendo e reclamei ao seu toque – Foi quando eu puxei seu cabelo? Desculpe, Rin. Eu não estava ciente da força que estava usando. Eu nunca te machucaria de propósito, você sabe disso não é? Eu sempre tento te proteger e...
– Len! Pare de se desculpar. – interrompi — Foi bom. — ele olhou para mim com uma expressão de dúvida, então eu comecei as explicações. – No começo doía, mas quanto mais você apertava, melhor ficava. Eu gostei do que você fez hoje. De tudo – eu voltei para o estado de euforia – Não quero que se segure nunca mais. Prometa.
– Mas, Rin...
– Prometa! – pus uma das mãos no colo, o que me fez lembrar de algo — Quando você arranhou minhas coxas eu também adorei.
Ele baixou o rosto para observar minhas pernas e deu um pequeno pulo no colchão. Desfoquei de Len que apresentava um rosto estranho e difícil de ler para acompanhar seu olhar.
– O que foi?
– Rin, deixa eu ver suas pernas por favor.
Fiquei confusa, mas mesmo assim puxei a sua/minha camisa de dormir para que minhas coxas ficassem a mostra.
– O que é que tem..? – comecei, mas então eu vi, e ele também viu. Como não tinha notado aquilo? Como não tinha sentido aquilo?!
Por toda a extensão do local onde ele tinha passado as unhas havia uma longa linha avermelhada e ressaltada, como um hematoma, em cada uma das pernas. Em certos pontos, havia pequenas gotículas de sangue que denunciavam o quanto seus dedos fincaram de fato na minha pele.
– Não tem como explicar isso para o nosso empresário! – gritei nervosa.
Ele me encarou perplexo.
– É com isso que está preocupada? Pelo amor de Deus, Rin! Como você me diz que isso não doeu? Eu sabia que estava fazendo muita força, mas estava tão excitado com aquilo... Droga! Por que você não disse nada?!
– Não é que não doeu! Só que não foi ruim... – tentei baixando o tom de voz ao perceber o quão ridículo isso soava. – E não diga que não podemos mais dormir juntos só por isso.
– Só por isso? – ele esfregou as têmporas — Você sabe o que isso significa?
– Não está doendo, eu juro! Só preciso esconder até melhorar. Subaru não vai descobrir, eu prometo...
– Rin, presta atenção! – ele empurrou a bandeja fazendo com que a maior parte de da comida caísse nos lençóis e agarrou meus ombros – Não é normal que você se excite ao se machucar!
– Me solta! – gritei nervosa, porém ele não obedeceu. – Você também se excitou quando usou sua força. Disse que se libertou, então isso significa que sempre manteve esse lado selvagem reprimido dentro e você. – acusei — Vai me dizer que isso também não é normal?
– Rin... Acho que somos...
– Len! Rin! Adivinhem só! Seus dias de descanso acabam hoje. A programação da semana está na porta. Levantem-se logo e preparem-se para mais uma semana daquela!
Mesmo estando do lado de fora do quarto, a voz de nosso empresário me fez pular da cama. Meu irmão se levantou rapidamente e praticamente correu até a porta, saindo sem cerimônias e deixando-me paralisada encarando a maçaneta dourada enquanto ouvia seus passos ecoando pelo corredor.
"Rin... Acho que somos..." ele não completou sua frase. O que queria dizer com isso? E que nós somos, afinal?
Passei o indicador pelos machucados e um arrepio percorreu minha espinha.
– Não sei, Len. – falei comigo mesma – Mas seja lá o que formos, quero que sejamos para sempre.
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