POV Brittany

Eu mal vi o que aconteceu. Em um minuto, eu aguardava ansiosamente apreensiva qualquer sinal de que Santana retornasse para o corredor em segurança logo. Em outro minuto, eu estava sendo arrastada por dois homens para longe dali. E, no meio de tudo, eu só pude ouvir os gritos que ela deu, pedindo-me para correr.

Porém, correr... Ou me debater, não foi o bastante. Não foi.

Eu tinha falhado.

Estava mais preocupada com ela do que comigo, e por isso, esqueci-me de pensar em nós. Quando pega, não fui capaz de ouvir mais nada ao meu redor. Era como se eu me enxergasse de fora do meu próprio corpo, estudasse o cenário e pensasse muito nos meus próximos passos. No processo, um arrepio terrível tomava conta de toda a minha espinha. Eu não via escapatória, eu não via nada.

Estávamos separadas... Sozinhas, com pessoas desagradáveis.

Falhar não podia ser uma opção.

Não agora que Sam e Santana estavam longe de mim.

Não agora que nossas fugas davam certo.

Eu precisava arrumar um jeito de escapar para encontrá-los, outra vez. Mas, como? Como? Não saber o que estava acontecendo com eles, ou comigo, me apavorava.

À medida que os seguranças me escoltavam para algum lugar, Kenneth tinha um sorriso irritante nos lábios, e não fui só eu a notar, aparentemente.

— Ahn, não há necessidade de nos acompanhar mais, Sr. Tanaka... — Um dos guardas informou-o. — Já pode ir.

— Oh, não se preocupem comigo rapazes. O Sr. Smythe apenas quer ter certeza de que o sujeito será devidamente detido. Eu irei embora logo após a confirmação.

— Certo... — O homem suspirou. — Nós já estamos chegando.

— Que bom.

(...)

Quando um dos homens soltou meu braço para poder girar a maçaneta da porta, senti que aquela seria minha única chance de fugir. Correr, sem olhar para trás. Todavia, surpreendi-me e deixei a chance escapar no momento em que visualizei Sam do outro lado da porta, algemado em um encanamento da salinha.

O que ele estava fazendo ali?

Teria o marido de Quinn o visto conversando com ela?

Ou será eles haviam descoberto nossos disfarces?

Ou pior, inventado algo em relação a nós?

Tantas e tantas perguntas, e eu tinha medo de todas as respostas. Ao passo que Sam encarou-me, surpreso também, começaram a me puxar para dentro do espaço. Agora, estava sem plano algum.

— Venha, anda logo! Por aqui...

Algemaram-me do lado de meu irmão e Kenneth foi, praticamente, expulso dali em seguida.

— Hey, B... O que você está fazendo aqui? — Sam perguntou aos cochichos.

— Te pergunto o mesmo.

— Shh, vocês dois... Calados!

(...)

Eu e Sam nos olhávamos em silêncio, analisando a todo segundo, disfarçadamente, quando finalmente teríamos brecha para poder falar. Éramos bons em conversar utilizando apenas contato visual, adorávamos brincar disso quando pequenos, mas, mesmo assim, precisávamos de palavras para aquela situação. Então, abruptamente, outro oficial adentrou a sala e disse aos dois guardas que nos vigiavam que precisava de reforço para algum alvoroço que acontecia na terceira classe.

E foi assim que nos vimos a sós.

Felizmente, os homens haviam deixado às chaves de nossas algemas em cima de uma mesa. Tão perto e tão longe, ao mesmo tempo... Se ao menos eu conseguisse alcançá-las.

— Como você veio parar aqui? — Indaguei a Sam, antes que ele o fizesse antes novamente.

Ele suspirou.

— Depois de jantar, eu fui até a primeira classe tentar conversar com a Quinn, para convencê-la de ir embora conosco, porém a vi acompanhada de seu marido. E enquanto eu esperava que eles se separassem para poder falar com ela em particular, comecei a lembrar-me do que ele fazia a ela e quando vi, estava seguindo o tal Biff ao invés da Quinn.

— E...

— E eu o dei um soco.

— Só isso? — Meu irmão assentiu. — Oh, Sam, você não devia...

— Não me repreenda, por favor.

— Eu não estou... Eu só... Perdão.

— Tudo bem, você está certa... Eu não pensei direito. Mas, e quanto a você? O que faz aqui?

— Bom... Eu não sei. Quer dizer... Eu e Santana estávamos fugindo antes do navio bater num iceberg. Depois eu a acompanhei a primeira classe, e quando vi, fui pega.

Ele arregalou os olhos.

— O que?! O navio bateu em um iceberg?

— Sim... E foi feio, Sam. Estão preparando botes até. Você tinha razão, o Titanic não parece tão seguro agora.

— Que droga... — Sam mirou os olhos na mesa que começava a se inclinar diante de nós, e franziu o cenho pensativo. — Britt, acha que consegue pegar as chaves?

— Eu posso tentar.

— Certo... Isso é bom. — Ele se afastou e começou a bater as algemas no cano, na esperança de soltar-se e fazer barulho. — Eu vou tentar outra coisa enquanto isso, sim? Não se importe.

(...)

Com o navio afundando e a mesa se inclinando mais e mais, as chaves acabaram escorregando para o chão, o que me deu certa vantagem em alcançar pelo menos uma com os pés.

— Isso! — Comemorei, afligindo-me em seguida, pensando em como exatamente a levaria até as mãos. — Sam...

— Meu deus... — Sam fitou uma janelinha redonda que existia ao nosso lado, preocupado com o nível da água. — Precisamos sair daqui, Britt!

— Sei disso, Sam... Nós vamos. Acredite.

Ele olhou para o chão e engoliu a seco.

— É bem difícil fazer isso...

Imitei-o e percebi a sala sendo invadida pela água, violentamente.

— Não, não, não...

— Socorro!

Passei a gritar junto a meu irmão, e à proporção que o nível da água subia, a nossa angústia também.

POV Santana

Eu e Quinn corríamos desesperadas entre os corredores em busca do Sr. Howell, até que finalmente o achamos. Ele batia de porta em porta e pedia para as pessoas colocarem os coletes salva-vidas e irem para fora, nada de muito diferente do que os funcionários do transatlântico foram ordenados a fazer. Dei Graças a Deus por o encontrarmos tão rápido.

— Sr. Howell?! — Quinn chamou-o primeiro, e logo eu a ajudei.

Ele virou-se para trás.

— O que vocês duas estão fazendo aqui?

— Para onde levam os detidos neste navio? — O atropelei com a pergunta.

— Hã? Vocês precisam ir para um bote, agora!

— Não! — Gritei. — Vamos encontrar esse lugar com ou sem sua ajuda, senhor...

— Porém, sem sua ajuda levará muito mais tempo.

O homem suspirou e assentiu, cedendo.

— Peguem o elevador até o último andar, depois tomem a esquerda até os aposentos da tripulação, então virem à direita e depois à esquerda pelas escadas, há um longo corredor lá, ao fim estará à sala onde eles mantêm os detidos. Tenham cuidado, por favor. Boa sorte.

(...)

Corri um pouco a frente de Lucy até um elevador, entretanto o guarda daquele nos barrou, sério.

— Perdão senhoritas, os elevadores estão fechados.

Empurrei-o para trás, sem me importar com sua fala e Quinn apenas me ajudou, entrando no espaço também.

— Estamos fartas de ordens!

— Nos leve para o último andar, agora!

— C-certo...

Quando o elevador desceu, o mesmo foi tomado por uma enorme onda de água. De imediato, o tripulante conosco chocou-se. Assim como nós.

— Meu Deus... Meu Deus, isso é loucura... — O homem disse, nervoso. — Eu vou subir agora mesmo, senhoritas!

— Não! Não! — Eu o afastei da alavanca. — Pare!

Quinn abriu a grade e passou para o outro lado, e eu a segui.

— Senhoritas, voltem! Eu vou subir! Falo sério!

O nível da água batia um pouco abaixo de meus joelhos, e ela era muito, muito fria. O elevador, de fato, estava deixando eu e Fabray para trás. Agora que eu estava ali, era difícil pensar no que fazer.

— Estou começando a achar que o guarda tinha razão, San. — Lucy comentou comigo, ofegante. — Isso é loucura...

— Eu sei Quinn, eu sei...

— Tudo bem. Você lembra para onde temos que ir, agora? — Ela perguntou, olhando de um lado para o outro.

— Ahn, precisamos achar os aposentos da tripulação.

— Aposentos da tripulação, aposentos da tripulação... Ali! — Ela apontou para uma placa à esquerda, e começou a andar depressa. — Rápido, vamos.

Aposentos da tripulação, depois direita, em seguida esquerda pelas escadas e um enorme corredor, lá terá uma sala... No fim do enorme corredor... Simples, não iria esquecer. Não iria.

Tomei a frente de Lucy e nos guiei em direção a nosso destino, no caminho, nos deparamos com vários móveis flutuando na água e tivemos que nos desviar e até mesmo empurrar os obstáculos que apareciam, um por um, para os lados.

Mas, todos os corredores pareciam iguais e enormes.

Era confuso se situar.

Droga.

— Pierce! — Gritei algumas vezes, com esperanças de Brittany me responder. — Alguém?!

Quinn imitou-me e a luz ao teto começou a falhar e piscar, dificultando ainda mais nossa vida, já não bastava à água congelando nossas pernas ou o fato de não sabermos exatamente como sairíamos dali sem o elevador.

POV Brittany

— Acabou, nos vamos morrer aqui...

— Não diga isso, Sam!

— E quer que eu diga o que, huh?! Que os oficiais voltarão para nos salvar? Que alguém irá aparecer? Já chega... Desculpe... É melhor nos conformarmos, Britt.

— Não!

Os olhos dele começaram a lacrimejar.

— Eu te amo, está bem? Muito.

— Pare com isso, Sam... — Eu fechei meus olhos e encostei a cabeça nos braços. — Nós vamos sair daqui.

Eu não movia meu pé de cima de uma das chaves das algemas por nada. Ela continuava ali embaixo, em minha posse. Sabia que poderia estar sendo tola por pensar assim, mas não desistiria até que eu estivesse submersa por inteira e não conseguisse mais gritar.

— Pierce?!... Pierce?!... Pierce?!

Era a voz de Santana.

Logo depois, ouvi a voz de Quinn também.

— Não acredito...

Levantei a cabeça, cheia de esperanças, e Sam começou a gritar de volta para elas, um pouco menos cabisbaixo que antes.

— Santana, Quinn! — Bati as algemas no encanamento para fazer barulho e meu irmão ajudou-me, renovado, aos berros. — Estamos aqui!

Em pouco tempo a porta foi aberta e as garotas apareceram, nos dando certo alívio.

— Graças a Deus! — Santana me abraçou, depois olhou para mim e para Sam, dos pés a cabeça, ligeiramente. — Vocês estão bem?

Assenti a ela, trêmula.

— Garotas, as chaves de nossas algemas caíram no chão... — Sam começou, apontando com os olhos. — Estão em algum lugar, por aí...

— Uma delas está sob meu calçado. — Eu disse à Santana, que logo compreendeu e abaixou-se para pegá-la, testou primeiro nas minhas algemas, mas o fecho não correspondia ao formato. — Ok, essa é do meu irmão...

— É...

Santana respirou fundo e foi até ele, para poder usar a chave. Em dois giros libertou-o. E então, Sam passou a buscar minha chave no chão junto a Quinn e Santana.

— Achei a outra! — Quinn falou sem demora, voltando para perto e me soltando também. — Pronto.

Passei ambas as mãos pelos pulsos doloridos, massageando-os, feliz por não estar mais com aquele negócio apertando-me.

— Nem sei como lhe agradecer...

Simpática, a loira apenas sorriu e disse que estava tudo bem, em seguida olhou para saída e afastou de si algumas coisas que boiavam perto de seu corpo.

— Vamos sair logo daqui! — Terminou, puxando Sam consigo. — Lembrem que os botes são limitados!

Com certeza.

— Você está bem, Santana? — Perguntei-a, antes de deixarmos a sala.

— Sim, eu te encontrei... — Ela me deu um beijo e eu a abracei, forte. — Desculpe-me, Brittany.

— Pelo o que?

— Só... Nunca mais vamos nos separar assim, está bem?

Concordei e envolvi minha mão a sua.

— Vamos.

Correr com as pernas submersas era complicado, a pressão da água fazia nossa velocidade retardar um pouco, sem mencionar o fato de que doía muito ter contato com a temperatura da mesma.

Mas, até que estávamos aguentando bem.

O medo de morrer ali era muito mais forte que isso.

Aguentar era preciso.

Sam e Quinn estavam um pouco adiantados à nossa frente. Aparentemente, precisávamos encontrar outra saída, pois os elevadores não desceriam mais para aquele andar, por isso meu irmão derrubou uma parede de madeira. E assim, fomos parar em algum lugar da terceira classe.

— Apenas mulheres e crianças!

Um tumulto acontecia, porque não permitiam as pessoas evacuarem.

E, nos lembrando de que existia outra saída, Sam e eu guiamos Quinn e Santana para outro lado sem perder mais tempo. Corremos e corremos mais um pouco, e por sorte, os portões dali pareciam derrubados há pouco. Passamos, e alcançamos o deque.

— Nossa... — Sam olhou ao redor, espantado com a baderna que ocorria. — Isso parece um pesadelo.

— Eu sei...

— Os botes já partiram?! — Santana preocupou-se.

Quinn soltou meu irmão e correu até um homem.

— Sr. Mathews todos os botes já partiram? — Indagou a ele.

— Não... — Ele apontou a direção. — Veja.

— Obrigada! — Ela agradeceu e voltou. — Vamos, por ali!

Iniciamos uma corrida pelo deque, desviando das pessoas em pânico que, corriam descontroladas também. Não dava para ignorar. Era difícil ficar calma. Choros e gritos preenchiam o navio.

Mas, uma banda tocava em algum lugar.

A melodia era ótima.

Chegamos até um dos botes, e os tripulantes que cuidavam daquele começaram a disparar tiros para o alto, exigindo apenas crianças e mulheres a bordo. Santana virou-se para mim, à medida que Quinn entrava no bote depois de se despedir do meu irmão.

— Eu não vou sem você, Pierce...

— Você precisa ir, agora.

— Não, Britt...

— Entra no bote, Santana.

— E se você disser a ver...

— Não, vá logo!

— Eu disse que nunca mais íamos nos separar assim...

— Vem, Sant! — Quinn chamou.

— Eu e Sam pegaremos outro, eu prometo. Não se preocupe. Somos sobreviventes.

Seus olhos castanhos encheram-se de lágrimas e meu coração se partiu.

— Eu não acredito que isso está acontecendo.

— Vá, por favor... Sem culpa... — Eu a dei um selinho. — Não é como se fosse uma despedida.

— Mas, Britt...

— Apenas prometa para mim que ficará dentro desse bote e sobreviverá, vamos.

Ela assentiu, por mais que não quisesse.

— Eu prometo... — Eu sorri para ela, e ela continuou: — E-eu te amo, Pierce.

— Eu também te amo...

— Venha, senhorita!

Nossas mãos se apertaram e ela, finalmente, entrou no barco, sendo puxada pelo guarda.

— B, você deveria entrar também... — Sam comentou, aproximando-se. — Tem direito.

— Não, Sam...

— Mas...

— Isso vai até o fim agora.

Ele assentiu, e nós observamos o bote descer para o mar.

— Você... Ahn... Ainda tem esperanças?

— Eu não sei... Acho que sim.

— Pelo menos elas irão conseguir.

— É... — Encarei meu irmão, pouco depois do bote tocar o oceano. — Olha Sam, nós não podemos desistir ainda, ok?

— Alguma ideia?

— Por enquanto, tentemos sobreviver.

— Ótima ideia.

(...)

Andamos a procura de outros botes e em torno de um deles, visualizei Blaine e Kurt, que discutiam com um marinheiro. Quis me aproximar. Entender o que acontecia.

— Dê-nos pelo menos a chance de sobreviver! — Anderson gritou, e com ajuda de outros homens avançou para cima do bote. — Vamos!

— Para trás! — O guarda pediu-os, agora armado. — Para trás, agora!

Repentinamente, no tumulto que perpetuou, Blaine estava no chão baleado.

— Oh, meu deus... Meu deus... — Kurt se jogou ao lado do garoto, aos prantos. — Seu monstro!

Quando se deu conta do que fez, o homem levou o revólver para a própria cabeça, horrorizado.

— Não, Karofsky!

E com um tiro, ele caiu no mar.

— Jesus! — Sam disse, puxando-me para perto deles. — Hey...

Silêncio.

— Kurt? — Chamei, mas seus olhos permaneceram vidrados em Blaine. — Vocês...

— Acabou, Brittan... Acabou... — Ele lamentou, tirando o colete salva-vidas que usava e entregando a mim. — Tome, salve-se.

— Eu não posso aceitar...

Ele respirou fundo, fungando.

— Pode sim... Deixem-nos sozinhos, por favor. É só o que eu peço.

— Apenas coloque isso, B... — Sam tirou o colete de minhas mãos e ajudou-me a colocar.

— Eu sinto muito... — Disse a eles, antes de sair dali. — Meu Deus, que horror.

— Veja Britt, estão jogando móveis no mar para ajudar a pessoas a flutuarem. — Sam mostrou-me. — Podemos ajudá-las.

— Sim, nós podemos.

Corremos em direção ao grupo e fomos situados do que eles estavam fazendo. Mesas, cadeiras, bancos, boias, tudo ia para o oceano. Ajudamos, enquanto a banda tocava uma música extremamente tocante.

POV Santana

Olhei, mais uma vez, para o Titanic submergindo no atlântico. Era agonizante ver aquilo, imaginar que Brittany e seu irmão estavam lá era pior ainda. Quinn tinha sua mão envolvida a minha, de repente, por alguma razão, ela a apertou.

— Santana, é melhor você não ficar se torturando assim, eles ficarão bem...

— Como pode ter tanta certeza, Lucy?! — Encarei-a, nervosa. — Eu não deveria ter entrado nesse bote... Eu não acredito que fiz isso... Isso é uma tremenda injustiça... Nós poderíamos voltar lá, há espaço de sobra aqui!

— Eu sei...

Algumas mulheres nos olharam torto.

— Qual o problema de vocês? — Perguntei, sem paciência. — Hein?

Elas desviaram os olhares, resmungando e cochichando coisas entre si.

— Iremos voltar quando estiver mais calmo por lá... — O guarda do barco disse. — Não se preocupem.

— Mais “calmo”? O que? Mais da metade do navio está morrendo ali! Quando acha que ficará mais calmo?!

— Por favor, fique em silêncio, senhorita... — O homem apontou uma arma para mim. — Sem pânico.

Segurei a respiração, sem tirar os olhos dele. Aquilo era ridículo. Quinn pediu para que eu não o respondesse, embora minha vontade fosse jogá-lo para fora do bote.

POV Brittany

Com o navio se inclinando, eu e Sam decidimos que o melhor agora seria correr até a popa, como muitos faziam, para ficar o mais tempo possível sobre o Titanic, antes de pensarmos no que faríamos precisamente a posteriori.

Algumas pessoas jogavam-se do deque.

Outras eram atiradas de lá.

De qualquer forma, doía ouvir os gritos de desespero e ver tanta brutalidade.

Porém, eu não podia me deixar vencer. Sam estava comigo, Santana e Quinn estavam em segurança em algum bote, nós precisávamos ficar bem. Todos nós. Não tínhamos chegado tão longe para morrer a um passo de pôr os pés na América, no nosso lar.

— Vem, Britt!

Sam alcançou o parapeito da popa e agarrou-o, puxando-me para perto.

(...)

Algumas pessoas passaram a escorregar, em direção ao oceano.

Estava cada vez mais difícil se manter firme.

De súbito, o navio se partiu e tivemos que passar para o outro lado da balaustrada, para permanecermos sobre ele.

A noite era fria.

A água do mar deveria ser pior ainda.

Quantas pessoas já não tinham morrido?

Respirar era uma tarefa complicada, não tremer era impossível.

O Titanic estava sendo sugado pelo mar, logo estaria completamente submergido.

Não dava para parar aquilo.

— Segure a respiração, e não solte minha mão Britt!

— Certo...

Fomos sugados para baixo d’água, e eu perdi o contato de sua mão, voltando à superfície preocupada.

Onde estava o meu irmão?

Onde?

Pessoas puxavam umas as outras para baixo da água, na esperança de não afundarem, e eu tentando me manter longe delas.

— Sam?!

Em pouco tempo, já me sentia ofegante. Aquela água era pior do que eu me lembrava. Não conseguia sentir meus pés, ou meus dedos devidamente.

— Aqui! — Sam gritou, puxando-me com ele. — Precisamos ficar longe deles.

— Eu sei... Nade!

Eu me agarrei a um pedaço de madeira à frente e comecei escalá-la.

— Vem, Sam!

Ele tentou se colocar sobre a porta algumas vezes, e finalmente conseguiu subir, à medida que me ajeitei melhor sobre ela. Mas, com o nosso peso, a madeira começou afundar um pouco. Tive uma ideia e assim, passei a me livrar do colete salva-vidas que usava.

— Sam, nós precisamos amarrar isso aqui embaixo... — Eu respirei fundo, trêmula. — Me ajude.

Ele entendeu e sem demora pegou um lado do colete, passando-o por debaixo da porta, com certa dificuldade.

— Ok... — Eu deitei de lado.

Um apito soava, sem parar, perto de nós, o marinheiro em posse gritava para os botes voltarem.

— Os botes vão voltar... — Meu irmão disse-me, contente.

— É... Eles vão.

E os minutos começaram a passar, e com isso o apito parou de soar, e os gritos foram cessando. Tudo era calmo. Porém, o pânico ainda estava presente.

Era árduo ficar de olhos abertos.

Sentia-me fraca.

Cansada, dolorida.

Os mil cacos de vidro rasgavam minha pele, de novo e de novo. A dor me corroia, e ao mesmo tempo não sentia meus membros direito. Mal conseguia respirar, e Sam, ao que tudo indicava, dormia.

Eu não pude evitar fechar os olhos também.

— Há alguém vivo aí?!

Notas finais
Até ♥