About To Crash
5 Chapter Four: No Place Like Home
Tirando o fato de correr um pouco pra fugir de alguns monstros, Bronsky chegou sem problemas na esquina da casa marcada. Bronsky estava olhando-a de frente. Era uma casa normal, branca com o telhado marrom. Um balanço de pneu na frente. Parecia estranhamente familiar. Não conseguiu desviar o olhar, demorou-se alguns segundos olhando o balanço, foi então que ele começou a se mover.
Bronsky sentiu um arrepio da cabeça aos pés. O balanço se movia, cada vez mais rápido. Não havia vento nenhum. Seus pés pareciam grudados no chão, sua mente queria sair dali mas seu corpo não obedecia. Até que finalmente conseguiu desviar o olhar do balanço e o fixou na janela ao lado da porta da casa, foi então que viu um vulto pequeno passando pela janela.
Seu coração, que já batia forte, acelerou mais ainda. O vulto passou novamente pela janela, para o sentido contrário, mais lentamente agora, e, mesmo o vidro estando totalmente sujo, Bronsky conseguiu distinguir que o vulto teria que ser uma criança.
Seu celular começou a ter estática novamente, e, sem pensar, Bronsky fez o que qualquer um chamaria de “Burrice”: entrou pelo portão da casa.
A estática aumentou, Bronsky olhou para trás, duas criaturas vinham aparecendo sobre a névoa, uma de cada lado.
“Que se dane”, e Bronsky foi até a porta e virou a maçaneta, a porta abriu com um rangido
Bronsky entrou e fechou a porta. A estática do celular parou imediatamente.
A casa era simples, tinha um corredor com duas portas de cada lado e no fim do corredor a cozinha. Do lado esquerdo, aonde estava a janela, deveria ser a sala. Deveria porque não havia um móvel sequer, parecia que a família que ali morara havia se mudado.
Bronsky foi até a janela e olhou para a rua. O pneu continuava balançando, já as duas criaturas já não estavam mais ali. Um barulho, vindo da parte detrás da casa, da cozinha.
- Tem alguém aí? – perguntou Bronsky, com a voz um pouco aguda demais. Sentia medo.
Nenhuma resposta foi dada a pergunta de Bronsky, e o mesmo já não esperava.
Ele começou a andar, cautelosamente e com a arma em punho em direção do corredor. Nada via no fim dele. Começou a andar pelo corredor, olhou na primeira porta a esquerda. Deveria ter sido um quarto, estava vazio. Olhou na porta a direita, deveria ser outro quarto, estava vazio também. Bronsky demorou para desviar o olhar do quarto, a sensação de que era familiar voltou a preenche-lo. Foi quando desviou o olhar para a porta que viu que ela tinha uma pequena plaquinha. Assim como o resto da casa, a plaquinha estava imunda. Bronsky levantou a manga da camisa até o pulso e limpou a sujeira da placa, foi então que leu o que nela continha e deixou a arma cair.
Ele não parecia acreditar no que lia, na placa dizia “Quarto de Bronsky e Timmy”. Aquela era a casa em que ele crescera, aquela era a casa de seus pais.
O mundo pareceu rodopiar, sua cabeça parecia querer sair de seu corpo, a respiração fugia de seus pulmões. Bronsky ficou olhando para a placa sem pensar, sem raciocinar, sua mente em vácuo. Aquela era a sua casa, a casa aonde seus pais o criaram, a casa aonde ele comemorou seus dez primeiros aniversários. E então todas as lembranças começaram a voltar em sua mente.
“Ele tinha seis anos, estava no balanço de pneu e viu um lindo cão branco na rua.
- Mãe, olha que lindo.
Sua mãe que estava aparando as flores respondeu.
- É mesmo, meu querido.
- Ele parece estar com sede, posso lhe dar água?
- Pode, mas não deixe ele entrar no meu quintal.
...
Ele tinha sete anos, estava no quarto, sentado na cama fazendo carinho em Timmy. Seu pai apareceu na porta.
- Como foi na escola?
- Um garoto chamado Vincent roubou o meu lanche e me chamou de marica.
- Quer que eu vá à escola reclamar sobre isso?
- Não, isso faria de mim um marica.
Seu pai riu.
...
Ele tinha oito anos e dois homens de branco estavam levando sua mãe para um carro. Sua mãe gritava: NÃO SOU EU, É ELE, LEVEM ELE.
- O que está acontecendo, pai?
- Sua mãe está doente meu filho, vão levá-la a um local para ela se curar.
...
Ele tinha 10 anos e Timmy agonizava em sua frente.
- Algum problema garoto?
Gargalhou após dizer isso.
... “
Essas memórias ferroavam Bronsky, todas as feridas que Silent Hill fez a Bronsky quando ele era novo e que ele lutou tanto para cicatrizar estavam se abrindo novamente. As memórias reprimidas voltavam a atormentar. Bronsky estava atônito. Foi então que seu celular o chamou a atenção.
A estática estava de volta, passos vinham da cozinha. Bronsky apontou sua arma para a porta da cozinha e ficou esperando a criatura aparecer.
Quando apareceu, Bronsky percebeu que só poderia ser o vulto que ele tinha visto fora da casa, a criatura era menor que a outra do focinho, tinha o tamanho de uma criança, sua pele era meio esverdeada, não tinha braços e nem olhos, apenas uma boca no seu rosto.
Bronsky, tremendo, atirou na criatura, porém acertou no ombro. A criatura soltou um grito e então pulou em Bronsky, que não teve tempo se desviar. Com a força da criatura os dois caíram no chão, a arma da mão de Bronsky caiu longe. A criatura tentava morder Bronsky que com um braço tentava afastar a criatura e com a outro tentava pegar a arma que tinha caído, foi então que Bronsky se lembrou de Garcia:
- Seria útil se você fosse matar ratos.
“O canivete”
Ainda lutando pra afastar a criatura, Bronsky coloca uma das mãos no bolso e encontra o canivete. Depositando toda a sua força no braço com que pegou o canivete, ele o crava na lateral da cabeça da criatura.
A criatura gritou mais uma vez e caiu ao lado de Bronsky, estava morta. Com dificuldade, Bronsky se levanta e tira o canivete da criatura.
- Parece que afinal foi de serventia, Garcia – disse Bronsky a si mesmo.
Por causa do ataque da criatura, o espanto de estar na sua casa passou e ele começou a raciocinar.
“Alguém ou algo me quer aqui, caso contrário, não teriam marcado o sanatório e a minha antiga casa aleatoriamente, essa cidade me quer aqui, ela nunca quis que eu saísse dela.”
Mesmo com esse pensamento perturbador, Bronsky ainda não sai de sua casa e entra na porta ao lado de seu quarto, que ele deduziu ser o quarto de seus pais.
Diferente dos outros cômodos, esse quarto não estava vazio, havia um baú no meio dele. Bronsky o abriu. Dentro dele havia dois papéis e uma foto. Ele examinou a foto primeiro. Na foto, seu pai e sua mãe estavam agachados, cada um de um lado de um Bronsky de 7 anos. Timmy, estava deitado na frente de Bronsky. Bronsky guardou a foto no bolso detrás da calça e então abriu o primeiro papel. Era uma carta enviada ao seu pai pelo Cedar Groove Sanitarium:
Prezado Sr. Harper
A paciente Victoria Harper, sua esposa, apresentou novamente sinais de Dupla personalidade, o que nos deixou extremamente preocupados. Todos pensavam que o tratamento estava sendo efetiva, a paciente já estava até falando sobre o voltar a casa e rever seu filho. A sua segunda personalidade, Silvya já estava esquecida pela paciente, porém, esta manhã, na hora de tomar seus medicamentos, a paciente surtou e pulou no pescoço da enfermeira. Enquanto tentávamos controla – lá, ela voltou a repetir a frase “É ELE, NÃO SOU EU”. Isso foi um tremendo revés para nós, que tivemos que colocá-la em um tratamento intensivo.
Att.
Dr. Harris
Não havia data na carta, porém algo dizia a Bronsky que ela foi mandada perto do seu décimo aniversário, que foi uma semana antes do suicídio de sua mãe.
Bronsky então olhou o segundo papel dentro do baú. Por mais amassado que estivesse, a folha não parecia velha, o que impressionou Bronsky. Seu conteúdo foi escrito a mão e dizia:
”Quando você puder ver o que fez
Será hora de dar um passo para o reino
Todos os seus pecados irão lhe ajudar a ficar mais forte
E você irá quebrar a parede de sua prisão”
Essa mensagem não fez nenhum sentido a Bronsky, mas por algum motivo a guardou junto a foto.
- Acho que está na hora de eu seguir para Bachman.
Bronsky se levantou e virou para sair do quarto, porém uma horrível dor de cabeça começou. Sua vista embaçou, suas pernas se amoleceram e antes que pudesse se segurar em algo, ele desmaiou.
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