Eu coloquei uma música para tocar e pensei “está tudo bem comigo, eu aguento”. Não era uma música qualquer, era a música que me lembrava de você, na verdade era sua música, e tudo bem eu me lembrar de você.

Você ainda não sabe, talvez não queira saber, mas eu tentei, tentei de todas as maneiras não pensar em você. Fechei os olhos e torci para isso desaparecer. Você ainda não sabe como me sinto toda vez que te vejo ir. Toda vez que aceito o fato de quando você parte não há volta. Não é um ciclo, não é um jogo, é só a vida sendo a vida.

Coloquei essa música para tocar porque no fundo, por mais que eu dissesse da boca para fora aos meus amigos que eu queria te esquecer, que eu estava te esquecendo, na verdade eu não estava, eu só queria me lembrar. Tinha até medo de esquecer. Já imaginou que pesadelo seria esquecer a cor dos seus olhos, o formato dos seus lábios, o som da sua risada, ah, que Deus me livre disso!

Coloquei essa música e agora ela toca sem parar dentro de mim. Tento tirar meus pensamentos de você, mas isso é impossível, inimaginável. Eu só queria ficar com você.

Você ainda não sabe, mas está tudo bem em ouvir essa música, está tudo bem em dizer o que você me faz sentir.

Mas quando a música termina, e a melodia dentro de mim acaba. Silêncio. A realidade não é tão doce quanto uma canção, e dentro de mim a vida para. Eu tentei e tentei, colocar a vida nos trilhos, colocar sentido, coragem, paz. Será que isso é mesmo amor? O amor te tira à paz e desgraça com a sua cabeça? O amor te beija e depois parte sem dizer adeus?

Quando havia você, quando havia música, eu pensava que o amor era uma eterna tentativa. Tentativa de viver a vida plena, de doar-se, entregar-se por completo e não esperar nada em troca. Foi o que eu fiz. Entreguei-me a aceleração dos meus batimentos cardíacos perto de você, mas a inércia dos seus batimentos me reprimiu. Você reside na resistência do amor, na resistência do sentimentalismo. E está tudo bem se você é assim. Mas eu desapareci em mim. Você ainda não sabe, mas eu tentei não ceder. Tentei ao máximo quebrar qualquer barreira, mas eu não poderia quebra-la. Então sim, eu aceito desistir por você. Eu também resisto no não, há amor na minha retirada, no meu silêncio, na minha aceitação. O amor resiste na minha bandeira branca de paz.

Estas são as coisas que eu faço. Você devia saber. Você sabe?

Saiba que há algo sobre você, algo que só se vê no mais profundo traço escuro de seus olhos. Algo que eu adoro em você. Algo que é emblemático e me faz mistificar você. Pura fantasia. Está além da compreensão humana, além das leis da física, da lógica. Podem chamar os gênios, sábios e filósofos, e nada do que eles digam será capaz de explicar o que eu adoro em você, nenhum jamais será capaz de desvendar o enigma que há por trás dos seus olhos negros. Você nem é misteriosa, é só que há algo sobre você, que é impossível de explicar. Única no universo, equação inexplicável, sopro de vida injustificável.

Eu não preciso de respostas, não preciso de justificativas. Eu sou o que sou, eu amo o que amo, você é o que é, e se há alguém que não pode compreender ou aceitar isso, eu lamento, mas não me faz diferença.

E aí, quando paro de pensar sobre tudo isso, eu coloco uma música para tocar, apenas para lembrar as dores e os dessabores que é amar você, o prazer e a inquietude que é te gostar. Você ainda não sabe, mas atingiu meu coração de maneira irreparável.

Notas finais
Obrigada por ler!

Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!