About death and friendship

3 Gleam in his eyes, butterflies in my stomach


Notas iniciais
Peço super desculpas pela demora em postar esse capítulo, de verdade. Mas tem justificativa rs
O capítulo já estava pronto a algumas semanas, mas eu resolvi procurar um beta pra acertar os detalhes, e até eu encontrar uma, mandar o capítulo, revisar e tudo mais foram-se vários dias.
Mas agora pelo menos vocês terão uma leitura melhor, sem errinhos chatos :3
Então, aproveitem ♥

Nos próximos dias que se seguiram, Spock visitava o quarto de Kirk todos os dias, religiosamente. Ele chegava ao hospital na exata hora em que o horário de visitas começava e só ia embora quando o encerravam, e mesmo que ele não estivesse todo esse tempo no quarto de Kirk, ele se mantinha dentro dos limites do hospital, sempre perto.

Ele percebeu que depois de experimentar aqueles sentimentos, era difícil abrir mão deles. Agora o que ele sentia era quase o inverso de antes; sempre que se afastava do quarto de seu capitão aquele ilógico sentimento espetava-lhe como uma agulha: pequena, porém afiada. A segurança só vinha quando estava lá, olhando para Jim, vendo seu peito subir e descer por debaixo das cobertas, tendo a certeza de que ele ainda estava vivo.

Os primeiros dois dias de sua nova rotina foram relativamente tranquilos; estava aprendendo a lidar bem com seus recém-descobertos sentimentos, o que havia se tornado mais fácil pois o estado de seu capitão não apresentara pioras. Informara-se com o Doutor McCoy sobre o estado de Jim e sobre todos os procedimentos que foram e que ainda seriam realizados, e o médico concordou prontamente em lhe dizer tudo. Até mesmo permitiu que o Vulcan estivesse presente em alguns deles, o que era uma rara exceção.

No segundo dia (oitavo dia de coma de Kirk) uma redução nos sedativos foi feita, e durante todo o decorrer do dia as reações de Jim à mudança haviam sido monitoradas de perto pelo próprio McCoy. Spock foi um dos primeiros a saber que seu capitão estava respondendo bem a redução; mesmo que o médico não tivesse uma das melhores relações com o Vulcan, sabia que devia aquelas informações a ele. Dada essa resposta positiva, McCoy e os outros médicos do hospital acharam que já era hora de fazer a última redução antes de finalmente cortar os sedativos e deixar os pulmões de Kirk respirarem por si só.

O corte veio no 10º dia de coma. Spock estava de pé no fundo da sala, ao lado do sofá branco, enquanto a equipe de médicos, incluindo McCoy, se preparava para retirar o respirador de Kirk. A tensão na sala era quase palpável; mesmo com as chances ao lado deles, o Vulcan sabia que pacientes nesse estado podiam ser bem imprevisíveis às vezes, e essa incerteza do que poderia acontecer gerava uma sensação incômoda em seu estômago. Eram quatro médicos no total, além de duas enfermeiras, todos com inegável experiência em casos graves e bem preparados para eventuais emergências.

Quando McCoy finalmente retirou o respirador os olhos do Vulcan não viam nada além do peito de seu capitão, atentos a qualquer falta de movimento; mas eles continuaram a se mover, subindo e descendo levemente. A sensação incômoda no estômago de Spock estava prestes a desaparecer quando o bipe dos painéis começou a ficar mais estridente, e todos os músculos de seu corpo se tencionaram ao perceber que a respiração de Jim se tornara completamente irregular; seus pulmões estavam falhando.

Uma das enfermeiras se aproximou dele, na tentativa de tirá-lo da sala; é um procedimento padrão em hospitais deixar somente a equipe médica no cômodo quando a situação de um paciente se agrava. Spock nem ao menos estava prestando atenção ao que a mulher dizia; mesmo com ela tentando arrastá-lo pelo braço, ele só conseguia ver a caixa torácica de seu capitão parar de se mover enquanto os médicos tentavam recolocar o respirador.

­­– Deixe-o, enfermeira. Venha aqui ajudar ao invés disso. – McCoy disse numa voz autoritária, desviando rapidamente os olhos para Spock, logo voltando ao que estava fazendo. Algo naquele olhar tranquilizou o turbilhão em seu estômago, algum tipo de confiança ou simplesmente a competência que sabia que McCoy possuía.

Foram necessários 2.6 minutos para que o estado de seu capitão fosse estabilizado novamente, e mesmo que seu sentido Vulcan o fizesse sentir com exatidão a passagem do tempo, aqueles 2.6 minutos haviam sido muito mais longos do que realmente foram. Kirk havia sido posto novamente no respirador e McCoy não iria arriscar outra tentativa de retirá-lo por pelo menos mais dois dias.

~

Naquela noite, parado em frente à saída do hospital após o horário de visitas ter se encerrado, Spock pegou-se lembrando da proposta que a tenente Uhura fizera dois dias atrás; e apesar de ter considerado um tanto ilógica na ocasião, agora sentia-se bastante inclinado a aceitá-la. Os acontecimentos daquela tarde ainda o perturbavam de uma forma desagradável, de modo que se sentia tentado a acreditar que conforto humano seria bem vindo, apesar se uma fraca voz Vulcan ainda sussurrar-lhe que era desnecessário.

Finalmente aceitou o convite, e naquela noite dormira no apartamento de Uhura. Ela pareceu surpresa quando sua presença foi anunciada; provavelmente não esperava que sua proposta fosse aceita desde o início, mas recebeu-o de bom grado com um e sorriso caloroso no rosto. Eles conversaram durante a maior parte da noite, em geral sobre assuntos da federação; A tenente também falou um pouco sobre seus planos para seu tempo de licença e coisas do tipo.

Dado um momento da noite a conversa cessou. Ambos estavam na mesa de jantar da sala de Uhura, as cadeiras frente a frete, e quando o silêncio se apossou do ambiente os dois desviaram o olhar para qualquer outro ponto do cômodo. Aquilo não era em vão, ambos sabiam o motivo daquele silêncio; o assunto havia resvalado no nome de Kirk, o que deixara o ambiente bastante desconfortável.

A morena estava terrivelmente curiosa, sabia que para Spock ter aparecido daquela forma algo havia acontecido, e ao mesmo tempo em que queria saber, tinha medo da resposta. E Spock, bem, o que ele achava precisar no momento era soterrar bem lá no fundo o que ele havia sentido naquela sala durante a tarde, e falar sobre aquilo não parecia ajudar muito.

– Spock... Aconteceu alguma coisa? – Ela não conseguiu segurar as palavras, mesmo internamente se arrependendo no segundo seguinte. Spock franziu minimanete o cenho ao ouvir a pergunta, um movimento normal para o Vulcan e normalmente ignorado por outras pessoas, mas não para quem sabia lê-lo corretamente; e Uhura estava aprendendo muito bem.

– Eu estou em perfeitas condições, Nyota, não vejo fundamento em tal questionamento. – Ele olhava para ela quando respondeu a pergunta, e mesmo parecendo indiferente, havia algo a mais naquele olhar. O tom de voz polido e a postura formal, apesar dele ter usado seu primeiro nome, apenas faziam com que a morena tivesse mais certeza de que algo acontecera.

– Você sabe do que eu estou falando, e essa não é a resposta certa para o que eu te perguntei. – As palavras saíram acompanhadas de um pequeno sorriso. Essas técnicas de Spock não funcionavam mais com ela. As sobrancelhas do Vulcan se ergueram apenas mais alguns milímetros, mas aquela reação, seguida do desviar de olhar, foi o suficiente para que a morena constatasse que estava certa.

A resposta havia demorado alguns bons minutos para vir, e quando veio, o desconforto de Spock ao tocar naquele assunto era palpável. E se Uhura tinha sentido uma pontada de arrependimento logo que perguntara, agora o arrependimento era quase como uma faca.

– Durante a tarde de hoje a equipe médica realizou o procedimento de retirada do respirador que se ligava aos pulmões do Capitão. Eles acreditavam, e eu também compartilhava da mesma opinião, que os pulmões dele estavam preparados para trabalhar por conta própria... Infelizmente, estávamos enganados. — O cenho do Vulcan tinha se contraído novamente enquanto ele falava naquele tom quase didático, e Uhura via, com uma pontada de dor, aquele estranho brilho incômodo nos olhos escuros de seu namorado enquanto ele continuava.

– Dr.McCoy estabilizou seu estado rapidamente, e apesar de informar-me que era uma ocorrência normal, e que tentará novamente realizar o procedimento daqui a alguns dias, algumas possibilidades ainda parecem... Perturbadoras, levando-se em conta as variantes do sangue modificado de Khan. – Depois disso Spock ficou em completo silêncio, imerso em suas teorias sobre o acontecido. Uhura sabia que as “possibilidades” as quais ele se referia eram sobre o sangue não regenerar completamente o corpo de Jim, e ele ficar imerso no coma por tempo indefinido, ou até para sempre.

– Oh, Spock... – Seu tom era carregado de compreensão quando disse o nome dele. A tenente se levantou da cadeira em que estava sentada, rodeou a mesa que os separava e parou ao lado do moreno, pegou uma de suas mãos e segurou entre as dela, dando-lhe um aperto carinhoso.

– Eu sinto muito. – Ela praticamente sussurrou aquela frase, e ela tinha mais significados do que gostaria que tivesse. Uhura inclinou-se sobre Spock e abraçou-o, escondendo seu rosto na curva de seu pescoço.

– Eu temo não entender o que você... – Ela cortou-o com um “shiu” baixo e o Vulcan interrompeu sua fala, ficando novamente em silêncio. – Apenas... Desculpe-me. – Completou, e Spock chegou a separar seus lábios para falar algo, mas fechou-os logo em seguida, levando quase timidamente suas mãos a cintura de Nyota, retribuindo o abraço.

Aquele contato durara cerca de um minuto, apenas, mas fora bem mais reconfortante do que o Vulcan ousara esperar. Quando se separaram, Uhura tinha um pequeno sorriso nos lábios, e acariciou levemente o rosto de Spock com as costas da mão.

– Não se preocupe, o Capitão Kirk vai se recuperar. Todos nós sabemos como ele é forte, não é? – Ele respondeu com um pequeno aceno de cabeça, antes de Uhura continuar – Vamos, acredito que amanhã você queira chegar cedo no hospital, e já está tarde. – Depois dele novamente concordar Uhura guiou-o até seu quarto, e dormiu pouco tempo depois deitada sobre o peito do Vulcan. Já Spock demorara bem mais a pegar no sono; pois todas as vezes em que tentava fechar os olhos a imagem de seu capitão enchia seus pensamentos, e seus olhos eram tão frios e sem vida que pareciam congelar sua alma.

~

Dois dias se passaram depois daquilo, e já estava na hora de outra tentativa de retirar o respirador de Kirk. E novamente Spock estava lá, atento, exatamente no mesmo lugar que estivera da outra vez. Ele e McCoy haviam tido uma pequena discussão algumas horas antes, pois o Vulcan achava ainda ser cedo para outra tentativa enquanto o médico achava que não havia necessidade de esperar mais, devido ao fato do estado de seu capitão estar completamente estável. McCoy havia indiscutivelmente vencido a discussão, o que causou até mesmo um certo estranhamento no médico, pois os argumentos de Spock não eram tão lógicos quanto normalmente eram.

Spock sabia disso. Ele sabia que não havia lógica em esperar mais, ele também sabia que a probabilidade de sucesso era maior dessa vez, mas mesmo assim...

Suas mãos estavam apertadas atrás das costas enquanto ele observava o início do procedimento, e ele não se lembrava da última vez que as sentiu tão suadas. Quando o respirador fora finalmente separado de Kirk o silêncio na sala era absoluto; todos estavam completamente atentos a qualquer mudança nos painéis ou alguma reação diferente do capitão, mas ela não veio. Um minuto, 1.3, 1.7, dois minutos, três minutos já haviam se passado e nada havia mudado. Constatando isso, McCoy virou o rosto para Spock com um sorriso vitorioso, e mesmo naquelas circunstâncias, com um toque de sarcasmo brilhando em seu rosto. Spock não se irritou com aquilo, ele queria que o médico estivesse certo desde o início.

Pelo resto do dia Kirk foi deixado em severa observação por pelo menos um médico, já que ainda havia chances de seus pulmões falharem e o respirador ser novamente necessário. Felizmente, aquilo não aconteceu. E dadas as condições, Spock poderia reformular todas as suas teorias anteriores e alterar a probabilidade de Kirk continuar melhorando para, pelo menos, 70%.

Ele pôde comprovar essa crescente probabilidade dois dias depois (14º dia de coma de Jim). E Spock não só pode ver, como pode sentir.

O Vulcan estava sozinho no quarto quando aconteceu. Kirk recebia visitas todos os dias do pessoal da tripulação, mas em geral eram rápidas, e as médicas não chegavam a ser demoradas, o que deixava Spock sozinho com ele na maior parte do dia. O moreno estava de pé ao lado de seu capitão, sua mão direita segurava a pequena grade da cama enquanto a outra pendia ao lado de seu corpo, seus olhos estavam fixos em um único ponto em particular... A mão de Jim.

Ele tentava com todas as suas forças conter o impulso de tocá-lo, mas estava se mostrando mais difícil do que tinha imaginado. Spock realmente não sabia de onde esse impulso vinha, e tinha consciência de que não deveria sentir esse tipo de coisa, principalmente em relação a seu capitão. Ele era um Vulcan, e para sua raça tocar outras pessoas era quase um tabu, era uma prática restrita até mesmo entre casais.

Tornou-se ainda mais difícil controlar quando ele se lembrou da última vez que sentira esse tipo de ímpeto. Ele sabia que se não cedesse as imagens daquela câmara voltariam para sua cabeça, e só essa possibilidade já foi o suficiente para varrer os pensamentos lógicos de sua mente.

Sua mão direita soltou a grade da cama e se aproximou hesitante do colchão, pousando apenas alguns centímetros abaixo de onde estava a mão de Kirk. Ele a manteve ali por mais alguns segundos antes de aproximá-la apenas o suficiente para que as pontas de seus dedos se tocassem. Eles formigaram ao toque, provocando uma sensação agradável que percorria todo o braço de Spock, e era como se, somente por aquele pequeno contato, ele pudesse sentir a presença da mente de seu capitão; ele não tinha contato direto com ela, somente podia senti-la ali, presente, viva.

E por deus, aquilo era estupidamente agradável.

Quando se deu conta já não estava tocando apenas a ponta dos dedos, mas todo o resto. Seus dedos fizera um caminho pelas costas da mão de Kirk, chegando até quase seu pulso para depois voltar pelo mesmo caminho, e tudo tão lenta e delicadamente que era como se o Vulcan temesse que a pele quebrasse ao seu toque. Era tão quente, tão confortável, tão familiar que Spock simplesmente não conseguia parar.

E foi quando praticamente toda sua mão estava pousada sobre a de Jim que ele sentiu um movimento praticamente imperceptível, quase como uma contração, abaixo de seus dedos. Por pouco não retirou a mão de surpresa, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa outro movimento veio, agora bem mais significativo que o primeiro. A mão de Kirk se virou para cima, e seus dedos lentamente foram se fechando em torno dos de Spock; ele estava segurando sua mão.

Os olhos castanhos do Vulcan iam de suas mãos para o rosto de Kirk, atônitos. Ele piscou algumas vezes antes de pegar o comunicador ao lado da cama com sua mão livre, aquilo precisava ser avisado.

– Dr.McCoy? – Ele perguntou, ainda olhando para suas mãos.

– Sim, Spock. Aconteceu alguma coisa com Jim?

– Ele está se mexendo, e acho que há uma grande probabilidade dele estar acordando. – Enquanto dizia isso a mão de seu capitão continuava se mexendo em volta de seus dedos, e logo a outra mão também se movia do outro lado da cama.

– Oh, Jesus. Estou a caminho. – E desligou o comunicador, afobado.

Kirk soltou a mão de Spock tão repentinamente quanto a havia segurado, mas não deixou de se mexer; agora até seu rosto se movia, suas sobrancelhas se contraindo nitidamente. Ele definitivamente estava acordando, e Spock tinha a ligeira impressão de que estava experimentando a sensação descrita pelos humanos como “borboletas no estômago”. McCoy chegou ao quarto menos de um minuto depois, e Spock deu espaço para que ele pudesse analisar os monitores, movendo-se para mais longe da cama.

E quando Kirk finalmente acordou e fixou seus profundos olhos azuis sobre Spock, foi como se ele nunca tivesse se esquecido daquele brilho.

Notas finais
NÃO ME MATEM, eu sei que vocês queriam o Kirk acordadinho já rs
Mas ele nos agracia com sua ilustre presença já no próximo, e último, então não fiquem tristes.
E ele já está quase pronto, então já adianto que não vai demorar tanto quanto esse hehe

Deixem reviews, eles fazem bem pra alma...E pro meu ego IUASYHDIOUAW ♥