— Ei, abracadabra! – Meu irmão gritou, do andar debaixo. – Você recebeu mais uma daquelas cartas esquisitas, mas dessa vez veio duas!

Desci rapidamente a escada, raivosa, meu irmão havia me dado este apelido por causa dessa maldita carta.

— Pare de me chamar assim! – Gritei com ele, arrancando o pedaço de papel da mão do mesmo.

— Por que eu deveria parar, Abracadabra? – Ele disse, falando o apelido devagar.

— Porque sim, seu... – Parei um estante para inventar um xingamento. – Melequento!

— Nossa! – Ele revirou os olhos. – Eu esperava mais de você, maninha, me decepcionou.

— Vai tomar no cu! – Gritei, tentando bater nele.

— Mãe! – Meu irmão mais novo. – O Leon e a Charlotte estão brigando, de novo!

— Seu traidor! – Leon, que conseguiu desviar dos meus socos e tapas, se virou para Victor, que nos olhava com medo, ele sabia que a briga iria para cima dele de qualquer maneira. – Você devia estar do meu lado, somos homens, deveríamos nos unir contra a tirania da Charlotte!

— Tirania? – Gritei incrédula. – Se alguém é tirano aqui é você, que suborna crianças inocentes, por que diabos o Victor te apoiaria?

— Porque eu sou o mais velho, — Ele disse, como se eu fosse uma pessoa extremamente burra, eu senti o ódio me dominar novamente. – A-bra-ca-da-bra!

— Seu desgraçado! – Voltei a socar o rosto do meu irmão.

— Mãe! – Victor agora estava chorando.

— Charlotte Anne e Leon Jones! – A voz imponente da minha mãe gritou nossos nomes. – O que vocês pensam que estão fazendo?

— Foi a Charlotte que me bateu! – Ele me entregou apontando para mim.

— Mãe, ele continua me chamando de “Abracadabra”! – Gritei irritada.

— Não me interessa! – Ela disse raivosa. – Vão os dois para a cozinha, agora!

— Sim, senhora! – Obedecemos imediatamente correndo em direção a cozinha.

Eu era a filha do meio, insignificante praticamente, se não fosse o fato de eu ser uma menina, provavelmente nem ganharia atenção aqui.

Meu irmão mais velho, Leon, tinha treze anos, e um rosto cheio de espinhas, assim como o aparelho que brilhava nos seus dentes, ele era um verdadeiro estorvo.

— Então, — Minha mãe, Lucy, uma mulher de 32 anos muito, muito, bonita, falou, cruzando os braços. – Se explique, os dois, agora!

— A Charlotte recebeu outra daquelas cartas estranhas, mãe! – Meu irmão falou, me fazendo revirar os olhos. – Ela é realmente uma esquisita!

— Outra carta? – Ela me olhou, arqueando uma sobrancelha. – Melhor lermos quando o pai de vocês chegar... Sua vez ,Charlotte, se explique!

— Ele continua me chamando de Abracadabra, mãe! – Falei indignada.

— Pare com isso, Leon! – Ela disse, simplesmente. – Agora vão os dois para os quartos, andem!

Rumei em direção ao meu quarto, da onde eu não deveria ter saído, ele tinha o logo do Rolling Stones na porta, eu tinha uma queda pelo Keith Richards.

O quarto em si era cheio de posters e bagunçado, principalmente se contar o fato de que eu quase nunca saia de lá.

E fiquei ouvindo álbuns, das bandas que eu gostava até meu pai chegar, na hora do almoço e minha mãe nos convocar para irmos comer.

— Então, — Ele começou a falar, percebendo o clima desconfortável que estava na mesa. – O que aconteceu hoje?

— A Charlotte recebeu outra daquelas cartas! – Leon falou rapidamente, a boca cheia de purê, me fazendo entortar o nariz em desgosto. – Elas estão com a mãe!

— Outra carta? – Meu pai perguntou confuso, olhando para mim, que estava concentrada no purê. – Charlie, o que você acha que eles querem?

— Eu não sei! – Falei suspirando. – Eles dizem que são um colégio, não dizem? Talvez devêssemos dar uma chance, e ler a carta!

— Você fez uma prova escondida para um colégio particular? – Minha mãe me perguntou.

— Não! – Bufei. – Eu realmente acho que devíamos ler a carta! – Insisti.

— Certo! – Meu pai concordou. – Mas será você quem vai ler.

— Tá bem... – Falei pegando o elegante envelope com um selo vermelho, havia três carta incluídas ali.

“Escola de Magia e Bruxaria De Hogwarts

Diretor: Albus Dumbledore

(Ordem de Merlin, Primeira classe, Grande feiticeiro, Bruxo chefe, Cacique supremo, confederação internacional de bruxos)

Prezado(a) Charlotte Anne Hawkins

Temos o Prazer de informar que V.Sa tem uma vaga na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até o dia 31 de Julho, no mais tardar.

Atenciosamente

Minerva Mcgonagall

Diretora Substituta.”

Terminei de ler a carta, e observei as reações deles, que olhavam para mim incrédulos.

— Isso está realmente escrito, aí? – Leon perguntou arrancando a carta das minhas mãos.

— Leia as outras! – Minha mãe, disse, uma oitava mais alto que o normal.

— Sim, senhora! – Respondi rapidamente, pegando o outro papel.

Basicamente, eu poderia ir se a garota que eles prometeram enviar aparecesse, porem a noite, eu respondi a carta rapidamente, aceitando o fato de estudar em uma escola de magia, e entregando-a para a coruja que veio a entregou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.