Notas iniciais
Mil desculpas pela demora!

Eu puxei ele para dentro e tranquei a porta silenciosamente para não acordar ninguém. A sala estava completamente escura, mas qualquer tipo de luz era refletido pelos olhos molhados de Frank.

- Frankie, o que você está fazendo aqui? – Eu perguntei, tentando meu melhor para parecer sincero, apesar de não saber exatamente o porque.


Frank fungou e esfregou a manga nos olhos.

- M-me desculpe, eu... Eu não sabia mais para onde ir – Ele soluçou.

— Tá tudo bem, eu não estou bravo – Eu disse colocando minha mão em seu braço.

- Posso, hm... Posso ficar? – Ele perguntou, ainda tentando secar as lágrimas.


— Claro, quer dizer, porquê não? – Eu disse nervoso – Alguma coisa aconteceu?

- Eu... Eu não quero falar sobre isso – Ele disse e eu concordei com a cabeça, embora ele não tenha visto.


— Você pode ficar no sofá se quiser, eu posso pegar alguns cobertores, ou... – Eu parei de falar quando eu reparei no que eu ia dizer. “Como se ele fosse querer dividir a cama com você” eu pensei.

- “Ou” o que? – Ele perguntou.

- Hm... Eu só... Bem, eu ia dizer que você poderia dormir no meu quarto... Se você quiser – Eu acrescentei rapidamente.

— Tudo bem – Ele disse imediatamente.

- O quê? – Eu perguntei confuso de qual opção ele havia escolhido.


— Eu prefiro dormir no seu quarto, se... Se não for problema.

Eu fiquei feliz que estivesse escuro o suficiente para ele não poder ver o pequeno sorriso que eu dei. Eu achei sua mão e o levei em direção as escadas que levam para o porão, tentando evitar todos os móveis no caminho.

Eu acendi a luz quando entramos no meu quarto e, mais uma vez, me lembrei que estava usando apenas minhas boxers. Frank percebeu isso também, lançando um breve olhar para as minhas pernas.

— Eu vou... Me vestir – Eu disse apressado enquanto meu rosto começava a arder. Eu corri até o guarda roupa e puxei uma camisa de pijama qualquer. Me vesti, sentindo um pouco melhor, agora vestido.

Frank olhou para minha cama bagunçada e me encarou com uma expressão culpada.

- Eu te acordei?

- Não mesmo! Eu não consegui dormir.

Eu me conti de dizer a ele o porque que eu não consegui dormir e, em vez disso, afastei os cobertores, para ele sentar se ele quisesse. Ele ficou na porta, envergonhado, eu olhei para ele propriamente pela primeira vez aquela noite. Eu quase não pude acreditar como eu fui idiota de não reparar que ele tinha um olho roxo até então.

- Merda, como isso aconteceu? – Eu perguntei, indo até ele para examinar mais de perto.


— O de sempre – Ele disse triste e foise sentar no canto da minha cama.

Eu posso dizer que ele estava tentando ser forte e não chorar mais, mas eu queria que ele chorasse, porque era muito pior vê-lo tentar segurar tudo aquilo.

— Ele nunca fez isso antes – Ele disse de repente – Me bater em algum lugar visível, quer dizer – Ele disse antes que eu pudesse falar qualquer coisa.

Eu fui até a cama e sentei perto dele, nossas pernas se tocaram. Ele olhou para meus joelhos antes de continuar.

- É como se ele não ligasse mais se alguém descobrisse, isso é só pra causar dor.

Eu coloquei um braço em volta de suas costas, ele descansou a cabeça no meu ombro.

— Como alguém pode ter tanta raiva? – Ele perguntou, sua voz havia começado a embolar novamente – Eu não sei o que eu fiz pra merecer isso, nem minha mãe... Eu não sei.

- Você não fez nada – Eu garanti a ele acariciando suas costas – Algumas pessoas... Elas simplesmente são assim, não tem explicação pra isso, é um estado mental. Você sabe que não é sua culpa, não sabe?

Frank demorou para concordar, me fazendo pensar que sua mente deveria estar cheia de merdas criadas por seu padrasto a anos. Ele não se mexeu por alguns minutos, mas, finalmente, ele bocejou e pendeu a cabeça para baixo.

— Quer dormir? – Eu perguntei e ele apenas balançou a cabeça, levemente, em resposta – Onde você quer dormir? Nós devemos ter um saco de dormir por aqui...

Frank chutou seus tênis e já estava puxando os cobertores e se arrastando pela cama antes mesmo de eu terminar de falar. E, antes mesmo que eu pudesse questionar,ele me puxou com ele.

- Fica comigo – Ele disse com a voz fraca quando minha cabeça encostou no travesseiro. Eu puxei os cobertores sobre nós e concordei sorrindo. Eu levantei o braço para o interruptor, mas Frank o puxou gentilmente.

- Deixa assim? – Ele perguntou – Eu não gosto do escuro.


Então eu escorreguei para baixo dos cobertores, deixando-o me envolver como uma panqueca.

Frank estava olhando minha mão, que estava entre nós. Seu olho estava horrível e eu odiava o fato que alguém teve coragem de fazer isso com um rosto tão lindo/

- Me desculpe por ter aparecido assim do nada – Ele disse – Eu não podia ficar lá. Mamãe se trancou no quarto chorando e ele começou a quebrar as coisas da sala, eu estava... Tão assustado, não sabia mais o que fazer.

— Tudo bem – Eu disse – Eu gosto de ter você aqui.

Essas seis palavras me assustaram, não era nada pessoal, mas elas não eram muito comuns pra mim. Eu não estava acostumado.

Lágrimas caiam soltas pelo rosto de Frank e molhavam o travesseiro entre nós.


Ele se levantou subitamente, os cobertores caíram sobre mim.


— Ah, droga, e se... E se ela não estiver bem, Gee? E se ele machucar ele e eu não estiver lá pra pará-lo?

Eu segurei sua mão que agarravam os cobertores, pensando qual seria a melhor coisa a dizer.

- Ela vai ficar bem, Frankie. Você disse que ela se trancou no quarto, certo?


Ele concordou, mas ainda tinha uma expressão de desespero.


— Ela ficará lá e ele não vai poder machuca-la. Ela ficará bem, e amanhã cedo nós iremos lá, está bem?


Frank me olhou curiosamente.

- Você vai comigo?

- É claro.


Ele forçou um sorriso, que, provavelmente, viria se ele não estivesse tão nervoso.

Eu abri os braços e ele me olhou aliviado. Ele deitou comigo, deixando meus braços envolve-lo, enquanto ele descançava sua cabeça no meu ombro.

Em menos de alguns minutos ele havia adormecido, claramente exausto, mas, agora que ele dormia, ele parecia tão calmo, relaxado, tão perfeitamente bem que eu lamentei aquela manhã, por ter que acorda-lo.
Notas finais
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