Absorção do submundo
1 A Raposa
Notas iniciais
Era quase fim de tarde os tons levemente azuis do céu se dissipavam ate encontrar uma cor mais fria e escura, o ar estava pesado de maus presságios às arvores estavam agitadas, todas as criaturas tremiam e se protegiam, alguns afofavam o pelo outro as penas, todavia naquela noite sombria a pequena menina de olhos esverdeados, cujos passos eram lentos e pequenos perambulava pela floresta. Ela já não se incomodava com coisas como neve ou frio, pois todas as noites ela fazia o mesmo caminho, esperando talvez que o vento frio esbarrasse nela na esperança, talvez fútil, que conseguisse espairecer a mente e o espírito.
A Garota havia aparecido no vilarejo em uma noite de outono perambulando pelas ruas, demonstrava ter uns dez anos, seus cabelos eram longos e faziam cachos nas pontas, seu olhos eram tão verdes como as esmeraldas que os aldeões cobiçavam, seu corpo era magro porém aparentava saudável, estava vestida apenas com uma camisola branca que chegava ate seus joelhos e os pés descalços, do mesmo modo que a pequena chegou ela desaparecia todas as noites e voltava apenas no dia seguinte.
A garotinha ficou conhecida pelos longos fios de cabelos cacheados e sua cor exótica chamava atenção por onde passava alaranjados como as pelagens das belas raposas que a garota sempre ouvia do folclore do pequeno vilarejo que frequentava. A pequena raposa como assim todas as chamavam, nunca havia conhecido nada sobre sua origem, órfã desde que nasceu sua única memória do passado era de viajar várias noites dentre a floresta sem rumo apenas sentindo as folhas secas abaixo dos seus pés, todas às vezes ela sentira que o frio não a atingia, nem que os raios do sol a esquentava, pois, Já havia vários anos que a pequena garota caminhava sem rumo e sem companhia para fora do vilarejo.
Alguns camponeses ficavam intrigados com a garotinha, o que ela fazia durante as noites nebulosas, era a pergunta que rodeava todo o vilarejo desde que a mesma apareceu, No entanto era uma pergunta que nem a própria poderia responder após amanhecer ela não se lembrava das noites anteriores ou como chegara ao mesmo local todas as manhas no ponto mais alto da floresta, aonde ela conseguia enxergar o mais lindo nascer do sol, o céu ficava avermelhado e tentava lentamente derrotar as montanhas, Animais perambulando a sua volta era como se ela estivesse em sua casa, sentia que a floresta fazia parte de seu pequeno corpo magro e alinhado, todas as manhãs ela fazia a mesma rotina sem se importa com o passado, voltava ao vilarejo apenas para sentir o doce aroma dos alimentos da feira, sentir os perfumes das mulheres mais velhas que exageravam em maquiagem e extravasavam em modelos de roupas indelicadas, porém a raposinha nunca havia sentido fome antes apenas gostava de sentir o perfume inebriante dos alimentos. Era como uma fome sem fim, como se ela fosse um simples fantasma.
A pequena viveu assim durante muitos invernos, alguns camponeses tinha medo em seu olhar, toda vez que ela passava por entre o vilarejo, os moradores já haviam começado á notar, que a pequena menina de cabelos ruivos era diferente das outras crianças, porém a menina nem se intrigava com os comentários dos aldeões ela já havia se acostumado a receber estes tipos de olhares por onde passava, quando isso a acontecia ela voltava a caminhar pelo campo verde que não ficava muito longe dali. A garotinha de olhos esverdeados adorava brincar entre as flores amareladas do campo, era um local calmo e espaçoso, havia arvores espalhado por todo lugar.
A Garotinha de cabelos alaranjados costumava sempre se deitar e olhar o céu para ver as nuvens tomar formatos de vários objetos, animais ou ate mesmo pessoas era como uma brincadeira, na verdade a única que podia ser realizada sozinha. A floresta era um local isolado, guardados por muitas árvores e animais, varias vezes passava a impressão que só entrava e sai da li quem os Deuses permitiam era como um labirinto, para quem não conhecia ou não respeitava a floresta, ela era impenetrável qualquer aldeão que entrasse nela com maus pensamentos se perderia facilmente nas nevoas brancas que surgia entre as arvores ou pegaria as trilhas que não levava a lugar algum, ou seria facilmente vitimas da magia que nenhum ser do vilarejo entendia, a floresta protegia quem nela morava e não adentrava qualquer tipo de ser que não fosse merecedor, ou até mesmo vizinhos que pretendiam se apoderar dela para ampliar suas fortunas, era uma caminhada com começo mais nem sempre com um final,
Porem a pequena garotinha sempre gostou de andar até a civilização, adorava estar fora de casa com o vento á seguindo, gostava de observar as meninas da aldeia,que com apenas dez anos já aprendiam a bordar tecidos finos, trançar e realizar penteados em seus cabelos loiros, as meninas demonstravam um grande esforço para aprender, no entanto nunca havia visto qualquer uma delas sequer tentar aprender a ler, algumas se casavam bem cedo outras eram levadas pelos espíritos da floresta por tentar desrespeitar o local sagrado para namorar.
Nada acontecia na vila fazia meses ,o clima era sempre monótono, o verão havia chegado, e de repente o clima extremamente seco obrigava as camponesas irem até o lago da floresta todas as tardes, e os aldeões que não ficassem presos em seus aposentos, os animais ficassem mais agitados nesse período, então naquela tarde a menina decidiu ir à procura do campo para ver as nuvens formarem novos desenhos, pois isso a afastaria de toda movimentação do lugar, Todavia ninguém conhece de fato totalmente floresta coisas estranhas ocorrem por lá, pessoas se perdem no escuro a luz do dia, mesmo conhecendo as trilhas. A nevoa surge de repente tornando o caminho confuso e animais diferentes chegam e vão embora em um piscar de olhos, galhos aparecem de repente bloqueando a passagem, e pessoas são seguidas misteriosamente pelos seres da floresta, e as coisas não seriam diferente com a pequena garota de cabelos ruivos por mais que conhecesse o local, e floresta esta em constante movimento a impressão de estar sendo seguida pareava sobre a menina, às vezes parecia ser apenas um animal, porem ela conhecia cada animal que morava ali, mas só conseguiu reparar a fera de longe, atrás de alguns arbustos, parecia com um lobo porem era enorme, seu pelo era na cor preta que podia ate ser descrito como ônix pelo brilho que irradiava, seus olhos se destacavam pelo seu tamanho e a cor azul turquesa, aqueles olhos já estavam ha observando a muito tempo.
Já estava escurecendo o céu passando de azul para negros apenas com o brilho das estrelas para iluminar o caminho, A garota passou a tarde inteira andando em círculos para tentar despistar o animal que a perseguia, Parou apenas depois de algum tempo quando já não se sentia mais sendo observada, já não havia luz, apenas á pouca claridade que a lua oferecia na noite, seguiu diretamente como todas as noites ao ponto mais afastado e alto da floresta no topo de uma montanha, já havia muito tempo que a menina dormia ali, apenas entre as folhas que caiam das arvores, ela já havia se deitado entre duas das arvores e se acomodado entre elas os ruídos já havia desaparecidos apenas ficou um vento estranho que começou a soprar, balançando as arvores de um lado para o outro; e uma escuridão que cobria a floresta. Ao contraio de mais cedo ela não ouvira, mais sentia algo, alguém estava parado no estreito vão de duas das mais altas arvores que havia atrás dela, O animal ficou parado no mesmo local, talvez esperasse que a pequena ruiva fosse ate lá, mais o medo a impedia, nunca ninguém havia penetrado a floresta e chegado ate ali, poderia ser um mortal qualquer ou pior algum ser da floresta.
Ela esperou algumas horas para usar a natureza ao seu favor esperou com que a lua ficasse exatamente alinhada para verificar e chegar alguns passos mais perto, A garota viu com muita clareza, os contornos de um animal de quatro patas enorme, com olhos brilhantes e colossais. A garota levantou e recuou alguns passos, chegando ao final do penhasco, no entanto nesse momento o animal de vasto tamanho seguiu para o lado contrario que a menina estava, o susto a atingiu tanto que, a sua visão ficou escura e sentiu suas pernas se enrolarem e a mesma tropeçou, a Garota abriu os braços para tentar amortecer a queda e tomar equilíbrio, o escuro consumiu sua visão, A floresta estava exatamente como há cinco minutos, Porem tudo parecia diferente como se pudesse observar a floresta por outro ângulo, podia ouvir a respiração de cada animal que dormia tranquilamente, sua audição estava aguçada e o olfato apurado, ela estava sendo equilibrada por quatro pequenas patas exatamente das cores do seu cabelo. O que mais a assustou é que havia apenas 60 centímetros entre o seu focinho e as patas, quando finalmente sentiu que ganhou também duas Orelhas pontudas , estava cerca de uns 10 segundos tentando se observa, quando novamente ouviu passos distantes e o cheiro insuportável do animal desconhecido, ela Decidiu segui-lo, pela primeira vez ela usou o olfato para rastrear alguém ou alguma coisa, ele não estava longe mas parecia mais perto a cada passo, as folhas secas jogadas no chão faziam barulhos desnecessários, havia muitas arvores em distância considerável uma das outras, a mesma penetrou o interior da floresta seguindo para o norte, a cada passo uivos parecia mais perto, e apesar do momento medonho dentro da floresta, podia encontrar á calma do seu espírito, o céu apesar de escuro lhe fazia lembrar proteção, os animais que normalmente eram alvoroçados, estavam tranquilos,
Porem quando segui o caminho pelo norte a paisagem mudava bruscamente, o caminho estava cada vez mais estreito, as arvores estavam mudando eram mais finas e os galhos eram mais fracos, os trocos das arvores passavam a sensação de estar caindo apenas sendo mantida em pé pelas raízes, no solo já não havia mais folhas apenas terra úmida e escorregadia. Já passava das três da manha e estava esfriando, no entanto como sempre, ela nem notou, presa naquela forma desconhecida, olhou o céu e a lua eram as únicas coisas que ela podia ver no meio das milhares de arvores,
Já estava no mais fundo interior da mata que alguém podia chegar, estava perdida cansada e angustiada, ouvia ruídos estranhos a neblina atrapalhava a sua visão e então, fechou seus olhos e a escuridão novamente tomou conta da pequena garotinha, havia algo a sua frente, ela nao se atreveu a abrir novamente os olhos, era fútil a sensação que iria passar quando novamente voltasse a enxergar, porém não passou, já estava tonta quando algo a puxou por trás, ainda de olhos fechados, todavia não era mais sua escolha era como se alguém fechasse seus olhos com magia, ela andava sendo guiada por um estranho, não ouviu sequer uma palavra, só o silêncio da floresta, sentiu seu corpo amolecer e se perdeu novamente naqueles olhos azuis, porém dessa vez ele era diferente, ele era humano.
Pouco tempo depois a garota agora solitária, contemplava o amanhecer ouvindo os estranhos sons dos animais a distancia, seu olhar acompanhava a trilha que foi carregada na noite anterior que parecia serpentear em direção a parte mais inexplorada da floresta, aspirando o cheiro de madeira queimada, tentava se livrar do peso que oprimia seu peito. E ali diante do medo, sentiu a falta de alguém. Pela primeira vez ao seguir aquela trilha deixando para traz tudo que ela conhecia sobre a vida de humanos ela se sentiu solitária. A principio não entendeu bem aquela sensação porem também não compreendia a sensação da floresta a chamando.
A garota seguia olhando as arvores, para ela as arvores ainda pareciam se mover tentando lhe dizer qual direção seguir. A menina acreditava que quando a floresta lhe dava um sinal de ordem, você seguia sem questionar, fosse ou não do seu agrado, era assim que funcionava para pessoas como ela, sem um lugar especifico para chamar de casa, E, pensando bem, ela não tinha muitas escolhas, ou era seguir em frente ou voltar para sua vida monótona de observar os aldeões; após algumas horas de caminhada as folhagens espalhadas no chão já pareciam possuir uma cor diferente, as arvores eram maiores e pareciam dar frutos, o cheiro de madeira queimada ficava mais forte.
Perto da margem de um pequeno lago apertando as pálpebras a uma certa distancia dava-se para admirar o corpo musculoso do homem da noite anterior, os ombros largos, o cabelo arrepiado e os olhos azuis que chamavam a atenção, havia uma fogueira aonde o tal homem misterioso cortava pequenas madeira para formar algo parecido com uma fecha, daquela que aldeões usavam para casar. A garota recuou um passo em direção à floresta, porem outro ruído a deteve, apurou os ouvidos como na noite anterior, lembrando-se dos tons selvagens que cortavam a floresta há algumas horas, esse porem, não era um uivo de nenhuma fera, com a respiração suspensa, esforçou-se para tentar identificar o som, ouvindo uma espécie de miado que não conseguia distinguir, um som suave.
Um movimento perto de onde a garota estava intacta chamou sua atenção, ela olhou em volta o medo a invadiu, mas desapareceu assim que avistou um gato preto, o gato a olhava de forma curiosa e a mesma por instinto tentou chegar mais perto , assustado com o gesto súbito da garota o bichinho pulou em cima dela “ Não vá embora”, murmurou a garota. O gato seguiu em direção ao homem perto da fogueira, porem ele já não estava mais lá.
— O que está fazendo aqui? — Disse o homem de olhos azuis que agora estava parado em sua frente.
— Eu... Bem... É... — Com o jeito infantil a garota não sabia o que responder porem sua atenção foi praticamente arrancada do homem com um fecha na mão, quando avistou um gato atrás dele.
Por impulso a garota perguntou – o gato e seu?-
Ele olhou para gato preto e respondeu- esse é Matthew
O gato preto possuía uma fumaça brilhante em sua volta, que ia crescendo junto com o felino até a altura de um homem de uns vinte anos. A fumaça ia se dispersado quando o gatinho “indefeso” se tornara outro homem de cabelos negros e olhos puxados na cor claramente amarelo. O mesmo olhou para a menina levando sua Mão para cumprimenta-la.
— E você é? – perguntou Matthew a pequena garotinha
— bem... Não sei exatamente quem sou. – respondeu a menina confusa
Matthew olhou para o outro moço pedindo com aqueles olhos de gato uma resposta.
— Eu a encontrei ontem a noite desmaiada na floresta, levei a garota novamente para o vilarejo, não sei como ela nos seguiu. — disse o mesmo com sua voz antipática.
Matthew respondeu para a garota – Não culpe Derek ele e meio mal humorado às vezes, Bom sendo assim acho que precisamos te dar um nome garotinha. — e riu fazendo alguns movimentos com as mãos que fez a garota sorrir com ele
— O que exatamente vocês são? – a garota pergunta
— A garota é curiosa – afirma o homem dos olhos azuis novamente com tom de ironia em voz.
— Bom minha querida eu sou feiticeiro e esse moço super simpático é um guardião dos seres místicos da floresta- disse sussurrando e apontando para homem que agora estava com uma flecha nas mãos e próximo à fogueira novamente.
—E isso quer dizer que? – Pergunta a garotinha
— bom minha querida... Lua posso te chamar assim? – pergunta o feiticeiro
—Lu...a.. — ela repetiu – sim, pode sim- disse a pequenina sorrindo.
—Bom somos divididos em três tipos de seres lua, os humanos que tecnicamente não podem entra nesse reino, vivem suas vidas cotidianas e passam a vida toda sem saber o que tem atrás das sombras Como as pessoas daquela aldeia, eles são os serem mais importantes do nosso universo, pois apesar de tudo são puros de energia mística que rodeia nosso mundo. Depois temos os guardiões como a família do Derek são meio humanos e meio seres da floresta, eles foram criados para proteger as duas dimensões e manter a paz entre os humanos e seres celestiais como feiticeiros, lobisomens entre outros e para isso eles possuem habilidades especiais.
— O que acontece se um humano ultrapassa essa “barreira” da floresta?
—Primeiro um humano não consegue localizar a entrada da floresta de Ainee ela muda conforme a sua espécie, e um humano não pode ultrapassar a barreira sem a autorização de um guardião.
— E como eu ultrapassei?- Pergunta Lua com cara de espanto.
— Bom minha querida, sinceramente? Eu não faço a mínima ideia.
— Talvez ela possa ser algum ser celestial. Uma fada, por exemplo... Ela tem cara de fada, e eles não são muito inteligentes- disse Derek.
— eu sou um ser celestial sabia Derek?- disse Matthew revirando os olhos
— Não falei de você Matthew – Retrucou Derek
— É claro porque todos os seres celestiais são menores que você não é – disse Matthew segurando a Mao da pequena lua e levando ela em direção à fogueira.
— Para onde você acha que vai levar ela? — Pergunta Derek espantado.
— Para central, precisamos saber o que lua é... E você não precisa vim, já que não se importa com as nossas vidas... — Matt parecia irritado
— Meu trabalho e proteger a sua espécie também sabiam? Eu vou com vocês, vamos levar ela para os guardiões e lá ela estará mais segura. Se ela realmente for humana e conseguiu atravessar sozinha a barreira isso ira se tornar um caos, Matthew – disse Derek recolhendo as coisas.
— Vai ficar tudo bem pequena – Disse Matthew olhando em seus olhos.
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