About To Crash
9 Chapter Eight: Cruel Past
CEDAR GROOVE SANITARIUM. Era isso que estava escrito em cima de um grande portão de ferro. Bronsky olhava para o portão. Por algum acaso, não havia nenhuma criatura por perto dele e, pelo que podia enxergar além do portão, não havia nenhuma criatura no pátio do Snatório também, isso incomodou Bronsky, parecia que o Sanatório o convidava para entrar e atormentar Bronsky com memórias. Porém ele estava cansado de apenas fugir de seu passado e decidiu entrar.
O portão rangeu quando Bronsky entrou. Ele atravessou o pátio, que era largo, e chegou a frente da porta do Sanatório.
Parte dele torcia pra que se ele tentasse abrir a porta ela estivesse trancada. Bronsky tentou a maçaneta, ela virou e a porta se abriu.
O medo e a curiosidade duelavam dentro dele. Estava escuro dentro do sanatório, assim como a mente de Bronsky, que não sabia o que pensar.
“Você veio até aqui”
”Porém isso não quer dizer que você precise entrar.”
“Se você fugir agora, você vai fugir pra sempre, é isso que quer?”
Bronsky suspirou, segurou com mais firmeza seu machado na mão direita, pegou a lanterna com a mão esquerda, ligou-a e entrou. Deixou a porta aberta para ajudar um pouco na claridade, e também para ter a sensação que não estava trancado naquele lugar maldito.
Havia um livro no balcão da recepção aberto. Bronsky foi até ele e leu, era uma lista das pacientes femininas. Entre os tantos nomes, estava sua mãe:
Victoria Harper – Ala feminina, segundo andar, quarto nº 7 (Movida para o isolamento feminino, primeiro andar)
A parte em parênteses parecia ter sido escrita as pressas. Bronsky virou a página e encontrou uma lista com as pacientes do Isolamento Feminino:
Isolamento Feminino:
Quarto 1 – Helen Grady
Quarto 2 –
Quarto 3 –
Quarto 4 – Victoria Harper
Bronsky suspirou quando leu o nome de sua mãe.
”Então é no quarto 4 do isolamento feminino que o passado me atormentará”
BUM. Com um barulho incrível, devido a acústica do Sanatório a porta de entrada fechou. Bronsky correu até ela e tentou abri-la, estava trancada.
”Droga"
Estava trancado no sanatório.
”E agora?"
Bronsky virou-se e viu algo, um garoto humano, de costas.
- Quem é você?
O garoto saiu correndo pela direita quando Bronsky fez a pergunta.
- Hey, volte aqui – e ele saiu correndo atrás do garoto.
Bronsky só conseguia ver o garoto quando ele fazia alguma curva pelos corredores.
Depois de algum tempo perseguindo-o, Bronsky o encontrou parado, de costas para uma porta e de frente para ele, com a cabeça abaixada.
- Garoto? Quem é você? – perguntou Bronsky, aproximando-se do garoto.
- É por essa porta – disse o garoto, ainda com a cabeça ainda abaixada.
- O que há além dessa porta – perguntou Bronsky, e iluminou a porta com a lanterna, acima da porta estava escrito: ISOLAMENTO FEMININO
O garoto o havia levado até ali. Ainda com um leve choque, Bronsky o perguntou:
- Como você sabia que eu queria vir aqui, quem é você? O que é Você?
O garoto levantou a cabeça, e o coração de Bronsky quase saiu pela boca. Era ele com dez anos. O mesmo cabelo, a mesma cor dos olhos, a mesma altura e com a mesma roupa que estava que usou na festa do aniversário de dez anos.
- Mas... como?
Antes que o garoto pudesse dizer mais alguma coisa um barulho veio de dentro do Isolamento feminino. Bronsky olhou para a porta. Quando voltou a olhar aonde o garoto estava, ele havia sumido.
- Droga. Aonde você foi? – gritou Bronsky, mas nenhuma resposta foi ouvida.
Bronsky suspirou, olhou para a porta e, tomando coragem, foi em sua direção e a abriu.
Era pequeno onde estava, haviam apenas quatro portas enumeradas a sua frente.
Ele começou olhando a da esquerda pra direita. A primeira porta da esquerda era a número 1. Algo chamou atenção nela. Na altura da sua cabeça havia um papel grudado na porta. Era um desenho feito por uma criança. Eram três pessoas em pé, sendo dois adultos e uma criança, no lado direito havia uma casinha. Para cada uma das pessoas havia uma legenda.
Para a mulher adulta estava escrito ”Mamãe", para o homem adulto estava escrito ”Papai” e para a criança estava escrito ”Travis”. O papel estava amarelo de velho.
Bronsky por um momento perguntou-se quem seria Travis. Será que assim como ele tinha a mãe internada no sanatório? Será que assim como ele se mudou de Silent Hill? Será que assim como ele também voltou a o Sanatório depois de muitos anos? Será que Travis conseguiu fugir de Silent Hill depois de ter voltado(caso ele tenha)?
Bronsky continuou iluminando as outras portas até chegar na Quatro.
”Aqui vou eu”
Caminhou em direção a ela e a abriu.
Dentro do quarto havia uma cama, um espelho e uma cadeira de rodas. Em cima da cama havia vários papéis. Alguns eram receitas médicas, alguns eram cartas e alguns pareciam parte de jornais.
Bronsky pegou uma das folhas que era um recorte de um jornal. Garoto Encontrado Morto em Midwich Elementary School dizia a manchete.
”Vincent Carey, 10 anos, foi encontrado dia 6 de Junho morto na área atrás da Midwich Elementary School.
- Já havia dois dias em que Vincent não aparecia no colégio e todos estávamos preocupados- disse a Diretora da escola.
A criança foi encontrada morta com vários ferimentos feitos com um pequeno punhal encontrado perto do corpo. A perícia examinou por digitais e encontrou a do próprio Vincent, o que fez a polícia considerar suicídio pela criança.
Seus pais não quiseram dar entrevistas pelo assunto.
Jim Harper, pai de Bronsky Harper, amigo de Vincent no colégio e último a ser visto com ele não quis fazer nenhuma declaração também.”
Ainda meio perturbado com a notícia, Bronsky confirmou uma hipótese que estava em sua mente desde que conversou com Vincent no Jude’s Dinner. Vincent era um fantasma ou algo do tipo.
Bronsky largou a página do jornal e pegou outra folha intitulada: Relatório da Paciente.
”Cedar Groove Sanitarium.
Paciente: Victoria Harper
Idade: 32
Sexo: Feminino
Data de Chegada: 13 de Julho de 1977
Médico Responsável: Dr. Harris
13/07/77 — Manhã
A paciente acaba de chegar. Depois de vários surtos em casa, o marido ligou para mim e pediu que a trouxesse para cá. No caminho, ela foi sedada pelos enfermeiros que não conseguiam segura-la corretamente. Eles contam que ela ficava se retorcendo dentro da camisa de força e gritava: É ELE, NÃO EU.
13/07/77 – Tarde
Acabei de examinar a paciente e diagnostiquei a doença. Transtorno Dissociativo de Personalidade (Dupla Personalidade). Durante a minha conversa com ela, as vezes ela dizia que seu nome era Sylvia e dizia constantemente: A culpa é dele, é dele, eu não fiz nada, é tudo ele. Quando voltava ao normal, apenas chorava e dizia: Me perdoa, por favor, me perdoe. No final da conversa ela perguntou pelo seu filho.
13/08/77
Um mês de tratamento e a paciente não mostrou sinal de melhoras. No dia 10 seu marido veio visitá-la. Embora ele tentasse conversar com ela, Victoria(com a personalidade de Sylvia) apenas perguntava: Você já se livrou dele? O marido diz não entender o que ela quis dizer.
08/03/78
Finalmente sinais de melhora, porém a personalidade de Sylvia ainda a predomina. Seu marido veio visitá-la novamente hoje. Ela fingiu não conhecê-lo.
07/06/78
O marido trouxe o filho assim como eu o pedi. O resultado saiu como eu esperava, Victoria predominou a personalidade de Sylvia durante toda a visita de seu filho. Mesmo que não parecesse muito feliz e carinhosa com ele, já é um progresso.
12/12/1978
A enfermeira me contou algo interessante hoje. Quando ela estava dando remédios a paciente, Victoria lhe contou o seguinte: Você conheceu o meu filho? É por causa dele que eu estou aqui. Ele não é um bom, ele é mau, muito mau. Um dia ele disse pra mim que iria me matar. Mas foi tudo minha culpa, tudo minha culpa.
Não sabemos se a personalidade que falava era a de Victoria ou a de Sylvia, mas pra qualquer uma das duas é uma coisa preocupante.
01/02/79
A paciente vai indo muito bem.
20/05/79
Já faz três semanas que a personalidade de Sylvia não predomina Victoria. Estou muito feliz quanto a isso.
07/06/79
A paciente piorou drasticamente e a personalidade de Sylvia voltou a predominar. Mandei uma carta ao marido relatando e amanhã ele fará uma visita a mulher. Pedi para que ele trouxesse o filho novamente.
08/06/79 — Noite
A visita transcorreu tranquilamente. Após a visita, a paciente ficou extremamente calada pelo resto do dia. A personalidade de Sylvia até agora, não voltou.
20/08/79
As 10:17 dessa manhã a paciente se matou depois de fazer a enfermeira derrubar um pote de vidro com os remédios. Enquanto a enfermeira foi pegar outro porte e chamar alguém para limpar o chão, a paciente pegou um dos cacos de vidro e enfiou na garganta. Morreu na hora.
Foi um choque pra mim. A paciente estava calma nos últimos dias. Calma até demais, pois diagnostiquei alguns sintomas de depressão nela. Informei ao marido sua morte pessoalmente. O que ele me chamou atenção foi que ele não chorou nem ficou surpreso, como se esperasse que aquilo fosse acontecer.
Ele disse que iria se mudar de Silent Hill junto com seu filho amanhã, pois mais nada o prendia nessa cidade.
Estou abatido, preciso descansar um pouco depois disso tudo.”
Bronsky terminou de ler e pousou o relatório sobre a cama. Aquela foi a história de sua mãe no sanatório. Lágrimas começaram a cair de seus olhos.
Mesmo no abatimento do momento, uma outra folha chamou atenção. Ela foi enviada pelo seu pai para sua mãe. Bronsky pegou a folha e leu:
”Querida Victoria
Você estava certa, nosso filho não é normal. Semana passada o amiguinho da escola dele foi encontrado morto por golpes de um punhal que Bronsky havia me mostrado dizendo que achou na rua e eu mandei-o jogar fora. A perícia disse que pelo ângulo dos cortes e o punhal ter sido encontrado na mão de Vincent, o garoto se suicidou, mas quantos garotos de 10 anos se suicidam no mundo? O fato do punhal ter sido o mesmo que Bronsky achou a alguns dias antes do garoto ser encontrado morto me deixou muito desconfiado e preocupado.
Ontem, no seu aniversário, ele sumiu por alguns segundos no pequeno matagal que temos atrás de casa. Quando a festa acabou, as 18 horas e mandei ele entrar em casa ele disse que não achava Timmy em lugar algum. Eu o disse pra não se preocupar que logo o cachorro iria aparecer. Porém, quando já eram 22 horas e Bronsky estava dormindo saí para procurar o cachorro no matagal e o achei morto com golpes de uma pedra que estava ao lado. Eu enterrei o cachorro. Querida, acho que foi Bronsky que o matou, e também acho que foi ele que matou o garoto no colégio.
É tudo nossa culpa, assim como eu disse na visita que fiz a três dias atrás.
Vou me mudar junto com ele dessa cidade o mais rápido possível, nunca deveríamos ter pego ele naquele orfanato, porém abandoná-lo agora seria muita crueldade. Adeus querida.
PS: Estou mandando essa carta por uma amiga minha que é enfermeira aí no sanatório.”
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