Abra seu coração
1 Abra seu coração
Notas iniciais
Tenham lencinhos em mãos *-*
— Abra seu coração. Deixe-me chegar mais perto. Não seja tão fria, gelada... Congelada. Você está sempre chorando sozinha. Eu posso te salvar. — Ele falou, lentamente, sem vida na voz, escondido sobre o outro lado da porta.
Só o vento falava.
— Por favor.
Nem um movimento. Os pés foram desalinhando até ele se virar e deslizar até estar no chão. Fechou os olhos já cansados e suspirou.
—Eu não posso- Respondeu a garota do outro lado. Ele mal podia imaginar, mas ela estava na mesma posição, suas costas encostadas na porta, seus olhos fixos em suas próprias mãos.
Mãos frias. Mãos congeladas.
Dedos que podiam produzir gelo e congelar palácios. Que poderiam ferir...
Que poderiam feri-lo.
—Eu não posso... Jack- Repetiu, desta vez acrescentando o primeiro nome do seu amado.
Ela se agarrou a si mesma. Mãos que se entrelaçavam a cotovelos finos e a camada sem vida de um tecido azul desgastado. Levemente ferido. Uma representação breve da dor que a própria sentia.
—Eu jamais vou desistir de você – Contradisse o albino com um sorriso travesso.
—Sabe que não vai me fazer mudar de idéia- Sussurrou tão baixo que duvidava que seu amado pudesse escutar qualquer coisa.
Fechou os olhos, ouvindo apenas as batidas de seu coração. Eram rápidas, velozes e agitadas como sempre ficavam quando pensava em Jack Frost.
Se pudesse ficar para sempre com ele... Se pudesse...
Sentir...
Abrir seu coração.
O som da nota do violão quebrou o silencio singelo. Os olhos da loura então se abriram, enormes e azuis, seus lábios entreabertos exalando um suspiro prolongado.
O que ele estava planejando?
Mais uma nota, mais alta e sonora. O som das estrelas e a exaltação do brilho do luar.
As batidas isoladas duraram apenas alguns segundos, antes que a voz delicada e quente do garoto irrompesse o volume do instrumento desgastado e tórrido ao toque das cordas livres.
**
Sei que está acostumada a ficar sozinha, sozinha
Isolada em seus próprios pensamentos bagunçados
Agarrada a uma única e qualquer concepção
Que jamais poderá abrir seu coração
**
Oh, sei que diz que está tudo bem
Que não se importa em estar abraçada com o vazio
Mas sei que no fundo
Gostaria de se sentir viva um segundo
**
Sei que quer sentir e chorar
Sei que quer sorrir genuinamente
Sonhar com um mundo de estrelas e dourado
Onde a escuridão ficaria no passado
**
Apenas abra seu coração
O frio pode se tornar o próximo verão
O amor pode se tornar uma canção
Se deixar que eu declare minha paixão
**
A música se cessou, tão enigmática como surgira. Uma ultima batida do violão denunciara que não existiria mais nenhuma frase. Nenhum novo parágrafo.
Mas porque teria? Por que algo mais seria acrescentado aquela canção? Um poema arrancado da alma de um jovem poeta apaixonado...
Apaixonado por ela.
Por um minuto, Elsa ficou completamente sem reação. Nunca havia experimentado um sentimento como esse.
Como isso se chama mesmo?
Sim... Amor. Esperança.
Por anos as palavras de seu pai haviam sido seu mantra. “ Encobrir. Não sentir.”. Levou esse ensinamento a risca por anos. Escondeu-se em seu quarto engolindo seus sentimentos, abafando suas emoções, sufocando a primavera de esperança e liberdade que surgia dentro de si. Fingiu para o mundo, para todos e para ela mesma que viver assim estava okay.
Ma isso foi antes dele. Antes de conhecer Jack.
—O que você achou?-Ele perguntou do outro lado da porta- Sei que foi meia improvisada, mas é o que eu sinto...
"Eu..."-Ela disse, sem o que dizer. Seu coração batia. Nada a dizer. Mas ele esperava sua resposta. — "Você..."
Ele olhou de lado pela porta.
O que ela deveria dizer? Como expressar tudo que sentia em palavras reais.
Silêncio. Como se não houvesse palavras.
— Me deixa entrar. — Ele disse. Como se as palavras doessem.
Ela chorou. Os olhos dele foram para baixo. Apoiou suas costas na porta novamente.
Ele já tinha dito o que tinha de dizer. Ela também.
Mas não tudo...
O coração dele doía. Por causa dela. Ele fungou e umedecer os labios, o coração apertado.
— Sabe... eu... Também sou frio. Como a lua, como o gelo. Como você. Então... Se você abrir...
Estava preso. Mas estava ali. Há muito tempo.
— Eu amo você.Nunca amei alguém tanto quanto amei você, Elsa.
Nela Também estava preso.
As lágrimas caíam do seu rosto claro e suave como a neve.
Ela tinha as palavras. Mas...
Ela encarou a maçaneta. A lágrima desceu. Ela jogou e puxou ar. Puxou os lábios para dentro e girou a maçaneta fechando os olhos. Ele levantou do chão com o barulho e eles se encararam. Ele a abraçou. Ela não precisava dizer.
Elsa se afastou um pouco e o beijou. Um beijo prolongado, guardado a tanto tempo que para ela eram duros séculos.
Essa era sua resposta.
Aquele beijo.
— Eu... amo você. Também. — Ela riu.
Ele riu.
— Eu também- Ele ria entre os intervalos do beijo, entre suas curtas respiração.
E selaram seus lábios mais uma vez. O gelo tinha se quebrado. Derretido. Eles estavam felizes, e seus corações unidos, finalmente estavam abertos para o amor.
Fim
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