Abstinência

20 Não é só com a Madonna


Notas iniciais
Olha quem está viva!! É, o vacilo me define e só posso pedir desculpas por mais um abandono longo ;-; Maaas pelo menos estou tentando voltar a rotina de escrita, então torçamos para que dê certo!! Só lembrando que a parte inicial desse cap é o fim do anterior e por isso está em itálico e entre aspas. Beijos e espero que tenha ficado do agrado de vocês já que esses dois aí já estavam sendo pedidos há um tempo hahahah. BÔNUS: quero ver quem acerta o motivo de esse ser o nome do capítulo Hoe~

"- Você me tranquiliza. – admito desviando o olhar. Minha voz não passa de um sussurro – No meio de tanto caos, é como se você fosse uma calmaria agradável.

Kaito é como uma droga.

Ele desvia o olhar também, mas não demora a voltar a me encarar. Seus dedos pálidos ainda seguram meu queixo e posso jurar tê-lo visto umedecendo os lábios. Meu coração acelera mais uma vez.

— Não me importo de assumir essa função. – ele fala de repente. Sua voz aveludada também parece sussurrar.

— Qual? – questiono. Nossos olhos com diferentes tons de azul estão colados um ao outro e, por isso, não o percebo se aproximando. Quando fala novamente, sua boca está a menos de dez centímetros da minha:

— Deixe-me sanar suas dores... Despeje em mim suas preocupações... – sua outra mão encontra minha cintura e seu toque me faz arrepiar – Quero livrá-la de tudo isso...

Minha respiração cessa por um segundo, mas não me dou tempo de reconsiderar a situação.

— Faça isso... – peço.

Meus olhos estão apenas entreabertos, meus braços dão a volta em seu pescoço e meu corpo cede à falta de apoio, caindo vagarosamente para trás enquanto Kaito me mantém firme junto de si.

Mal minha cabeça toca a almofada do sofá, sinto seus lábios macios contra os meus."

No início, era um beijo inocente e gentil que fez o tempo congelar. Não nos movemos enquanto aproveitamos esses tênues segundos. Não ouso abrir os olhos ou mesmo respirar, pois quero me prender a esse momento. Sei que assim que voltar para a realidade sentirei o peso da culpa, porém, enquanto estivermos assim, consigo me convencer de que não há nada de errado.

Como se lesse minha mente, sua mão aperta minha cintura antes de me largar e, em reação, eu solto o ar e abro as pálpebras. A mágica se quebra instantaneamente e meu coração acelera.

O que estou fazendo?

Nossos lábios se afastam e ele retira os dedos do meu queixo para apoiar-se com os braços ao lado da minha cabeça, com o corpo sobre mim. Ele espera por algo. Talvez um protesto, uma reclamação, um pedido para que ele não prossiga. Seus cabelos azuis estão caídos enquanto suas íris brilham na pouca luz. A cena é de tirar o fôlego e por isso não digo nada, o que ele entende – não erroneamente – como uma permissão.

Ele volta a se aproximar e nossas bocas se encontram uma segunda vez. Sei que eu deveria afastá-lo, mas não é o que faço. Minha língua e mandíbula se movem de acordo com o ritmo do beijo, que ganha intensidade a cada segundo. Kaito então usa os braços para me puxar para mais perto de si. Seu corpo é quente e por onde suas mãos passam sinto a pele formigar, mesmo com as duas camadas de roupa que me cobrem.

Mais uma vez aparentando poder ler minha mente, ele trata de tirar o casaco do uniforme de mim sem que o beijo se perca. Sou eu que tenho de interromper para recuperar algum oxigênio, mas assim que suspendo a cabeça, Kaito me pega de surpresa beijando meu pescoço em diversos pontos. Um arrepio percorre todo o meu ser e acabo presa na sensação boa de antes. Meus braços movem-se por impulso e, quando percebo, já estou com eles ao seu redor, com os dedos passeando por sua nuca.

Enquanto beija meus ombros, suas mãos passam por debaixo da minha blusa e enfim eu posso sentir o que é tê-lo tocando de fato a minha pele nua. Sinto-me tremer em resposta.

Apesar da pressão aplicada em seus dedos enquanto massageiam minhas costelas, ele não tem pressa de chegar ao meu sutiã. Percebo abismada comigo mesma que eu quero que ele termine logo o percurso, mas tento me controlar: de supetão, afasto-o. Ele percebe meu estado de espírito e ajeita-se para sentar à minha frente.

— Basta dizer "não" e eu irei deixá-la em paz. – promete num sussurro.

O som da sua voz é quase afrodisíaco dentro dessa atmosfera criada à base de beijos e carícias. Posso sentir as pulsações de meu coração por toda a extensão de meu corpo e meus lábios formigam pedindo por mais.

Não, não é o que eu quero. Não posso. Penso.

Minha garganta seca e eu percebo: é sim o que eu quero. Eu quero Kaito. Desejo-o, não posso negar. Ele está me dando o livre arbítrio de escolher entre prosseguir ou voltar atrás e cá estou eu pronta para me entregar ao mais vulgar dos instintos. A única coisa que me prende é a pouca moral que ainda tenho. Moral essa que me torna incapaz de trair meu irmão.

Tento engolir saliva para aliviar a sensação de secura, mas é em vão.

Trair... Soa engraçado de certa forma depois de tudo que tenho passado em suas mãos. Mãos que sempre foram acolhedoras, com dedos longos e habilidosos capazes de tirar belas melodias de qualquer instrumento que tocam. Dedos que costumavam esticar-se em minha direção para afagar minhas bochechas e hoje se contraem num punho fechado e egoísta, cheio de raiva e confusão. Não são essas mãos que eu amo. Não é esse o Len que eu amo.

— Eu juro. – Kaito complementa. A íris inquieta e os lábios apertados numa linha fina.

Fecho meus olhos por um momento. A noite está silenciosa e estamos sozinhos. Tudo que o posso ouvir é o som de nossos corações acelerados. Na verdade, posso estar apenas alucinando, mas nessa estranha fantasia criada pelo meu inconsciente, os ritmos dos batimentos parecem se encontrar em perfeita harmonia.

O som que fazemos é lindo. Muito diferente do que faço com meu irmão. Qual foi a última vez que fizemos algo tão belo juntos? Tão belo quanto a sinfonia cardíaca que tenho com Kaito?

Tenho a rápida sensação de que estou prestes a desabar em lágrimas, mas não é o que acontece. Covarde como sempre, não abro as pálpebras para fazer o movimento seguinte.

Num movimento lento e ao mesmo tempo impaciente, puxo sua cabeça de volta para mim e nos beijamos pela terceira vez. Ele não esconde o que sente e percebo imediatamente quando seu comportamento inseguro dá lugar a um mais enérgico e empolgado. Sou capturada por essa nova energia de forma que toda a dúvida ou culpa é esquecida.

Kaito me envolve com seus braços enquanto nos beijamos calorosamente. Suas mãos voltam a explorar meu corpo, passando pelo quadril e subindo até a cintura, onde param e me apertam, o que faz um suspiro meu escapar dos meus lábios para os dele. O beijo é interrompido e finalmente permito-me abrir os olhos. Meu príncipe tira a camisa fina que o cobria e só tenho meio segundo para admirar seu peitoral largo, pois minha visão logo é cortada por minha própria roupa sendo arrancada.

Sem dificuldades, ele me levanta do sofá e retira a meia calça que fora escolhida apenas para a filmagem de hoje. Estou apenas de roupa íntima, enquanto que ele permanece com as calças do uniforme roubado e não consigo evitar pensar o quão injusto isso é, então começo a desafivelar seu cinto de forma afobada. Kaito vem em meu socorro e em um piscar de olhos está de cueca. Então ele me põe em seu colo e percebo, pelo contato, o quão duro seu pênis já está ao mesmo tempo que sinto o gelar já conhecido de sentar com a calcinha úmida pelo tesão.

Agora sua boca está por toda a extensão de meus ombros e clavícula. Jogo minha cabeça para frente à fim de encontrar seu pescoço e ele geme quando toco sua pele macia com a ponta da língua. Suas mãos que antes estavam acariciando minha bunda, começam a subir e param quando encontram o fecho do sutiã.

— Preciso de ajuda com essa parte. – confessa próximo ao meu ouvido enquanto roça os poucos vestígios da barba bem feita em minha bochecha.

Sorrio e deixo de acariciar sua nuca para separar os pequenos arames em minhas costas e é a vez de Kaito deixar escapar um suspiro. Ele não perde tempo e agarra minha cintura para me manter ereta enquanto encontra meus seios com seus lábios. Pequenos beijos seguidos por mordidas e sucções me forçam a cravar as unhas em suas pernas logo abaixo de mim. A sensação é maravilhosa e sinto a onda de puro prazer percorrer minha espinha e espalhar-se por todos os membros.

Como numa valsa, sou guiada pelo meu par a cada ato. É ele quem começa a mover a pélvis contra mim e imediatamente o acompanho no movimento. Uma nova onda elétrica atravessa meu corpo e tenho de morder a língua para não sorrir.

Sou suspensa no ar novamente enquanto Kaito me carrega para fora do sofá e me põe sem muito cuidado no chão, mas com a coluna recostada no móvel e retira o que resta de minhas roupas íntimas: a calcinha. Dessa vez não espero por ele e avanço para tirar-lhe também a cueca.

Ou melhor, eu tento.

Minha aproximação é interrompida já que meu corpo simplesmente paralisou ao sentir o toque de seus dedos na região da vagina.

O que é isso? Não sou nenhuma virgem assustada! Recomponha-se, Rin! Não é a primeira vez que te tocam aí!

— Uau, princesa... – ele sussurra e tenho certeza de que está se referindo à quão molhada já estou.

Respiro fundo a fim de retomar o movimento quando um de seus dedos desliza para dentro de mim. Abro a boca, mas nenhum som sai. Apenas minha respiração e suas investidas impedem que o silêncio reine nessa sala fria.

Encontro seus olhos e ficamos nos encarando durante todo o trabalho manual. Kaito me revela um sorriso sutil de canto de boca enquanto estuda cada reação minha à suas mudanças de velocidade. É claro que não gozo ainda, mas todo meu ser está em chamas quando ele para. Quase imploro por mais, mas estou ocupada demais regulando a respiração e observando o homem deliciosamente sexy a minha frente ficar completamente nu.

Engulo em seco.

— Uau... – é minha vez de demonstrar surpresa.

Meu Deus... Estamos num filme pornô?!

Kaito vem para cima de mim enquanto me deito instintivamente. Seu corpo está quente, posso sentir, mesmo sem tocá-lo. Ele afaga meus cabelos apenas uma vez e levanta meu queixo para falar algo:

— Não se preocupe. Vou ter cuidado com você. – garante – Tudo bem?

Aceno com a cabeça. É tudo que consigo pensar em fazer.

Após conseguir minha concessão, ele se posiciona e eu prendo a respiração na expectativa.

Kaito entra apenas um pouco, e então retira-se. Na próxima vez, vai mais fundo e eu gemo de prazer. Quando finalmente sinto-o por inteiro, explodo em êxtase e nada mais me importa. Não penso em Subaru, não penso na entrevista, não penso em Len. Não penso em absolutamente nada...

...Só em Kaito.

★★★

Não faço ideia de quanto tempo se passou desde que entramos na casa, mas poderia chutar que ficamos mais de uma hora nesse chão, onde ainda estamos.

Não dormimos, mas também não trocamos uma única palavra sobre o que acabara de ocorrer. Continuo respirando exageradamente com a cabeça sobre seu braço forte enquanto o outro está pousado delicadamente na barriga de seu dono. Olho para o lado e encontro suas orbes azuis abertas de forma preguiçosa. É encantador.

Para ser sincera, todo seu semblante parece me encantar. Sua aparência é a de um homem feliz e me pego achando isso um pouco estranho já que estou acostumada a ser a única satisfeita depois do sexo. Afasto o pensamento com um chacoalhar da cabeça e começo a skanear meu próprio rosto, mas ele é mais rápido que eu:

— Posso encarar esse sorriso como sinal de que mandamos bem?

Merda. Eu estava sorrindo mesmo?

Escondo-me em seu peito nu, o que o faz rir. Consequentemente sinto as bochechas arderem.

— Ei, venha aqui. – diz e, sem esperar por mim, me envolve com ambos os braços e beija o ponto mais alto de minha testa.

— Sim. – digo baixinho sem descolar o rosto de sua pele.

— Sim o quê?

— Mandamos bem. – concluo super envergonhada.

— Fico feliz por isso, princesa. Não acredito que isso realmente aconteceu.

Sua voz parece brincalhona, mas ao mesmo tempo aliviada.

Não digo nada, mas retribuo o abraço e ele me aperta mais um pouco. Permanecemos assim por talvez cinco minutos, quando ele decide me libertar e olhar em meus olhos.

— Eu menti. – declara sem contexto.

— Como assim? – pisco algumas vezes esperando pelo pior. Tanta coisa tem me acontecido nas últimas semanas que me sinto um gato escaldado temendo qualquer tipo de novidade.

— Menti quando disse que a deixaria em paz caso me rejeitasse. A verdade é que isso seria impossível. Jamais poderia abandoná-la e percebi isso hoje quando, mesmo estando muito puto, quis ouvir seu lado da história.

Meu coração acelera com a discreta declaração, mas finjo não entender e parto para o bom humor.

— Acho que me sequestrar e gritar comigo durante uma perseguição em alta velocidade não se enquadra bem em "ouvir meu lado da história".

— Rabugenta como sempre, né? – provoca bagunçando meu cabelo.

Reclamo com um grunhido e empurro sua mão para longe. Estou rindo.

— Estamos de bem? – quero saber. Kaito pensa por um instante e seu rosto não parece mais tão confortável quanto antes.

— Não exatamente. Desculpe. – ele umedece os lábios e acaricia minhas mãos – Não quer dizer que eu esteja zangado com você, mas... Temos de concordar que ainda há muito para ser esclarecido. Ainda mais agora. – ele abre os braços como se indicasse todo o ambiente. Há uma peça de roupa em cada canto do sofá.

— É... Acho que sim. – dou de ombros – Mas não agora. Estou num bom momento e eles têm sido raros ultimamente. – confesso. Os pensamentos preocupantes tentam invadir minha mente, mas estou resistindo.

Kaito assente, pega uma almofada do sofá e volta a deitar no chão.

— Sabe, princesa, pela primeira vez em muito tempo sinto falta de uma cama.

— Ah é?

— Seria bom dormir abraçado com você esta noite. Como em filmes melosos, sabe?

— Kaito...

— Relaxa. Eu não preciso que concorde comigo. Só estou externando o que eu desejo.

Ficamos em silêncio por mais algum tempo, até que eu me deito de costas ao seu lado e puxo seu braço para mim. Ele tenta disfarçar sua surpresa, mas não consegue e se arruma para que nossos corpos se encaixem como numa concha. Minutos depois, sua respiração em minha nuca fica mais pesada e julgo que tenha caído no sono.

— Eu também gostaria que tivesse uma cama. – murmuro.

Sinto sua mão afagar minha barriga em resposta, mas pode ter sido apenas um reflexo do sonho que está tendo.

Notas finais
Está marcando exatamente meia noite no relógio do pc, então peço perdão por qualquer erro de digitação, gramatical ou seja o que for. Se for mt rude, eu vou notar amanha e consertarei, mas fico grata se indicarem o problema - caso exita. Beijoooos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.